Mais de 3 mil candidatos trocam de partido entre 2022 e 2026; Novo lidera ganhos

58% dos candidatos que disputaram duas eleições trocam de legenda
Análise do G1 revela a escala da migração partidária entre 2022 e 2026.
Mark

Por que tantos candidatos trocam de partido entre uma eleição e outra? Isso é normal?

Mimi

É um padrão recorrente na política brasileira, mas a escala importa. Quando 58% dos candidatos que disputaram duas eleições trocam de legenda, estamos falando de uma instabilidade real, não apenas de ajustes nas margens.

Mark

E o que explica o Novo ganhar 173 candidatos enquanto o União Brasil perde 273?

Mimi

O Novo é uma sigla em expansão, com discurso que atrai candidatos de diferentes origens. O União Brasil, por sua vez, pode estar enfrentando dificuldades de coesão ou perdendo espaço em certos mercados eleitorais. Candidatos são pragmáticos — vão para onde acham que têm melhor chance.

Mark

Esses partidos que desapareceram ou mudaram de nome — o que acontece com seus candidatos?

Mimi

Alguns migram para legendas afins, outros aproveitam para trocar radicalmente de filiação. O Patriota virou PRD, mas 206 de seus candidatos foram para outros lugares. Não é automático que você siga seu partido quando ele muda de identidade.

Mark

Isso afeta a governabilidade depois?

Mimi

Potencialmente sim. Se candidatos estão em constante movimento, as bancadas que se formam em 2026 podem ser menos estáveis do que parecem. Alianças construídas durante a campanha podem não resistir ao primeiro teste de voto importante.

Mark

E para o eleitor, qual é a implicação?

Mimi

É difícil saber em que está votando quando o candidato pode estar em um partido diferente em quatro anos. A volatilidade partidária torna mais opaco o que cada legenda realmente representa.

  • 3.681 candidatos chegam a 2026 sob um partido diferente do que usaram em 2022 — uma migração em massa que redefine o campo eleitoral antes mesmo de uma urna ser aberta.
  • O União Brasil sangra 273 candidatos para outras siglas, enquanto o PL perde 216 e o PP, 204 — os maiores partidos da direita enfrentam uma debandada silenciosa.
  • O Novo emerge como o grande destino dessa migração, absorvendo candidatos de 23 partidos diferentes e acumulando saldo positivo de 173 filiações líquidas.
  • Fusões, extinções e renomeações partidárias desde 2022 deixaram 944 candidatos sem legenda de origem — um sintoma de instabilidade que vai além da simples troca de filiação.
  • O TSE segue analisando os registros, mas o cenário já antecipa bancadas com composição radicalmente diferente das que emergiram em 2022, não por novos rostos, mas por lealdades reconfiguradas.

Quando o prazo de registro encerrou em agosto de 2026, o TSE recebeu um retrato eloquente da fluidez que define a política brasileira: mais de 3.600 candidatos que disputaram as eleições de 2022 chegam ao próximo pleito sob uma bandeira diferente. Esse movimento — que representa 58% dos que concorreram nas duas eleições — não é apenas troca de legenda, mas um sinal de que a fidelidade partidária no Brasil segue sendo uma convenção frágil, moldada por cálculos individuais mais do que por convicções coletivas. O mapa das migrações revela tanto a ascensão de novos polos de atração, como o Novo, quanto o esvaziamento de legendas antes dominantes, como o União Brasil.

Quando o prazo para registro de candidaturas encerrou em 15 de agosto, o TSE recebeu mais do que uma lista de nomes: recebeu um mapa da instabilidade partidária brasileira. Uma análise do G1 cruzando CPFs de candidatos das eleições de 2022 e 2026 identificou 3.681 pessoas que disputam o próximo pleito por um partido diferente do que usaram quatro anos atrás — 58% de todos os que se registraram nas duas eleições.

Desses migrantes, 3.271 trocaram para legendas que já existiam em 2022, enquanto 410 optaram por siglas criadas no intervalo entre os dois pleitos. Há ainda um terceiro grupo de 944 candidatos que saíram de partidos extintos, incorporados, renomeados ou fundidos desde 2022 — como o Patriota e o PTB, que se uniram para formar o PRD, ou o PSC, absorvido pelo Podemos em 2023.

O mapa das migrações tem ganhadores e perdedores nítidos. O Novo foi o maior beneficiário, com saldo positivo de 173 candidatos, recebendo migrantes de 23 partidos — os maiores fluxos vieram do PL, do PTB e do Podemos. No extremo oposto, o União Brasil foi o que mais perdeu: 273 candidatos que o representaram em 2022 partiram para outras siglas. PL, PP, Republicanos e PSD também registraram perdas expressivas.

O PRTB ilustra bem a lógica dessa dispersão: 85 candidatos que concorreram pela legenda em 2022 agora disputam por outras 22 siglas diferentes, sem um destino único ou dominante. A fragmentação sugere que a troca de partido responde menos a projetos coletivos e mais a dinâmicas locais e cálculos individuais de viabilidade eleitoral.

O que esses números antecipam é um cenário em 2026 onde a composição das bancadas pode diferir profundamente da que emergiu em 2022 — não apenas por novos candidatos, mas pela reconfiguração silenciosa de lealdades entre aqueles que já ocupavam espaço na disputa política brasileira.

Quando o prazo para registro de candidaturas encerrou no sábado 15 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral recebeu um retrato revelador da fluidez política brasileira. Uma análise do G1 com base nesses registros mostra que 3.681 candidatos que disputaram as eleições de 2022 estão concorrendo em 2026 por um partido diferente — o equivalente a 58% de todos aqueles que se registraram nas duas eleições. O número sozinho não diz tudo. Desses 3.681 migrantes, 3.271 trocaram para legendas que já existiam em 2022, enquanto 410 optaram por siglas criadas entre as duas eleições. Há ainda um terceiro grupo: 944 candidatos que concorrem agora saíram de partidos que deixaram de existir, foram incorporados por outros, trocaram de nome ou se fundiram com outras organizações. Juntos, esses números pintam um quadro de instabilidade partidária que vai além da simples troca de filiação.

O mapa das migrações revela ganhadores e perdedores claros. O Novo emerge como o grande beneficiário, com um saldo positivo de 173 candidatos quando se contabilizam entradas menos saídas. A sigla recebeu migrantes de 23 partidos diferentes, com os maiores fluxos vindos do PL (26 candidatos), do PTB (20) e do Podemos (15). No outro extremo, o União Brasil foi o partido que mais perdeu: 273 candidatos que disputaram as eleições de 2022 pela legenda migraram para outras siglas. O PL vem em seguida com 216 perdas, seguido pelo PP com 204, e Republicanos e PSD empatados com 194 cada.

A instabilidade não se limita aos partidos que continuam existindo. O Patriota, que se fundiu ao PTB para criar o PRD, viu 206 de seus candidatos de 2022 migrarem para outras legendas em 2026. O PTB, que também participou dessa fusão, perdeu 167. O PSC, extinto em junho de 2023 quando foi incorporado pelo Podemos, deixou 189 candidatos em busca de novas filiações. O PMN, que mudou de nome para Mobiliza, manteve 152 candidatos que agora concorrem sob a nova sigla. O PROS, incorporado ao Solidariedade em fevereiro de 2023, dispersou 134 candidatos. E o PMB, renomeado como Democrata, retém 96 candidatos que concorrem sob a nova identidade.

Essas transformações estruturais refletem uma realidade mais profunda: a política brasileira continua marcada por uma fluidez que desafia noções tradicionais de fidelidade partidária. Os dados foram extraídos do repositório de Dados Eleitorais do TSE e cruzados pelo CPF dos candidatos, garantindo precisão na identificação de quem efetivamente mudou de legenda entre os dois pleitos. O exercício comparativo incluiu apenas candidatos que disputaram tanto em 2022 quanto em 2026, criando um grupo de análise consistente.

O PRTB oferece um exemplo particularmente ilustrativo dessa dispersão. O partido teve o maior saldo negativo entre as legendas que existem nas duas eleições: 85 candidatos que concorreram pelo PRTB em 2022 agora disputam por outras 22 siglas diferentes. O Novo absorveu 13 deles, o PL recebeu 12, e o DC ficou com 8. Essa fragmentação sugere que a decisão de trocar de partido não segue um padrão único, mas responde a dinâmicas locais, oportunidades específicas e cálculos individuais de viabilidade eleitoral.

Agora que o registro de candidaturas foi encerrado, o TSE segue analisando os pedidos de registro. O que esses números antecipam é um cenário eleitoral em 2026 onde a composição das bancadas pode diferir significativamente da que emergiu em 2022, não apenas por causa de novos candidatos, mas pela reconfiguração de lealdades entre aqueles que já ocupavam espaço na disputa política. A migração em massa de candidatos é tanto sintoma quanto motor dessa reconfiguração.

Candidatos de 23 partidos migraram para o Novo, com maiores fluxos vindos do PL, PTB e Podemos
— Análise do G1 com base em dados do TSE
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