Presidente do PRTB Leonardo Avalanche teria participado da soltura do traficante André do Rap, líder do PCC, conforme áudio publicado pela Folha de S.Paulo. Marçal reconheceu condenação de 2010 por fraude bancária, mas garantiu não ter conhecimento de ilegalidades e afirmou estar em paz após prescrição da pena em 2018.
Marçal se afasta de presidente do PRTB suspeito de ligação com PCC
Agora o Brasil inteiro está sentindo o que eu estou sentindo
Por que Marçal escolheu se afastar de Avalanche apenas depois que a Folha publicou o áudio, e não antes?
Porque até aquele momento, a ligação não era pública. Marçal operava dentro de uma estrutura partidária normal. Quando a suspeita virou notícia, o custo político de permanecer próximo tornou-se insuportável.
Sua estratégia de questionar a credibilidade da Folha — "cadê o dinheiro do PCC" — funciona realmente?
Funciona para quem já quer acreditar nele. Para os outros, parece esquiva. É uma aposta de que a dúvida é suficiente quando você não pode negar os fatos.
Como alguém condenado por fraude bancária consegue ser candidato a prefeito?
Porque a pena prescreveu. Legalmente, é como se o crime nunca tivesse existido. Mas politicamente, fica a questão: prescrição legal é o mesmo que inocência?
Marçal comparou seu bloqueio nas redes com o bloqueio do X. É uma comparação justa?
Ele está tentando se colocar como vítima do mesmo sistema que agora afeta toda uma plataforma. É uma forma de normalizar sua situação — se até o X sofre, por que ele não sofreria?
Por que ele não atacou Moraes diretamente, como fazem outros conservadores?
Porque atacar um ministro do STF é arriscado. Marçal preferiu criticar o sistema como um todo — mais seguro, menos pessoal, menos passível de retaliação.
The Pulse
- Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, afirmou em áudio ter participado da soltura do traficante André do Rap, líder do PCC, em 2020
- Marçal foi condenado em 2010 a 4 anos e 5 meses por fraude bancária; pena prescreveu em 2018
- Primeira Turma do STF manteve bloqueio do X por unanimidade (5 a 0) em decisão de Moraes
Presidente do PRTB Leonardo Avalanche teria participado da soltura do traficante André do Rap, líder do PCC, conforme áudio publicado pela Folha de S.Paulo. Marçal reconheceu condenação de 2010 por fraude bancária, mas garantiu não ter conhecimento de ilegalidades e afirmou estar em paz após prescrição da pena em 2018.
Candidato à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal minimiza suspeitas sobre ligação entre dirigentes do PRTB e o PCC, afirmando ter se afastado do presidente do partido Leonardo Avalanche.
Na noite de segunda-feira, durante uma entrevista no Roda Viva da TV Cultura, Pablo Marçal enfrentou perguntas sobre uma questão que ameaçava sua campanha à prefeitura de São Paulo: a suspeita de que dirigentes de seu partido, o PRTB, mantinham ligações com o Primeiro Comando da Capital, a maior facção criminosa do país.
O centro da controvérsia era Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB. A Folha de S.Paulo havia publicado um áudio em que Avalanche afirmava ter participado da soltura do traficante André do Rap, um dos líderes do PCC que saiu da prisão em 2020 após decisão do Supremo Tribunal Federal. Marçal, quando questionado sobre sua relação com Avalanche, respondeu com uma mistura de distanciamento e dúvida. "Falei para ele: 'Não é melhor você se afastar'? Espero que ele tenha bom senso", disse o candidato. Em seguida, afirmou ter se afastado pessoalmente de Avalanche porque considerava constrangedor responder sobre essas questões.
Mas Marçal não parou no distanciamento. Questionou a credibilidade das informações publicadas pela Folha, usando uma lógica que buscava desacreditar as acusações: se Avalanche realmente tivesse ligações com o PCC, por que teria recebido uma notificação de despejo? Onde estaria o dinheiro da facção para ajudá-lo? A estratégia era clara — lançar dúvida sobre a narrativa sem negar os fatos diretamente.
O candidato também precisou lidar com seu próprio passado criminal durante a entrevista. Em 2010, Marçal havia sido condenado a quatro anos e cinco meses de prisão por participação em um esquema de fraudes bancárias em Goiás. Na época, ele tinha apenas dezoito anos. O grupo que integrava criava sites falsos de instituições financeiras como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, enviava e-mails acusando falsamente pessoas de inadimplência, roubava dados das vítimas e infectava computadores com programas maliciosos conhecidos como cavalos de Troia. Marçal reconheceu ter colaborado com o grupo, mas sempre manteve que desconhecia qualquer ilegalidade. Sua pena foi extinta em 2018 por prescrição retroativa.
Quando confrontado sobre a condenação, Marçal respondeu com uma negação categórica: "Eu não tenho nadinha para me curvar para bandido. Eu não sou bandido." Descartou as acusações de que teria roubado de idosos, dizendo nem conhecer essas pessoas. Sua conclusão foi que estava em paz com o passado porque havia sido prescrito e porque não tinha antecedentes criminais antes daquele caso.
A entrevista também tocou em outro tema que dominava o debate político naquele momento: a suspensão do X, antigo Twitter, no Brasil. O ministro Alexandre de Moraes havia ordenado o bloqueio da plataforma, e na segunda-feira anterior, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal havia mantido a decisão por unanimidade — cinco votos a zero. Moraes argumentava que o X descumpria a legislação brasileira ao não indicar um representante legal no país.
Marçal não fez coro com as críticas mais duras que setores conservadores dirigiam a Moraes, nem respondeu se considerava o ministro um "ditador", como parte do eleitorado bolsonarista afirmava. Em vez disso, usou a situação para fazer uma comparação pessoal: "Agora o Brasil inteiro está sentindo o que eu estou sentindo", disse, referindo-se ao bloqueio de suas próprias redes sociais pela Justiça Eleitoral. Marçal criticou o que chamou de desequilíbrio dentro da República e de excessiva politização das competências do Supremo, afirmando que a situação havia ultrapassado limites. Quando perguntado sobre um possível impeachment de Moraes, respondeu que essa era atribuição do Senado Federal e que confiava na Justiça sem necessidade de uma corte política.
Notable Quotes
Falei para ele: 'Não é melhor você se afastar'? Espero que ele tenha bom senso— Pablo Marçal, candidato do PRTB
Eu não tenho nadinha para me curvar para bandido. Eu não sou bandido— Pablo Marçal, sobre sua condenação passada