Justiça liberta último torcedor do Peñarol preso no Rio após quase 2 anos

21 torcedores uruguaios permaneceram detidos por quase 2 anos; 7 pessoas foram feridas no tumulto; 283 uruguaios foram detidos no total.
Mesas viravam escudos, armações de barracas se transformavam em porrete
Descrição do vandalismo que eclodiu na praia durante o tumulto de outubro de 2024.
Mark

Por que levou quase dois anos para libertar um único torcedor?

Mimi

Porque ele estava preso preventivamente, aguardando julgamento. A Justiça precisava de tempo para processar os casos, e havia questões sobre se ele oferecia risco ou risco de fuga. Mas a defesa argumentou que ele não tinha razão para ficar — sem família, sem dinheiro, sem motivo para permanecer no Brasil.

Mark

E os outros vinte torcedores? Todos foram liberados também?

Mimi

Não sabemos o status de todos. A reportagem só confirma que Ezequel é o último a ser solto. Os outros podem ter sido liberados em momentos diferentes, ou alguns ainda podem estar presos. É um detalhe que fica em aberto.

Mark

O que exatamente aconteceu naquela praia? Como um roubo de celular vira um incêndio?

Mimi

Começou pequeno, mas a multidão se alimentou da própria raiva. Quando os policiais tentaram conter, em vez de dispersar, os torcedores se organizaram. Pegaram tudo que estava à mão — mesas, garrafas, pedras — e transformaram em armas. Os moradores locais também entraram na briga, incendiando o ônibus deles. Foi uma escalada rápida.

Mark

Sete pessoas feridas. Alguém morreu?

Mimi

A reportagem não menciona mortes, apenas ferimentos. Mas sete pessoas em uma praia cheia de turistas e banhistas é bastante sério. Poderia ter sido muito pior.

Mark

E agora? Ezequel volta para casa e pronto?

Mimi

Basicamente, sim. Mas ele precisa manter contato com a Justiça do Rio, informar seu endereço no Uruguai e mantê-lo atualizado. É uma forma de garantir que ele não desapareça, que a Justiça possa localizá-lo se necessário.

  • Um furto de celular em uma padaria foi o estopim para horas de vandalismo, incêndios e agressões que deixaram sete feridos e 283 uruguaios detidos no Recreio dos Bandeirantes.
  • Vinte e um torcedores enfrentaram acusações graves — dano, associação criminosa, corrupção de menores — e permaneceram encarcerados por quase dois anos enquanto o processo avançava lentamente.
  • A defesa travou uma batalha jurídica exaustiva, com mais de onze habeas corpus impetrados e atuação em seis ações penais distintas ao longo de todo o período de detenção.
  • A juíza Daniele Lima Pires Barbosa reconheceu que Ezequel Rodrigues havia perdido vínculos e suporte financeiro no Brasil, aceitando o pedido de liberdade com a condição de manter endereço atualizado à Justiça.
  • Com a soltura de Ezequel, o último capítulo desta história se fecha — e o torcedor pode agora retornar ao Uruguai, encerrando uma saga que durou quase o mesmo tempo que uma Copa do Mundo.

Quase dois anos após um tumulto que transformou uma praia carioca em campo de batalha, a Justiça do Rio libertou Ezequel Rodrigues, o último dos 21 torcedores uruguaios do Peñarol mantidos em prisão preventiva desde outubro de 2024. O episódio, desencadeado por um furto banal às vésperas de uma semifinal da Libertadores, revelou como pequenas faíscas podem acender incêndios que consomem anos de liberdade. Com onze habeas corpus e incontáveis batalhas jurídicas, a defesa encerrou um capítulo que ficará marcado tanto na história do futebol quanto na memória da Zona Sudoeste do Rio.

Quase dois anos depois de ser detido em uma praia do Rio de Janeiro, o torcedor uruguaio Ezequel Rodrigues, de 30 anos, recebeu a ordem de soltura da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio. Ele era o último dos 21 torcedores do Peñarol ainda presos — um desfecho que encerra um dos episódios mais turbulentos do futebol carioca recente.

Tudo começou em 23 de outubro de 2024, horas antes de uma semifinal da Libertadores entre Botafogo e Peñarol. Um furto de celular em uma padaria do Recreio dos Bandeirantes foi o estopim para um tumulto que rapidamente saiu do controle. Entre o meio-dia e as 13h20, dezenas de torcedores com o rosto coberto atacaram policiais e banhistas com paus, pedras, garrafas e objetos saqueados de quiosques. Uma moto foi incendiada na Avenida Lúcio Costa; moradores, em represália, atearam fogo a um ônibus de excursão dos uruguaios. Ao todo, 283 pessoas foram detidas, uma arma foi apreendida e sete ficaram feridas.

Os 21 que permaneceram presos responderam por crimes como dano, associação criminosa, corrupção de menores e rixa. A juíza Daniele Lima Pires Barbosa deferiu a liberdade de Ezequel ao reconhecer que ele não tinha vínculos familiares ou patrimoniais no Brasil e havia perdido o suporte financeiro para permanecer no país. A condição imposta é simples: informar e manter atualizado seu endereço no Uruguai perante a Justiça brasileira.

O advogado Eduardo Theodoro, do escritório Gomes e Benfica, descreveu a libertação como o resultado de quase dois anos de trabalho ininterrupto — onze habeas corpus, mais de seis ações penais e dezenas de outros procedimentos. Para o último detido, a longa espera finalmente chegou ao fim.

Quase dois anos depois de ser preso em uma praia do Rio de Janeiro, Ezequel Rodrigues, um torcedor uruguaio de 30 anos, finalmente recebeu a ordem de soltura. A decisão veio da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio, transformando Ezequel no último dos 21 torcedores do Peñarol a ser liberado — um desfecho que encerra um capítulo particularmente conturbado da história recente do futebol carioca.

Tudo começou no dia 23 de outubro de 2024, pouco antes de um jogo de semifinal da Taça Libertadores entre Botafogo e Peñarol. Por volta do meio-dia, um torcedor uruguaio furtou um celular em uma padaria, um roubo aparentemente trivial que desencadearia horas de caos. Dezenas de torcedores se envolveram em um tumulto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, transformando a praia em um campo de batalha. Entre as 12h e as 13h20, homens com o rosto coberto usaram paus e pedras para atacar os poucos policiais militares presentes e até banhistas desavisados. Os agentes tentaram conter a multidão com bombas de efeito moral, mas sem sucesso.

O vandalismo se intensificou rapidamente. Praticamente todo o mobiliário de um quiosque no calçadão foi saqueado — mesas viraram escudos, armações de barracas se transformaram em porrete. Garrafas de vidro e latas voavam contra qualquer um que tentasse deter os vândalos. Uma moto foi incendiada no asfalto, forçando o fechamento da Avenida Lúcio Costa. Na areia, um carrinho de praia foi saqueado, seus objetos também convertidos em armas. Moradores da região, em represália, invadiram um dos ônibus de excursão dos torcedores e atearam fogo ao coletivo. Ao todo, 283 uruguaios foram detidos naquele dia. Uma arma foi apreendida. Sete pessoas sofreram ferimentos.

Por volta das 13h15, o Batalhão de Choque chegou ao local e cercou os vândalos. Todos foram levados para a Cidade da Polícia, na Zona Norte. Entre eles estava Ezequel Rodrigues. Os 21 torcedores que permaneceram presos responderam por crimes como dano, corrupção de menores, associação criminosa e rixa — acusações que os mantiveram encarcerados durante quase dois anos.

A juíza Daniele Lima Pires Barbosa aceitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Ezequel, reconhecendo que ele não possuía vínculos familiares ou patrimoniais no Brasil e havia perdido o suporte financeiro que lhe permitia permanecer no país. A decisão estabelece uma condição: o torcedor pode retornar ao Uruguai desde que informe seu endereço à Justiça do Rio e o mantenha atualizado.

O advogado Eduardo Theodoro, que defendeu Ezequel, descreveu a libertação como resultado de quase dois anos de trabalho intenso. Desde outubro de 2024, seu escritório, Gomes e Benfica, atuou em mais de seis ações penais, impetrou onze habeas corpus e conduziu dezenas de outros procedimentos envolvendo os torcedores do Peñarol. A luta pela liberdade foi longa, mas finalmente chegou ao fim para o último detido.

A decisão é desdobramento de quase 2 anos de trabalho em prol da liberdade dos torcedores uruguaios
— Advogado Eduardo Theodoro, defensor de Ezequel Rodrigues
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