Na noite de sexta-feira, o Rock in Rio dividiu-se entre dois mundos: enquanto o palco Mundo pulsava ao ritmo do k-pop para uma geração jovem, o palco Sunset acolheu o Jamiroquai e os que cresceram nos anos 1990, reunidos pela memória coletiva do acid jazz britânico. Jay Kay e sua banda lembraram que a nostalgia não é apenas saudade — é também uma forma de medir o tempo que passou e o que ainda resta de energia em músicas que atravessaram décadas. A apresentação de uma hora foi, acima de tudo, um encontro entre gerações dentro de um mesmo festival.
Jamiroquai resgata nostalgia dos anos 1990 no Rock in Rio entre público k-pop
Gerações dos anos 1990 celebraram enquanto o festival pulsava ao ritmo do k-pop
Por que Jamiroquai conseguiu atrair público em uma noite dominada pelo k-pop? Parece uma escolha estranha para o festival.
Porque há gerações inteiras que cresceram com "Virtual Insanity" na MTV. Esses são os pais e mães dos adolescentes que foram ver Stray Kids. O festival tem espaço para os dois públicos.
Mas o texto diz "bom público" — quanto é bom? Não há números. Sabemos que menos gente foi ao palco Sunset do que ao palco Mundo, mas não sabemos a escala.
Entendi. E quanto à performance em si — Jay Kay estava em forma?
Ele fez o esforço. Aos 56 anos, dançava, chutava para o ar, trocava de chapéu constantemente. O timbre não era o mesmo da melhor fase, mas a banda tocava bem.
Aqui há um detalhe interessante: o texto compara a voz dele à de Stevie Wonder "no início da carreira", depois diz que não tinha "a mesma extensão vocal da grande fase". Isso sugere que a voz dele mudou com o tempo, mas não fica claro se foi envelhecimento ou escolha artística.
E "Virtual Insanity"? Como foi recebida?
Foi o ponto alto. As pessoas que conheciam o videoclipe celebraram. Tocaram em cadência mais rápida, com percussão que lembrava escola de samba.
Mas sem os passos deslizantes do clipe original. O texto deixa claro que foi uma execução diferente, não uma replicação.
Isso importa para quem estava lá?
Para os nostálgicos, sim. Eles queriam ouvir a canção, e ouviram. O videoclipe é lendário, mas a música é o que fica.
Uma última coisa: a interação com o público foi mínima. Apenas agradecimentos em português e uma saudação ao Rock in Rio. Isso é relevante porque mostra distância, ou é apenas o estilo de Jay Kay?
The Pulse
- O palco Sunset tornou-se uma ilha de nostalgia enquanto a maioria do público jovem do festival gravitava para o k-pop do Stray Kids no palco Mundo.
- Jay Kay, aos 56 anos, desafiou o tempo com chutes ao ar e trocas de chapéu — cinco acessórios em uma hora — como se precisasse provar algo a si mesmo e ao público.
- 'Virtual Insanity' chegou em cadência acelerada, com percussão que evocava escola de samba, e despertou quem a conhecia do videoclipe icônico da MTV dos anos 1990.
- Pais e mães que vieram ao festival para ver o filho adolescente encontraram, no Sunset, o próprio passado dançando diante deles.
- A banda retorna a São Paulo no domingo para o Nubank Parque, carregando a mesma equação: nostalgia como combustível, performance como argumento.
Na noite de sexta-feira, o Rock in Rio dividiu-se entre dois mundos: enquanto o palco Mundo pulsava ao ritmo do k-pop para uma geração jovem, o palco Sunset acolheu o Jamiroquai e os que cresceram nos anos 1990, reunidos pela memória coletiva do acid jazz britânico. Jay Kay e sua banda lembraram que a nostalgia não é apenas saudade — é também uma forma de medir o tempo que passou e o que ainda resta de energia em músicas que atravessaram décadas. A apresentação de uma hora foi, acima de tudo, um encontro entre gerações dentro de um mesmo festival.
Na noite de sexta-feira, o palco Sunset do Rock in Rio funcionou como uma máquina do tempo. Enquanto o palco Mundo era dominado pelo k-pop do Stray Kids e do Nexz, um contingente respeitável se reuniu para ouvir o acid jazz britânico do Jamiroquai — um som que bebeu fundo em funk, soul e reggae e abriu portas nas lojas de discos dos anos 1990.
O show começou morno, com faixas mais recentes que geraram pouco entusiasmo. A tração veio com 'Space Cowboy', do álbum de 1994, e Jay Kay — filho de um guitarrista português e uma cantora de jazz, cujo timbre foi comparado ao de Stevie Wonder no início da carreira — ocupou o palco inteiro com passos de dança e energia que desmentiam os 56 anos. Trocou de chapéu cinco vezes e de agasalho outras quatro, incluindo um verde e amarelo em determinado momento.
O clímax foi 'Virtual Insanity', de 1996, executada em cadência acelerada com percussão que lembrava uma escola de samba. Quem a conhecia do videoclipe icônico da MTV — aquele em que Jay Kay e os móveis pareciam deslizar pelo chão — celebrou o momento. Muitos desses espectadores são hoje pais dos jovens que vieram à Cidade do Rock para ver pop coreano.
A interação com o público foi discreta: agradecimentos em português, uma saudação ao festival e um comentário de Jay Kay sobre tecnologia num 'fucking crazy world'. Sem os passos deslizantes do clipe original, mas com execução suficiente para fazer o público dançar. No domingo, a banda segue para o Nubank Parque, em São Paulo, levando consigo a mesma proposta: uma década inteira de nostalgia transformada em show.
Na noite de sexta-feira, o palco Sunset do Rock in Rio recebeu a banda britânica Jamiroquai em uma apresentação que funcionou como máquina do tempo para quem cresceu nos anos 1990. Enquanto a maioria do público do festival se concentrava no palco Mundo para ver o Stray Kids e o k-pop que dominava a programação, um contingente respeitável se reuniu para ouvir os clássicos do acid jazz britânico que marcaram gerações.
Jay Kay e sua banda abriram com "Don't Give Hate a Chance", uma faixa mais recente que gerou pouco entusiasmo. O show ganhou tração quando chegou a "Space Cowboy", do segundo álbum de 1994, e uma espectadora comentou com o vizinho que o vocalista, aos 56 anos, envelheceu bem — observação que o britânico pareceu determinado a validar com chutes ao ar e passos de dança que ocuparam todo o palco. Jamiroquai abriu as portas do acid jazz nas lojas de discos dos anos 1990 e permanece seu maior expoente, um som que bebe fundo em funk, soul e reggae, reciclado por bandas ao redor do mundo.
O primeiro álbum da banda, "Emergency on Planet Earth" de 1993, apresentava soul eletrônico. O segundo, "The Return of the Space Cowboy" em 1994, mergulhava no dance. O terceiro, "Travelling Without Moving" de 1996, trouxe "Virtual Insanity", a canção que alçaria a banda ao sucesso mundial. Quando essa faixa foi executada durante o show em cadência acelerada, com percussão que lembrava as caixas de uma escola de samba, o público que a conhecia do videoclipe icônico — aquele em que Jay Kay e os móveis ao redor pareciam deslizar no chão, exibido repetidamente na MTV — celebrou o momento. Muitos desses espectadores agora são pais e mães dos jovens que vieram à Cidade do Rock para ver pop coreano.
Jay Kay, filho de um guitarrista português e uma cantora de jazz, teve seu timbre vocal comparado ao de Stevie Wonder no início da carreira. Não possuía a mesma extensão vocal de sua melhor fase, mas manteve um balanço sólido, apoiado por um trio de backing vocals à moda black e pela interação competente de baixo, bateria, teclados e eletrônicos. O vocalista é famoso pelos chapéus — nórdico, indígena norte-americano, mágico — e trocou de acessório cinco vezes durante a apresentação de uma hora, além de trocar de agasalho outras quatro vezes. Vestiu um agasalho verde e amarelo em determinado momento.
A interação com o público foi mínima, restrita a agradecimentos em português e uma saudação ao Rock in Rio. "Virtual Insanity" encerrou o show, com Jay Kay comentando sobre a tecnologia em um "fucking Crazy world". Não houve os passos deslizantes que marcaram o videoclipe original, mas a execução agradou aos nostálgicos dos anos 1990 que ocupavam o palco Sunset enquanto o festival pulsava ao ritmo do k-pop no palco Mundo. Jamiroquai retorna a São Paulo no domingo para um show no Nubank Parque, continuando sua turnê que mescla a nostalgia de uma década inteira com a energia de uma performance que ainda consegue fazer o público dançar.
Notable Quotes
Jay Kay comentou sobre a tecnologia em um 'fucking Crazy world' ao encerrar o show com 'Virtual Insanity'— Jay Kay, vocalista do Jamiroquai