Lewandowski evita prêmios mas reafirma ambição: ''Sempre quis ser um dos melhores''

Sempre quis ser um dos melhores, mas não penso muito sobre essas coisas
Lewandowski reconhece seus números impressionantes mas mantém foco no que realmente importa: o trabalho coletivo e a próxima temporada desafiadora.
Mark

Por que um jogador que acabou de marcar 55 gols e ganhar a Liga dos Campeões evitaria falar sobre ser o melhor do mundo?

Mimi

Porque Lewandowski entende algo que muitos atacantes não entendem: o prêmio individual é uma consequência, não um objetivo. Ele estava focado em como o Bayern havia dominado, não em como ele havia dominado.

Mark

Mas ele reconheceu que seus números deveriam colocá-lo na disputa, certo?

Mimi

Reconheceu, sim. Mas disse que não pensa muito sobre isso. Há uma diferença entre ser honesto sobre sua performance e estar obcecado por prêmios. Lewandowski parecia estar em paz com a primeira coisa.

Mark

E quando ele não se incluiu na lista dos melhores camisas 9? Isso não é falsa modéstia?

Mimi

Talvez. Ou talvez seja uma forma de dizer que ele não compete consigo mesmo — ele compete com o que vem pela frente. Agüero, Kane, Werner, Benzema: são todos rivais diretos. Incluir-se na lista seria mudar o foco da conversa para si mesmo.

Mark

Qual era sua maior preocupação naquele momento?

Mimi

O calendário. A pandemia havia comprimido a temporada, a Euro 2021 estava vindo, e o Bayern teria que jogar a cada três dias. Lewandowski sabia que nenhum prêmio individual valeria a pena se ele chegasse ao final do ano exaurido.

Mark

Então a humildade dele era estratégica?

Mimi

Não era estratégica — era realista. Ele tinha visto o que o Bayern era capaz de fazer. Sabia que a próxima temporada seria brutal. Os prêmios viriam se ele e o time continuassem jogando bem. Mas não era por isso que ele acordava de manhã.

  • 55 gols marcados na temporada 2019/2020
  • Três títulos conquistados: Bundesliga, Copa da Alemanha e Liga dos Campeões
  • Bayern marcou 159 gols em 52 partidas oficiais — média de 3 gols por jogo
  • Goleada histórica de 8 a 2 contra o Barcelona nas quartas-de-final
  • Próxima temporada com jogos a cada três dias devido à compressão do calendário e Euro 2021

Lewandowski marcou 55 gols e conquistou três títulos (Bundesliga, Copa da Alemanha e Liga dos Campeões) na última temporada pelo Bayern de Munique. O polonês não se inclui na lista dos melhores camisas 9 do mundo, citando Agüero, Kane, Werner e Benzema como os principais nomes da posição.

Robert Lewandowski, com 55 gols na temporada 2019/2020, evita comentar sobre o FIFA The Best mas admite sempre ter querido ser um dos melhores. O atacante do Bayern se prepara para temporada desafiadora com maratona de jogos.

Três dias antes do Bayern de Munique retomar a Bundesliga, Robert Lewandowski sentou-se para uma entrevista virtual e fez algo raro entre os melhores atacantes do mundo: recusou-se a falar sobre si mesmo como candidato ao prêmio FIFA The Best. Com 55 gols na temporada anterior, uma Liga dos Campeões conquistada, o título alemão e a Copa da Alemanha em seu currículo, o polonês tinha todo o direito de se colocar entre os favoritos. Em vez disso, desviou a conversa com uma humildade que soava quase desconfortável.

Lewandowski nasceu em uma geração diferente da de Messi e Ronaldo, seus contemporâneos que dominaram os prêmios do futebol mundial durante anos. Enquanto eles reinavam pelas laterais do campo, o polonês viu a posição de centroavante perder espaço na conversa sobre os melhores do mundo. Mas na temporada 2019/2020, ele devolveu o protagonismo à camisa 9. O Bayern, sob comando de Hansi Flick, marcou 159 gols em 52 partidas oficiais — uma média de três por jogo que deixava os adversários apreensivos antes mesmo de entrar em campo. Ainda assim, quando perguntado sobre sua própria performance, Lewandowski preferiu falar sobre a filosofia de ser um centroavante moderno.

"Quando eu era jovem, já sabia que a posição exigia aquela presença na área, mas achava que deveria fazer algo diferente. Ser parte do time e não ficar esperando a bola", explicou durante a coletiva. "No futebol moderno você precisa tentar ser esse jogador. E eu sempre quis ser um dos melhores." A resposta revelava menos sobre arrogância e mais sobre uma compreensão profunda de como o jogo havia evoluído. Um centroavante que fica muito tempo sem tocar na bola enfrenta dificuldades que vão além do que as estatísticas conseguem capturar.

O Bayern havia chegado à final da Liga dos Campeões em Portugal com uma confiança que beirava a certeza. Lewandowski lembrou-se de perguntar a um companheiro de equipe o que ele achava da partida contra o Barcelona nas quartas-de-final. A resposta foi direta: vitória por 5 a 1. Quando perguntou a seis jogadores na véspera da final, todos responderam sem hesitar que o Bayern venceria. Essa convicção não era arrogância — era conhecimento. O time sabia sua própria força. E a goleada histórica de 8 a 2 contra o Barcelona confirmou cada palavra dita no hotel.

Essa vitória teve consequências para a disputa pelo prêmio individual mais importante do futebol. A derrota humilhante de Messi diminuiu drasticamente suas chances de conquistar o título pela sétima vez. Cristiano Ronaldo, na Juventus, havia conquistado apenas o campeonato italiano — insuficiente para competir pelo sexto troféu FIFA The Best. A pandemia de coronavírus, porém, havia criado uma incerteza adicional: a FIFA ainda não havia marcado a data da premiação, e um cancelamento, como já havia ocorrido com o Ballon d'Or, não estava descartado.

Quando confrontado diretamente sobre suas chances, Lewandowski reconheceu a realidade sem se vangloriar. "Sim, eu sei que os meus números e os do Bayern foram muito bons nessa temporada. Deveriam nos colocar na disputa pelos prêmios, até podendo ganhar. Mas eu não penso muito sobre essas coisas." A próxima temporada, porém, o preocupava mais do que qualquer troféu individual. Com a Euro 2021 agendada para o ano seguinte e um calendário comprimido pela Covid-19, o Bayern enfrentaria uma maratona de partidas — muitas vezes jogando a cada três dias. Lewandowski havia adaptado sua pré-temporada para focar no condicionamento físico de longo prazo e pediu reforços ao clube para compartilhar a carga.

Quando perguntado sobre os melhores centroavantes do mundo e quem o Bayern deveria contratar, Lewandowski novamente surpreendeu. Listou Sergio Agüero, Harry Kane, Timo Werner e Karim Benzema como os principais nomes da posição — e deliberadamente não se incluiu na lista. "Há muitos jogadores bons por aí", disse, antes de acrescentar que qualquer discussão sobre contratações teria que passar primeiro por seu chefe. Era uma resposta que revelava tanto sobre sua personalidade quanto sobre sua compreensão do futebol: números impressionantes e títulos importam, mas a humildade e o trabalho em equipe importam mais.

Quando eu era jovem, já sabia que a posição exigia aquela presença na área, mas achava que deveria fazer algo diferente. Ser parte do time e não ficar esperando a bola.
— Robert Lewandowski
Sim, eu sei que os meus números e os do Bayern foram muito bons nessa temporada. Deveriam nos colocar na disputa pelos prêmios, até podendo ganhar. Mas eu não penso muito sobre essas coisas.
— Robert Lewandowski
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