Lula sugeriu encontro informal entre líderes mundiais em Mar-a-Lago durante ligação com Trump, visando negociações sobre conflitos globais. Presidente rebate acusações americanas sobre trabalho forçado e desmatamento, afirmando que tarifas ao Brasil foram baseadas em mentiras.
Lula sugere a Trump encontro com Xi e Putin em Mar-a-Lago para discutir paz
Nós queremos trabalhar juntos. O que não queremos é interferência
Por que Lula escolheu fazer essa sugestão a Trump justamente agora, durante um comício?
Porque o momento é estratégico. A assembleia da ONU em setembro reúne líderes de todo o mundo. Se Trump estivesse disposto a convidar Xi e Putin para sua casa, seria um sinal de que ele está aberto a negociações. Lula estava testando a ideia publicamente.
Mas isso não é arriscado? Sugerir que Trump hospede seus rivais geopolíticos?
É uma aposta. Lula está dizendo que a diplomacia informal, longe dos protocolos, pode funcionar. Ele acredita que um encontro descontraído — "toma um trago" — pode abrir portas que negociações formais não conseguem.
E quanto às tarifas que Trump impôs ao Brasil? Como isso se encaixa?
Lula estava rebatendo simultaneamente. Ele diz que quer paz global, mas também deixa claro que o Brasil não vai aceitar acusações infundadas. É uma forma de mostrar força enquanto propõe cooperação.
A descoberta de petróleo na Amazônia muda a posição do Brasil nessas negociações?
Completamente. Lula está dizendo que o Brasil tem recursos estratégicos — minerais críticos, terras raras, agora petróleo. Isso dá ao país uma moeda de troca real. Não é mais um país pedindo favores; é um país com algo que o mundo precisa.
Por que enfatizar tanto a industrialização desses recursos em vez de apenas exportá-los?
Porque exportar matéria-prima bruta gera pouco emprego e pouca riqueza. Refinar petróleo, fabricar chips, processar minerais — isso cria cadeias produtivas inteiras. Lula está dizendo que o Brasil quer subir na cadeia de valor, não ficar como fornecedor de commodities.
Le Pouls
- Lula sugeriu a Trump encontro com Xi Jinping e Putin em Mar-a-Lago durante assembleia da ONU em setembro
- Presidente rebateu acusações americanas sobre trabalho forçado e desmatamento, chamando tarifas de baseadas em mentiras
- Reunião marcada entre secretário de Comércio dos EUA Howard Lutnick e ministro Márcio Elias Rosa para discutir tarifas
- Pesquisa Datafolha mostra Lula com 39% contra 33% de Flávio Bolsonaro em primeiro turno
- Brasil descobriu petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas em águas ultraprofundas da costa do Amapá
Lula sugeriu encontro informal entre líderes mundiais em Mar-a-Lago durante ligação com Trump, visando negociações sobre conflitos globais. Presidente rebate acusações americanas sobre trabalho forçado e desmatamento, afirmando que tarifas ao Brasil foram baseadas em mentiras.
Lula propõe a Trump reunião com Xi Jinping e Putin em sua mansão na Flórida para discutir soluções para conflitos internacionais, durante comício em Belo Horizonte.
Na noite de sexta-feira, o presidente Lula telefonou para Donald Trump com uma proposta inusitada: reunir os principais líderes mundiais em Mar-a-Lago, a mansão do presidente americano na Flórida, para tentar negociar soluções para os conflitos internacionais que assolam o planeta. A ideia, segundo Lula, seria convidar Xi Jinping e Vladimir Putin para um encontro informal durante a assembleia geral da ONU em setembro — um momento em que os líderes já estariam em movimento. "Toma um trago, e vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz", descreveu o presidente a plateia em Belo Horizonte, onde discursava em comício para fortalecer a campanha do PT em Minas Gerais.
O encontro em Belo Horizonte, realizado na Praça da Estação, tradicional reduto da esquerda mineira, serviu como palco para Lula reafirmar sua postura de defesa da soberania brasileira diante das pressões comerciais americanas. O presidente rebateu duramente as acusações do governo Trump sobre trabalho forçado e desmatamento no Brasil, qualificando as tarifas impostas como baseadas em "mentiras". Ao mesmo tempo, anunciou que uma reunião foi marcada entre o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e o ministro Márcio Elias Rosa para discutir especificamente essas questões tarifárias. "Nós queremos trabalhar juntos. O que não queremos é interferência no Brasil", afirmou.
O discurso de Lula em Minas Gerais foi marcado por ênfase na industrialização e na defesa das riquezas naturais brasileiras. O presidente destacou que o Brasil, depois da China, é o país com maior quantidade de minerais críticos e terras raras — recursos que, segundo ele, devem gerar empregos no país em vez de serem apenas exportados como matéria-prima bruta. Prometeu investimento forte na indústria de defesa caso reeleito, e citou a recente descoberta de petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas da costa do Amapá, como "o passaporte do futuro do país". Essa descoberta, afirmou, será utilizada para resolver os problemas crônicos brasileiros.
O comício contou com a presença de figuras importantes do governo e da campanha petista: a primeira-dama Janja, o vice-presidente Geraldo Alckmin, as candidatas ao Senado Marília Campos e Áurea Carolina, além de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo estadual. O evento começou por volta das 19h15, após uma contagem regressiva exibida em telão, e incluiu apresentações de artistas cantando jingles da campanha em ritmos variados, de pagodão baiano a funk. Uma grande bandeira do Brasil foi erguida sobre a multidão.
Antes do comício em Belo Horizonte, Lula havia passado a tarde em Governador Valadares, a cerca de 315 quilômetros da capital, onde visitou as obras de duplicação da BR-116 e da ponte de São Raimundo, que atravessa o rio Doce. Naquela ocasião, sem mencionar nomes, atribuiu ao ex-governador Romeu Zema e ao ex-presidente Jair Bolsonaro a responsabilidade pela dívida recorde do estado com a União. Lula mencionou sua adesão ao Propag, programa de pleno pagamento de dívidas estaduais, como forma de ajudar Minas Gerais apesar de não ser filiado ao partido de Zema.
Os números mais recentes de intenção de voto, divulgados pela Datafolha na mesma sexta-feira, colocam Lula em vantagem confortável. Na primeira pesquisa realizada após o início oficial da campanha, o presidente marca 39% contra 33% de Flávio Bolsonaro em um primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Lula lidera com 47% contra 43%. A campanha segue em ritmo acelerado, com o presidente alternando entre agendas de campanha e diplomacia internacional, buscando simultaneamente consolidar sua base eleitoral e reposicionar o Brasil nas negociações globais.
Citations marquantes
Convida o Xi Jinping e o Putin na sua casa — ele tem uma casa de golfe, lá para o lado de Miami — toma um trago, e vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz— Lula, descrevendo sua sugestão a Trump
A taxação que vocês fizeram ao Brasil não é só irreal, como foi feita com base na mentira— Lula, rebatendo acusações americanas