Na madrugada de um domingo consagrado à fé, Gustavo Henrique dos Santos Pereira, 19 anos, seguia pela Rodovia Oswaldo Ortiz Monteiro em direção ao Santuário Nacional de Aparecida, onde esperava encontrar o pai para uma romaria. A violência o interceptou antes que chegasse: abordado por assaltantes em Canas, ele reagiu e foi baleado, morrendo no local onde deveria apenas passar. Sua morte, ocorrida um dia após o assassinato de um policial militar nas mesmas circunstâncias e no mesmo destino, revela uma sombra que paira sobre as estradas da fé — e levanta perguntas que a devoção, sozinha, não co
Jovem romeiro de 19 anos é morto durante assalto a caminho de Aparecida
Vou para a academia e meu amigo não vai estar lá
Por que Gustavo reagiu ao assalto? Isso foi uma decisão consciente ou um reflexo?
A gente não sabe exatamente o que passou pela cabeça dele naquele momento. A polícia só disse que ele reagiu. Talvez tenha sido instinto, talvez tenha achado que conseguia se defender. Ele treinava jiu-jitsu, então tinha algum preparo físico.
Mas aí está — a gente não tem detalhes sobre como exatamente a situação se desenrolou. Só sabemos que reagiu e foi baleado. Não sabemos se os criminosos deram aviso, se havia mais de uma arma, nada disso.
E o amigo dele, o de 18 anos? Como ele está?
A reportagem não traz informações sobre o estado emocional ou físico do amigo. Sabemos que ele estava lá, que perdeu o celular, mas nada além disso.
Isso é um vazio importante. O amigo presenciou a morte de Gustavo. Aquilo vai marcar a vida dele também, mas a gente não tem acesso a como ele está processando isso.
Guilherme Marques fala sobre a rotina que vai mudar. Isso é bem específico.
É. Ele conhecia Gustavo da academia, sabia o horário que ele chegava. Agora aquele horário vai passar vazio. É a morte em detalhe — não é abstrata, é sobre a ausência concreta de uma pessoa que você via regularmente.
E é uma perspectiva valiosa porque mostra o impacto além da família. Mas também é só um amigo. A gente não ouve da família diretamente, não ouve do pai que estava esperando encontrá-lo.
Por que a polícia ainda não identificou os criminosos?
Não há informação sobre isso. Pode ser que os criminosos fugiram rápido, que não havia câmeras no local, que as investigações ainda estão em andamento.
Exatamente. A gente sabe que não foram identificados até a publicação, mas não sabemos por quê. Não sabemos se há pistas, se há câmeras de segurança, se há testemunhas além do amigo. É um buraco na reportagem.
El Pulso
- Na madrugada de 12 de outubro, dois jovens foram abordados por ladrões armados enquanto viajavam para uma das maiores romarias do país, transformando uma peregrinação de fé em cena de crime.
- Gustavo reagiu ao assalto e foi baleado; os criminosos fugiram levando apenas o celular do amigo, deixando para trás um jovem de 19 anos morto a menos de 20 quilômetros de sua cidade natal.
- A polícia ainda não identificou os dois assaltantes, e o caso se soma ao assassinato de um policial militar ocorrido 24 horas antes, nas mesmas rodovias e com o mesmo destino: Aparecida.
- Amigos e familiares enterraram Gustavo na manhã de segunda-feira em Cruzeiro; um amigo próximo descreveu a perda como um vazio diário e concreto — 'vou para a academia e meu amigo não vai estar lá'.
- O padrão de violência contra peregrinos nas rodovias que levam ao santuário começa a ganhar contorno, mas nenhuma resposta institucional concreta foi anunciada até o momento.
Na madrugada de um domingo consagrado à fé, Gustavo Henrique dos Santos Pereira, 19 anos, seguia pela Rodovia Oswaldo Ortiz Monteiro em direção ao Santuário Nacional de Aparecida, onde esperava encontrar o pai para uma romaria. A violência o interceptou antes que chegasse: abordado por assaltantes em Canas, ele reagiu e foi baleado, morrendo no local onde deveria apenas passar. Sua morte, ocorrida um dia após o assassinato de um policial militar nas mesmas circunstâncias e no mesmo destino, revela uma sombra que paira sobre as estradas da fé — e levanta perguntas que a devoção, sozinha, não consegue responder.
Gustavo Henrique dos Santos Pereira tinha 19 anos e um plano simples para o domingo de 12 de outubro: percorrer a Rodovia Oswaldo Ortiz Monteiro, encontrar o pai e seguir juntos em romaria ao Santuário Nacional de Aparecida. Esse encontro nunca aconteceu. Na madrugada, ele e um amigo de 18 anos foram abordados por dois assaltantes. Gustavo reagiu. Foi baleado e morreu no local, no município de Canas, a pouco mais de 20 quilômetros de Cruzeiro, onde sua família mora. Os criminosos fugiram com apenas o celular do amigo e seguem sem identificação.
O enterro aconteceu na manhã de segunda-feira, no cemitério Jardim Santa Clara, em Cruzeiro. Nas redes sociais, uma amiga da família contou que Gustavo estava ansioso para reencontrar o pai na peregrinação. Guilherme Marques, filmmaker de 40 anos que o conheceu na academia em Cachoeira Paulista — onde Gustavo praticava musculação e jiu-jitsu —, ainda tentava processar a perda ao falar com a reportagem. 'A gente está sem chão. Sei o horário que ele chegava, vai bater o horário e…' Descreveu o jovem como educado e cheio de sonhos.
A faculdade onde Gustavo estudava, a FACIC, publicou nota de pesar no Instagram. Sua morte ocorreu exatamente um dia após o assassinato do policial militar Luiz Guilherme Crispim, 30 anos, morto em circunstâncias semelhantes durante outra romaria ao mesmo santuário. Dois crimes, 24 horas de distância, a mesma estrada, o mesmo destino — um padrão de violência que começa a se desenhar sobre as rotas de fé que levam a Aparecida.
Gustavo Henrique dos Santos Pereira tinha 19 anos quando foi baleado na madrugada de domingo, 12 de outubro, na Rodovia Oswaldo Ortiz Monteiro. Ele estava a caminho do Santuário Nacional de Aparecida, em uma romaria que planejava fazer com o pai. Não chegou ao encontro. Os criminosos que o abordaram fugiram, e Gustavo morreu no local do assalto, em Canas, a pouco mais de 20 quilômetros de Cruzeiro, onde sua família mora.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, dois jovens foram abordados por uma dupla de ladrões naquela madrugada. O amigo de Gustavo, de 18 anos, estava com ele. Quando os criminosos tentaram roubar, Gustavo reagiu. Por isso foi baleado. Os assaltantes conseguiram levar apenas o celular do amigo e desapareceram. Até o momento da publicação desta reportagem, a polícia ainda não havia identificado nenhum dos dois criminosos.
O enterro de Gustavo aconteceu na manhã de segunda-feira, 13 de outubro, no cemitério Jardim Santa Clara, em Cruzeiro. Uma amiga da família compartilhou nas redes sociais que ele estava ansioso para encontrar o pai e seguir juntos na peregrinação religiosa. Aquele encontro nunca aconteceu.
Guilherme Marques, um filmmaker de 40 anos que era amigo de Gustavo, conheceu o jovem na academia onde ambos frequentavam em Cachoeira Paulista. Lá, Gustavo fazia musculação e treinava jiu-jitsu. Quando conversou com a reportagem, Guilherme ainda estava processando a perda. "A gente está sem chão. Fico pensando como vai ser o amanhã. Vou para a academia e meu amigo não vai estar lá. Sei o horário que ele chegava, vai bater o horário e…" Ele descreveu Gustavo como um garoto educado e cheio de sonhos, alguém cuja ausência deixaria um vazio concreto e diário.
Gustavo era estudante de uma faculdade que, após sua morte, publicou uma nota de pesar no Instagram. A instituição, identificada como FACIC, expressou condolências aos familiares e amigos, mas não divulgou informações sobre qual era seu curso. A morte do jovem romeiro ocorreu um dia após outro crime similar: um policial militar de 30 anos, Luiz Guilherme Crispim, também foi morto durante um assalto enquanto participava de uma romaria para o mesmo santuário. Os dois crimes, separados por apenas 24 horas, apontam para um padrão de violência que atinge peregrinos nas rodovias que levam a Aparecida.
Citas Notables
A gente está sem chão. Fico pensando como vai ser o amanhã. Vou para a academia e meu amigo não vai estar lá.— Guilherme Marques, amigo de Gustavo
Ele era um garoto educado e cheio de sonhos. Excelente.— Guilherme Marques sobre Gustavo