Na terça-feira, o presidente Lula telefonou para Donald Trump em busca de um caminho mais rápido para remover as sobretaxas americanas que ainda pesam sobre 22% das exportações brasileiras. A conversa de quarenta minutos, descrita como 'muito produtiva', é o mais recente capítulo de uma tensão comercial que começou em abril e que reflete, em escala bilateral, o esforço americano de reconfigurar suas relações econômicas globais. O Brasil avança com cautela entre concessões parciais e uma agenda ampla que vai de produtos industriais a terras raras e crime organizado transnacional.
Lula telefona a Trump e pressiona por retirada de sobretaxas em produtos brasileiros
O Brasil deseja avançar rápido nessas negociações
Por que Lula ligou agora, especificamente? Havia alguma urgência?
A conversa aconteceu após semanas de negociações entre as equipes dos dois países. O Brasil viu a remoção de 238 produtos em novembro como um sinal de que Trump estava disposto a negociar, então Lula aproveitou para pressionar por mais avanços. Há urgência porque essas tarifas afetam diretamente a competitividade das exportações brasileiras.
Mas por que os produtos industriais são tão importantes agora? O agronegócio já conseguiu alívio.
Porque o agronegócio consegue redirecionar suas vendas para outros mercados com mais facilidade. Produtos industriais de alto valor agregado ou feitos sob encomenda não têm essa flexibilidade. Se não conseguem vender para os EUA, perdem mercado.
E essa questão do crime organizado que Lula levantou — isso é realmente uma prioridade para Trump?
Aparentemente sim. Trump respondeu com "total disposição" de cooperar. Mas há um elemento político aí também: Lula está conectando a questão das tarifas com a segurança, tentando criar uma agenda mais ampla que vá além do comércio.
Delaware como paraíso fiscal — isso é novo?
Não é novo, mas Haddad colocou números na conversa. 1,2 bilhão de reais em uma operação recente. Isso mostra que o Brasil está documentando o problema e esperando que os EUA tomem ação.
Qual é o risco se essas negociações não avançarem?
As tarifas continuam pesando sobre 22% das exportações brasileiras. Isso afeta empregos, competitividade e a relação bilateral. Além disso, Trump pode aumentar as tarifas novamente se sentir que o Brasil não está cooperando em outras frentes.
Então essa conversa de 40 minutos foi basicamente Lula dizendo "vamos rápido" e Trump respondendo "tudo bem"?
Mais ou menos. Lula reconheceu o progresso anterior, mas deixou claro que quer mais. Trump não disse não, mas também não fez promessas específicas. É um jogo de posicionamento — ambos sinalizando disposição para continuar negociando.
El Pulso
- Uma tarifa adicional de 40% imposta pelos EUA em agosto continua afetando quase um quarto das exportações brasileiras, pressionando setores industriais com poucos mercados alternativos.
- Em novembro, Washington recuou parcialmente, retirando 238 produtos da lista tarifária — café, frutas, carne bovina — reduzindo o impacto de 36% para 22% das exportações, mas a pressão permanece.
- Lula ligou diretamente para Trump pedindo avanço rápido nas negociações, sinalizando que o alívio obtido é insuficiente e que o Brasil não pretende aceitar o status quo como ponto final.
- As equipes dos dois países mantêm canais abertos desde o encontro na Malásia em outubro, e a próxima rodada de negociações será decisiva para produtos industriais de maior valor agregado e temas como terras raras e big techs.
- Na mesma ligação, Lula levantou o combate ao crime organizado transnacional, incluindo o uso de Delaware como paraíso fiscal para lavagem de dinheiro brasileiro — Trump prometeu cooperação conjunta.
Na terça-feira, o presidente Lula telefonou para Donald Trump em busca de um caminho mais rápido para remover as sobretaxas americanas que ainda pesam sobre 22% das exportações brasileiras. A conversa de quarenta minutos, descrita como 'muito produtiva', é o mais recente capítulo de uma tensão comercial que começou em abril e que reflete, em escala bilateral, o esforço americano de reconfigurar suas relações econômicas globais. O Brasil avança com cautela entre concessões parciais e uma agenda ampla que vai de produtos industriais a terras raras e crime organizado transnacional.
Na terça-feira, Lula telefonou para Trump em uma conversa de quarenta minutos que o Palácio do Planalto classificou como 'muito produtiva'. O objetivo era claro: pressionar pela remoção das sobretaxas americanas de 40% que ainda incidem sobre produtos brasileiros, afetando 22% das exportações do país para os EUA.
O pano de fundo é relevante. Em novembro, Washington já havia recuado parcialmente, retirando 238 produtos da lista tarifária — entre eles café, frutas tropicais, cacau e carne bovina. Esse movimento reduziu o peso das tarifas de 36% para 22% das exportações brasileiras. Ainda assim, quase um quarto do comércio bilateral permanece sob sobretaxas, e Lula deixou claro que o Brasil quer 'avançar rápido'.
As tarifas fazem parte de uma estratégia mais ampla de Trump para reequilibrar relações comerciais diante da China. A tarifa inicial de 10% foi aplicada em abril com base no déficit comercial americano com cada país. Em agosto, uma sobretaxa adicional de 40% entrou em vigor, justificada por Trump com referências a decisões que prejudicariam empresas de tecnologia americanas e ao julgamento de Bolsonaro.
Desde o encontro entre os dois presidentes na Malásia, em outubro, os canais de negociação se mantiveram abertos. Agora, após o alívio para o agronegócio, a atenção se volta para produtos industriais de maior valor agregado — que têm dificuldade em redirecionar exportações — e para uma agenda não tarifária que inclui terras raras, big techs, energia renovável e tributação de data centers.
Na mesma ligação, Lula também abordou o crime organizado transnacional. O ministro Fernando Haddad já havia alertado sobre o uso de Delaware como paraíso fiscal para lavagem de dinheiro brasileiro — uma operação recente rastreou 1,2 bilhão de reais enviados para esses fundos. Trump respondeu com 'total disposição' para cooperar. Os dois presidentes concordaram em conversar novamente em breve para acompanhar os avanços.
Lula pegou o telefone na terça-feira para falar com Donald Trump, e a conversa que se seguiu — quarenta minutos de diálogo — deixou o Palácio do Planalto satisfeito o suficiente para chamá-la de "muito produtiva". O presidente brasileiro tinha um objetivo claro: pressionar pela remoção das sobretaxas que ainda pesam sobre produtos brasileiros. Especificamente, aquela tarifa de 40% que os Estados Unidos mantêm em vigor, uma barreira que continua afetando uma parcela significativa do comércio bilateral.
O contexto dessa conversa é importante. Em novembro, a Casa Branca já havia dado um passo atrás, removendo 238 produtos da lista de itens tarifados — café, chá, frutas tropicais, sucos, cacau, especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina saíram da mira. Esse movimento reduziu o peso das tarifas sobre as exportações brasileiras de 36% para 22%. Ainda assim, quase um quarto das vendas brasileiras para o mercado norte-americano permanece sob sobretaxas, e é exatamente isso que Lula quer resolver. Ele deixou claro durante a ligação que o Brasil deseja "avançar rápido" nessas negociações, reconhecendo a decisão anterior dos EUA como positiva, mas sinalizando que há muito trabalho pela frente.
As tarifas que agora pesam sobre o Brasil fazem parte de uma estratégia maior de Trump: elevar barreiras contra parceiros comerciais para tentar recuperar a competitividade econômica americana diante da China. A história começou em abril, quando Trump impôs tarifas baseadas no tamanho do déficit comercial que os EUA têm com cada país. Como os americanos têm superávit com o Brasil, a taxa inicial foi de apenas 10%. Mas em agosto, uma tarifa adicional de 40% entrou em vigor — uma retaliação que Trump justificou citando decisões que prejudicariam as grandes empresas de tecnologia americanas e, também, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentar liderar um golpe de Estado.
O que mudou entre agosto e agora foi o diálogo. Lula e Trump se encontraram na Malásia em outubro, e desde então houve contatos telefônicos seguidos de negociações entre as equipes dos dois países. Esses canais abertos produziram o alívio de novembro. Mas o governo brasileiro sabe que a batalha não terminou. Após conseguir alguma folga para o agronegócio, a atenção agora se volta para os produtos industriais — especialmente aqueles com maior valor agregado ou fabricados sob encomenda, que têm dificuldade em redirecionar suas exportações para outros mercados. Além disso, há uma agenda paralela de temas não tarifários em discussão: terras raras, big techs, energia renovável e o regime especial de tributação para data centers.
Durante a mesma conversa, Lula também levantou a questão do crime organizado internacional. O presidente brasileiro enfatizou a urgência de reforçar a cooperação com os EUA para combater essas redes criminosas, mencionando operações recentes do governo federal brasileiro para "asfixiar financeiramente" o crime organizado e apontando ramificações que operam do exterior. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia alertado sobre um problema específico: criminosos usam Delaware, nos EUA, como paraíso fiscal para tirar dinheiro do Brasil ilegalmente e depois trazê-lo de volta "lavado". A operação mais recente rastreou 1,2 bilhão de reais sendo enviados para esses fundos. Trump respondeu, segundo o comunicado do Planalto, com "total disposição em trabalhar junto com o Brasil" e prometendo apoio a iniciativas conjuntas. Os dois presidentes concordaram em conversar novamente em breve para acompanhar o progresso dessas ações.
O que fica claro é que a relação comercial entre Brasil e EUA está em movimento, mas ainda longe de uma resolução final. Lula conseguiu manter os canais abertos e extrair algumas concessões, mas 22% das exportações brasileiras ainda enfrentam sobretaxas. A próxima rodada de negociações será crucial para determinar se o Brasil consegue avançar significativamente ou se essas tarifas permanecerão como um obstáculo duradouro.
Citas Notables
O Brasil deseja avançar rápido nessas negociações— Lula, durante conversa com Trump
Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas— Comunicado do Palácio do Planalto