Lula cobra votação da PEC 6x1 no Senado e culpa oposição de Flávio Bolsonaro

Faltava segurança sobre os números para arriscar uma derrota
O governo avaliou que não havia votos suficientes no plenário para aprovar a PEC, mesmo após aprovação na comissão.
Mark

Por que Lula culpou Flávio Bolsonaro se o problema real era a falta de votos?

Mimi

Porque politicamente é mais útil dizer que foi bloqueado do que admitir que não conseguiu os números. Mas Randolfe foi mais honesto: houve sim um movimento da oposição para evitar a votação, mas o governo não tinha garantia mesmo.

Luke

Espera — Randolfe disse que houve "um movimento bem-sucedido" da oposição, mas também disse que o mapa de votos do governo não fechava. Essas duas coisas são a mesma coisa ou não?

Mimi

São relacionadas. A oposição trabalhou para desestabilizar os votos que o governo tinha. Mas o ponto é que o governo não tinha margem para perder ninguém.

Mark

E por que Alcolumbre não votou? Ele é aliado do governo ou não?

Mimi

Ele não quis arriscar uma derrota. Tecnicamente, ele cumpriu o que prometeu — despachar para a comissão. Não prometeu votar no plenário.

Luke

Mas ele é presidente do Senado. Ele controla a pauta. Se quisesse, votava. Então a questão é: por que ele não quis?

Mimi

Porque não havia segurança. E porque o calendário eleitoral deixa tudo mais complicado.

Mark

Então a votação pode ficar para depois de outubro?

Mimi

Sim. E aí fica muito mais difícil, porque os senadores eleitos têm menos razão para negociar com o governo.

Luke

Mas o texto foi aprovado na comissão com apenas quatro votos contra. Isso não significa que tem maioria?

Mimi

Não necessariamente. Na comissão votaram alguns senadores. No plenário votam todos. São dinâmicas diferentes.

Mark

Então o governo vai tentar de novo?

Mimi

Sim, em setembro ou em outubro. Mas todos reconhecem que vai ser mais difícil.

  • A PEC do fim da escala 6x1 foi aprovada na CCJ na quarta-feira, mas o presidente do Senado não a incluiu na pauta do plenário na semana de esforço concentrado — deixando o governo sem a vitória que esperava anunciar.
  • Quatro senadores em meio de mandato já haviam votado contra na comissão, e o mapa de votos do governo simplesmente não fechava, tornando real o risco de uma derrota pública humilhante.
  • Lula foi às redes sociais acusar a oposição liderada por Flávio Bolsonaro de bloquear a pauta, mas evitou citar Alcolumbre — um sinal de que a reaproximação entre os dois ainda é frágil demais para ser testada abertamente.
  • O calendário eleitoral transforma cada dia em pressão: com o primeiro turno em 4 de outubro, votar depois das eleições significa negociar com um Senado renovado, menos sensível a apelos eleitorais e provavelmente mais hostil.
  • O governo fala em sessão extraordinária ou na próxima semana de esforço concentrado, mas a fórmula oferecida pelo próprio PT — 'trabalhar, pedir votos e pressão popular' — revela que ninguém tem uma saída clara.

Uma proposta que prometia transformar a vida de milhões de trabalhadores brasileiros chegou à beira do plenário do Senado — e parou. A PEC que extinguiria a escala 6x1 foi aprovada na comissão, mas não chegou ao voto definitivo, revelando não uma conspiração simples, mas a geometria frágil do poder: votos que não fecham, calendários que não perdoam e alianças que nunca foram tão sólidas quanto pareciam. Lula cobrou publicamente, a oposição resistiu, e o Senado adiou uma resposta que os trabalhadores aguardavam há muito tempo.

Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC que acabaria com a escala de trabalho 6x1. O texto estava pronto para o plenário. Mas na quinta-feira, durante a semana de esforço concentrado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não incluiu a matéria na pauta — frustrando a expectativa do governo de resolver tudo antes do recesso eleitoral.

Lula reagiu publicamente, acusando a oposição liderada por Flávio Bolsonaro de ter bloqueado o avanço da proposta. Desta vez, porém, não mencionou Alcolumbre pelo nome — um detalhe revelador, dado o processo de reaproximação entre os dois nos últimos meses, com quatro encontros recentes para discutir pautas prioritárias.

O que travou a votação foi mais concreto do que uma articulação política: faltavam votos. Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, confirmou que Alcolumbre questionou se havia números suficientes antes de levar a proposta ao plenário. A contagem mostrou que não havia garantia. Quatro senadores em meio de mandato — Mourão, Tereza Cristina, Bagatoli e Rogério Marinho — já haviam votado contra na comissão. O risco de uma derrota pública era real demais para ser ignorado.

O calendário eleitoral agrava tudo. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, esta era a última semana de esforço concentrado antes das eleições. Se a votação ficar para depois, o Senado já terá 54 das 81 vagas definidas — e senadores recém-eleitos têm menos incentivo para negociar. O apelo eleitoral desaparece.

O governo fala em tentar uma sessão extraordinária em setembro ou votar na próxima semana de esforço concentrado em outubro. Mas o senador Jaques Wagner foi honesto: o cenário ficará mais complicado após o primeiro turno. A PEC do fim da escala 6x1 tornou-se um termômetro do poder real do governo no Senado — e a resposta, por enquanto, é menos do que se esperava.

Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a proposta de emenda constitucional que terminaria com a escala de trabalho 6x1 — seis dias trabalhados para um de descanso. O texto estava pronto para ir ao plenário. Mas na quinta-feira, quando o presidente Lula esperava que a votação acontecesse durante a semana de esforço concentrado, Davi Alcolumbre, presidente da Casa, não incluiu a matéria na pauta. O governo havia pressionado para que tudo fosse resolvido antes do recesso eleitoral.

Lula respondeu publicamente, acusando a oposição liderada por Flávio Bolsonaro de ter bloqueado o avanço. "Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta", escreveu o presidente em rede social. Desta vez, diferentemente de críticas anteriores, Lula não mencionou Alcolumbre nominalmente.

O que realmente travou a votação foi mais prosaico que uma conspiração: faltava segurança sobre os números. Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, explicou que Alcolumbre questionou se havia votos suficientes antes de levar a proposta ao plenário. Após uma nova contagem, a avaliação foi de que não havia garantia. Quatro senadores em meio de mandato já haviam votado contra na comissão: Hamilton Mourão, Tereza Cristina, Jaime Bagatoli e Rogério Marinho. O risco de uma derrota pública era real demais. Randolfe confirmou que houve "um movimento bem-sucedido da oposição, liderado pelo senador Flávio" para evitar a votação, mas reconheceu que o mapa de votos do governo simplesmente não fechava.

O calendário eleitoral complicava tudo. A primeira volta das eleições estava marcada para 4 de outubro. Esta era a última semana de esforço concentrado antes daquela data. Se Alcolumbre não convocasse uma sessão extraordinária, a votação ficaria para depois da eleição — e isso mudaria completamente o tabuleiro político. Após o primeiro turno, o Senado já conheceria quem ocuparia 54 das 81 vagas. Senadores eleitos têm menos incentivo para negociar. O apelo eleitoral desaparece.

Randolfe disse que o governo tentaria votar ainda em setembro, talvez em uma sessão extraordinária, ou na próxima semana de esforço concentrado prevista para outubro. Mas Jaques Wagner, senador do PT, foi honesto: o cenário ficaria mais complicado após o primeiro turno. A receita para aprovar seria "trabalhar, pedir votos e pressão popular" — uma forma educada de dizer que ninguém sabia como fazer isso passar.

Tudo isso acontecia depois de meses de distanciamento entre Lula e Alcolumbre. Nos últimos tempos, os dois se encontraram quatro vezes, em um movimento de reaproximação. Nesses encontros, discutiram pautas prioritárias: o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e a política de minerais críticos. Mas Alcolumbre nunca garantiu a votação no plenário. Comprometeu-se apenas em despachar o texto para a comissão. E cumpriu isso. O resto ficou em aberto.

Agora o governo enfrenta uma escolha desconfortável: arriscar uma derrota votando sem segurança, ou esperar até outubro, quando o tabuleiro político será completamente diferente e provavelmente mais hostil. A PEC do fim da escala 6x1 virou um termômetro de quanto poder o governo realmente tem no Senado — e a resposta, por enquanto, é: menos do que esperava.

Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta
— Presidente Lula, em rede social
Houve um movimento bem-sucedido da oposição, liderado pelo senador Flávio, no sentido de não votação do tema. Nós vamos insistir, mas o presidente Davi nos consultou se nós tínhamos garantia que teríamos os números, essa garantia pelo mapa que tínhamos, não tinha para a votação
— Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso
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