Lula defende fim da escala 6x1 e reforça combate ao feminicídio em discurso no Dia da Mulher

A cada seis horas um homem mata uma mulher no Brasil; maioria dos feminicídios ocorre dentro de casa, ambiente que deveria ser de proteção.
Violência contra a mulher não é questão privada. É crime.
O presidente reafirmou que o Estado não permanecerá indiferente diante dos feminicídios.
Mark

Por que o presidente escolheu falar especificamente sobre a escala 6x1 em um pronunciamento sobre violência contra mulheres?

Mimi

Porque a dupla jornada é uma realidade para muitas mulheres brasileiras. Quando você trabalha seis dias e descansa um, não sobra tempo para nada além de trabalho e tarefas domésticas. Para Lula, isso está conectado à vulnerabilidade das mulheres — cansaço extremo, isolamento, falta de tempo para buscar ajuda.

Luke

Mas é importante notar que a escala 6x1 ainda não foi abolida. O presidente defendeu o fim, mas isso depende do Congresso. Não é uma medida que ele possa implementar sozinho.

Mark

E quanto aos números de feminicídio? Seis horas parece um intervalo muito preciso.

Mimi

Vem de dados de segurança pública. O Brasil tem registros de quantos feminicídios ocorrem por período. É um número que o governo acompanha.

Luke

Verdade, mas convém lembrar que nem todos os homicídios de mulheres são classificados como feminicídio. Alguns são registrados como homicídio simples. O número real pode ser diferente.

Mark

O ECA Digital vai realmente proteger crianças online?

Mimi

A lei obriga plataformas a criar filtros e mecanismos de proteção. Mas a efetividade depende de como as empresas implementam isso e de fiscalização.

Luke

Exatamente. Lula anunciou que a lei entra em vigor em 17 de março, mas não há detalhes sobre como será fiscalizada ou quais serão as penalidades para plataformas que não cumprirem.

Mark

O mutirão de prisões — 2 mil agressores — isso é um número grande?

Mimi

Considerando que há milhões de mulheres no Brasil e que muitos agressores nunca são presos, sim, é significativo. Mas também mostra que há um acúmulo de mandados não executados.

Luke

Esse número de 2 mil vem do governo. Seria importante saber quantos desses mandados são realmente para agressores e quantos para outros tipos de crime, e qual é a taxa de sucesso esperada.

  • A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil
  • Penas de até 40 anos de prisão para feminicídio não têm reduzido os crimes
  • ECA Digital entra em vigor em 17 de março de 2026
  • Mutirão coordenado pelo Ministério da Justiça visa prender mais de 2 mil agressores com mandados em aberto
  • Maioria dos feminicídios ocorre dentro de casa

Brasil registra um feminicídio a cada seis horas; presidente reforça que penas de até 40 anos não têm reduzido os crimes. Fim da escala 6x1 é apresentado como medida que beneficiaria mulheres com dupla jornada, oferecendo mais tempo para família e descanso.

Lula faz pronunciamento nacional no Dia Internacional da Mulher destacando combate ao feminicídio, defesa do fim da escala 6x1 e novas medidas contra assédio online, incluindo o ECA Digital.

Na noite de sábado, 7 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o tempo de cadeia nacional de rádio e televisão para falar sobre violência contra mulheres. Seu pronunciamento, em véspera do Dia Internacional da Mulher, trouxe números que pesam: a cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Não se trata de crimes isolados ou aberrações estatísticas — são mortes que emergem de um padrão de agressões diárias, muitas vezes silenciosas, frequentemente normalizadas pela sociedade. A maioria desses feminicídios acontece dentro de casa, no espaço que deveria ser refúgio.

O presidente reconheceu que o país já endureceu as penas para esse crime. Quem mata uma mulher por razões de gênero pode receber até 40 anos de prisão. Ainda assim, os homicídios continuam. "Mesmo com o agravamento da pena para o feminicídio, com até 40 anos de prisão para os assassinos, homens continuam agredindo e matando mulheres. Não podemos nos conformar", disse Lula. A constatação é simples e perturbadora: aumentar a severidade legal não tem freado a violência.

Além do combate direto ao feminicídio, Lula defendeu o fim da escala 6x1 — aquela em que o trabalhador labuta seis dias seguidos e descansa apenas um. Para o presidente, essa mudança tocaria diretamente na vida das mulheres, muitas delas presas em dupla jornada: trabalho remunerado e trabalho doméstico. Mais dias de descanso significariam tempo recuperado para a família, para estudar, para simplesmente respirar. "Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira", afirmou.

O governo também anunciou medidas contra assédio online. A partir de 17 de março, entra em vigor o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes — o ECA Digital. A norma obrigará plataformas digitais a implementar mecanismos que impeçam menores de acessar conteúdos ilegais ou inadequados. Lula mencionou que novas ações contra o assédio online estão sendo preparadas, embora não tenha detalhado quais seriam.

No âmbito do Pacto Nacional — Brasil contra o Feminicídio, uma iniciativa que reúne ações dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o governo coordena um mutirão para prender agressores que possuem mandados em aberto. Mais de 2 mil homens estão nessa situação. O Ministério da Justiça trabalha em parceria com governos estaduais para executar essas prisões. "Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher", disse o presidente, reafirmando que o Estado não se manterá indiferente.

Ao encerrar seu pronunciamento, Lula traçou uma visão: o Brasil que o governo quer construir não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam, mas onde possam viver em segurança, com liberdade para trabalhar, empreender, se divertir e prosperar. A fala sinalizou que as medidas anunciadas — desde o combate ao feminicídio até a reforma da jornada de trabalho — fazem parte de uma agenda mais ampla de transformação estrutural. Nos próximos meses, o país verá se essas promessas ganham corpo nas ruas, nas delegacias, nas plataformas digitais e nos locais de trabalho.

A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
É preciso avançar no fim da escala 6x1, que obriga a pessoa a trabalhar seis dias por semana e ter um só dia de folga. Está na hora de acabar com isso.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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