Catarina nasceu prematura com 30 semanas, enfrentou parada respiratória grave e retinopatia que ameaçava sua visão. A mãe fez promessa a Nossa Senhora durante internação e cumpriu o voto ao percorrer 392 metros de joelhos com a filha.
Mãe percorre 392 metros de joelhos em Aparecida para agradecer recuperação de filha prematura
Eu chorei, mas era um choro de alívio
O que a levou a fazer uma promessa tão específica, tão física, naquele momento?
Quando você está vendo seu filho lutar pela vida e os médicos dizem que não têm mais o que fazer, você faz o que pode. Para mim, naquele momento, era conversar com Nossa Senhora. A promessa veio naturalmente — se ela conseguisse ficar sem oxigênio, eu iria de joelhos.
E quando Catarina finalmente respirou sozinha, você soube imediatamente que tinha que cumprir?
Sim. Não era uma coisa que eu pudesse deixar para depois ou relativizar. Era uma dívida que eu tinha, uma gratidão que precisava ser expressa de um jeito que fizesse sentido para mim.
Durante aqueles 392 metros, você sentiu dor?
Sentia, mas não conseguia pensar nela. Eu estava ali porque sabia exatamente por quê. Cada metro era uma lembrança de tudo que ela passou, de como ela está aqui agora, saudável.
Por que decidiu compartilhar isso nas redes sociais?
Não era para viralizar. Era para contar a história dela, para que outras mães soubessem que é possível sair do outro lado. Catarina é um testemunho vivo.
O vestido que você deixou em Aparecida — por que aquele em especial?
Porque foi do aniversário de um ano dela, quando ela já estava fora de perigo. Um vestido com tema de Nossa Senhora. Parecia certo deixar aquilo lá, como uma forma de dizer obrigada.
Como é olhar para Catarina agora e lembrar de tudo que vocês passaram?
É alívio puro. Ela não tem sequelas, não tem marcas visíveis do que enfrentou. Mas eu carrego cada momento. Cada dia com ela é uma bênção que eu não esperava ter.
El Pulso
- Catarina nasceu com 30 semanas de gestação após pré-eclâmpsia e síndrome HELLP
- Passou dois meses em UTI neonatal, enfrentou parada respiratória grave no terceiro dia de vida
- Desenvolveu retinopatia da prematuridade, que ameaçava sua visão
- Gabrielle percorreu 392 metros de joelhos na Passarela da Fé em Aparecida
- Vídeos do cumprimento da promessa ultrapassaram 1 milhão de visualizações
Catarina nasceu prematura com 30 semanas, enfrentou parada respiratória grave e retinopatia que ameaçava sua visão. A mãe fez promessa a Nossa Senhora durante internação e cumpriu o voto ao percorrer 392 metros de joelhos com a filha.
Gabrielle percorreu 392 metros de joelhos no Santuário de Aparecida para agradecer a recuperação de sua filha prematura, Catarina, que superou complicações graves na UTI e quase perdeu a visão.
Gabrielle Luiza percorreu 392 metros de joelhos na Passarela da Fé, em Aparecida, no interior de São Paulo, no último sábado. Ao seu lado, em parte do trajeto carregada no colo, estava Catarina, sua filha de um ano. O percurso não era um gesto simbólico qualquer. Era o cumprimento de uma promessa feita nos momentos mais sombrios da vida de uma mãe — quando tudo parecia estar se desmoronando.
Catarina nasceu prematura, com apenas 30 semanas de gestação. A gravidez de Gabrielle havia se complicado quando ela desenvolveu pré-eclâmpsia e síndrome HELLP, condições que exigiram internação urgente e parto imediato. A recém-nascida foi direto para a UTI neonatal em Apucarana, no Paraná. No terceiro dia de vida, seu pulmão fechou. Os médicos, segundo o relato de Gabrielle, disseram que haviam esgotado as possibilidades de tratamento. Ela lembra de chegar ao hospital e ouvir do médico que eles já tinham desistido.
Um mês depois veio outro diagnóstico devastador: retinopatia da prematuridade, uma condição que poderia roubar a visão de Catarina se ela precisasse de cirurgia e não recebesse o tratamento correto. Mãe e filha foram transferidas para Campo Largo, também no Paraná, onde a menina continuou internada, ainda dependente de aparelhos para respirar. Foi nesse ponto que Gabrielle fez sua promessa a Nossa Senhora: se Catarina conseguisse ficar sem oxigênio, ela percorreria de joelhos a Passarela da Fé em Aparecida.
Na véspera de uma consulta crucial, Catarina ainda estava ligada ao aparelho. Durante a noite, porém, a equipe médica realizou um novo teste. Conseguiram deixá-la sem oxigênio. Na manhã seguinte, quando Gabrielle chegou, encontrou a filha respirando sozinha. "Exatamente no dia que eu precisava. Exatamente no dia que o médico ia passar", ela contou depois. Catarina também enfrentou convulsões, mas superou tudo.
No sábado 15 de agosto, Gabrielle cumpriu seu voto. Chegou ao Santuário Nacional acompanhada da filha, da mãe, da irmã e de uma sobrinha. Começou o percurso de joelhos, carregando Catarina em parte do caminho. "Eu chorei, mas era um choro de alívio, de saber tudo o que eu passei e olhar pra ela hoje, uma criança sem sequela", disse. Durante o trajeto, ela não conseguia pensar na dor dos joelhos ou no esforço físico. O que importava era lembrar da recuperação da filha, estar ali porque sabia exatamente por quê.
Além do percurso, Gabrielle levou um vestido especial — aquele que Catarina usou no seu primeiro aniversário, uma festa com tema de Nossa Senhora. A mãe decidiu deixar a roupa em Aparecida, guardada para sempre. "É um vestido muito especial para mim. Um vestido que vai ficar guardado para sempre no meu coração, em foto, em memória. Acho que nada melhor do que poder deixar para quem tanto intercedeu pela vida dela", afirmou.
Hoje, com um ano de idade, Catarina está saudável e sem sequelas. Gabrielle a chama de testemunho vivo, de milagre vivo. A história que ela compartilhou nas redes sociais tocou muita gente — os vídeos do cumprimento da promessa já ultrapassaram um milhão de visualizações. O que começou como uma jornada de desespero e fé se transformou em uma narrativa que ressoa para além do círculo familiar, lembrando a quantos outros pais enfrentam batalhas semelhantes nos corredores das UTIs neonatais.
Citas Notables
Eu lembro até que no outro dia eu cheguei e o médico veio falar comigo. Ele falou pra mim que eles já tinham desistido— Gabrielle Luiza, sobre o terceiro dia de vida de Catarina
Ela é um testemunho vivo. Ela é um milagre vivo— Gabrielle Luiza, sobre a filha hoje