Numa sociedade que sempre celebrou o trabalho como caminho para a prosperidade, mais de seis em cada dez trabalhadores americanos descobriram que um emprego já não é suficiente para sustentar essa promessa. Uma pesquisa da Goldman Sachs com mais de cinco mil pessoas revela que bicos e freelas deixaram de ser escolha e passaram a ser necessidade — especialmente entre os mais jovens, que constroem suas vidas adultas sob o peso de custos de moradia, educação e saúde que cresceram muito além dos salários. O fenômeno não é apenas econômico: é um sinal de que o contrato implícito entre esforço e seg
Mais de 60% dos trabalhadores americanos buscam segundo emprego para complementar renda
Trabalhar mais não garante segurança, apenas cansa
Por que isso está acontecendo agora? Os salários não acompanharam a inflação?
Não é só isso. Os salários cresceram, mas as despesas essenciais cresceram muito mais rápido. Moradia, educação, saúde — tudo ficou desproporcional. Um trabalhador ganha mais em números absolutos, mas tem menos poder de compra real.
Mas a pesquisa não detalha se esses 60% estão ganhando o suficiente com o segundo emprego, certo? Pode ser que estejam trabalhando mais e ainda assim não consigam sair do aperto.
E quanto aos mais velhos? Por que a Geração X tem números menores que Z e millennials?
Provavelmente porque já acumularam mais patrimônio ao longo dos anos. Mas mesmo assim, 72% deles buscam renda extra por razões financeiras. Ninguém está realmente seguro.
Ou pode ser que os mais velhos simplesmente não tenham respondido a pesquisa com a mesma frequência. A amostra foi de 5.106 pessoas — não sabemos a distribuição etária.
Isso vai afetar a economia como um todo?
Com certeza. Se 34% dos trabalhadores estão pensando em trocar de emprego, as empresas vão enfrentar rotatividade maior e custos de retenção mais altos. Além disso, trabalhadores cansados e estressados são menos produtivos.
Verdade, mas a pesquisa mede intenção, não ação. Nem todos que dizem que vão sair realmente saem. E não sabemos se essa rotatividade já está acontecendo ou se é apenas um risco futuro.
Qual é o aspecto mais preocupante dos dados?
Acho que é o adiamento de objetivos. Oitenta e três por cento da Geração Z está adiando metas financeiras importantes. Isso significa que estão vivendo apenas o presente, sem conseguir construir futuro.
Sim, mas também precisamos reconhecer que nem sempre adiar é ruim — às vezes é adaptação racional. O que realmente preocupa é se eles nunca conseguem voltar a essas metas, ou se o custo de alcançá-las fica proibitivo.
O Pulso
- O custo de ter uma casa própria nos EUA saltou de 33% para 54% da renda familiar em apenas 26 anos, tornando a estabilidade financeira um alvo em movimento constante.
- Oito em cada dez jovens da Geração Z já buscaram uma segunda fonte de renda — não para realizar sonhos, mas para pagar as contas do mês.
- A pressão financeira transborda para o trabalho: 53% dos profissionais relatam perda de concentração por preocupações com dinheiro, e 31% faltaram ao emprego no último ano por razões financeiras.
- A insatisfação está redesenhando o mercado: 34% dos trabalhadores planejam trocar de emprego em busca de melhora salarial, número que chega a 48% entre a Geração Z.
- O futuro está sendo adiado — 70% dos entrevistados postergaram ao menos uma meta financeira importante, e as contribuições para aposentadoria caíram de 55% para 39% em apenas um ano.
Numa sociedade que sempre celebrou o trabalho como caminho para a prosperidade, mais de seis em cada dez trabalhadores americanos descobriram que um emprego já não é suficiente para sustentar essa promessa. Uma pesquisa da Goldman Sachs com mais de cinco mil pessoas revela que bicos e freelas deixaram de ser escolha e passaram a ser necessidade — especialmente entre os mais jovens, que constroem suas vidas adultas sob o peso de custos de moradia, educação e saúde que cresceram muito além dos salários. O fenômeno não é apenas econômico: é um sinal de que o contrato implícito entre esforço e segurança está sendo renegociado, silenciosamente, por uma geração inteira.
Mais de seis em cada dez trabalhadores americanos já recorreram a um segundo emprego, bico ou trabalho freelancer para complementar a renda principal. A conclusão vem de uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management com mais de cinco mil trabalhadores e aposentados nos Estados Unidos — e o que ela revela é que esse comportamento deixou de ser exceção para se tornar regra.
Entre os mais jovens, o padrão é ainda mais marcante: 80% da Geração Z e 77% dos millennials já buscaram uma segunda fonte de renda. E as razões são diretas — 76% dos jovens da Geração Z afirmam precisar desse complemento simplesmente para manter as contas em dia. O que antes era visto como forma de ganhar um extra virou necessidade estrutural.
O estudo mostra por quê: as despesas essenciais cresceram muito além dos salários. A moradia, que consumia cerca de um terço da renda familiar em 2000, passou a representar 54% em 2026. O aluguel subiu de 21% para 26%. Creches foram de 12% para 19%. Universidades públicas saltaram de 25% para 38%, e as privadas de 65% para 89%. Com esse cenário, 27% dos trabalhadores dizem que sua renda cobre apenas as despesas correntes — e 8% afirmam que nem mesmo com emprego regular conseguem sentir segurança financeira.
A pressão não fica contida nas finanças pessoais: ela invade o ambiente de trabalho. Mais da metade dos profissionais relata que preocupações com dinheiro prejudicam sua concentração, e quase um terço faltou ao expediente no último ano por razões financeiras. A insatisfação também está movimentando o mercado — 34% planejam buscar um novo emprego, percentual que sobe para 48% entre a Geração Z.
Um dado surpreendente é que a insegurança não se restringe às faixas de menor renda. Trabalhadores que ganham mais de 300 mil dólares por ano também relatam ansiedade crescente — sobre manter o padrão de vida e sustentar esse nível de consumo na aposentadoria.
O resultado mais visível é o adiamento em massa de objetivos. Sete em cada dez entrevistados postergaram ao menos uma meta financeira importante — número que chega a 83% na Geração Z. As contribuições para aposentadoria caíram de 55% para 39% em apenas um ano. E a proporção de trabalhadores que acreditam estar no caminho certo para seus objetivos financeiros encolheu em todas as gerações. O futuro continua sendo desejado — mas o orçamento, cada vez mais, não deixa espaço para se preparar para ele.
Mais de seis em cada dez trabalhadores americanos já recorreram a um segundo emprego, bico ou trabalho freelancer para complementar o que ganham no cargo principal. A constatação vem de uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management conduzida com mais de cinco mil trabalhadores e aposentados nos Estados Unidos, e revela um fenômeno que deixou de ser exceção para se tornar regra na vida profissional americana.
Entre os mais jovens, o padrão é ainda mais pronunciado. Oito em cada dez integrantes da Geração Z — nascidos entre 1997 e 2012 — já buscaram uma segunda fonte de renda, assim como 77% dos millennials. O que antes era visto como uma forma de ganhar dinheiro extra para consumo ou realizar sonhos pessoais transformou-se em necessidade pura. Quando perguntados sobre as razões financeiras que os levam a trabalhar além do expediente principal, 76% da Geração Z, 73% dos millennials e 72% da Geração X responderam que precisam desse complemento para manter as contas em dia.
O problema não reside simplesmente na ausência de renda. Segundo o estudo, as despesas essenciais explodiram nos últimos anos, consumindo fatias cada vez maiores do orçamento familiar. Em 2000, o custo de uma casa própria representava cerca de um terço da renda familiar; em 2026, esse percentual saltou para 54%. O aluguel seguiu trajetória semelhante, passando de 21% para 26% da renda. Creches, que consumiam 12% da renda em 2000, agora consomem 19%. Universidades públicas subiram de 25% para 38%, enquanto instituições privadas passaram de 65% para 89%. Mesmo com um emprego fixo, muitos profissionais simplesmente não conseguem acumular patrimônio ou guardar dinheiro para o futuro.
A pesquisa revela uma realidade perturbadora: 27% dos trabalhadores afirmam que sua renda é suficiente apenas para pagar despesas correntes, e 8% dizem que nem mesmo com emprego regular conseguem segurança financeira. Quando questionados sobre os principais obstáculos para poupar para a aposentadoria, 31% apontaram custos com moradia e despesas do dia a dia, enquanto 27% citaram o pagamento de dívidas. Essa pressão financeira não é invisível — 53% dos trabalhadores relatam que preocupações com dinheiro prejudicam sua concentração durante o trabalho, e 31% faltaram ao expediente no último ano por problemas financeiros.
A insatisfação financeira está começando a reconfigurar o mercado de trabalho. Cerca de 34% dos entrevistados afirmam que provavelmente buscarão um novo emprego para melhorar sua situação, percentual que sobe para 48% entre a Geração Z e 47% entre millennials. Esses números sugerem que a rotatividade de profissionais e a dificuldade de retenção de talentos podem se intensificar nos próximos anos.
Um achado curioso da pesquisa é que a insegurança financeira não se restringe aos trabalhadores de menor renda. Existe uma espécie de curva em U na percepção de segurança: as preocupações são maiores entre quem ganha menos de 100 mil dólares por ano, diminuem nas faixas intermediárias e voltam a crescer entre quem recebe mais de 300 mil dólares anuais. Trabalhadores de renda mais elevada relatam ansiedade sobre manter seu padrão de vida, gerenciar responsabilidades financeiras crescentes e sustentar esse nível de consumo na aposentadoria.
O resultado é uma geração inteira que adia objetivos fundamentais. Cerca de 70% dos entrevistados postergaram pelo menos uma meta financeira importante, percentual que chega a 83% na Geração Z e 78% entre millennials. As metas mais frequentemente adiadas incluem formação de reserva de emergência, compra de casa própria, pagamento de dívidas e planejamento de aposentadoria. O percentual de trabalhadores que aumentaram contribuições para aposentadoria caiu de 55% em 2025 para 39% em 2026, uma das maiores quedas dos últimos anos. Enquanto isso, a proporção de trabalhadores que acreditam estar no caminho certo para seus objetivos financeiros encolheu: de 75% para 66% na Geração Z, de 74% para 61% entre millennials, e de 58% para 49% na Geração X. A pesquisa aponta para um cenário onde o futuro permanece importante, mas o orçamento simplesmente não deixa espaço para se preparar para ele.
Citações Notáveis
Os trabalhos paralelos deixaram de ser apenas uma forma de ganhar mais para consumir ou realizar planos pessoais. Para muitos trabalhadores, tornaram-se uma necessidade.— Pesquisa da Goldman Sachs Asset Management
Ter um emprego regular não garante segurança financeira. Mesmo com uma ocupação fixa, muitos profissionais têm dificuldade para comprar um imóvel, formar patrimônio ou guardar dinheiro para o futuro.— Análise da pesquisa