Quatorze anos após o assassinato do vereador Fernando Aldo em Mata Grande, a justiça alagoana reconheceu que o tempo, por si só, não apaga o medo. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas decidiu, por unanimidade, transferir o julgamento do acusado Carlos Marlon Gomes Ribeiro para Arapiraca, entendendo que a sombra de uma organização criminosa ainda paira sobre a comunidade onde o crime ocorreu. É um gesto que reconhece algo profundo: que a imparcialidade não é apenas uma condição jurídica, mas uma condição humana — e que ela não pode florescer onde o medo ainda governa o silêncio.
Justiça transfere julgamento de acusado de matar vereador para Arapiraca
A sombra de um grupo armado ainda pesa sobre quem deveria julgar
Por que levou tanto tempo? O crime foi em 2007, estamos em 2021. Quatorze anos é muito tempo.
Sim, é. Mas o sistema de justiça criminal funciona assim — investigação, denúncia, recursos, pedidos de desaforamento. Cada etapa leva tempo. E neste caso, havia outros acusados sendo julgados antes.
Mas a gente não sabe exatamente por que demorou tanto. O texto não explica a cronologia completa. Sabemos que Dilson Alves foi condenado em 2009, Eliton em 2016, mas não sabemos quando Ribeiro foi denunciado ou quando o pedido de desaforamento foi feito.
E essa "Gangue Fardada" — o que é exatamente? Por que o nome?
O texto não detalha isso. Sabemos que é uma organização criminosa, que tem influência no Sertão, que causa intimidação. Mas não há informações sobre sua estrutura, origem ou atividades específicas.
Exato. É um nome que aparece, mas sem contexto. A gente sabe que o MP a mencionou como razão para o desaforamento, mas não temos reportagem sobre quem são essas pessoas ou como operam.
E os jurados em Arapiraca — eles não terão nenhuma conexão com a Gangue Fardada?
A lógica é que Arapiraca fica longe o suficiente para que os jurados não vivam sob a mesma intimidação. Não é garantia de imparcialidade perfeita, mas reduz a influência local.
Verdade, mas o texto não diz se Arapiraca tem ou não conexões com o grupo. Apenas assume que a distância geográfica resolve o problema. Pode ser que resolva, mas não sabemos ao certo.
E Fernando Aldo — quem era ele além de vereador?
O texto não diz muito. Ele era vereador, foi morto a tiros em 2007 ao sair de uma festa. Tinha influência local, segundo o desembargador. Mas não sabemos seus projetos, sua história política, por que foi alvo.
Isso é uma lacuna importante. Entender quem era Fernando Aldo ajudaria a entender o crime. Mas a reportagem não fornece essa informação.
El Pulso
- Um vereador foi morto a tiros em 2007 ao deixar uma festa, e seu acusado principal ainda aguarda julgamento mais de uma década depois.
- O Ministério Público alertou que a 'Gangue Fardada', organização à qual o réu supostamente pertence, continua a intimidar moradores do Sertão alagoano, tornando um júri local vulnerável ao medo.
- A defesa resistiu ao pedido de transferência, argumentando que as alegações de intimidação eram meras conjecturas — argumento rejeitado pelo relator do caso.
- Os desembargadores votaram unanimemente pelo desaforamento, reconhecendo que tanto o acusado quanto a vítima exercem forte influência no meio social local.
- O julgamento será realizado em Arapiraca, onde os jurados poderão deliberar sem o peso da presença intimidadora que ainda marca Mata Grande.
Quatorze anos após o assassinato do vereador Fernando Aldo em Mata Grande, a justiça alagoana reconheceu que o tempo, por si só, não apaga o medo. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas decidiu, por unanimidade, transferir o julgamento do acusado Carlos Marlon Gomes Ribeiro para Arapiraca, entendendo que a sombra de uma organização criminosa ainda paira sobre a comunidade onde o crime ocorreu. É um gesto que reconhece algo profundo: que a imparcialidade não é apenas uma condição jurídica, mas uma condição humana — e que ela não pode florescer onde o medo ainda governa o silêncio.
Quatorze anos depois de Fernando Aldo ser morto a tiros ao deixar uma festa em Mata Grande, no Sertão alagoano, a justiça decidiu que o julgamento de seu acusado não poderia acontecer no mesmo lugar onde o crime ocorreu. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas aprovou, por unanimidade, a transferência do julgamento de Carlos Marlon Gomes Ribeiro para Arapiraca.
O Ministério Público argumentou que Ribeiro integra a chamada 'Gangue Fardada', organização criminosa cuja influência ainda intimida os moradores da região. O temor era que jurados locais pudessem ser guiados pelo medo ou pela lealdade, comprometendo a imparcialidade do veredicto. O desembargador relator Washington Luiz Damasceno Freitas rejeitou a tese da defesa de que se tratava de meras conjecturas, afirmando haver indícios relevantes da forte presença tanto do acusado quanto da vítima no tecido social local.
Ribeiro responde por homicídio duplamente qualificado e associação criminosa armada. Ele não é o único envolvido no caso: um dos acusados morreu em 2008 sem ser julgado, outro foi condenado a nove anos em 2009, e um terceiro foi absolvido do homicídio em 2016, mas condenado por formação de quadrilha — crime que já havia prescrito.
A decisão unânime dos desembargadores é um reconhecimento de que a violência de 2007 deixou marcas que o tempo não apagou. Em Arapiraca, longe da intimidação que a Gangue Fardada ainda exerce sobre o Sertão, Carlos Marlon Gomes Ribeiro finalmente será levado a julgamento.
Quatorze anos depois de um vereador ser morto a tiros ao sair de uma festa, a justiça alagoana decidiu que o julgamento de seu acusado não poderia acontecer no lugar onde o crime ocorreu. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas aprovou, por unanimidade, o pedido para transferir o julgamento de Carlos Marlon Gomes Ribeiro de Mata Grande, no Sertão, para Arapiraca. Fernando Aldo foi assassinado em 2007, e a decisão desta semana reconhece que a comunidade onde ele viveu permanece marcada demais pela violência para que um júri local possa julgar com imparcialidade.
O Ministério Público argumentou que Ribeiro integra a chamada "Gangue Fardada", uma organização criminosa cujo poder e presença ainda intimidam os moradores do Sertão alagoano. Mesmo com o passar dos anos, a influência desse grupo armado sobre a população local é tão significativa que os promotores temiam que os jurados pudessem ser influenciados pelo medo ou pela lealdade. Essa intimidação — a capacidade de um grupo criminoso fazer-se sentir presente mesmo através do silêncio — é exatamente o tipo de ameaça que a lei processual penal reconhece como motivo válido para deslocar um julgamento para outro município.
O desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, relator do caso, escreveu em seu voto que ficou clara a ameaça à imparcialidade do corpo de jurados. Ele rejeitou a argumentação da defesa de que o pedido se baseava em meras conjecturas, afirmando que havia indícios relevantes da forte influência tanto do acusado quanto da vítima no meio social local. A prudência, segundo o magistrado, exigia que o julgamento fosse realizado em outro lugar, onde os jurados pudessem deliberar sem o peso dessa presença.
Ribeiro é acusado de homicídio duplamente qualificado e associação criminosa armada. Ele não é o único denunciado pela morte de Fernando Aldo. Eronildo Alves Barros, outro acusado, morreu em 2008 sem ser julgado. Dilson Alves foi condenado em 2009 a nove anos de reclusão. Eliton Alves Barros teve trajetória mais complexa: em 2016, foi absolvido do homicídio pelo júri, mas condenado pela formação de quadrilha — um crime que, porém, já havia prescrito.
A transferência do julgamento para Arapiraca representa um reconhecimento de que a violência de 2007 deixou marcas duradouras em Mata Grande. Não se trata apenas de um crime antigo, mas de um crime que envolveu uma organização criminosa cuja sombra continua presente. A decisão unânime dos desembargadores sugere que todos os magistrados concordaram: naquele município, naquele contexto, um julgamento justo seria impossível. Agora, em Arapiraca, Carlos Marlon Gomes Ribeiro será julgado por jurados que não vivem sob a intimidação que a Gangue Fardada ainda exerce sobre o Sertão alagoano.
Citas Notables
Ficou caracterizada a ameaça à imparcialidade do corpo de jurados, uma das hipóteses previstas no artigo 427 do Código de Processo Penal que autorizam o desaforamento— Desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas