Lei da Dosimetria: entenda a norma vetada por Lula e suspensa pelo STF

Lei pode impactar diretamente condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, especialmente réus sem participação em liderança ou financiamento dos ataques.
Uma lei promulgada e suspensa em menos de vinte e quatro horas
A Lei da Dosimetria entrou em vigor em 8 de maio de 2026 e foi paralisada pelo STF no dia seguinte.

Lei promulgada em 8 de maio de 2026 estabelece critérios mais objetivos para dosimetria penal, limitando interpretação subjetiva de juízes. Congresso derrubou veto presidencial por ampla maioria: 318 votos na Câmara e 49 no Senado, apesar de governo alertar sobre retrocesso no combate à criminalidade.

  • Lei nº 15.402/2026 promulgada em 8 de maio de 2026, suspensa em 9 de maio
  • Congresso derrubou veto presidencial: 318 votos na Câmara, 49 no Senado
  • Lei altera cálculo de penas e permite revisão de condenações já transitadas em julgado
  • Impacto direto em condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023

Lei que altera cálculo de penas foi vetada por Lula em janeiro de 2026, mas Congresso derrubou o veto em abril. STF suspendeu aplicação da norma dias após promulgação, questionando constitucionalidade.

Em menos de vinte e quatro horas, uma lei sobre como os juízes calculam penas criminais passou de promulgada a suspensa. A Lei da Dosimetria, oficialmente Lei nº 15.402/2026, entrou em vigor em 8 de maio de 2026 e foi paralisada pelo Supremo Tribunal Federal no dia seguinte — um desfecho que resume meses de disputa política e jurídica sobre o alcance do poder presidencial e a interpretação das regras penais no Brasil.

O projeto começou como algo mais ambicioso. O deputado federal Marcelo Crivella apresentou o Projeto de Lei nº 2.162/2023 com um texto que previa anistia para crimes de natureza política e eleitoral. Essa disposição não sobreviveu à tramitação no Congresso. Parlamentares e juristas resistiram, e o trecho foi retirado antes da votação. O que restou foi uma proposta focada em mudar os critérios técnicos usados pelos magistrados para definir o tamanho das penas.

A Câmara dos Deputados aprovou o texto em 10 de dezembro de 2025. Uma semana depois, em 17 de dezembro, o Senado Federal também votou a favor, mas não sem antes adicionar emendas relacionadas à execução penal e à definição de maus antecedentes. Em janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto integralmente. A justificativa foi direta: a proposta era contrária ao interesse público e representaria um retrocesso no combate à criminalidade.

O veto não foi o fim da história. Em 30 de abril de 2026, o Congresso Nacional se reuniu em sessão conjunta e derrubou a decisão presidencial por ampla maioria. Na Câmara, 318 deputados votaram a favor e 144 contra. No Senado, foram 49 votos favoráveis e 24 contrários. Com essa votação, a lei foi restaurada e promulgada em 8 de maio de 2026 pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Alguns dispositivos foram considerados prejudicados por conflito com a Lei Antifacção, resultando em uma derrubada parcial do veto.

O que a lei muda é técnico, mas com consequências práticas significativas. A dosimetria é o procedimento que a Justiça usa para calcular a pena de um condenado. Funciona em três fases: primeiro, o juiz define a pena-base, considerando antecedentes, culpabilidade e circunstâncias do crime; depois, aplica agravantes e atenuantes; por fim, incidem causas de aumento ou redução. A nova lei altera justamente a primeira fase. Ela estabelece critérios mais objetivos para limitar a interpretação subjetiva do magistrado e uniformizar decisões judiciais.

Entre as principais mudanças estão a proibição de usar inquéritos policiais e ações penais em andamento para aumentar a pena-base; a definição de que condenações anteriores só podem ser consideradas maus antecedentes durante cinco anos após o cumprimento ou extinção da pena; o impedimento de que uma mesma condenação seja usada simultaneamente como mau antecedente e reincidência; a ampliação da possibilidade de revisão da dosimetria em condenações já transitadas em julgado; e mudanças em critérios ligados à execução penal e progressão de regime. Especialistas avaliam que essas alterações podem impactar diretamente condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, especialmente em casos de réus sem participação em liderança, financiamento ou organização dos ataques.

Mas a lei não chegou a vigorar. Em 9 de maio de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu liminarmente a aplicação da norma. A decisão atendeu a ações apresentadas pela Associação Brasileira de Imprensa e pela federação PSOL-Rede, que questionam a constitucionalidade da lei. Os autores das ações argumentam que a legislação poderia comprometer princípios constitucionais ligados à individualização da pena e à proteção do Estado Democrático de Direito. Com a liminar, os efeitos da lei ficam suspensos até julgamento definitivo pelo plenário do STF. Eventuais pedidos de revisão de pena com base nas novas regras não podem ser analisados enquanto a decisão permanecer válida.

O caso deve se tornar um dos principais debates jurídicos e políticos do ano. A tensão entre o Congresso, que derrubou o veto presidencial, e o Judiciário, que suspendeu a lei, reflete uma disputa mais ampla sobre como o Brasil vai lidar com as condenações dos atos de 8 de janeiro e com o próprio sistema de cálculo de penas daqui para frente.

A proposta seria contrária ao interesse público e poderia representar um retrocesso no combate à criminalidade
— Justificativa do veto presidencial de Lula
A legislação poderia comprometer princípios constitucionais ligados à individualização da pena e à proteção do Estado Democrático de Direito
— Argumentos da ABI e federação PSOL-Rede na ação ao STF
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que uma lei sobre como calcular penas criminais gerou tanta disputa política?

Model

Porque ela não é apenas técnica. Mudar os critérios de dosimetria significa que dezenas de condenações já proferidas poderiam ser revisadas — e isso inclui as pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro. Para alguns, é uma correção necessária; para outros, é uma tentativa de flexibilizar penas.

Inventor

Lula vetou a lei, mas o Congresso derrubou o veto. Isso é comum?

Model

Não é raro, mas é significativo. Significa que a lei tinha apoio suficiente para passar mesmo contra a vontade do presidente. Foram 318 votos na Câmara — uma maioria clara. Isso sugere que havia consenso entre parlamentares de diferentes espectros sobre a necessidade de mudar essas regras.

Inventor

E por que o STF suspendeu a lei tão rapidamente?

Model

Os ministros receberam ações questionando se a lei era constitucional. O argumento é que ela poderia comprometer o direito do juiz de individualizar a pena — ou seja, de considerar as particularidades de cada caso. Se a lei for muito rígida, pode prejudicar a justiça em situações específicas.

Inventor

Então agora ninguém pode pedir revisão de pena?

Model

Não enquanto a liminar estiver em vigor. É um congelamento. Qualquer pedido baseado nas novas regras fica suspenso até o STF julgar o mérito da questão.

Inventor

Qual é o impacto real para as pessoas condenadas em 8 de janeiro?

Model

Depende do caso. A lei beneficiaria principalmente réus sem papel de liderança ou financiamento. Mas enquanto a suspensão estiver em vigor, ninguém consegue usar essas novas regras para revisar sua condenação.

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