Teiú de até 2 metros foi localizado sob armário; bombeiros precisaram se deitar no chão para capturar com segurança o animal predador. Um mês antes, trabalhador perdeu parte de dedo ao tentar oferecer água a lagarto da mesma espécie em Rondonópolis.
Maior lagarto do Brasil é resgatado escondido em armário de cozinha em MT
Ele nunca vai entender que está sendo ajudado
Por que esse lagarto entrou na casa? Estava fugindo de algo?
A fonte não especifica. O teiú é um animal que se move pela região — pode ser encontrado em quase todo o Brasil. Provavelmente entrou procurando abrigo ou alimento, e o armário da cozinha pareceu um bom esconderijo.
Os bombeiros precisaram se deitar no chão. Por quê? O lagarto era agressivo?
Não necessariamente agressivo naquele momento. Estava escondido, acuado. Os bombeiros se deitaram para conseguir localizá-lo e capturá-lo com segurança — para o animal e para eles. Era uma questão de técnica, não de combate.
E o trabalhador que perdeu o dedo — ele realmente estava tentando ajudar?
Sim. Estava oferecendo água. Pensava que estava fazendo um bem. Mas o lagarto não entendeu assim. Viu aquilo como uma ameaça, ou como alguém o perseguindo, e reagiu. A mordida foi forte o suficiente para custar parte de um dedo.
Então o problema é que as pessoas não sabem como os animais pensam?
Exatamente. Um animal silvestre vê a aproximação humana como ameaça, ponto. Não importa a intenção. E quando se sente encurralado, pode atacar com força. O biólogo foi bem claro: o teiú vai tentar fugir primeiro, mas se for pressionado, muda de estratégia.
É ilegal alimentar esses animais?
É. Lei Ambiental Federal de 1998. Além de ilegal, é desnecessário — eles conseguem água e nutrientes da própria alimentação. A exceção seria uma emergência extrema, como um incêndio florestal.
E se alguém encontrar um lagarto assim, o que faz?
Liga para a Polícia Militar ou para o Corpo de Bombeiros. Deixa os profissionais fazerem o trabalho. Não tenta capturar, não tenta alimentar, não tenta nada. Só avisa quem sabe o que está fazendo.
The Pulse
- Teiú resgatado em Guarantã do Norte, a 709 km de Cuiabá, escondido sob armário de cozinha
- Bombeiros precisaram se deitar no chão para localizar e capturar o animal com segurança
- Um mês antes, trabalhador perdeu parte de dedo ao tentar oferecer água a lagarto da mesma espécie em Rondonópolis
- Teiú pode medir até 2 metros de comprimento incluindo a cauda
- Lei Ambiental Federal nº 9.605/1998 proíbe alimentar fauna silvestre
Teiú de até 2 metros foi localizado sob armário; bombeiros precisaram se deitar no chão para capturar com segurança o animal predador. Um mês antes, trabalhador perdeu parte de dedo ao tentar oferecer água a lagarto da mesma espécie em Rondonópolis.
Um teiú, o maior lagarto do Brasil, foi encontrado escondido embaixo de um armário de cozinha em Guarantã do Norte e resgatado pelo Corpo de Bombeiros. O caso reforça riscos de interagir com animais silvestres após ataque similar que causou perda de dedo.
Na tarde de sexta-feira, 17 de julho, os bombeiros de Guarantã do Norte receberam um chamado inusitado: um lagarto gigante estava escondido embaixo de um armário de cozinha. O animal, um teiú — o maior lagarto do Brasil — havia se refugiado na casa localizada na Rua dos Sapotis, no Bairro Industrial, a 709 quilômetros de Cuiabá. O que poderia ter sido um encontro perigoso terminou em resgate bem-sucedido, mas não sem dificuldade: os militares precisaram se deitar no chão da residência para localizar a criatura e capturá-la com segurança. Após a operação, o animal foi levado para uma área de mata adequada ao seu habitat natural e solto.
O incidente ganhou peso adicional pelo contexto que o cercava. Pouco mais de um mês antes, em junho, um trabalhador havia perdido parte de um dedo ao ser mordido por um lagarto da mesma espécie no Horto Florestal de Rondonópolis. Naquele caso, o homem havia se aproximado do réptil com uma garrafa, tentando oferecer água ao animal. Imagens capturadas por um colega documentaram o momento em que o lagarto o atacou. O ferimento foi grave o suficiente para exigir atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento. Os dois episódios, separados por semanas e quilômetros, ilustravam um padrão perigoso: a disposição humana de ajudar animais selvagens, mesmo quando essa ajuda coloca vidas em risco.
O teiú é um animal impressionante. Cientificamente conhecido como Salvator merianae, pode atingir cerca de 50 centímetros de comprimento, mas com a cauda alguns exemplares chegam a medir até 2 metros. Sua coloração combina tons de preto, amarelo e branco, com manchas claras nas laterais do corpo. É um predador onívoro com dieta variada: carniças, insetos, aves, roedores, anfíbios, outros lagartos, ovos, frutas e folhas. Essa diversidade alimentar o torna importante para os ecossistemas — ao consumir frutos, dispersa sementes e contribui para a manutenção do equilíbrio natural. Mas é também um animal de comportamento defensivo acentuado, capaz de reagir com força quando se sente ameaçado.
Segundo Luiz Eduardo Saragiotto Silva, biólogo que analisou o caso de Rondonópolis, o teiú é um lagarto de grande porte com instinto de fuga bem desenvolvido. Quando percebe a aproximação humana, sua primeira reação é tentar escapar. Mas quando se vê encurralado ou perseguido, muda de estratégia: pode atacar e morder com força considerável. "Ele nunca vai entender que está sendo ajudado", explicou o especialista. "Muitas pessoas acabam correndo atrás do teiú ou tentando tocá-lo. Em um primeiro momento ele tenta escapar, mas, se for pressionado, pode correr atrás e morder." A mordida, acrescentou, é muito forte.
A tentativa de oferecer alimento ou água a animais silvestres é não apenas perigosa, mas também ilegal. A Lei Ambiental Federal nº 9.605/1998 proíbe alimentar a fauna silvestre. Além disso, conforme explicou Marcos Ardevino, guia de turismo e biólogo, esses animais normalmente conseguem obter água e nutrientes de sua própria alimentação. "Muitas pessoas se sensibilizam e querem ajudar, mas esses animais não precisam desse tipo de intervenção", disse. "A exceção seria uma situação extrema, como um incêndio florestal. Fora isso, não há motivo para oferecer água ou comida."
A orientação das autoridades é clara e direta. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente reforça que ao encontrar um animal silvestre que necessite de resgate, a população deve acionar a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros. O importante é não tentar capturar o animal por conta própria, evitando riscos tanto à segurança das pessoas quanto à integridade do animal. Quando um animal aparenta estar ferido ou debilitado, a recomendação é a mesma: chamar os órgãos ambientais competentes para que profissionais capacitados façam o resgate e o atendimento adequado. O caso de Guarantã do Norte, apesar do susto, exemplificou como essa abordagem funciona: bombeiros treinados, procedimentos seguros, e um animal devolvido à natureza ileso.
Notable Quotes
Muitas pessoas acabam correndo atrás do teiú ou tentando tocá-lo. Em um primeiro momento ele tenta escapar, mas, se for pressionado, pode correr atrás e morder. É um comportamento relativamente comum. E a mordida é muito forte.— Luiz Eduardo Saragiotto Silva, biólogo
Muitas pessoas se sensibilizam e querem ajudar, mas esses animais não precisam desse tipo de intervenção. A exceção seria uma situação extrema, como um incêndio florestal.— Marcos Ardevino, guia de turismo e biólogo