Mais de 4 anos de guerra colocam pressão política sobre Zelensky e Putin

Famílias russas e ucranianas enfrentam perdas de vidas, com praticamente toda família russa tendo perdido ou conhecendo alguém que morreu na guerra.
Ninguém sabe como uma guerra termina, só como ela começa
Reflexão sobre a impossibilidade de prever o fim do conflito que já dura mais de quatro anos.
Mark

Por que agora, depois de quatro anos, a pressão política explode nos dois lados ao mesmo tempo?

Mimi

Porque a guerra deixou de ser abstrata. No começo, havia esperança de vitória rápida. Agora as pessoas veem que seus filhos, maridos, vizinhos não voltam. A economia sofre. As rotinas se quebram. A paciência tem limite.

Mark

Fedorov é realmente uma ameaça para Zelensky, ou é mais um sintoma?

Mimi

Ele é um sintoma que se tornou ameaça. Representa a frustração dos jovens que querem democracia, não lei marcial indefinida. Mas Zelensky não pode fazer eleições enquanto a guerra continua — é um impasse sem saída fácil.

Mark

E na Rússia, por que Putin ainda tem apoio majoritário se tudo está faltando?

Mimi

Porque o Estado controla a narrativa. A televisão diz que a Rússia está vencendo. Criticar a guerra é crime. Mas mesmo assim, o apoio caiu. Isso é significativo. Significa que nem o controle total consegue manter a ilusão intacta.

Mark

Qual é o risco real aqui — colapso político, negociações de paz, ou algo mais?

Mimi

O risco é que ambos os lados fiquem presos. Zelensky não pode ceder sem perder legitimidade. Putin não pode parar sem admitir derrota. Enquanto isso, as famílias continuam perdendo pessoas. Ninguém sabe como isso termina.

  • Manifestantes voltam às ruas de Kiev para apoiar Fedorov, ex-ministro demitido que desafia Zelensky e exige eleições proibidas pela lei marcial.
  • Na Rússia, a falta de combustível e a demissão de um economista que alertou sobre crise social expõem as rachaduras de uma economia pressionada pela guerra.
  • O único partido russo contrário à guerra foi excluído das eleições e seu líder condenado a onze anos de prisão, sinalizando que o Kremlin teme a dissidência interna.
  • O apoio russo à guerra caiu em julho para o menor nível desde a invasão, mesmo em um ambiente onde criticar o conflito pode resultar em prisão.
  • Praticamente toda família russa e ucraniana carrega uma perda humana direta, e esse peso acumulado pressiona os dois governos a justificarem a continuidade do conflito.

Após mais de quatro anos de guerra, o conflito entre Rússia e Ucrânia deixa de ser apenas uma disputa territorial para se tornar uma crise de legitimidade política em ambos os lados da fronteira. Em Kiev, a ausência de eleições e a demissão de figuras populares alimentam uma insatisfação que já ocupa as ruas; em Moscou, o desgaste econômico e a supressão de vozes dissidentes revelam um sistema que teme o peso de suas próprias escolhas. A guerra, que já supera em escala a Primeira Guerra Mundial, cobra seu preço não apenas nos campos de batalha, mas no tecido silencioso das famílias e das instituições.

Quatro anos e meio de guerra deixam marcas cada vez mais visíveis na política de ambos os países. Na Ucrânia, o cansaço ganhou as ruas de Kiev na quarta-feira, com manifestantes apoiando Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa demitido em julho que rompeu com Zelensky e passou a exigir eleições. O mandato presidencial de Zelensky expirou em maio de 2024, mas a lei marcial em vigor proíbe votações enquanto a guerra continua — e a população questiona cada vez mais até quando esse adiamento democrático pode durar. Fedorov, apresentado por seus apoiadores como alguém que enfrentou os russos com firmeza, atrai especialmente os mais jovens. Uma investigação de corrupção envolvendo o governo de Kiev adiciona mais pressão ao cenário.

Do outro lado da fronteira, o desgaste toma formas distintas. Combustível falta nas ruas russas. O economista-chefe de um banco estatal foi demitido após alertar publicamente sobre o risco de uma crise social iminente. A Justiça russa impediu o único partido contrário à guerra de participar das eleições e condenou um de seus líderes a onze anos de prisão — ações que revelam tanto a tentativa de suprimir a dissidência quanto a existência de vozes críticas dentro do próprio sistema.

O custo humano é imenso nos dois países. Praticamente toda família russa perdeu alguém ou conhece alguém que morreu no conflito, e o mesmo vale para a Ucrânia. Esse peso acumula-se silenciosamente nas casas e nos bairros. O apoio à guerra na Rússia permanece majoritário, mas caiu em julho para seu nível mais baixo desde o início da invasão. Em um país onde criticar o conflito pode resultar em prisão, medir o tamanho real do descontentamento é difícil — mas os sinais existem. Ambos os lados enfrentam agora uma equação política cada vez mais difícil: como manter a população mobilizada quando o cansaço é visível e as perdas continuam sem perspectiva de resolução.

Quatro anos e meio de conflito começam a deixar marcas profundas na política de ambos os lados da guerra. Na Ucrânia, o cansaço se manifesta nas ruas. Na Rússia, ele corrói a economia e o dia a dia das pessoas. Os dois presidentes enfrentam agora uma pressão política que cresce a cada mês que passa.

Em Kiev, a insatisfação ganhou as ruas novamente na quarta-feira. Manifestantes voltaram a apoiar Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa que foi demitido em julho. Fedorov rompeu publicamente com Volodymyr Zelensky e passou a pedir eleições. O mandato presidencial de Zelensky deveria ter terminado em maio de 2024, mas a lei marcial que permanece vigente no país proíbe votações enquanto a guerra continua. A população ucraniana, segundo analistas, questiona cada vez mais até quando o governo pode adiar esse processo democrático. Fedorov se apresenta como uma alternativa, especialmente entre os mais jovens, alguém que, na narrativa de seus apoiadores, enfrentou os russos com firmeza. Além disso, uma investigação de corrupção envolvendo o governo de Kiev adiciona mais pressão ao regime.

Do outro lado da fronteira, em Moscou, o desgaste toma formas diferentes. Combustível falta nas ruas. O economista-chefe de um banco estatal foi demitido após alertar publicamente sobre o risco de uma crise social iminente. A Justiça russa impediu que o único partido que se opõe à guerra participasse das eleições e condenou um de seus líderes a onze anos de prisão. Essas ações revelam uma tentativa de suprimir a dissidência, mas também indicam que vozes críticas existem mesmo dentro das estruturas do poder.

O custo humano é imenso em ambos os países. Praticamente toda família russa perdeu alguém ou conhece alguém que morreu no conflito. O mesmo vale para a Ucrânia. Esse peso acumula-se silenciosamente nas casas, nos bairros, nas cidades. A realidade da guerra, segundo especialistas, bate à porta da Rússia com a mesma força que bate à porta da Ucrânia — um conflito que já superou em escala a Primeira Guerra Mundial.

O apoio à guerra na Rússia permanece majoritário, mas em julho caiu para seu nível mais baixo desde o início da invasão. Em um país onde criticar a guerra pode resultar em prisão, é difícil medir o tamanho real do descontentamento. Mas há sinais de que até dentro do próprio sistema começam a surgir questionamentos sobre o preço de um conflito que não tem fim à vista. Ambos os lados enfrentam agora uma equação política cada vez mais difícil: como manter a população mobilizada quando o cansaço é visível nas ruas e quando as perdas continuam a se acumular sem perspectiva de resolução.

A questão central da população ucraniana é até quando vai adiar. Eles têm candidato novo, Fedorov, que é o candidato dos jovens
— Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM
Qualquer família russa ou tem ou conhece alguém que morreu na guerra. Isso tem seu peso
— Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM
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