Na noite de 24 de agosto, o debate eleitoral transmitido pela Band revelou uma ausência que falou mais alto do que qualquer discurso: Lula e Flávio, os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, não compareceram. O vazio deixado por eles provocou nos leitores da Folha uma reflexão mais ampla sobre o que se deve ao eleitorado numa democracia — e se a recusa em se apresentar publicamente constitui estratégia ou abdicação. No fundo, o episódio tocou numa questão antiga: a quem pertence, afinal, o mandato de governar?
Leitores criticam ausência de Lula e Flávio em debate e questionam respeito ao eleitorado
Não existe saída honrosa para não se apresentar ao povo que se pretende governar
Por que a ausência de dois candidatos em um debate gera tanta reação? Não há outros espaços para os eleitores conhecerem suas propostas?
Há, mas um debate presidencial tem peso simbólico que nenhum outro espaço tem. É o momento em que candidatos se colocam lado a lado, sem filtro, respondendo a perguntas que não controlam. Quando os dois líderes não aparecem, a mensagem que passa é: não precisamos fazer isso.
Então é sobre poder?
É sobre poder e sobre contrato. O eleitor espera que quem quer governá-lo tenha a coragem de se expor publicamente. Quando não acontece, soa como desprezo.
Mas e se o debate em si for um formato ruim — só confronto, sem propostas reais?
Aí o problema é duplo. O formato é fraco, sim. Mas a solução não é não aparecer. É aparecer e transformar o espaço, ou recusar o formato de forma clara e oferecer alternativa.
Os leitores pareciam divididos. Alguns acharam que o debate foi bom sem eles.
Porque para alguns, o confronto entre os outros candidatos tinha valor. Mas mesmo quem achou bom o debate não defendeu a ausência dos dois principais. Ninguém disse que foi certo não comparecerem.
O que fica em aberto?
Se isso vai custar politicamente para eles. Se o eleitorado vai cobrar essa ausência nas próximas semanas. E se outros candidatos vão conseguir ganhar espaço com a energia que tiveram naquela noite.
O Pulso
- Os dois candidatos líderes nas pesquisas simplesmente não apareceram, deixando o estúdio e o eleitorado sem o confronto que muitos esperavam.
- Leitores reagiram com indignação, usando palavras como 'desrespeito' e 'arrogância' para descrever a ausência de quem aspira a governar o país.
- Os candidatos presentes — Renan, Caiado e Cury — geraram energia e acusações diretas, mas também críticas sobre agressividade e falta de substância programática.
- O formato do debate foi questionado em sua raiz: importado dos EUA, ele teria se transformado em palco de ofensas e produtor de vídeos virais, não em espaço de esclarecimento eleitoral.
- A questão sobre a legitimidade de candidatos que evitam se apresentar oficialmente ao povo permanece sem resposta — e promete seguir como ponto de fricção nos próximos eventos.
Na noite de 24 de agosto, o debate eleitoral transmitido pela Band revelou uma ausência que falou mais alto do que qualquer discurso: Lula e Flávio, os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, não compareceram. O vazio deixado por eles provocou nos leitores da Folha uma reflexão mais ampla sobre o que se deve ao eleitorado numa democracia — e se a recusa em se apresentar publicamente constitui estratégia ou abdicação. No fundo, o episódio tocou numa questão antiga: a quem pertence, afinal, o mandato de governar?
O debate transmitido pela Band na noite de 24 de agosto deixou uma marca pela ausência, não pela presença. Lula e Flávio, os dois nomes que lideram as pesquisas de intenção de voto, não compareceram. Outros candidatos — Renan, Caiado e Cury — ocuparam o estúdio e trouxeram uma energia que alguns leitores consideraram até superior à dos pronunciamentos habituais dos ausentes.
Mas a avaliação do público se dividiu. Para Carlos Eduardo Cunha, de São Paulo, o debate funcionou: houve acusações diretas e algum espaço para propostas concretas. Já Bernardo Boechat enxergou na ausência dos líderes um insulto ao eleitorado. 'Não existe saída honrosa para não se apresentar oficialmente ao povo que se pretende governar', escreveu, usando palavras como desrespeito e arrogância para nomear a frustração de quem esperava confrontação real.
O formato também foi colocado em xeque. Reinaldo Silva, do Rio de Janeiro, argumentou que o modelo importado dos Estados Unidos nunca serviu para apresentar ideias programáticas — e que, na era das redes sociais, virou máquina de produzir vídeos virais e lucros. Beatriz Alvares, de Campinas, foi além e criticou Renan especificamente, descrevendo-o como agressivo e misógino, com propostas que revelavam simpatia por regimes autoritários.
O que as cartas dos leitores deixaram claro foi uma tensão de fundo: o que um debate presidencial deveria ser, e o que um candidato deve ao eleitorado. A ausência de Lula e Flávio não era apenas logística — era simbólica. E a pergunta sobre se essa ausência representa estratégia legítima ou desrespeito democrático seguiu sem resposta, como fio condutor de uma eleição que ainda tem muito a revelar.
O debate transmitido pela Band na noite de 24 de agosto deixou um vazio que os leitores da Folha não conseguiram ignorar. Lula e Flávio, os dois candidatos com melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto, simplesmente não compareceram. No lugar deles, outros candidatos ocuparam o estúdio — Renan, Caiado e Cury entre eles — e o programa ganhou uma energia que, segundo alguns observadores, faltava aos pronunciamentos habituais dos ausentes.
Mas a avaliação do público leitor se dividiu rapidamente entre duas posições irreconciliáveis. Para Carlos Eduardo Cunha, de São Paulo, a noite foi produtiva justamente porque os candidatos presentes trouxeram acusações diretas e algum espaço para discutir propostas concretas. O debate, nessa leitura, funcionou. Já Bernardo Boechat, também paulista, viu a ausência dos dois líderes como um insulto. "Não existe saída honrosa para não se apresentar oficialmente ao povo que se pretende governar", escreveu. Para ele, os dois tratavam seu eleitorado com desrespeito e arrogância — uma palavra forte que capturava a frustração de quem esperava confrontação direta com os nomes que dominam as pesquisas.
O formato do debate em si também virou alvo de crítica. Reinaldo Silva, do Rio de Janeiro, apontou que o modelo importado dos Estados Unidos nunca serviu como espaço genuíno para apresentação de ideias programáticas. Transformou-se, na sua avaliação, em palco para ofensas e xingamentos. Na era das redes sociais, ganhou uma dimensão adicional: tornou-se máquina de produzir vídeos virais e lucros, mais do que ferramenta de esclarecimento eleitoral. Beatriz Alvares, de Campinas, foi além e criticou especificamente Renan, descrevendo-o como extremamente agressivo e misógino, com propostas que revelavam apego por regimes autoritários.
O que emergiu das cartas de leitores foi uma tensão fundamental sobre o que um debate presidencial deveria ser e fazer. De um lado, havia quem visse valor no confronto direto e na energia gerada pela ausência dos dois principais candidatos. Do outro, havia quem considerasse essa ausência uma abdicação da responsabilidade básica de qualquer candidato à presidência: apresentar-se ao povo que pretende governar. A questão não era apenas sobre quem compareceu ou não. Era sobre o que se deve ao eleitorado — e se a falta de comparecimento constituía desrespeito ou estratégia legítima.
A seção de cartas da Folha naquele dia também trouxe outras questões que ocupavam a mente dos leitores: uma entrevista polêmica com a atriz Regina, críticas sobre a exigência de certificação para jornalistas, preocupações com o uso indevido de tecnologia de inteligência artificial para assédio, a situação financeira de grandes empresas como a Braskem, e negociações sobre terras raras brasileiras envolvendo investimento americano. Mas o debate ausente permanecia como o fio condutor, o ponto de fricção que revelava expectativas diferentes sobre como a democracia deveria funcionar e quem tinha obrigação de quê.
Citações Notáveis
Os dois líderes disparados nas pesquisas tratam seu eleitorado com desrespeito e arrogância— Bernardo Boechat, São Paulo
O debate teve energia, acusações corretas e algum tempo para falar de propostas— Carlos Eduardo Cunha, São Paulo