Em um mercado onde o passado e o futuro se entrelaçam, a Kia Motors apresenta a picape Tasman ao Brasil com um preço que desafia a concorrência — mas o lançamento carrega consigo o peso de uma dívida de três décadas. A história remonta aos anos 1990, quando promessas industriais não cumpridas pela extinta Asia Motors deixaram um rastro de R$ 2 bilhões em incentivos tributários sem contrapartida. Hoje, enquanto a Tasman ocupa os salões, negociações discretas com o governo federal sugerem que a instalação de uma fábrica no país pode ser o preço da reconciliação entre o presente e esse passado in
Kia lança picape Tasman no Brasil enquanto negocia dívida histórica
A dívida permaneceu enquanto a fábrica nunca saiu do papel
Por que uma dívida de trinta anos atrás ainda importa agora?
Porque nunca foi paga. O governo concedeu R$ 2 bilhões em incentivos para uma fábrica que não saiu do papel. Quando a Asia Motors faliu, alguém tinha que responder por isso. A Kia herdou o problema ao comprar os ativos.
E por que a Kia não podia abrir uma fábrica até agora?
Era uma restrição legal. O governo impediu a empresa de estabelecer operações de manufatura enquanto a dívida não fosse resolvida. Era uma forma de pressão.
Então o lançamento da Tasman é uma jogada estratégica?
É mais que isso. É um sinal de que a Kia está confiante em resolver a questão. Eles estão investindo no mercado brasileiro enquanto negocia com o governo. Se conseguirem abater a dívida, abrem caminho para uma fábrica.
Qual é o interesse do governo em fazer esse acordo?
Uma fábrica gera empregos, impostos, movimento econômico. Para a Kia, significa produzir localmente, reduzir custos e competir melhor. É um acordo que beneficia os dois lados.
E se as negociações fracassarem?
A Tasman continua sendo vendida. Mas a Kia permaneceria impedida de fabricar no Brasil, dependendo de importações. Seria uma oportunidade perdida para ambos.
El Pulso
- A Kia lança a picape Tasman por R$ 249.990, desafiando diretamente a Ford Ranger, que parte de R$ 282,6 mil em configurações equivalentes.
- Por trás do lançamento, uma dívida de R$ 2 bilhões herdada da falida Asia Motors manteve a montadora sul-coreana impedida de produzir no Brasil por décadas.
- Negociações sigilosas com o governo federal estão em curso: a Kia pode ter a dívida histórica abatida em troca do compromisso de instalar uma linha de produção no país.
- O presidente da Kia no Brasil pediu discrição durante o evento, sinalizando que o desfecho das negociações ainda é incerto e politicamente sensível.
- A Tasman chega equipada com motor diesel 2.2 de 210 cv, tração 4x4 e cabine com conforto de SUV — apostando em diferenciação técnica para conquistar o segmento.
Em um mercado onde o passado e o futuro se entrelaçam, a Kia Motors apresenta a picape Tasman ao Brasil com um preço que desafia a concorrência — mas o lançamento carrega consigo o peso de uma dívida de três décadas. A história remonta aos anos 1990, quando promessas industriais não cumpridas pela extinta Asia Motors deixaram um rastro de R$ 2 bilhões em incentivos tributários sem contrapartida. Hoje, enquanto a Tasman ocupa os salões, negociações discretas com o governo federal sugerem que a instalação de uma fábrica no país pode ser o preço da reconciliação entre o presente e esse passado inacabado.
A Kia Motors escolheu este mês para apresentar a picape Tasman ao mercado brasileiro, mas o lançamento acontece sob a sombra de uma negociação delicada com o governo federal que se arrasta há décadas.
A origem do impasse remonta aos anos 1990, quando o governo brasileiro concedeu cerca de R$ 2 bilhões em incentivos tributários à Asia Motors, empresa sul-coreana que prometia construir uma fábrica na Bahia. A unidade nunca saiu do papel. A Asia Motors faliu, e quando a Kia adquiriu seus ativos, herdou também a dívida pendente. O Ministério da Fazenda moveu ação envolvendo a Kia, a Hyundai e o próprio governo sul-coreano. Em 2011, o importador Gandini foi liberado da responsabilidade, mas a Kia permaneceu impedida de manufaturar no país.
Agora, segundo José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, negociações em curso com o governo federal podem resultar no abatimento dessa dívida histórica em troca da instalação de uma linha de produção no Brasil. O executivo pediu discrição sobre o tema durante o evento de lançamento, deixando claro que o futuro da fábrica e o presente da Tasman são capítulos distintos — por enquanto.
A picape em si é uma proposta consistente: motor diesel 2.2 com 210 cavalos, tração 4x4, capacidade de carga de 1.007 quilos e preço sugerido de R$ 249.990 — significativamente abaixo da Ford Ranger, sua principal concorrente. O interior se destaca pelo conforto incomum no segmento: a segunda fileira de assentos inclina 25 graus, aproximando a experiência da de um SUV. Um painel duplo de 29,5 polegadas integra instrumentos e multimídia, e a lista de série inclui câmbio automático, ar-condicionado de duas zonas e seis airbags.
Externamente, a Tasman radicaliza a identidade visual da marca com uma grade frontal que domina toda a dianteira e molduras de rodas que chamam atenção pela escala. O sucesso comercial do modelo, porém, dependerá tanto de sua aceitação nas estradas quanto do desfecho das negociações que podem, finalmente, abrir as portas da produção nacional para a Kia.
A Kia Motors chega ao mercado brasileiro com a picape Tasman em um momento de negociações delicadas com o governo federal. O lançamento do veículo, marcado para este mês, ocorre enquanto a montadora sul-coreana tenta resolver uma dívida que remonta aos anos 1990 e que, até agora, impediu a empresa de construir uma fábrica no país.
A história começa na década de 1990, quando o governo brasileiro concedeu aproximadamente R$ 2 bilhões em incentivos tributários à Asia Motors, uma empresa sul-coreana que prometia abrir uma unidade fabril na Bahia. A fábrica nunca foi construída. A Asia Motors faliu, deixando o governo com uma dívida não quitada. Quando a Kia adquiriu os ativos da empresa falida, herdou também essa questão pendente. O Ministério da Fazenda moveu ação contra a empresa, envolvendo não apenas a Kia, mas também a Hyundai e o próprio governo sul-coreano no processo.
Em 2011, o grupo importador Gandini, responsável pela distribuição da Kia no Brasil, foi liberado da responsabilidade pela dívida. Porém, a Kia permaneceu impedida de estabelecer operações de manufatura no país — uma restrição que durou até agora. Segundo José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, negociações estão em curso com o governo federal que podem resultar no abatimento dessa dívida histórica. Em troca, a montadora se comprometeria a instalar uma linha de produção no Brasil. O executivo pediu discrição sobre o assunto durante o evento de apresentação da Tasman, enfatizando que o lançamento do veículo não foi afetado pelas possibilidades futuras.
A Tasman é uma picape média equipada com motor diesel 2.2 de 210 cavalos de potência e tração integral 4x4. Seu preço sugerido é de R$ 249.990 na versão GL, posicionamento competitivo considerando o porte e o pacote de equipamentos oferecido. A capacidade total de carga é de 1.007 quilos, incluindo passageiros. O que diferencia a Tasman no segmento é o conforto da cabine: a segunda fila de assentos possui encosto com inclinação de 25 graus, característica rara em picapes e que aproxima o veículo da experiência de um SUV — algo semelhante ao que oferecem as grandes picapes americanas.
No interior, duas telas integradas formam um monitor único de 29,5 polegadas, reunindo o painel de instrumentos e a central multimídia em uma solução que a Kia e a Hyundai já adotam em diversos modelos. A lista de equipamentos de série inclui câmbio automático, direção com assistência elétrica, ar-condicionado com duas zonas de temperatura, seis airbags, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além de porta-objetos sob o assento traseiro.
Externamente, a Tasman leva ao extremo a identidade visual Tiger Face da marca. A grade frontal, pintada de preto, ocupa quase toda a dianteira e é cercada por faróis verticais. Os cortes retos do desenho certamente chamam atenção no trânsito. As molduras plásticas das caixas de rodas são as maiores já vistas em uma picape comercializada no Brasil, criando um efeito visual que lembra sobrancelhas posicionadas sobre os pneus.
A principal concorrente será a Ford Ranger, que parte de R$ 282,6 mil nas versões com cabine dupla, tração 4x4 e câmbio automático. A Tasman oferece um preço significativamente menor, o que pode atrair compradores sensíveis ao valor. O sucesso comercial do modelo, porém, dependerá não apenas de seu desempenho no mercado, mas também da resolução das negociações governamentais que podem abrir caminho para a Kia finalmente estabelecer produção em solo brasileiro.
Citas Notables
O assunto é sigiloso, mas o lançamento da Tasman não foi afetado pelas possibilidades futuras— José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil