Justiça mantém prisão de Márcio Canella; ex-prefeito segue para Bangu 8

Márcio Canella permanece detido em prisão preventiva, com transferência para presídio de segurança máxima.
A permanência de Canella ficou politicamente insustentável
Dirigentes do PL reconhecem que manter o ex-prefeito preso na chapa de Flávio Bolsonaro causaria mais desgaste político.

Márcio Canella foi preso em flagrante com fuzil em seu veículo durante operação da PF que investiga lavagem de dinheiro em postos de gasolina. A prisão abala o palanque de Flávio Bolsonaro no Rio; é o segundo nome da chapa atingido por investigação da PF em menos de dois meses.

  • Márcio Canella preso em flagrante com fuzil em seu veículo durante Operação Unha e Carne
  • Operação investiga movimentação de R$ 7,6 bilhões em postos de gasolina nos últimos seis anos
  • Apreendidos 11 carros de luxo, incluindo Mercedes-Benz de R$ 1,5 milhão, e R$ 800 mil em espécie
  • Canella era pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro; é segundo nome da chapa atingido em dois meses

Ex-prefeito Márcio Canella, pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro, teve sua prisão mantida após audiência de custódia por porte ilegal de fuzil. Será transferido para Bangu 8.

A Justiça ratificou a prisão de Márcio Canella na terça-feira, mantendo o ex-prefeito de Belford Roxo detido após sua captura em flagrante durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. Os agentes federais encontraram um fuzil no interior de seu veículo enquanto cumpriam mandados de busca e apreensão. Canella nega ser o proprietário da arma, mas a decisão da audiência de custódia foi contrária aos seus interesses. Ele será transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio — a unidade conhecida como Bangu 8, que já abrigou outros presos de visibilidade política, como o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar.

A operação que levou à prisão de Canella nasceu de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontando movimentações de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por uma rede de postos de gasolina. Os investigadores suspeitam que a rede estava sendo usada para lavar dinheiro ligado a organizações criminosas. Canella era inicialmente alvo apenas de busca e apreensão, mas a descoberta do fuzil em seu carro o transformou em réu por porte ilegal de arma de uso restrito. Na residência dele, os agentes federais apreenderam outras armas, munição e relógios de luxo.

O alcance da operação foi amplo. Os mandados, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos em dezenove endereços espalhados pela capital e pelas cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Os agentes apreenderam onze automóveis de luxo, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, encontraram aproximadamente R$ 800 mil em dinheiro em espécie. Um policial militar também foi preso por porte de arma descoberto na casa de um dos investigados. A Justiça determinou o sequestro de bens envolvidos e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

A prisão de Canella representa um novo golpe no projeto político de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. O ex-prefeito era o candidato ao Senado indicado pela federação União Brasil-PP com o aval explícito do senador e presidenciável. Sua detenção marca o segundo nome da chapa de Flávio atingido por investigação da Polícia Federal em menos de dois meses. Nos bastidores, dirigentes do PL afirmam que a federação deve recuar da indicação e apresentar um substituto, considerando a permanência de Canella politicamente insustentável. Embora a decisão formal caiba à federação, interlocutores próximos a Flávio indicam que insistir na candidatura significaria impor mais um desgaste a uma chapa que já passou por sucessivas mudanças.

Os investigados podem responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. A operação está inserida no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal por determinação do Supremo Tribunal Federal. O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, também é alvo da investigação. A Polícia Federal não divulgou os valores sequestrados nem os nomes das empresas envolvidas, mantendo sob sigilo aspectos importantes do caso que continua em desenvolvimento.

Canella afirmou que a arma não lhe pertencia
— Márcio Canella
A permanência de Canella ficou politicamente insustentável
— Dirigentes do PL, conforme reportado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a prisão de um ex-prefeito por porte de arma se torna uma história política tão grande?

Model

Porque Canella não era um nome qualquer — era o candidato ao Senado de Flávio Bolsonaro, um presidenciável. Quando você prende alguém nessa posição, você não está apenas prendendo uma pessoa, está desarticulando um palanque.

Inventor

Mas ele nega que a arma fosse dele. Isso não importa para a prisão?

Model

A Justiça decidiu que importava o suficiente para manter a prisão. A arma estava no carro dele. O que ele diz sobre propriedade é uma questão para o julgamento, não para a audiência de custódia.

Inventor

A operação parece ser sobre lavagem de dinheiro em postos de gasolina, certo? Como Canella se encaixa nisso?

Model

Ele era alvo de busca e apreensão por isso. Mas durante a operação, encontraram o fuzil. Então ele virou réu por algo diferente — e mais imediato — do que a investigação original.

Inventor

R$ 7,6 bilhões em movimentações suspeitas. Esse número é real?

Model

É o que o Coaf reportou nos últimos seis anos pela rede de postos. Não significa que todo esse dinheiro foi lavado, mas significa que havia movimento suficiente para despertar suspeita.

Inventor

E Flávio Bolsonaro? Ele está sendo investigado?

Model

Não há indicação disso. Mas sua chapa está sendo desmantelada. É o segundo candidato dele atingido em dois meses. Politicamente, é um estrago real.

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