Em uma coletiva que transcendeu o resultado do jogo, Leonardo Jardim usou a tribuna não para celebrar ou lamentar, mas para questionar uma cultura. Diante da imprensa, o treinador do Flamengo defendeu o árbitro, protegeu seus jogadores e, sobretudo, desafiou a tendência humana de reduzir a complexidade coletiva a um único culpado. No futebol — como em tantas esferas da vida — a busca pelo vilão individual costuma ser mais confortável do que a análise honesta do que falhou em conjunto.
Jardim defende árbitro e critica cultura de culpabilização individual no Flamengo
Não posso dizer que um erro é individual, um erro é o coletivo
Por que Jardim achou necessário trazer o diretor de comunicação para defender o árbitro? Parece uma reação defensiva.
Acho que não é só sobre o lance do Pulgar. É sobre uma frustração maior com como o futebol brasileiro funciona — a pressa em encontrar um vilão. Jardim está tentando mudar essa cultura.
Mas ele não deixa claro se o árbitro realmente acertou ou não. Ele diz que as pessoas "veem maldade em tudo", mas não explica a decisão em si. É possível que o lance fosse expulsão legítima.
E quanto ao argumento dele de que erros são coletivos? Isso não é uma forma de diluir responsabilidade individual?
Não necessariamente. Ele mostrou vídeo — todos os defensores estavam aglomerados. Se Rossi cometeu um erro, foi porque a estrutura toda falhou em se posicionar.
Verdade, mas Jardim não diz se Rossi deveria ter feito algo diferente naquele momento específico. Ele generaliza para "coletivo" sem detalhar o que cada um deveria ter feito.
E sobre Pedro? Jardim está protegendo um jogador que não está marcando?
Está protegendo, mas também reconhecendo que Pedro tem outras funções. O problema é que a torcida só vê gol.
Ele diz que em um ou dois jogos a bola entra e tudo muda. Mas e se não entrar? Quando é hora de reconhecer que o jogador está em má fase?
Saúl parece ser o exemplo que funciona — Jardim o deixou fora, agora o trouxe de volta e ele está melhor.
Exato. Jardim não está dizendo que todos os jogadores são iguais. Está dizendo que precisa de tempo e paciência para avaliar.
Mas ele não quantifica isso. Quanto tempo é "tempo"? Seis meses para Saúl, quanto para Pedro?
Der Puls
- Um lance polêmico envolvendo Pulgar acendeu o debate sobre arbitragem e levou Jardim a trazer o diretor de comunicação do clube à coletiva para defender publicamente a decisão do árbitro.
- O treinador mostrou vídeos aos jogadores revelando que a falha defensiva que resultou em gol não era de Rossi, mas de toda uma estrutura comprimida e sem organização coletiva.
- Pedro segue sem marcar e sob pressão da torcida, mas Jardim recusa a narrativa do centroavante ineficiente, argumentando que o atacante cumpre funções além da finalização.
- Saúl, que passou meses abaixo do nível competitivo, ganhou oportunidade com as ausências de Jorginho e Arrascaeta e apresentou evolução visível em sua segunda partida como titular.
- Jardim traça uma linha clara entre sua responsabilidade como treinador e a dos comentaristas externos, recusando a simplificação como método de análise do jogo.
Em uma coletiva que transcendeu o resultado do jogo, Leonardo Jardim usou a tribuna não para celebrar ou lamentar, mas para questionar uma cultura. Diante da imprensa, o treinador do Flamengo defendeu o árbitro, protegeu seus jogadores e, sobretudo, desafiou a tendência humana de reduzir a complexidade coletiva a um único culpado. No futebol — como em tantas esferas da vida — a busca pelo vilão individual costuma ser mais confortável do que a análise honesta do que falhou em conjunto.
Leonardo Jardim chegou à coletiva com uma missão que ia além do placar. Trouxe consigo o diretor de comunicação do Flamengo para um ponto específico: o árbitro acertou ao não expulsar Pulgar. "Pessoas veem maldade em tudo", resumiu, deixando claro seu incômodo com a cultura de buscar vilões no futebol brasileiro.
Mas o que realmente o incomodava era mais amplo. Ao analisar o gol sofrido, Jardim mostrou aos jogadores imagens do posicionamento defensivo: todos aglomerados, sem amplitude, sem clareza sobre quem cobriria o risco. O erro não era de Rossi — era de todos. "Não posso dizer que um erro é individual, um erro é o coletivo", afirmou. Para jornalistas e comentaristas, é mais simples apontar um nome. Para ele, essa simplificação é uma desonestidade com a complexidade do jogo.
A mesma lógica foi aplicada a Pedro. O atacante é celebrado quando marca e xingado quando não marca — mas Jardim enxerga nele funções que vão além da finalização. Confiante, o treinador garantiu que em breve a bola voltaria a entrar e o tom da conversa mudaria. Sobre De La Cruz, desmentiu ter sugerido que o jogador buscasse outro clube, lembrando que o meia chegou ao Flamengo ainda se recuperando de uma cirurgia no tendão de Aquiles — "a pior lesão do futebol", nas suas palavras.
Saúl foi outro nome destacado. Após seis meses abaixo do nível dos companheiros, o meio-campista aproveitou as ausências de Jorginho e Arrascaeta para mostrar evolução real. Jardim elogiou sua maturidade ao aceitar o banco sem perder o foco. No fundo, o que o treinador tentava transmitir era uma filosofia: proteger os jogadores da culpabilização fácil e reafirmar que, no Flamengo, o trabalho coletivo é o que realmente importa.
Leonardo Jardim chegou à coletiva de imprensa com uma mensagem que ia além do resultado do jogo contra o Fluminense. O treinador do Flamengo trouxe consigo Rodrigo Paiva, diretor de comunicação do clube, para fazer um ponto específico: o árbitro acertou ao não expulsar Pulgar em um lance polêmico. "Pessoas veem maldade em tudo", disse Jardim, resumindo em uma frase sua frustração com a cultura de buscar vilões individuais no futebol brasileiro.
Mas o incômodo de Jardim ia além daquele lance. Ele falava sobre uma dinâmica que o incomoda profundamente — a tendência de jornalistas, comentaristas e torcedores apontarem um único culpado quando algo dá errado. Analisando a atuação de Rossi, o goleiro, Jardim explicou que o erro não era dele isoladamente. Mostrou vídeo aos jogadores sobre o posicionamento defensivo: todos estavam aglomerados em um espaço reduzido da área, sem amplitude. Quando a defesa se comprime assim, fica fácil para o adversário pressionar e recuperar a bola. O problema, insistiu, era coletivo. "Não posso dizer que um erro é individual, um erro é o coletivo", afirmou. Brincou com Rossi depois: "Da próxima vez que acontecer isso, pega na bola e bate na frente". Mas a mensagem era séria — ninguém se organizou, ninguém soube quem voltaria para cobrir o risco.
Jardim reconhecia que é mais fácil apontar um jogador específico. Para o jornalista, o youtuber, o comentarista, é mais simples dizer "foi Rossi" ou "foi Jorginho" do que analisar como toda a estrutura defensiva falhou. "Eu sou treinador de futebol e não sou um crítico que anda por aí", disse, marcando a diferença entre sua responsabilidade e a dos que comentam de fora. Quando sofrem gols ou enfrentam situações críticas, o erro nunca vem de uma única parte — sempre de várias. Mas essa visão coletiva exige mais trabalho, mais nuance.
Sobre Pedro, o atacante que vinha sendo criticado por não marcar, Jardim defendeu seu jogador com a mesma lógica. Quando Pedro marca, é celebrado como o mais efetivo. Quando não marca, é xingado pela torcida. O papel do treinador, explicou, é blindar o jogador, reconhecendo que ele tem outras funções além de finalizar — a construção, o apoio ao jogo. "Se eu tirar, então, quem vai ser xingado vai ser eu", disse com certo humor. Jardim estava confiante de que em um ou dois jogos a bola entraria novamente e a conversa mudaria de tom.
Quanto a De La Cruz, Jardim negou ter dito que o jogador precisava procurar outro clube. Explicou que o meia passou por um momento difícil — quando chegou ao Flamengo, estava se recuperando de uma cirurgia no tendão de Aquiles, que Jardim descreveu como "a pior lesão do futebol". Qualquer apoio, qualquer aceleração causa dor. Jogadores operados do tendão de Aquiles precisam de um ou dois anos para voltar ao nível anterior, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Saúl também entrou na conversa. O meio-campista havia passado por seis meses em um nível abaixo dos companheiros, mas Jardim conversou com ele durante a semana e o jogador se mostrou preparado. Com Jorginho tendo problemas de cartões e Arrascaeta lesionado, Saúl ganhou oportunidade. Jardim reconheceu que o jogador ficou triste por não estar jogando, mas elogiou sua experiência e compreensão de que não estava em nível competitivo com Evertton Araújo, Jorginho e Nico. Agora, em seu segundo jogo como titular, Saúl mostrava evolução — o desempenho contra o Red Bull Bragantino era completamente diferente do que havia feito contra o Athletico Paranaense meses antes.
Jardim também aproveitou para falar sobre o ambiente do elenco. Havia competição pela titularidade, o que é normal, mas todos se davam bem. Brincou sobre Pedro: o atacante normalmente é criticado quando não marca, ficou chateado apenas uma vez quando foi substituído, e depois recebeu um abraço. "Estamos no Flamengo", disse, como se explicasse que ali as coisas funcionavam de forma diferente. Até uma notícia sobre Pedro voltando à Seleção após "problemas internos no clube" o fez rir — sabia que era especulação vazia.
O que Jardim tentava transmitir, no fundo, era uma filosofia de gestão. Não era sobre defender árbitros ou jogadores específicos. Era sobre recusar a simplificação. No futebol, como em qualquer coisa complexa, as respostas fáceis raramente são as certas. E sua função era proteger seus jogadores dessa cultura de culpabilização, enquanto os ajudava a entender que o trabalho coletivo era o que realmente importava.
Bemerkenswerte Zitate
Pessoas veem maldade em tudo— Leonardo Jardim
Eu sou treinador de futebol e não sou um crítico que anda por aí— Leonardo Jardim