Justiça bloqueia 54 contas de golpistas que roubaram R$ 37 milhões de idosa no RS

Aposentada de 70 anos perdeu R$ 37 milhões em golpe de investimento fraudulento; 140 vítimas identificadas em diferentes estados do país.
Ela passou meses acreditando que tinha lucratividade naquela plataforma
A aposentada de 70 anos transferiu R$ 37 milhões durante seis meses antes de descobrir que havia sido enganada.
Mark

Como uma mulher consegue transferir R$ 37 milhões sem que ninguém perceba que algo está errado?

Mimi

Porque a plataforma mostrava rendimentos crescentes. Ela via o dinheiro "crescer" na tela. Cada depósito gerava lucros aparentes. A ilusão era tão bem construída que ela acreditava estar ganhando dinheiro.

Mark

E por quanto tempo isso durou?

Mimi

Seis meses inteiros. Ela fez diversos aportes durante esse período, cada um alimentando a confiança de que o investimento era real.

Mark

Quando ela percebeu que era fraude?

Mimi

Quando tentou fazer o saque final. Aí o dinheiro foi bloqueado e começaram a pedir mais pagamentos. Nesse momento a realidade a atingiu.

Mark

Quantas outras pessoas caíram nesse mesmo golpe?

Mimi

A polícia identificou 140 possíveis vítimas em diferentes estados. E as transações suspeitas somam R$ 30 bilhões. Não é um caso isolado — é uma organização criminosa estruturada.

Mark

Por que é tão difícil rastrear esse dinheiro?

Mimi

Porque convertem tudo em criptomoedas. Precisam de suporte no sistema financeiro para ocultar os valores. Sem isso, o esquema não funciona. O dinheiro desaparece na conversão.

Mark

E agora? Ela vai recuperar o dinheiro?

Mimi

A Justiça bloqueou 54 contas. A polícia espera que os valores encontrados sejam suficientes para ressarcir a vítima. Mas é uma esperança, não uma certeza.

  • Uma mulher de 70 anos perdeu R$ 37 milhões ao longo de seis meses sem perceber que cada depósito alimentava uma ilusão cuidadosamente construída por criminosos.
  • O esquema colapsou no momento em que ela tentou sacar: o dinheiro foi bloqueado e novos pedidos de pagamento chegaram, revelando a armadilha.
  • A investigação expôs uma organização criminosa que convertia valores em criptomoedas para ocultar os rastros de um esquema com transações suspeitas de R$ 30 bilhões.
  • A Justiça decretou o bloqueio de 54 contas e dez prisões preventivas, incluindo a captura de um suspeito no Aeroporto Santos Dumont enquanto tentava fugir.
  • A polícia identifica 140 possíveis vítimas em todo o país e alerta: desconfie de rendimentos extraordinários, plataformas sem credenciais e pedidos de novos depósitos para liberar valores já investidos.

Uma aposentada de 70 anos descobriu, ao tentar resgatar seu dinheiro, que seis meses de confiança depositada numa plataforma de investimentos haviam custado R$ 37 milhões — patrimônio de uma vida inteira. O esquema, batizado Operação Criptoabate, revela como o crime organizado contemporâneo transforma a esperança de prosperidade em instrumento de destruição, alcançando 140 vítimas em diferentes estados e movimentando transações suspeitas de R$ 30 bilhões. A Justiça gaúcha respondeu com o bloqueio de 54 contas e dez prisões preventivas, enquanto a sociedade é convocada a reconhecer que a sofisticação da fraude moderna exige uma vigilância igualmente sofisticada.

Uma aposentada de 70 anos passou seis meses fazendo transferências para uma plataforma que prometia rendimentos acima do mercado. Na tela, seu saldo crescia. Cada aporte parecia gerar lucros imediatos. Quando finalmente tentou fazer o saque, o dinheiro foi bloqueado e novos pedidos de pagamento começaram a chegar. Foi então que a realidade a atingiu: ela havia perdido R$ 37 milhões para uma organização criminosa.

O delegado Eibert Moreira, chefe do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Rio Grande do Sul, descreveu a mecânica da fraude: a vítima via rendimentos que pareciam reais, numa plataforma projetada para parecer legítima em cada detalhe — saldo virtual fictício, falsa comunidade de estudo, site convincente. Os investigados se passavam por funcionários de uma empresa chamada TDASX, que encerrou as atividades após o início das investigações. O esquema é conhecido internacionalmente como 'pig butchering', com origens no sudeste asiático.

A resposta da Justiça gaúcha foi rápida. O Poder Judiciário bloqueou pelo menos 54 contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. Dez prisões preventivas foram decretadas. Uma das capturas ocorreu no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, onde um morador de Balneário Camboriú — investigado como dono de uma das instituições financeiras usadas no esquema — tentava escapar.

A escala da operação é reveladora: 140 possíveis vítimas identificadas em diferentes estados, e transações suspeitas que somam R$ 30 bilhões. A conversão de dinheiro em criptomoedas era peça central do esquema, usada para ocultar os valores obtidos. Como explicou o delegado Moreira, de nada adianta arrecadar um montante desse sem ter como escondê-lo.

A polícia segue localizando os demais alvos da investigação e alerta a população: desconfie de promessas de rentabilidade muito acima do mercado, de plataformas sem credenciais verificáveis e de pedidos de novos depósitos para liberar valores já investidos. Para a aposentada de 70 anos, resta agora a esperança de que o bloqueio das contas resulte em ressarcimento — e a compreensão amarga de como a confiança pode ser transformada em ruína.

Uma mulher de 70 anos, aposentada, acordou um dia com a certeza de que havia perdido tudo. Não havia acidente, não havia doença. Havia apenas a compreensão súbita de que, durante seis meses inteiros, ela havia transferido seu patrimônio — R$ 37 milhões — para criminosos que fingiam oferecer uma oportunidade de investimento extraordinária.

O esquema funcionava com precisão. A plataforma prometia rendimentos acima da média do mercado. A aposentada via seu saldo crescer na tela. Cada depósito que fazia parecia gerar lucros imediatos. Ela fez diversos aportes, cada um alimentando a ilusão de que seu dinheiro estava trabalhando para ela. Tudo mudou quando ela tentou fazer o saque final. O dinheiro foi bloqueado. Novos pedidos de pagamento começaram a chegar. Foi nesse momento que a realidade a atingiu: ela havia caído num golpe.

O delegado Eibert Moreira, chefe do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Rio Grande do Sul, explicou a mecânica da fraude com clareza. A vítima passou meses fazendo transferências, acreditando que tinha lucratividade naquela plataforma. Enxergava rendimentos que pareciam reais. Quando tentou pedir o saque para a instituição financeira, teve o dinheiro bloqueado até perceber que havia sido enganada.

A resposta da Justiça gaúcha foi rápida. O Poder Judiciário decretou o bloqueio de pelo menos 54 contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema. A Polícia Civil expressou esperança de que os valores encontrados fossem suficientes para ressarcir a vítima. A investigação, batizada Operação Criptoabate, apura crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Até o momento, dez prisões preventivas foram decretadas. Duas pessoas foram presas na quinta-feira, uma terceira na sexta-feira pela manhã, quando foi capturada no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Esse homem, morador de Balneário Camboriú em Santa Catarina, era investigado como dono de uma das instituições financeiras usadas no esquema.

O que torna essa operação particularmente significativa é sua escala. A polícia identificou 140 possíveis vítimas espalhadas por diferentes estados do país. As transações suspeitas feitas pelos investigados somam R$ 30 bilhões. O esquema envolvia a conversão de dinheiro em criptomoedas — uma estratégia essencial para ocultar os valores obtidos com as vítimas. Como o delegado Moreira explicou, todo esquema de estelionato precisa de suporte no sistema financeiro para fazer a ocultação. De nada adianta um criminoso arrecadar um montante desse se não tiver como escondê-lo.

Os investigados se passavam por funcionários de uma empresa identificada como TDASX, que fechou após o início das investigações. A fraude é conhecida internacionalmente como "pig butchering", ou "golpe do abate de porcos", uma prática que tem origem no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar. O esquema era sofisticado: saldo virtual fictício, falsa comunidade de estudo, site convincente — tudo projetado para parecer legítimo.

A polícia agora alerta a população. Desconfie de promessas de rentabilidade muito acima do mercado. Desconfie de plataformas sem credenciais verificáveis. Desconfie de pedidos de novos depósitos para liberar valores que já teriam sido investidos. A operação continua: a polícia segue tentando localizar os demais alvos da investigação. Para a aposentada de 70 anos, o caminho agora passa pela esperança de que o bloqueio das 54 contas resulte em ressarcimento — e pela compreensão amarga de como a sofisticação do crime moderno pode transformar a confiança em ruína.

Ela passou meses fazendo transferências, acreditando que estava tendo lucratividade nessa plataforma. Quando tentou fazer o saque final, teve o dinheiro bloqueado até perceber que tinha caído num golpe
— Delegado Eibert Moreira, chefe do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos
Todo esquema de estelionato precisa de suporte no sistema financeiro para fazer a ocultação desses valores. De nada adianta o criminoso arrecadar esse montante se não tiver como ocultar
— Delegado Eibert Moreira
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