Maiores de 30 anos devem estar vacinados até setembro, segundo plano da task force

Até setembro, todas as pessoas com mais de 30 anos deverão estar vacinadas
O calendário da task force traçava um caminho claro para atingir imunidade de grupo em Portugal.

Em meados do primeiro semestre de 2021, Portugal traçou um horizonte concreto para a sua saída da pandemia: um calendário escalonado que prometia vacinar todos os adultos acima dos 30 anos até setembro, abrindo caminho para a imunidade de grupo. O plano, apresentado pelo coordenador da task force Henrique Gouveia e Melo perante especialistas do Infarmed, não era apenas um exercício técnico — foi a base que permitiu ao presidente Marcelo Rebelo de Sousa decidir não renovar o estado de emergência, sinalizando uma viagem coletiva de regresso à normalidade.

  • Com apenas 22% da população vacinada, Portugal enfrentava ainda uma distância considerável entre o presente frágil e a meta de 70% de adultos protegidos.
  • Os quatro concelhos em situação crítica — Portimão, Rio Maior, Odemira e Moura — receberam reforço urgente de 10 mil doses, ganhando três a quatro semanas de avanço sobre o calendário nacional.
  • A incerteza pesava sobre os mais jovens: para menores de 30 anos, nenhuma data estava ainda fixada, deixando uma geração inteira fora do horizonte imediato.
  • O Governo abriu uma alternativa presencial nos espaços do cidadão para maiores de 65 anos, reconhecendo que a plataforma digital de auto-agendamento não chegava a todos.
  • Portugal rejeitou o modelo espanhol de envolver empresas na vacinação, apostando na capacidade do Serviço Nacional de Saúde — uma escolha que refletia tanto confiança como uma visão sobre quem deve guardar a saúde pública.

Na reunião de especialistas do Infarmed desta terça-feira, o coordenador da task force de vacinação, Henrique Gouveia e Melo, apresentou um calendário que dividia a população portuguesa em faixas etárias com prazos precisos. Os maiores de 80 anos deveriam já estar vacinados desde 11 de abril; os dos 70 aos 79 anos concluiriam o processo no final daquela semana; os dos 60 aos 69 anos teriam até 23 de maio; os dos 50 aos 59 até 13 de junho; os dos 40 aos 49 até 1 de agosto; e os dos 30 aos 39 entre agosto e setembro. O objetivo final era atingir a imunidade de grupo com cerca de 70% da população adulta protegida.

Para os menores de 30 anos, porém, o horizonte permanecia em aberto — sem qualquer previsão estabelecida. Naquele momento, a cobertura vacinal rondava apenas 22%, o que tornava o calendário tanto uma promessa como um desafio.

A apresentação teve consequências políticas imediatas: o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, munido desta base técnica, decidiu não renovar o estado de emergência. Paralelamente, a ministra Alexandra Leitão anunciou que os maiores de 65 anos poderiam agendar a vacinação presencialmente nos espaços do cidadão, numa medida coordenada rapidamente entre várias entidades para não deixar ninguém para trás.

Os quatro concelhos em situação mais crítica — Portimão, Rio Maior, Odemira e Moura — receberam um reforço de 10 mil doses, a administrar entre quarta e sexta-feira a pessoas dos 60 aos 70 anos, permitindo-lhes avançar três a quatro semanas face ao calendário nacional. Quanto ao setor privado, a task force descartou por enquanto o envolvimento de empresas na vacinação, ao contrário do que Espanha equacionava para maio, reafirmando a aposta no Serviço Nacional de Saúde como pilar central da resposta à pandemia.

Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force de vacinação, apresentou um calendário ambicioso durante a reunião de especialistas do Infarmed nesta terça-feira. O plano traça um caminho claro: até setembro, todas as pessoas com mais de 30 anos deverão estar vacinadas. Se o cronograma se cumprir, Portugal poderá atingir a imunidade de grupo com aproximadamente 70% da população adulta protegida contra a covid-19.

O quadro de vacinação divide a população em faixas etárias, cada uma com um prazo específico. Os maiores de 80 anos tinham de estar vacinados até 11 de abril — praticamente imediato. Os grupos dos 70 aos 79 anos deveriam completar a vacinação até ao final desta semana. Depois seguem-se os dos 60 aos 69 anos, com conclusão prevista para 23 de maio. A faixa dos 50 aos 59 anos tem prazo até 13 de junho, enquanto os dos 40 aos 49 anos deverão estar vacinados até 1 de agosto. Por fim, os dos 30 aos 39 anos completarão o processo entre agosto e setembro.

Para os mais jovens, porém, o horizonte permanecia incerto. Não havia previsão para a vacinação de menores de 30 anos — nem para crianças dos 0 aos 9, nem para adolescentes dos 10 aos 19, nem para adultos jovens dos 20 aos 29. Naquele momento, a cobertura vacinal em Portugal rondava apenas 22% da população, o que significava que havia ainda um longo caminho a percorrer.

O calendário apresentado foi determinante para uma decisão política importante. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa, após ouvir os especialistas e conhecer o plano de vacinação, decidiu não renovar o estado de emergência. A apresentação da task force forneceu a base técnica que faltava para essa mudança de rumo.

Paralelamente, o Governo anunciou medidas para facilitar o agendamento. A ministra da Modernização do Estado, Alexandra Leitão, revelou que pessoas com mais de 65 anos poderiam marcar a sua vacinação presencialmente nos espaços do cidadão, em alternativa à plataforma online de auto-agendamento. A medida foi coordenada rapidamente entre a task force, a área da Saúde, a Agência para a Modernização Administrativa e as freguesias.

Os quatro concelhos que enfrentavam situações mais críticas — Portimão, Rio Maior, Odemira e Moura — receberam um reforço de 10 mil doses para acelerar o ritmo de vacinação. A administração dessas vacinas, dirigidas a pessoas entre os 60 e 70 anos, ocorreria entre quarta e sexta-feira, permitindo que estas regiões ganhassem um avanço de três a quatro semanas em relação ao calendário nacional. A decisão refletia uma estratégia pragmática: estes eram concelhos pouco povoados com populações mais envelhecidas, onde a vacinação rápida poderia ter impacto imediato.

Quanto ao envolvimento do setor privado, a task force descartava, por enquanto, a possibilidade de empresas participarem na administração de vacinas. Espanha estava a equacionar essa solução para maio, mas Portugal considerava que não havia necessidade de recorrer a tal modelo. Ainda assim, o presidente da Associação Empresarial de Portugal manifestou disponibilidade para colaborar caso a medida fosse implementada, e a Sociedade Portuguesa de Medicina no Trabalho também se mostrou aberta, desde que houvesse condições adequadas. A Confederação Nacional da Agricultura, por seu lado, defendia que o combate à pandemia deveria passar pelo reforço do Serviço Nacional de Saúde.

Os espaços de cidadão vão poder receber a inscrição para as vacinas nos maiores de 65 anos, nesta fase. Foi algo que em dois, três dias foi concertada entre a task force, a área da Saúde, a Agência para a Modernização Administrativa e também as freguesias.
— Alexandra Leitão, Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública
Não se antecipa um cenário em que exista a necessidade de recorrer a soluções semelhantes à vacinação em empresas.
— Task force de vacinação, liderada por Henrique Gouveia e Melo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que setembro era a data-alvo para vacinar maiores de 30 anos? Parecia ambicioso para a altura.

Model

Era ambicioso, sim. Mas havia lógica: 70% da população adulta vacinada é o limiar para imunidade de grupo. Sem isso, o vírus continuava a circular.

Inventor

E os mais jovens? Porque é que não havia plano para eles?

Model

Naquele momento, as vacinas eram escassas. Prioridade era proteger os vulneráveis — idosos, doentes crónicos. Os jovens teriam de esperar.

Inventor

Os concelhos em vermelho receberam 10 mil doses extra. Isso não criava injustiça?

Model

Criava tensão, sim. Mas eram zonas pequenas, com pessoas mais velhas. Vacinar 10 mil lá tinha mais impacto do que noutro lado.

Inventor

Portugal recusou empresas na vacinação. Espanha não. Qual era o medo?

Model

Não era medo, era confiança no SNS. Portugal apostava que o sistema público conseguia. Espanha tinha dúvidas.

Inventor

E conseguiu?

Model

Isso é outra história. Mas naquele dia, a task force acreditava que sim.

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