Itaú assina contrato de R$ 1,17 bilhão por dez anos para ocupar integralmente duas torres do Esther Towers, exigindo presença física de três a quatro dias semanais a partir de 2027. Tendência global atravessa tecnologia, finanças, mineração e petróleo: Amazon, JPMorgan, Microsoft, Nubank, Vale e Petrobras já reduziram ou eliminaram trabalho remoto nos últimos anos.
Itaú assina maior locação de escritórios do Brasil e reforça retorno global aos escritórios
O bilhete premiado parece estar cada vez mais perto da data de devolução
Por que o Itaú faz isso agora, depois de ter devolvido espaços durante a pandemia? Parece contraditório.
Porque a empresa mudou de ideia sobre o que funciona. Descobriu que seus funcionários remotos não estavam entregando o que esperava — tanto que demitiu mais de mil pessoas em 2025. Agora acredita que trazer gente de volta aos escritórios resolve o problema de produtividade.
Mas espera aí. O Itaú diz que encontrou incompatibilidades entre atividades registradas e horários informados. Isso é um achado real ou é justificativa para demissões que já estavam planejadas?
A reportagem não deixa claro. O que sabemos é que o banco fez uma revisão, encontrou o que chamou de incompatibilidades, e depois o CEO disse que alguns desligados entregavam desempenho muito abaixo do exigido.
E os funcionários? Como estão reagindo a ter que voltar?
Há resistência. Uma diretora de RH de uma grande empresa de óleo e gás resumiu bem: ninguém quer abrir mão do que considera um benefício conquistado. Mas são as empresas que estão decidindo as regras.
Isso foi dito em fevereiro de 2024. Dois anos depois, a situação mudou? A reportagem não traz reações atuais de trabalhadores do Itaú ou de outras empresas.
Verdade. A reportagem mostra o movimento das empresas, mas não captura a voz dos funcionários que estão sendo obrigados a voltar agora.
E quanto ao mercado imobiliário? Isso é realmente uma tendência ou é só o Itaú?
Não é só o Itaú. Amazon, Microsoft, Nubank, Vale, Petrobras — todas estão trazendo gente de volta. E o mercado imobiliário do Rio está respondendo: vacância caiu, o Centro está absorvendo mais escritórios.
Mas quanto disso é porque as empresas realmente acreditam que presença física melhora produtividade, e quanto é apenas controle? A reportagem não distingue bem.
Elas falam em cultura, pertencimento, inovação. Mas você tem razão — pode ser que o que realmente importa é poder ver quem está trabalhando e quando.
Le Pouls
- Itaú assina contrato de R$ 1,17 bilhão por dez anos para ocupar 91,4 mil m² em duas torres do Esther Towers
- Aproximadamente 9.600 posições de trabalho presenciais; funcionários administrativos deverão comparecer três dias por semana a partir de 2028
- Mais de mil funcionários do Itaú foram demitidos em setembro de 2025 durante revisão de condutas em trabalho remoto
- Amazon, JPMorgan, Microsoft, Nubank, Vale e Petrobras já reduziram ou eliminaram trabalho remoto nos últimos anos
Itaú assina contrato de R$ 1,17 bilhão por dez anos para ocupar integralmente duas torres do Esther Towers, exigindo presença física de três a quatro dias semanais a partir de 2027. Tendência global atravessa tecnologia, finanças, mineração e petróleo: Amazon, JPMorgan, Microsoft, Nubank, Vale e Petrobras já reduziram ou eliminaram trabalho remoto nos últimos anos.
O Itaú Unibanco aluga 91,4 mil m² em São Paulo para quase 10 mil funcionários, marcando a maior locação de escritórios do Brasil e reforçando tendência mundial de abandono do home office por gigantes como Amazon, Microsoft e Nubank.
O Itaú Unibanco acaba de assinar o maior contrato de aluguel de escritórios já registrado no Brasil. O banco ocupará integralmente as duas torres do Esther Towers, complexo corporativo na Avenida Chucri Zaidan em São Paulo, totalizando 91,4 mil metros quadrados e aproximadamente 9.600 posições de trabalho. O contrato inicial de dez anos, prorrogável por mais cinco, renderá à Eztec, proprietária do complexo, aproximadamente R$ 1,17 bilhão em receitas de aluguel na primeira década, com correções anuais pelo IPCA. A operação foi intermediada pela CBRE e pela Binswanger Brazil.
A escala da operação reflete uma mudança profunda nas prioridades corporativas. Durante a pandemia, o Itaú devolveu diversos espaços quando adotou o home office em larga escala. Agora precisa expandir sua área física justamente porque seus funcionários passarão cada vez mais tempo nos escritórios. A partir do primeiro trimestre de 2028, funcionários administrativos em regime híbrido deverão comparecer presencialmente pelo menos três dias por semana. Os superintendentes já enfrentam a exigência de quatro dias semanais desde janeiro de 2027, frequência que os diretores já cumprem. O banco possui mais de 80 mil funcionários no Brasil; aproximadamente 40% já trabalham presencialmente, enquanto os outros 60% estão majoritariamente no sistema híbrido — exatamente o contingente que deverá ocupar os escritórios com maior frequência nos próximos anos.
A operação ganha contornos ainda mais significativos quando considerada no contexto recente da instituição. Apenas um ano antes, em setembro de 2025, o Itaú havia demitido mais de mil funcionários que trabalhavam em sistemas remoto ou híbrido. Na ocasião, o banco afirmou ter realizado uma revisão das condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada, encontrando incompatibilidades entre as atividades registradas nos equipamentos e os horários informados pelos empregados. No mês seguinte, o presidente-executivo Milton Maluhy Filho voltou ao assunto, afirmando que parte dos desligados entregava desempenho muito abaixo do exigido pela instituição. O episódio tornou-se um capítulo adicional na discussão que já ocorria dentro de grandes companhias sobre produtividade, controle de jornada e os limites do modelo remoto.
O movimento do Itaú não é isolado. Desde 2023, grandes empresas globais têm recuado sistematicamente do home office. A Amazon, símbolo da economia digital durante a pandemia, determinou o retorno de funcionários aos escritórios cinco dias por semana, estendendo a política às operações brasileiras. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Google, Dell, Disney, Apple, Meta, Salesforce e BlackRock seguiram caminho semelhante. Em setembro de 2025, a Microsoft, durante anos considerada um bastião da flexibilidade, comunicou aos empregados a necessidade de voltar aos escritórios pelo menos três vezes por semana. No Brasil, a Vale determinou maior presença física, a Petrobras avançou na redução do trabalho remoto, e o UOL eliminou o home office de plantões jornalísticos em fins de semana e feriados. O movimento atravessou tecnologia, bancos, mineração, petróleo, comunicação e serviços.
Até mesmo o Nubank, cuja cultura corporativa esteve entre as mais flexíveis do sistema financeiro, começou em julho de 2026 a transição para regime com presença física regular. Cerca de 70% dos funcionários passaram a comparecer aos escritórios pelo menos duas vezes por semana, frequência que deverá chegar a três dias semanais em janeiro de 2027. O fundador e CEO David Vélez justificou a mudança destacando cultura empresarial, pertencimento, inovação, coordenação e produtividade coletiva — argumentos que diversas outras empresas passaram a defender após a experiência do trabalho remoto.
Os efeitos já aparecem no mercado imobiliário. No Rio, a vacância caiu, grandes ocupações retornaram e cresceu a procura por escritórios de qualidade no Centro. Em fevereiro de 2026, a escassez de grandes áreas de padrão Triple A já pressionava empresas a ampliar a busca para outros prédios da região. Em julho, o Centro havia ultrapassado a Barra da Tijuca na absorção líquida de escritórios, e até edifícios corporativos mais antigos começavam a sentir a recuperação. O próprio Nubank prepara uma nova e grande sede no Centro carioca.
O que nasceu como resposta emergencial a uma pandemia vai perdendo espaço como modelo dominante de organização das grandes empresas. O trabalho híbrido certamente continuará existindo em numerosas atividades, e funções integralmente remotas permanecerão adequadas a determinados setores. Mas a ideia de que as grandes companhias abandonariam definitivamente seus escritórios não resistiu bem ao tempo. Quando um único banco compromete mais de R$ 1 bilhão em aluguel e ocupa 91,4 mil metros quadrados, criando espaço para quase 10 mil postos de trabalho presenciais, já não se está diante apenas de discurso executivo. É concreto — aço, vidro, cadeira, mesa e gente voltando para o escritório. A tendência é mundial, e para o home office como se imaginava no auge da pandemia, o bilhete premiado parece estar cada vez mais perto da data de devolução.
Citations marquantes
Ninguém quer controle, ninguém quer abrir mão do que considera um benefício. Mas quem paga o salário quer produtividade e entrega pessoal.— Diretora de Recursos Humanos de grande empresa de Óleo e Gás (sob anonimato)
O Itaú escolheu o novo endereço pensando em ambientes que favoreçam colaboração, integração das equipes e troca de conhecimento.— Itaú Unibanco