Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, dois líderes subiram ao mesmo palco e falaram para mundos distintos: Lula defendeu a soberania das nações e o multilateralismo diante de uma plateia que o recebeu com aplausos, enquanto Trump celebrou a supremacia americana e viu delegações abandonarem o plenário durante seu discurso. O encontro que não aconteceu nos bastidores — e o passo acelerado de Lula para evitar Marco Rubio — disse tanto quanto qualquer discurso. Em Nova York, a ordem mundial não foi negociada; foi encenada.
Lula é aclamado na ONU enquanto Trump enfrenta protestos e boicote da mídia
O Brasil não cabe no quintal de ninguém
Por que esse encontro não aconteceu? Parecia haver uma abertura em 2025.
Porque as coisas mudaram. O discurso de Lula foi uma resposta direta à retórica de Trump sobre supremacia. Não era o momento para abraços nos bastidores.
Mas a gente não sabe exatamente por que Lula acelerou o passo. Rubio tentou cumprimentá-lo, Lula viu ou não viu? O relato diz que "parece ter visto", mas isso é interpretação, não fato.
Verdade. O que sabemos é que não houve encontro, e que Lula saiu logo após Trump falar.
E quanto ao boicote da mídia? Isso foi coordenado com Lula de alguma forma?
Não há nada na reportagem que sugira isso. O boicote começou segunda-feira por causa do bloqueio de Trump a CNN, MSNBC e Politico. Lula estava em Nova York, mas não há conexão estabelecida.
O boicote deixou Trump sem cobertura das grandes redes. Enquanto isso, Lula falava para uma plateia que o aplaudia. A ironia é que a ONU se preparou para evitar problemas técnicos, e conseguiu, mas a cobertura não chegou.
Então Trump enfrentou uma combinação de coisas ruins: sem mídia, delegações saindo durante seu discurso, e Lula recebendo aplausos?
Sim, mas precisamos ser cuidadosos. As delegações saíram porque Trump ameaçou aniquilar o Irã e chamou Cuba de Estado fracassado. Não foi por causa de Lula. São reações ao próprio discurso de Trump.
Ainda assim, o contraste foi claro. Lula falou de soberania e multilateralismo, recebeu aplausos. Trump falou de supremacia, enfrentou saídas de delegações.
E Rubio? Qual era o interesse dele em cumprimentar Lula?
A reportagem não explica. Rubio estava conduzindo negociações sobre Cuba, segundo Trump. Talvez quisesse conversar sobre isso. Mas é especulação.
O que importa é que não conversaram. E Lula saiu do prédio logo depois.
Der Puls
- Lula declarou que 'o Brasil não cabe no quintal de ninguém', posicionando o país como voz do Sul Global contra hegemonias — sem citar os EUA pelo nome, mas sem deixar dúvidas.
- Trump respondeu com orgulho da supremacia americana, provocando a saída das delegações do Irã e de Cuba do plenário ao ameaçar 'aniquilar' Teerã e chamar Havana de 'Estado absolutamente fracassado'.
- Grandes emissoras norte-americanas — CNN, MSNBC, ABC, CBS, NBC e até a Fox News — boicotaram a cobertura do evento em solidariedade aos veículos banidos da Casa Branca por Trump.
- O contraste de recepção foi inequívoco: Lula saiu do plenário entre aplausos e autoridades de vários países; Trump entrou sem câmeras das grandes redes e saiu sem interlocutores.
- Lula acelerou o passo para evitar Marco Rubio nos corredores da ONU e embarcou de volta ao Brasil ainda na noite de terça-feira, encerrando a visita sem qualquer contato com a delegação americana.
Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, dois líderes subiram ao mesmo palco e falaram para mundos distintos: Lula defendeu a soberania das nações e o multilateralismo diante de uma plateia que o recebeu com aplausos, enquanto Trump celebrou a supremacia americana e viu delegações abandonarem o plenário durante seu discurso. O encontro que não aconteceu nos bastidores — e o passo acelerado de Lula para evitar Marco Rubio — disse tanto quanto qualquer discurso. Em Nova York, a ordem mundial não foi negociada; foi encenada.
A 81ª Assembleia Geral da ONU abriu com um diálogo de surdos entre duas visões de mundo. O Brasil falou primeiro, como é tradição. Lula subiu ao plenário e declarou que o país 'não cabe no quintal de ninguém', condensando em uma frase um discurso de meia hora contra hegemonias, ingerência em eleições e a divisão do planeta em zonas de influência. Defendeu o multilateralismo e denunciou a 'lei do mais forte' como princípio de organização internacional. A plateia respondeu com aplausos efusivos — inclusive quando classificou o embargo americano a Cuba como 'punição coletiva' contra 10 milhões de cidadãos.
Quando Lula saiu, Trump entrou. O presidente norte-americano não respondeu com argumentos, mas com uma celebração: a economia americana como inveja do mundo, as Forças Armadas como as mais poderosas da Terra, a tecnologia sem rival. O plenário reagiu de outra forma. Ao ameaçar 'aniquilar' o Irã sem acordo, integrantes da delegação iraniana abandonaram o salão. Mais tarde, os cubanos seguiram o mesmo caminho após Trump chamar Cuba de 'Estado absolutamente fracassado' e prever a queda do governo de Havana.
A chegada de Trump foi marcada por ausências. As grandes redes americanas — CNN, MSNBC, ABC, CBS, NBC e Fox News — boicotaram a cobertura em solidariedade aos veículos banidos da Casa Branca. O presidente entrou sem o registro tradicional das emissoras. A ONU havia se preparado para evitar os constrangimentos técnicos de 2025, quando a escada rolante parou e o teleprompter falhou. Desta vez, a escada funcionou. As câmeras, não.
O encontro que não aconteceu completou o quadro. Em 2025, Lula e Trump se cruzaram por acaso, abraçaram-se e combinaram de se reunir. Desta vez, não houve encontro marcado. Ao deixar o plenário cercado de autoridades de diversos países, Lula viu Marco Rubio acenar em sua direção — e acelerou o passo antes que o secretário de Estado americano pudesse se aproximar. O presidente brasileiro embarcou de volta a Brasília ainda na noite de terça-feira.
A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas abriu nesta terça-feira, 22 de setembro, com uma sequência de discursos que funcionou como um diálogo de surdos entre duas visões de mundo. O Brasil falou primeiro, como é tradição. Lula subiu ao plenário e afirmou, sem mencionar nominalmente os Estados Unidos, que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém". A frase resumia um pronunciamento de pouco mais de meia hora contra o que chamou de "tentações hegemônicas", ingerência externa em eleições e a divisão do planeta em zonas de influência. Defendeu o multilateralismo, a soberania das nações e denunciou a "lei do mais forte" como princípio de organização internacional.
Quando Lula saiu do plenário, Trump entrou. O presidente norte-americano respondeu não com argumentos, mas com uma celebração da supremacia americana. "Posso informar com orgulho que nossa economia é a inveja do mundo. Nossas Forças Armadas são as mais poderosas da Terra. Nossa tecnologia não fica atrás de nenhuma outra", disse. A manhã se transformou numa sucessão de recados indiretos, cada um falando para uma plateia diferente.
A ausência de um encontro nos bastidores marcou a diferença em relação ao ano anterior. Em 2025, Lula e Trump se cruzaram por acaso durante a troca entre palestrantes, abraçaram-se, conversaram por alguns minutos e combinaram de se reunir. Trump havia dito na época que teve uma "excelente química" com o líder brasileiro, apesar da crise aberta entre Washington e Brasília. Desta vez, o presidente americano chegou mais cedo que o esperado, acompanhado de Melania, e foi direto para as áreas reservadas à sua delegação. Não houve encontro marcado.
A chegada de Trump foi cercada de constrangimentos. As grandes redes de televisão norte-americanas não enviaram equipes para cobrir o evento. Um boicote que começou na segunda-feira, 21, depois que Trump bloqueou o acesso de CNN, MSNBC e Politico à Casa Branca. Em solidariedade aos veículos vetados, ABC, CBS, NBC e até mesmo a Fox News recusaram-se a mandar jornalistas. O presidente entrou sem o registro tradicional das grandes emissoras. A ONU havia se preparado especificamente para evitar constrangimentos técnicos como os de 2025, quando a escada rolante parou enquanto Trump e Melania subiam e o teleprompter apresentou problemas. O porta-voz de António Guterres garantiu que havia checado repetidas vezes o funcionamento das escadas e organizado uma cabine separada para o teleprompter da delegação americana. Desta vez, a escada funcionou. A cobertura das emissoras locais, não.
O plenário reagiu de forma visível ao discurso de Trump. Quando o presidente ameaçou "aniquilar" o Irã caso não houvesse um acordo, integrantes da delegação iraniana abandonaram o salão. Mais tarde, a delegação de Cuba seguiu o mesmo caminho. Os diplomatas cubanos se levantaram e saíram depois que Trump chamou o país de "Estado absolutamente fracassado" e afirmou que o governo de Havana "vai cair". Ele também mencionou que Marco Rubio, seu secretário de Estado, conduzia negociações sobre Cuba.
O contraste com a recepção a Lula foi marcante. O presidente brasileiro recebeu aplausos efusivos durante seu discurso. Quando classificou o embargo econômico dos EUA e o cerco energético impostos a Cuba como uma "punição coletiva" contra 10 milhões de cidadãos, a plateia respondeu com aprovação. Quando Lula se levantou para deixar a Assembleia, cercado por autoridades de diversos países que se aproximavam para cumprimentá-lo, Marco Rubio tentou alcançá-lo. O secretário de Estado dos EUA acenou para o brasileiro, parecia interessado em cumprimentá-lo. Lula parece ter visto a movimentação, mas acelerou o passo antes que Rubio tivesse chance de chegar perto. O presidente deixou o prédio logo após o discurso de Trump e desembarcou no Brasil ainda na noite de terça-feira, em Brasília.
Bemerkenswerte Zitate
O Brasil não cabe no quintal de ninguém— Lula, na Assembleia Geral da ONU
Posso informar com orgulho que nossa economia é a inveja do mundo. Nossas Forças Armadas são as mais poderosas da Terra— Trump, respondendo no plenário