Quando mais de 70 pessoas saem em um mês, há algo estrutural em jogo
Em pouco mais de um mês, mais de 70 profissionais deixaram a Flytour Consolidadora e empresas do grupo BeFly — um êxodo que, pela sua escala e diversidade hierárquica, transcende a rotatividade comum e aponta para algo mais profundo na estrutura da organização. Esta semana, os coordenadores comerciais Eduarda Pereira e Luiz Augusto Andrade da Cunha anunciaram suas saídas, carregando consigo décadas de relacionamentos e o domínio de regiões estratégicas do Brasil. No mercado de turismo, onde a confiança é moeda e a continuidade é promessa, rupturas dessa magnitude raramente passam despercebidas — e raramente chegam sem consequências.
- Em aproximadamente 30 dias, mais de 70 colaboradores deixaram a Flytour em diferentes níveis hierárquicos, configurando um padrão que vai muito além da rotatividade natural.
- Eduarda Pereira, responsável por seis estados do Nordeste, e Luiz Augusto Andrade da Cunha, com quase 20 anos de casa e domínio do Centro-Oeste, representam perdas de expertise e relacionamento difíceis de repor.
- A abrangência das saídas — executivos, coordenadores e especialistas — sugere que há algo estrutural em jogo: mudança de comando, pressão sobre margens ou deterioração do clima organizacional.
- Concorrentes, clientes e parceiros comerciais já observam o movimento; a reputação da empresa começa a ser questionada num setor construído sobre confiança e continuidade.
- O silêncio da liderança diante do êxodo pode ampliar as interpretações mais sombrias, enquanto regiões comercialmente relevantes do país ficam sem cobertura adequada.
A Flytour Consolidadora atravessa um momento de turbulência visível. Em cerca de um mês, mais de 70 colaboradores deixaram a organização — e o ritmo não desacelerou. Esta semana, dois novos coordenadores comerciais anunciaram suas saídas, ampliando uma lista que já reúne dezenas de nomes em diferentes posições hierárquicas.
Eduarda Pereira ingressou na empresa em fevereiro de 2022 como executiva de vendas, foi promovida a coordenadora comercial um ano depois e permaneceu por quatro anos e meio. Ela respondia por seis estados do Nordeste — Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e Maranhão —, uma região de peso considerável para as operações comerciais da consolidadora.
A saída de Luiz Augusto Andrade da Cunha tem outra dimensão. Com 19 anos e sete meses de empresa, iniciados em dezembro de 2006, ele gerenciava o relacionamento com clientes no Centro-Oeste, cobrindo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Profissionais com esse tempo de casa acumulam redes de contato e conhecimento operacional que não se reconstroem com rapidez.
O que distingue esse movimento de uma simples onda de demissões é sua abrangência. Os nomes que saíram nos últimos 30 dias incluem executivos, coordenadores e especialistas — múltiplos níveis da estrutura organizacional. Quando isso acontece em curto espaço de tempo, costuma haver algo estrutural por trás: redefinição de estratégia, pressão financeira ou um clima interno que deixou de sustentar as pessoas.
Para a Flytour, o custo é duplo: perde-se expertise acumulada e relacionamentos comerciais consolidados, ao mesmo tempo em que a reputação começa a ser testada. No mercado de turismo, construído sobre confiança e continuidade, um êxodo dessa escala é notado por concorrentes, clientes e parceiros. O que a liderança fizer — ou deixar de dizer — nas próximas semanas determinará se a empresa consegue estancar a sangria ou se o silêncio deixará as interpretações mais graves ocuparem o espaço.
A Flytour Consolidadora e seu ecossistema de empresas vivem um momento de turbulência. Mais de 70 colaboradores deixaram a organização em aproximadamente um mês — um êxodo que se intensificou esta semana com o anúncio de duas novas saídas entre os coordenadores comerciais.
Eduarda Pereira e Luiz Augusto Andrade da Cunha comunicaram suas desistências da Flytour em dias recentes, ampliando uma lista de desligamentos que já inclui nomes como Fernando Lermi, Emerson Cardoso, Victor Oliveira, Amanda Simões, Miguel Ramos, Larissa Freitas, Luciana Teixeira Sakamoto, Matheus Jorge, Jorge Eduardo Carvalho Marins, João Paulo Santos, Carlos Almada, Edgar Lino, Carlos Henrique Sousa e Luana Barbosa, entre outros. O padrão sugere algo além de rotatividade natural.
Pereira era responsável por seis estados do Nordeste — Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e Maranhão. Ela permaneceu na empresa por quatro anos e meio, tendo ingressado em fevereiro de 2022 como executiva de vendas. Doze meses depois recebeu promoção para coordenadora comercial. Antes de chegar à Flytour, trabalhou na Rextur Advance. Sua saída deixa descoberta uma região comercialmente relevante do país.
Andrade da Cunha representa uma perda institucional de outra magnitude. Ele acumulou 19 anos e sete meses na Flytoor, período que começou em dezembro de 2006. Durante quase duas décadas, gerenciou o relacionamento comercial com clientes no Centro-Oeste, cobrindo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Profissionais com esse tempo de casa carregam redes de relacionamento e conhecimento operacional que não se reconstroem rapidamente.
O que torna essa sequência de saídas particularmente significativa é sua abrangência. Não se trata apenas de coordenadores comerciais. Os nomes que deixaram a empresa nos últimos 30 dias sugerem movimento em múltiplos níveis hierárquicos — executivos, coordenadores, especialistas. Quando profissionais de diferentes escalas decidem sair em curto espaço de tempo, geralmente há algo estrutural em jogo: mudanças de comando, redefinição de estratégia, pressão sobre margens, ou simplesmente um clima organizacional que deixou de funcionar.
Para a Flytour, a conta é dupla. Há o custo imediato de perder expertise e relacionamentos comerciais consolidados. Há também o risco reputacional. Quando mais de 70 pessoas saem de uma empresa em um mês, concorrentes e clientes notam. Parceiros comerciais começam a questionar estabilidade. Candidatos a emprego ficam em dúvida. O mercado de turismo é relacional — construído sobre confiança e continuidade. Turbulência desse porte abala ambas.
O que acontece agora dependerá de como a liderança da Flytoor responde. Conseguirá reter os profissionais que ainda estão lá? Conseguirá manter a qualidade do atendimento aos clientes nas regiões afetadas? E talvez mais importante: conseguirá explicar ao mercado o que está acontecendo, ou o silêncio deixará as interpretações mais sombrias ganharem espaço?
Notable Quotes
Eduarda Pereira ingressou na Flytour Oficial em fevereiro de 2022 como executiva de vendas e, um ano depois, foi promovida a coordenadora comercial— Informação sobre trajetória de Eduarda Pereira
Luiz Augusto encerra uma trajetória de 19 anos e sete meses na Flytour, atuando desde dezembro de 2006 no relacionamento comercial com clientes na região do Centro-Oeste— Informação sobre trajetória de Luiz Augusto Andrade da Cunha
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que você acha que tantas pessoas saem de uma vez? Isso não é normal em uma empresa.
Não é. Quando você vê 70 pessoas em um mês, não é coincidência. Geralmente há um gatilho — pode ser mudança de liderança, corte de benefícios, redefinição de comissões, ou simplesmente um clima que ficou insuportável.
Mas a reportagem não diz qual é o motivo. Como sabemos o que realmente aconteceu?
Exatamente. E esse silêncio é parte da história. A empresa não explicou nada publicamente. Quando isso acontece, as pessoas preenchem o vazio com suas próprias interpretações, e raramente são otimistas.
Esses dois coordenadores que saíram — Eduarda e Luiz Augusto — eles eram importantes?
Muito. Luiz Augusto estava lá há quase 20 anos. Ele conhecia cada cliente, cada negócio no Centro-Oeste. Quando alguém assim sai, você não substitui em uma semana. Eduarda cobria seis estados do Nordeste. Também não é trivial.
E o que isso significa para os clientes deles?
Incerteza. Seus contatos saem. Quem vai atender? Vai haver descontinuidade? Alguns clientes provavelmente vão atrás desses profissionais para onde eles forem. É assim que funciona — as pessoas seguem as pessoas, não as empresas.
Isso pode destruir a Flytour?
Não necessariamente. Mas pode prejudicar bastante se não for controlado. O mercado de turismo é pequeno e relacional. Reputação é tudo. Quando vira notícia que 70 pessoas saíram em um mês, parceiros começam a se questionar.