Em uma esquina discreta do Itaim Bibi, Gero Fasano inaugura no dia 14 de outubro o Leggero — um restaurante que nasce não da replicação de um sucesso, mas da recusa em repeti-lo. A proposta carrega no nome a sua filosofia: leveza, em italiano, traduzida em receitas de até cinco ingredientes, vegetais tratados com a seriedade reservada às carnes e um ambiente que mistura cinema italiano, vinil e memória pessoal. É mais um capítulo de um restaurateur que, ao construir um império, nunca deixou de se perguntar o que ainda não havia feito.
Leggero, novo restaurante do Fasano, aposta em cozinha leve e sem excessos
Comida boa é obrigatório. Mas sem ambiente e serviço as pessoas não voltam.
Por que Fasano decidiu criar um novo conceito em vez de simplesmente replicar um de seus restaurantes já consolidados?
Ele mesmo brinca sobre isso — disse que o Gero já é tão copiado que não queria se copiar. Mas a verdade é que tinha um espaço vazio que precisava de ocupante, e isso o forçou a pensar diferente. O resultado é o Leggero, que é realmente exclusivo.
Mas isso é uma decisão de negócio ou de filosofia? Porque se o espaço precisava ser ocupado, qualquer conceito funcionaria. O que o diferencia é a execução.
Verdade. A filosofia é real — a ideia de comer bem sem excessos é algo que Fasano pratica pessoalmente. Mas você está certo: a diferença está em como isso foi traduzido na cozinha.
Como exatamente essa leveza se manifesta nos pratos?
Começa com uma regra simples: receita com mais de cinco ingredientes não é boa. Os vegetais ganham protagonismo, passam pelo forno Josper, dão personalidade aos molhos. Até os molhos tradicionais foram refeitos — o bechamel tem menos farinha e manteiga.
Mas leveza é um conceito subjetivo. Como eles garantem que um prato é realmente leve e não apenas parece leve?
É uma questão de técnica e intenção. O chef Lomanto Oliveira, que tem 25 anos no grupo, é responsável pela direção gastronômica. Ele trabalha com Carolina Marques na cozinha. Eles sabem o que estão fazendo.
E quanto ao ambiente? Fasano sempre foi conhecido por espaços sofisticados.
O Isay Weinfeld desenhou o salão, mas com ar mais descontraído que seus projetos anteriores. As paredes têm pôsteres de filmes italianos clássicos — Fellini, Bertolucci, Coppola. E discos de vinil da coleção de Fasano.
Isso parece muito pessoal. Quanto disso é realmente sobre o restaurante e quanto é sobre Fasano colocando sua história nas paredes?
Provavelmente os dois. Mas Fasano é claro sobre isso: comida boa é obrigatório, mas sem ambiente e serviço as pessoas não voltam. O espaço é parte da proposta.
E o cardápio musical com 370 títulos?
Selecionado por Fasano com o jornalista Arthur Dapieve. Jazz, bossa nova, rock — há nove músicas de David Bowie, incluindo "Absolute Beginners", que é a trilha sonora de um filme sobre Londres nos anos 1960.
A mesma Londres onde Fasano estudou cinema?
Exatamente. Tudo conecta. O restaurante é uma extensão da trajetória dele — o cineasta que nunca deixou por completo a sétima arte.
Der Puls
- Um espaço vazio ao lado do Fasano Itaim Bibi criou uma encruzilhada: repetir o que já funciona ou arriscar algo inteiramente novo — e Gero Fasano escolheu o risco.
- A tensão central do projeto é filosófica: como servir comida sofisticada sem que ela pese, sem que o minimalismo vire pretexto e sem que a leveza signifique ausência de sabor.
- Vegetais passam pelo forno Josper — equipamento normalmente reservado a carnes — e assumem papel de protagonistas nos molhos e nos pratos principais, subvertendo a hierarquia tradicional da cozinha italiana.
- O cardápio musical com 370 títulos selecionados pelo próprio Fasano, os pôsteres de filmes italianos clássicos e os discos de vinil da coleção pessoal transformam o salão em autobiografia projetada nas paredes.
- O Leggero abre com a ambição de provar que excelência gastronômica e contenção não são opostos — e que ambiente e serviço são tão obrigatórios quanto a comida para fazer as pessoas voltarem.
Em uma esquina discreta do Itaim Bibi, Gero Fasano inaugura no dia 14 de outubro o Leggero — um restaurante que nasce não da replicação de um sucesso, mas da recusa em repeti-lo. A proposta carrega no nome a sua filosofia: leveza, em italiano, traduzida em receitas de até cinco ingredientes, vegetais tratados com a seriedade reservada às carnes e um ambiente que mistura cinema italiano, vinil e memória pessoal. É mais um capítulo de um restaurateur que, ao construir um império, nunca deixou de se perguntar o que ainda não havia feito.
Um imóvel vazio ao lado do Fasano Itaim Bibi poderia ter se tornado mais um Gero. Mas Gero Fasano, à frente de um grupo com endereços em São Paulo, Rio, Punta del Este e Nova York, decidiu não se copiar. Nasceu assim o Leggero, que abre em 14 de outubro carregando no nome a sua razão de existir: leve, em italiano.
A proposta não é gastronomia de restrição disfarçada de sofisticação. É uma abordagem que Fasano pratica no próprio cotidiano — comer bem, mas sem excessos. Cada receita foi criada exclusivamente para o espaço, e a regra que governa tudo é rigorosa: mais de cinco ingredientes e a receita já não presta. Os oito carpaccios do cardápio ilustram essa contenção com precisão: beterraba com queijo de cabra e semente de girassol, atum com laranja e limão-siciliano, polvo com pepino e azeitona da Ligúria.
O diferencial mais surpreendente é o papel dos vegetais. Muitos passam pelo forno Josper — equipamento normalmente reservado a carnes —, ganham personalidade e migram para os molhos dos pratos principais. O chef executivo Lomanto Oliveira, com quase 25 anos no grupo, e a chef Carolina Marques, responsável pelo dia a dia da cozinha, garantem que sabor e leveza coexistam. Até o bechamel da lasanheta foi reformulado com menos farinha e manteiga. As sobremesas seguem o mesmo princípio: sorvetes batidos na hora, com menos açúcar, acompanham a sfogliatine di mele e o gelato alla piemontese.
Fasano sabe, porém, que comida é apenas parte da equação. O salão, assinado por Isay Weinfeld com ar mais descontraído que o habitual, exibe pôsteres originais de clássicos do cinema italiano — Fellini, Bertolucci, Coppola — lembrança dos anos em que o empresário estudou cinema em Londres. Na parede oposta, discos de vinil da coleção pessoal anunciam o cardápio musical: 370 títulos selecionados com o jornalista Arthur Dapieve, do jazz ao rock, com seis composições do The Clash e nove de David Bowie. O mesmo Fasano que um dia quis ser cineasta construiu um restaurante que nunca esqueceu a sétima arte.
Um imóvel vazio ao lado do Fasano Itaim Bibi precisava de ocupante. Gero Fasano, o restaurateur à frente de um império que se estende por São Paulo, Rio de Janeiro, Punta del Este e Nova York, enfrentava uma escolha simples: replicar um de seus conceitos já conhecidos ou criar algo novo. Escolheu a segunda via. "Pensei: o Gero já é tão copiado, não vou eu mesmo me copiar", brinca. Assim nasceu o Leggero, que abre as portas no dia 14 de outubro em uma esquina discreta, carregando no próprio nome a filosofia que o define: leve, em italiano.
A proposta central é servir comida que não pesa. Não se trata de gastronomia minimalista ou de restrição calórica disfarçada de sofisticação. É, antes, uma abordagem que Fasano pratica em seu dia a dia — comer bem, mas sem excessos. Cada receita foi desenvolvida exclusivamente para este espaço, sem repetir nada do que já existe nos demais restaurantes do grupo. A filosofia que governa tudo é simples e rigorosa: receita com mais de cinco ingredientes não é boa receita.
Os carpaccios revelam essa essência com clareza. São oito opções de composições precisas, texturas calibradas, ingredientes que conversam entre si sem ruído. Há beterraba assada e laminada com minialcaparras, queijo de cabra e semente de girassol. Atum com laranja e limão-siciliano. Polvo com pepino e azeitona taggiasche, trazida da Ligúria. Carne curada com maionese de limão, rúcula selvagem e parmesão. Cada prato conta uma história de contenção.
Mas o que torna o Leggero particularmente interessante é o papel central dos vegetais. Muitos deles passam pelo forno Josper, um equipamento que combina grelha e forno a carvão — normalmente reservado para carnes. Alface romana grelhada com creme de milho. Erva-doce com mostarda de Dijon, salsa de avelã, tomate rama e chia. Esses vegetais não são apenas acompanhamentos; eles dão personalidade aos molhos que acompanham os pratos principais, como o scaloppine de filé-mignon com alho-poró. Na seção de massas frescas, pasta toscana com creme de alcachofra, camarões e tomate. Essa estratégia, explica o chef Lomanto Oliveira — executivo do vizinho hotel Fasano Itaim e responsável pela direção gastronômica do Leggero — é o que garante sabor e leveza simultaneamente. Com quase 25 anos no grupo, Oliveira trabalha ao lado da chef Carolina Marques, que toca o dia a dia da cozinha.
Até os molhos tradicionais foram repensados. O bechamel que acompanha a lasanheta com batata, vagem, pesto e pinoli recebeu menos farinha e manteiga que o clássico francês. As sobremesas seguem o mesmo princípio: sorvetes batidos na hora com menor quantidade de açúcar aparecem na sfogliatine di mele, massa folhada com maçã cozida e raspas de laranja, e no gelato alla piemontese, sorvete de nata com zabaion e marsala.
Mas Fasano sabe que comida excelente é apenas parte da equação. "A algumas conclusões eu já cheguei na vida", diz. "Comida boa é obrigatório. Mas sem ambiente e serviço as pessoas não voltam." O salão, desenhado pelo arquiteto Isay Weinfeld com ar mais descontraído que seus projetos anteriores, funciona como extensão da própria trajetória de Fasano. As paredes exibem pôsteres originais de clássicos do cinema italiano — "Amarcord" de Fellini, "Último Tango em Paris" de Bertolucci, "O Poderoso Chefão" de Coppola — resquício da época em que o empresário estudou cinema em Londres.
Na parede oposta, discos de vinil da coleção pessoal de Fasano indicam outra vocação da casa: o Leggero tem um cardápio musical. Em parceria com o jornalista Arthur Dapieve, Fasano selecionou 370 títulos que os clientes podem escolher. Jazz, bossa nova e rock convivem na seleção — há seis composições do The Clash e nove de David Bowie, incluindo "Absolute Beginners", trilha sonora de um filme sobre um fotógrafo tentando fazer vida na Londres dos anos 1960. A mesma cidade onde Fasano, décadas atrás, aspirava a se tornar cineasta, antes de se transformar no restaurateur que nunca deixou por completo a sétima arte.
Bemerkenswerte Zitate
Pensei: o Gero já é tão copiado, não vou eu mesmo me copiar— Gero Fasano, sobre a decisão de criar um novo conceito
Comida boa é obrigatório. Mas sem ambiente e serviço as pessoas não voltam.— Gero Fasano, sobre os pilares de um restaurante bem-sucedido