Tratador chora ao se despedir de elefante idoso transferido para santuário; moradores locais se despedem do animal em cena tocante em Sorocaba. Bombeiros resgatam milhares de animais, crianças criam projetos solidários e artistas se posicionam pela democracia, revelando a bondade humana nas redes sociais.
Madrugadas insones: esperança em pequenos gestos de humanidade
Se existe esse menino, existe esperança para este país
O que você viu naquele vídeo do elefante que a fez chorar?
Um homem que amava seu trabalho, seu animal, despedindo-se. E uma comunidade inteira que veio honrar aquele momento. Não é pequeno.
Mas por que o elefante precisava ser transferido? O zoológico não era um lugar adequado?
Aparentemente não. O santuário em Mato Grosso oferece condições melhores para um animal idoso. É uma decisão certa, mas dolorosa para quem cuidou dele.
E os bombeiros resgatando dezoito mil animais — isso é um número que você verificou?
Até agosto deste ano, segundo o Corpo de Bombeiros do Rio. É um número oficial, mas não sabemos o contexto — quantos desses eram resgates de emergência, quantos eram relocações, quantos animais não sobreviveram.
Verdade. Mas o ponto é que pessoas pararam seu dia para salvar uma vida. Isso é real.
E o menino da cabine fotográfica — ele está ganhando dinheiro com isso?
A colunista não diz. Pode ser um projeto comunitário, pode ser que ele esteja vendendo os desenhos, pode ser que esteja apenas oferecendo. Não sabemos.
Mas a intenção é clara: ele criou algo para dar às pessoas. Isso é o que importa.
Você acha que a colunista está sendo honesta sobre sua esperança, ou está selecionando apenas as histórias boas?
Ela está selecionando. Mas ela é honesta sobre isso — ela diz que está insone, ansiosa, e que o algoritmo lhe entrega o melhor da humanidade. Ela não está fingindo que tudo está bem.
Exatamente. Ela não está negando a ansiedade. Ela está dizendo que mesmo com toda essa ansiedade, encontra razões para acreditar. Isso é diferente de negação.
O Pulso
- Sérgio Domingues, tratador em Sorocaba, chorou ao se despedir de Sandro, elefante transferido para santuário em Mato Grosso
- Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro resgatou mais de 18 mil animais até agosto de 2026
- Bombeiros desceram 70 metros de corda para resgatar cão chamado Rapel em Pavão Pavãozinho
- João Cesso Nogueira, menino de dez anos, criou cabine fotográfica de papelão na zona norte
- Edir Macedo e Record condenados a pagar R$ 1,5 milhão por fala homofóbica
Tratador chora ao se despedir de elefante idoso transferido para santuário; moradores locais se despedem do animal em cena tocante em Sorocaba. Bombeiros resgatam milhares de animais, crianças criam projetos solidários e artistas se posicionam pela democracia, revelando a bondade humana nas redes sociais.
Colunista reflete sobre momentos de humanidade e esperança descobertos em madrugadas insones, desde a transferência de um elefante idoso até atos de solidariedade e criatividade de pessoas comuns.
Na madrugada de quarta-feira em Sorocaba, um tratador chamado Sérgio Domingues se viu obrigado a dizer adeus a Sandro, um elefante que havia cuidado por anos. O animal precisava ser transferido do Zoológico Quinzinho de Barros para o Santuário dos Elefantes do Brasil, em Mato Grosso — um lugar melhor para seus últimos anos, mas uma despedida de qualquer forma. Moradores da cidade apareceram para se despedir também, gritando "Adeus, divo!" para o elefante enquanto Sérgio chorava. O vídeo desse momento circulou pelas redes, e quem o assistiu — como a colunista em uma de suas muitas madrugadas insones — encontrou nele algo raro: a prova de que ainda existe amor genuíno entre pessoas e animais, entre estranhos que se reúnem para honrar uma criatura que está partindo.
Essas madrugadas insones, cheias de ansiedade sobre o futuro do país, revelam um padrão quando a colunista finalmente consegue dormir. O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro resgatou mais de dezoito mil animais até agosto deste ano — cães, gatos, baleias, golfinhos, pinguins. Um vira-lata chamado Rapel caiu em uma encosta de acesso difícil na comunidade de Pavão Pavãozinho e precisou ser resgatado por bombeiros que desceram setenta metros de corda para alcançá-lo. O animal sobreviveu e encontrou um lar. Quando militares interrompem seu dia para salvar um cachorro de rua, quando a internet se enche de corações em resposta, fica claro que há algo de bom neste país que não vai desaparecer.
Da zona norte veio a história de João Cesso Nogueira, um menino de dez anos que construiu sua própria cabine fotográfica de papelão. Funciona assim: as pessoas entram, esperam, e saem com um desenho feito à mão pelo garoto. Esse gesto simples — uma criança oferecendo arte para estranhos — devolveu o sono à colunista em uma terça-feira. Se existe esse menino, se existe sua mãe que o apoiou, se existem pessoas dispostas a se sentar diante dessa cabine de papelão, então há esperança.
Nas madrugadas insones, a colunista descobre que sua amiga Roberta Martinelli está feliz. A rádio Eldorado voltou. João Gomes transformou uma passagem de som em show para os trabalhadores do Rock in Rio. Flávia Oliveira e Natuza Nery deixaram claro nas redes sociais que estão do lado da democracia. Liniker canta "Quando Você Passa" com Sandy. Gloria Groove toca samba. Edir Macedo e a Record foram condenados a pagar um milhão e meio de reais por uma fala homofóbica. Cada um desses momentos é pequeno, mas juntos formam um mosaico de pessoas fazendo o certo, falando o certo, criando o certo.
Céline Dion, uma cantora que os médicos disseram que nunca mais conseguiria atingir notas altas por causa de sua doença, voltou a cantar com uma voz plena. "Se eu não puder correr, vou andar. Se não puder andar, vou rastejar. Mas jamais vou parar", ela disse. Pode ser uma estrangeira, pode não ter nada a ver com o Brasil, mas o ser humano é mesmo maravilhoso. Leandra Leal fala sobre letramento antirracista, sobre criar meninas que se amam porque isso é o ato mais revolucionário possível. Nenhuma energia de beleza vende em caneta emagrecedora — existe algo maior acontecendo.
Em noites insones, quando o algoritmo das redes sociais — estranhamente apiedado pela situação dos nervos da colunista — entrega o melhor da humanidade, fica claro que a esperança não é ingenuidade. Ela é o resultado de observar pessoas reais fazendo coisas reais. Um tratador que chora por um elefante. Bombeiros que descem setenta metros de corda. Uma criança que desenha para estranhos. Artistas que se posicionam. Pessoas que se recusam a parar. Enquanto isso existir, o Brasil não vai decepcionar.
Citações Notáveis
Se eu não puder correr, vou andar. Se não puder andar, vou rastejar. Mas jamais vou parar— Céline Dion