Em menos de uma semana, a memecoin B22 — criada para converter engajamento digital em votos para Flávio Bolsonaro — colapsou sob o peso de sua própria contradição: uma moeda que prometia causa social e recompensas eleitorais ao mesmo tempo. O Tribunal Superior Eleitoral interveio, bloqueando o site por abuso de poder econômico, enquanto parceiros africanos se retiraram envergonhados e a própria campanha do candidato negou qualquer vínculo com a iniciativa. O episódio revela os limites frágeis entre inovação tecnológica, propaganda eleitoral e a lei — e o custo humano de projetos construídos so
Marçal fica irritado com projeto de criptomoeda pró-Flávio que enfrenta colapso
Vocês são um bando de frouxo, faça esse gráfico subir
Por que alguém criaria uma criptomoeda para promover um candidato? Parece arriscado.
Era uma memecoin — basicamente tokens oferecidos a quem compartilhasse conteúdo favorável a Flávio Bolsonaro. O projeto também prometia destinar recursos para crianças de Uganda, o que dava uma camada de legitimidade social.
Mas quem realmente criou isso? O texto diz que Kevim Flores era um dos principais responsáveis, mas não deixa claro quem estava por trás da iniciativa ou se havia aprovação formal da campanha.
Boa pergunta. A campanha de Flávio negou qualquer ligação, e o TSE bloqueou o site por abuso de poder econômico. Parece que foi uma operação paralela.
E o Pablo Marçal? Ele estava envolvido?
Não diretamente. Mas Nahuel Medina, ligado a Marçal, participou de discussões sobre o projeto, e Marçal aparentemente ficou irritado com alguém envolvido. Seu nome também apareceu em um vídeo com crianças de Uganda.
Aqui está o problema: sabemos que Marçal ficou "puto" porque Kevim Flores disse isso em um áudio. Não temos confirmação direta de Marçal ou de Medina sobre o nível de envolvimento ou a razão da irritação.
E quanto aos investidores? Perderam dinheiro?
Sim. A cotação desabou rapidamente após o lançamento na terça-feira. Flores pressionava as pessoas a sustentar o preço, chamando-as de "frouxos" por venderem.
Mas não sabemos quanto dinheiro foi investido ou quantas pessoas foram prejudicadas. O texto não fornece esses números.
O que aconteceu com o dinheiro destinado às crianças de Uganda?
O grupo Hypers Kids Africa devolveu os 120 milhões de tokens e pediu desculpas, dizendo que não sabia que o projeto era político. Queriam apenas recursos para construir uma casa.
Isso levanta uma questão: o grupo africano foi enganado deliberadamente ou simplesmente não fez perguntas suficientes antes de se associar ao projeto?
Le Pouls
- A B22 desvalorizou rapidamente após seu lançamento em 6 de outubro, transformando entusiasmo inicial em pânico entre investidores que viram seus tokens perderem valor em dias.
- Kevim Flores, idealizador do projeto, passou a pressionar participantes via WhatsApp com linguagem agressiva, acusando 'petistas' de derrubar o preço e exigindo que o gráfico subisse.
- Pablo Marçal, cujo nome circulava nos bastidores e em vídeos do projeto, teria ficado furioso com um produtor envolvido — expondo tensões internas que contradiziam a fachada de unidade.
- O grupo africano Hypers Kids Africa, que aparecia em vídeos com crianças vestindo camisetas da B22, apagou seu conteúdo, devolveu os tokens recebidos e pediu desculpas ao público brasileiro.
- A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou o bloqueio do site após ação da campanha de Lula por abuso de poder econômico, forçando a suspensão das recompensas eleitorais.
- A campanha de Flávio Bolsonaro encerrou o episódio negando qualquer ligação com a criptomoeda e anunciando medidas judiciais contra os próprios criadores do projeto.
Em menos de uma semana, a memecoin B22 — criada para converter engajamento digital em votos para Flávio Bolsonaro — colapsou sob o peso de sua própria contradição: uma moeda que prometia causa social e recompensas eleitorais ao mesmo tempo. O Tribunal Superior Eleitoral interveio, bloqueando o site por abuso de poder econômico, enquanto parceiros africanos se retiraram envergonhados e a própria campanha do candidato negou qualquer vínculo com a iniciativa. O episódio revela os limites frágeis entre inovação tecnológica, propaganda eleitoral e a lei — e o custo humano de projetos construídos sobre promessas que o mercado e a justiça não sustentam.
Uma memecoin chamada B22 foi lançada em 6 de outubro com uma proposta incomum: oferecer tokens digitais a quem compartilhasse conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro. O projeto também prometia destinar parte dos recursos a crianças de Uganda, por meio de parceria com o grupo Hypers Kids Africa, que conta com milhões de seguidores no Instagram — uma combinação de causa social e estratégia eleitoral que logo revelaria suas contradições.
A cotação despencou em poucos dias. Kevim Flores, um dos responsáveis pela iniciativa, reagiu pressionando participantes por WhatsApp com mensagens agressivas, culpando adversários políticos pela queda e ordenando que o preço subisse. Nos bastidores, discutia retirar conteúdos políticos do site antes das eleições — sinal de que a preocupação com consequências legais já era real. O nome de Pablo Marçal circulava no projeto: segundo o próprio Flores, Marçal teria ficado furioso com um produtor envolvido na iniciativa.
A intervenção judicial veio na sexta-feira, 9 de outubro. A campanha do presidente Lula apresentou ação no TSE alegando abuso de poder econômico, e a ministra Estela Aranha determinou o bloqueio do site. A decisão acelerou o desmonte: o grupo africano apagou seus vídeos, devolveu os 120 milhões de tokens recebidos e pediu desculpas, explicando que esperava apenas recursos para construir uma casa e não queria envolvimento político.
Os responsáveis pela B22 removeram os pedidos de voto e suspenderam as recompensas por compartilhamentos. A campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer vínculo com o projeto e anunciou ações judiciais contra seus criadores. O que nasceu como estratégia criativa de mobilização eleitoral terminou em colapso financeiro, investigação judicial e parceiros públicos alegando ter sido enganados sobre a verdadeira natureza do que estavam promovendo.
Uma criptomoeda criada para impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro entrou em colapso antes mesmo de completar uma semana de vida, deixando para trás uma trilha de investidores furiosos, parceiros arrependidos e tensões internas que chegaram até Pablo Marçal. A B22, lançada na terça-feira 6 de outubro, era uma memecoin — aquele tipo de moeda digital nascida de memes e tendências da internet — que oferecia tokens para quem compartilhasse conteúdos favoráveis ao candidato do PL. O projeto também prometia destinar parte dos recursos para crianças de Uganda, através de uma parceria com o grupo Hypers Kids Africa, que reúne 12,9 milhões de seguidores no Instagram.
Kevim Flores, um dos principais responsáveis pela iniciativa, começou a pressionar participantes já na quinta-feira, 8 de outubro, quando a cotação despencou. "Vocês são um bando de frouxo", escreveu em mensagens de WhatsApp divulgadas no sábado. Ele acusou "petistas" de vender seus investimentos e ordenou: "Faça esse gráfico subir". Em outro momento, descreveu a B22 como estando a "preço de banana se for especular uma possível vitória do Flávio". Enquanto isso, Flores discutia internamente mudanças na estratégia, incluindo a retirada de conteúdos políticos do site até o dia da eleição — uma manobra que sugeria preocupação com possíveis problemas legais.
A irritação de Flores não era a única. Segundo seu próprio relato em áudio enviado pelo WhatsApp, Pablo Marçal ficou furioso com um produtor envolvido no projeto. Nahuel Medina, ligado a Marçal, teria aconselhado Flores a manter o site da moeda funcionando, desde que estivesse tranquilo com a iniciativa. Flores então afirmou que "o Pablo ficou puto com ele", referindo-se ao produtor como braço direito de Marçal na área de mídia. O nome de Marçal também apareceu em um vídeo divulgado pelo grupo africano, no qual crianças vestidas com camisetas da B22 incentivavam votos em Flávio Bolsonaro e mencionavam tanto o empresário quanto o deputado Nikolas Ferreira.
O projeto, porém, não resistiu ao escrutínio legal. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral, alegando abuso de poder econômico. Os advogados solicitaram o bloqueio da página e a proibição das recompensas oferecidas em troca de propaganda eleitoral. Na sexta-feira, 9 de outubro, a ministra Estela Aranha determinou que o site da criptomoeda fosse retirado do ar.
A decisão do TSE desencadeou uma série de consequências. O Hypers Kids Africa, o grupo de Uganda que supostamente seria beneficiado pela iniciativa, apagou seu vídeo de divulgação da B22, anunciou que devolveria os 120 milhões de tokens recebidos e pediu desculpas ao público brasileiro. Seus integrantes explicaram que esperavam conseguir recursos para concluir a construção de uma casa e que não desejavam qualquer envolvimento com partidos políticos. Flores, antecipando essa possibilidade, havia comentado semanas antes: "Se a HyperKids quiser devolver os tokens, está tudo certo. Eu vou arrumar outro grupo — e dessa vez provavelmente um grupo brasileiro — para transferir essa causa social".
Após a ordem judicial, os responsáveis pela B22 removeram os pedidos de voto de sua página e anunciaram a suspensão das recompensas por compartilhamentos favoráveis a candidatos bolsonaristas. O projeto informou que manteria uma comunicação exclusivamente social até 25 de outubro. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, negou qualquer ligação com a criptomoeda e anunciou que adotaria medidas judiciais contra a iniciativa. O que começou como uma estratégia criativa de arrecadação de votos terminou em desvalorização acelerada, investigação eleitoral e um rompimento público com parceiros que alegavam ter sido enganados sobre a natureza política do projeto.
Citations marquantes
Vocês são um bando de frouxo... Faça esse gráfico subir— Kevim Flores, em mensagens de WhatsApp após queda na cotação
Esperávamos conseguir recursos para concluir a construção de uma casa e não desejávamos envolvimento com partidos políticos— Hypers Kids Africa, ao anunciar devolução dos tokens