João Gomes abre show no Rock in Rio com cortejo de frevo e maracatu

Por mais que seja o Rock in Rio, temos nossa cultura para mostrar
João Gomes afirmou sua identidade nordestina antes de chamar o maestro Spok ao palco para um dueto.
Mark

Por que João Gomes decidiu fazer um cortejo inteiro antes do show? Parece uma escolha muito específica.

Mimi

Ele estava levando Pernambuco para o Rock in Rio. O maracatu, o frevo, os bonecos de Olinda — tudo isso é a identidade dele. Era uma forma de dizer que a cultura nordestina não precisa se encaixar no festival, ela já é grande o suficiente.

Luke

Mas quem decidiu isso? O próprio João Gomes ou a produção do Rock in Rio? A reportagem não deixa claro se foi iniciativa dele ou uma estratégia de marketing do festival.

Mimi

É uma boa pergunta. A reportagem diz que "a equipe de João Gomes chegou a anunciar" o cortejo, então parece ter vindo dele. Mas você está certo em questionar.

Mark

E quanto àquele problema com a estrutura de 16 metros do Galo da Madrugada que não coube?

Mimi

Eles tiveram que improvisar. Levaram versões menores dos galinhos. Mesmo assim, funcionou — as pessoas pararam para ver, sacaram celulares.

Luke

Mas isso muda a escala do que foi prometido. Se anunciaram 16 metros e entregaram "galinhos de poucos metros", é uma diferença real. A reportagem menciona, mas não explora o impacto disso.

Mark

Você acha que o show em si foi tão importante quanto o cortejo?

Mimi

O cortejo foi o momento. O show foi bom — ele tocou desde o piseiro até músicas políticas — mas o cortejo é o que as pessoas vão lembrar. Foi um pedaço do Carnaval de Olinda no meio do Rock in Rio.

Luke

A reportagem diz que o Rock in Rio tem "costume de dar um banho de terno e gravata" em ritmos populares. João Gomes escapou disso?

Mimi

Sim. Ele tocou com sua banda, que chamou de Orquestra Brasileira, mas foi uma performance clássica dele. Não houve orquestração sinfônica, não houve transformação. Ele manteve a identidade.

Mark

Isso importa para a carreira dele?

Mimi

Importa muito. Ele tem menos de dez anos de carreira e está em um dos maiores palcos do festival. Não é comum artistas de forró ocuparem o Sunset antes de Mumford & Sons. Ele está abrindo portas.

  • Cortejo de uma hora com maracatu, frevo e bonecos de Olinda no Parque Olímpico
  • João Gomes tem menos de dez anos de carreira e ocupou o palco Sunset, segundo maior do Rock in Rio
  • Figuras gigantes homenageavam Luiz Gonzaga, Chico Science e o próprio João Gomes
  • Desfile começou por volta das 19h enquanto J Balvin ainda se apresentava no palco Mundo

O cantor transformou parte do Parque Olímpico numa rua pernambucana com desfile de uma hora, incluindo figuras gigantes e apresentação de clássicos do Carnaval. João Gomes mostrou como o forró tradicional ganhou espaço em palcos de grande porte, ocupando o Sunset, segundo maior do Rock in Rio, com carreira de menos de dez anos.

João Gomes fez um cortejo com frevo, maracatu e bonecos de Olinda no Rock in Rio antes de seu show, homenageando Luiz Gonzaga e Chico Science e levando tradições pernambucanas ao megafestival carioca.

João Gomes transformou um trecho do Parque Olímpico numa rua de Pernambuco no sábado à noite, antes de subir ao palco Sunset do Rock in Rio. Enquanto o colombiano J Balvin ainda se apresentava no palco Mundo, o cantor pernambucano orquestrou um cortejo de uma hora que trouxe maracatu, frevo, bonecos de Olinda e homens em pernas de pau para o meio do megafestival carioca. O desfile começou por volta das 19h com estandartes trazendo o nome de João Gomes e de agremiações como o Galo da Madrugada e o Rio Maracatu, seguido por figuras gigantes que homenageavam Luiz Gonzaga, Chico Science e o próprio artista. Também estava presente o famoso boneco do bloco Homem da Meia Noite, carregando a chave que anualmente abre o Carnaval de Olinda.

A produção havia anunciado uma estrutura de 16 metros do Galo da Madrugada, mas não conseguiu encaixá-la no espaço do festival e levou apenas versões menores. Ainda assim, o impacto foi imediato. Pessoas que passavam pelo local sacaram celulares para registrar o desfile; algumas estavam sentadas e se levantaram assustadas para deixar o cortejo passar. O frevo do maestro Oséas veio em seguida, entoando clássicos do Carnaval pernambucano como "Tropicana" de Alceu Valença, "Ceroula" de Almir Rouche e baiões de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, como "Riacho do Navio". Mesmo sem amplificação, os tambores e sopros conseguiram se sobressair aos decibéis de J Balvin no palco vizinho, pelo menos para quem estava próximo.

O cortejo saiu de uma das entradas do Rock in Rio e seguiu entre os estandes iluminados de marcas até o palco Sunset. Quando o "Hino do Galo" tocou, o som foi amplificado, criando uma cacofonia curiosa com a apresentação ainda em andamento de J Balvin. O desfile durou cerca de uma hora e parou apenas quando João Gomes estava prestes a subir ao palco.

No show, o cantor de Serrita, no interior pernambucano, demonstrou como se tornou um dos grandes expoentes do forró contemporâneo. Começou com o piseiro que o alçou à fama — músicas como "Dengo" e "Aquelas Coisas" — depois partiu para o que chamou de "repertório atualizado para paredão", com "Pulando Etapas", passou pelo pop acústico do projeto "Dominguinho", com "Lembrei de Nós" e "Arriadin por Tu", e interpretou sucessos de outras épocas, de composições de Jorge de Altinho e Petrúcio Amorim a canções famosas com Geraldo Azevedo e Flávio José. "Filho do Dono", uma canção política sobre desigualdade social que vem ganhando espaço em seu repertório, trouxe versos sobre o desespero no olhar de uma criança e a humanidade que fecha os olhos para não ver.

Falante e à vontade, João Gomes lembrou que dois anos antes estava na plateia vendo o show de Iza e agora ocupava o palco do Rock in Rio. "Estou nem acreditando, não vou mentir", disse. Também cumprimentou Milo J, argentino de 19 anos que havia estreado no país horas antes no palco Supernova. Antes de chamar o maestro Spok para um dueto em "Frevo Mulher", o cantor afirmou: "Por mais que seja o Rock in Rio, temos nossa cultura para mostrar a vocês". Promoveu uma sequência de improviso com os sanfoneiros de sua banda e botou a plateia para dançar o xote.

Em certo momento, João Gomes disse que "possivelmente eu esteja fazendo alguma coisa muito importante para o sonho do nosso forró". Não está exatamente errado. Não é comum que artistas do gênero ocupem palcos como o Sunset, o segundo maior do Rock in Rio, nem no horário que ele cantou, antes apenas da banda Mumford & Sons. Menos ainda que façam isso com uma carreira tão curta — menos de dez anos — e com todo o estardalhaço causado pelo cortejo. O Rock in Rio tem o costume de dar um banho de terno e gravata em ritmos populares brasileiros para encaixá-los no festival, já fez isso com o funk, por exemplo. João Gomes, porém, mostrou que o forró tradicional nordestino não precisa dessa transformação para ocupar seu lugar em palcos de grande porte.

Estou nem acreditando, não vou mentir
— João Gomes, lembrando que dois anos antes estava na plateia vendo o show de Iza
Possivelmente eu esteja fazendo alguma coisa muito importante para o sonho do nosso forró
— João Gomes, durante o show
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