Maceió inicia testagem para hepatites, HIV e Aids no sábado durante Julho Amarelo

Populações vulneráveis como pessoas em situação de rua e usuários de drogas são alvo prioritário de testagem e prevenção.
muitas pessoas não procuram as unidades porque a doença não dá sinais óbvios
Gerente de saúde explica por que testagem gratuita é essencial para detectar hepatites frequentemente assintomáticas.

Testagem gratuita começa sábado em abrigo para pessoas em situação de rua, usuários de drogas e profissionais do sexo. Hepatites frequentemente assintomáticas exigem diagnóstico precoce; UBS oferecem palestras educativas e testes rápidos durante o mês.

  • Testagem gratuita começa sábado, 3 de julho, no Abrigo São Vicente de Paula
  • Hepatites virais são frequentemente assintomáticas, dificultando diagnóstico
  • Dois webinários com especialistas nos dias 9 e 22 de julho, direcionados a profissionais de saúde
  • Campanha Julho Amarelo tem tema "Não vamos deixar ninguém para trás"

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió promove ações em julho para diagnóstico de hepatites, HIV e Aids, iniciando com testagem em abrigo para população vulnerável e realizando webinários com especialistas.

Maceió entra em julho com uma campanha de saúde pública focada em três doenças que frequentemente passam despercebidas: hepatite, HIV e Aids. A Secretaria Municipal de Saúde coordena o mês inteiro de ações sob o guarda-chuva do Julho Amarelo, uma iniciativa nacional que este ano carrega o lema "Não vamos deixar ninguém para trás". O trabalho começa já neste sábado, 3 de julho, com testagem gratuita no Abrigo São Vicente de Paula, voltada especificamente para pessoas em situação de rua, usuários de álcool e outras drogas, e profissionais do sexo — grupos historicamente marginalizados nos serviços de saúde.

A escolha desses públicos não é casual. Gessyca Melo, gerente de IST/Aids e Hepatites Virais do município, explica que muitas pessoas não procuram as unidades de saúde porque desconhecem os riscos ou porque a doença não dá sinais óbvios. As hepatites virais são particularmente enganosas: em muitos casos, quem as tem não sente nada. Quando os sintomas aparecem — tosse, febre, cansaço, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados — a pessoa pode já estar com a infecção avançada. Por isso, Melo enfatiza a importância do diagnóstico precoce através de testes rápidos oferecidos amplamente.

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ter várias origens: vírus, medicamentos, álcool, drogas, ou até doenças autoimunes e genéticas. Nem sempre manifesta sintomas visíveis, o que a torna particularmente perigosa para quem não tem acesso regular a cuidados médicos. As formas B e C são entre as mais comuns e transmissíveis. A prevenção passa por cuidados básicos: usar preservativo em relações sexuais, verificar se materiais em manicures e consultórios dentários foram esterilizados em autoclave, garantir que as condições clínicas dos estabelecimentos sejam adequadas.

Além da testagem no abrigo, as Unidades Básicas de Saúde da cidade vão oferecer, ao longo de julho, salas de espera com palestras educativas sobre prevenção e diagnóstico. O objetivo é transformar momentos de rotina — quando alguém está aguardando atendimento — em oportunidades de aprendizado e intensificar a oferta de testes rápidos para quem procura os serviços.

O município também organizou dois webinários com especialistas para aprofundar a discussão sobre hepatites virais em tempos de pandemia. O primeiro acontece na sexta-feira, 9 de julho, às 14h30, com a médica Isabela Dutra, especialista em Medicina Interna, Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, abordando "O desafio de buscar metas de eliminação das Hepatites Virais em meio à pandemia da Covid-19". Este encontro é direcionado a trabalhadores de saúde em geral. O segundo webinário ocorre em 22 de julho, uma quinta-feira, às 16h, com o médico Eric Besseti, mestre e doutor em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, falando sobre "Remodelando o cuidado com as Hepatites Virais na Era da Covid-19", desta vez para um público de médicos. Ambos os eventos serão mediados pela médica Leila Tojal, especialista em Gastroenterologia e Hepatologia.

Os webinários são uma parceria entre os Programas Municipal e Estadual de IST, a Sociedade Alagoana de Gastroenterologia, o Instituto Brasileiro do Fígado e a Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas. Quem quiser participar deve se inscrever por formulário online; a transmissão será pelo canal do Youtube da FANUT/UFAL, com o link enviado aos inscritos horas antes do evento. O mês de julho, portanto, não é apenas sobre testagem pontual, mas sobre criar uma conversa mais ampla entre profissionais de saúde e comunidade sobre como eliminar essas doenças mesmo durante uma crise sanitária global.

Em muitos casos, as hepatites são assintomáticas, com manifestação de tosse, febre, por isso, muitas pessoas não procuram as unidades de saúde. Por isso, a importância do diagnóstico precoce através da conscientização e oferta ampliada de testes rápidos.
— Gessyca Melo, gerente de IST/Aids e Hepatites Virais do município
The Hearth Conversation Another angle on the story
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Por que começar justamente com pessoas em situação de rua e usuários de drogas? Não seria mais fácil testar em locais com mais circulação?

Model

Porque essas populações têm menos acesso a serviços de saúde e correm mais risco. Se você espera que elas procurem a unidade básica, muitas nunca vão chegar lá. Você tem que ir até elas.

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E por que as hepatites são tão perigosas se muitas vezes não dão sintomas?

Model

Exatamente por isso. A pessoa pode estar infectada por meses ou anos sem saber, transmitindo para outras, danificando o fígado silenciosamente. Quando descobre, às vezes já é tarde.

Inventor

O que muda com esses webinários? Não é só para profissionais de saúde?

Model

Sim, mas profissionais de saúde são multiplicadores. Se um médico entende melhor como diagnosticar e tratar hepatite durante uma pandemia, ele muda a prática em toda a sua rede de pacientes.

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Qual é o maior desafio agora, com a Covid-19 acontecendo?

Model

Manter a atenção em outras doenças quando todo mundo está focado em uma pandemia. As hepatites não desapareceram, mas os recursos e a atenção diminuíram. É preciso lembrar que elas existem e matam também.

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E se alguém descobrir que tem hepatite? Tem cura?

Model

Depende do tipo. Algumas hepatites virais têm tratamento eficaz, outras exigem acompanhamento contínuo. Mas a descoberta precoce faz toda a diferença no prognóstico.

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