A prevalência de obesidade mais que dobrou entre 1990 e 2021, com previsão de atingir 60% dos adultos até 2050, especialmente na Ásia e África Subsaariana. Crianças e adolescentes ganham peso mais rapidamente que gerações anteriores, com risco aumentado de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares em idades mais jovens.
Mais de metade dos adultos terá sobrepeso ou obesidade até 2050, alerta estudo do Lancet
Gerações mais jovens ganham peso mais rápido e mais cedo
O que torna esse estudo diferente de outros alertas sobre obesidade que já vimos?
A escala e a precisão das projeções. Eles analisaram 1.350 fontes de dados em 204 países. Não é uma estimativa genérica — é um mapeamento granular de como o peso está mudando por faixa etária, por país, por gênero.
Mas as projeções assumem que as tendências continuam como estão. Se políticas mudam, se sistemas alimentares se transformam, esses números caem. Isso é importante deixar claro.
Absolutamente. Por isso os autores enfatizam que ainda há uma janela de cinco anos para agir. Eles não estão dizendo que é inevitável.
Por que crianças estão ganhando peso mais rápido que gerações anteriores?
O estudo não detalha os mecanismos específicos — não é seu foco. Mas aponta para mudanças em sistemas alimentares, ambientes urbanos, atividade física reduzida. Homens nascidos em 2015 têm uma chance em quatro de viver com obesidade aos 25 anos, comparado a um em 14 para homens nascidos em 1960.
Isso é uma correlação com mudanças ambientais, não uma causa estabelecida. O estudo usa dados de peso e IMC, não rastreia por quê as pessoas estão ganhando peso.
A África Subsaariana vai crescer 250%. Por quê?
Crescimento populacional é o principal fator citado. Mais pessoas, e essas pessoas estão adotando padrões alimentares que historicamente eram associados a países de alta renda. Transição nutricional.
Mas o estudo não decompõe isso — não diz quanto é crescimento populacional versus mudança de comportamento por pessoa. É uma limitação importante.
Se agirmos nos próximos cinco anos, podemos realmente evitar isso?
Os autores dizem que sim, mas com ressalvas. Precisaria de transformação nos sistemas alimentares globais, políticas de nutrição, ambientes que promovam atividade física. Não é trivial.
E eles reconhecem que as previsões têm vieses — dados autorrelatados tendem a subestimar peso. Então os números reais podem ser piores do que o modelo mostra.
Il Polso
- 3,8 bilhões de adultos viverão com sobrepeso ou obesidade até 2050
- Obesidade em adultos mais que dobrou entre 1990 e 2021 (de 5,8% para 14,8% em homens; de 10,2% para 20,8% em mulheres)
- Aumento de 121% na obesidade entre jovens até 2050, chegando a 360 milhões
- África Subsaariana terá crescimento de mais de 250% em adultos com sobrepeso/obesidade
- Planos de ação urgentes de 5 anos (2025-2030) são necessários para evitar transição completa
A prevalência de obesidade mais que dobrou entre 1990 e 2021, com previsão de atingir 60% dos adultos até 2050, especialmente na Ásia e África Subsaariana. Crianças e adolescentes ganham peso mais rapidamente que gerações anteriores, com risco aumentado de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares em idades mais jovens.
Estudo do Lancet projeta que 3,8 bilhões de adultos e 746 milhões de crianças viverão com sobrepeso ou obesidade até 2050, representando uma crise de saúde global sem precedentes.
Um novo estudo publicado na revista The Lancet projeta um cenário de saúde pública sem precedentes: até 2050, mais da metade de todos os adultos do planeta — 3,8 bilhões de pessoas — viverão com sobrepeso ou obesidade. Para crianças e adolescentes, a proporção será ainda mais alarmante: um terço de toda essa população, cerca de 746 milhões de jovens, enfrentará o mesmo problema. A análise, conduzida pelo Global Burden of Disease Study BMI Collaborators, representa o mapeamento mais abrangente feito até agora dessa trajetória de ganho de peso global, e seus números revelam uma crise que se acelerou dramaticamente nas últimas três décadas.
O crescimento é vertiginoso. Em 1990, havia 731 milhões de adultos com sobrepeso ou obesidade no mundo. Três décadas depois, em 2021, esse número saltou para 2,11 bilhões. Entre crianças e adolescentes, a escalada foi de 198 milhões para 493 milhões no mesmo período. Se as tendências atuais continuarem sem interrupção — e é isso que o modelo assume — o número de adultos com esses problemas de peso aumentará ainda mais 1,69 bilhão de pessoas até 2050. Emmanuela Gakidou, professora do Institute for Health Metrics and Evaluation na Universidade de Washington e autora principal do estudo, chamou o fenômeno de "tragédia profunda e falha social monumental".
Os dados revelam disparidades geográficas significativas. Embora a China, Índia e Estados Unidos continuem abrigando o maior número absoluto de adultos com sobrepeso e obesidade em 2050 — respectivamente 627 milhões, 450 milhões e 214 milhões — a África Subsaariana experimentará o crescimento percentual mais explosivo, com um aumento superior a 250%, chegando a 522 milhões de pessoas. A Ásia e a África Subsaariana, impulsionadas pelo crescimento populacional, concentrarão os maiores aumentos em termos relativos. Pequenas nações insulares do Pacífico, como Ilhas Cook, Nauru e Tonga, enfrentarão situações ainda mais extremas, com projeções de que 60 a 70% de suas populações viverão com obesidade até 2050.
O que torna esse cenário particularmente preocupante é a velocidade com que gerações mais jovens estão ganhando peso. Crianças e adolescentes não apenas estão ficando obesos em maior número, mas também em idades mais precoces do que seus pais e avós. Em países de alta renda, por exemplo, cerca de 7% dos homens nascidos na década de 1960 viviam com obesidade aos 25 anos. Para homens nascidos na década de 1990, esse percentual subiu para aproximadamente 16%. A projeção para homens nascidos em 2015 é de 25%. Essa aceleração geracional amplifica o risco de complicações graves — diabetes tipo 2, pressão arterial elevada, doenças cardiovasculares e múltiplos tipos de câncer — ocorrendo em idades muito mais jovens do que historicamente observado.
Entre jovens de 5 a 24 anos, a prevalência de sobrepeso e obesidade mais que dobrou entre 1990 e 2021. Em crianças e adolescentes mais jovens (5 a 14 anos), subiu de 8,8% para 18,1%. No grupo de 15 a 24 anos, aumentou de 9,9% para 20,3%. As taxas de obesidade pura triplicaram, passando de 2% para quase 7%, afetando 174 milhões de jovens em 2021. O estudo prevê um aumento de 121% na obesidade entre jovens até 2050, com o número total chegando a 360 milhões — uma adição de 186 milhões de crianças e adolescentes obesos em relação a 2021. Os aumentos mais acelerados são esperados no Norte da África, Oriente Médio, América Latina e Caribe, regiões que abrigarão um terço de todas as crianças e adolescentes obesos do mundo em 2050, totalizando 130 milhões.
Os pesquisadores enfatizam que essa trajetória não é inevitável. Jessica Kerr, coautora principal do estudo e pesquisadora do Murdoch Children's Research Institute na Austrália, afirmou que "se agirmos agora, ainda é possível evitar uma transição completa para a obesidade global para crianças e adolescentes". Os autores pedem planos de ação urgentes de cinco anos, especificamente para o período 2025-2030, que funcionem como ponto de inflexão crítico. Eles argumentam que intervenções abrangentes e transdisciplinares precisam ser adaptadas às circunstâncias sociodemográficas, econômicas, ambientais e comerciais únicas de cada país. Kerr destacou a necessidade de "compromisso político muito mais forte para transformar as dietas dentro de sistemas alimentares globais sustentáveis" e para apoiar estratégias que melhorem nutrição, atividade física e ambientes de vida das pessoas.
O estudo utilizou dados de até 1.350 fontes diferentes, incluindo pesquisas nacionais e multinacionais, cobrindo 204 países e territórios de 1990 a 2021, com projeções até 2050. Os pesquisadores reconhecem limitações importantes: as previsões dependem da qualidade e quantidade de dados históricos disponíveis, e vieses em dados autorrelatados — como pessoas subestimando seu peso — provavelmente persistirão apesar das correções aplicadas. Ainda assim, a magnitude dos números e a consistência das tendências apontam para uma crise de saúde pública que exigirá ação coordenada em escala global nos próximos cinco anos.
Citazioni salienti
A epidemia global sem precedentes de sobrepeso e obesidade é uma tragédia profunda e uma falha social monumental— Emmanuela Gakidou, Institute for Health Metrics and Evaluation, Universidade de Washington
Se agirmos agora, ainda é possível evitar uma transição completa para a obesidade global para crianças e adolescentes— Jessica Kerr, Murdoch Children's Research Institute, Austrália