Em Birigui, interior de São Paulo, a morte de um eletricista de 33 anos baleado sete vezes diante do próprio filho de três anos chegará ao Tribunal do Júri. Dois irmãos, de 20 e 18 anos, foram pronunciados pelo juiz responsável pelo caso após meses de investigação. O episódio nos lembra que a violência raramente ocorre no vácuo — ela carrega histórias anteriores, disputas acumuladas e, no fim, consequências que uma criança pequena carregará por toda a vida.
Irmãos acusados de matar eletricista a tiros com filho presente vão a júri
Criança presenciou a morte do pai, mas não foi atingida pelos tiros
Por que esse caso vai para o Tribunal do Júri e não é decidido apenas pelo juiz?
Homicídios no Brasil são julgados por júri popular — é direito constitucional. O juiz decidiu que há provas suficientes para levar o caso adiante, mas quem vai decidir se os irmãos são culpados ou inocentes será um grupo de cidadãos.
E quanto à defesa deles? Eles realmente negam tudo?
Sim. O advogado deles questiona até a motivação — se um deles estava vencendo uma ação contra Vitor na Justiça, por que o mataria? É um argumento que pode ressoar com o júri.
Mas as câmeras de segurança não mostram quem estava na moto?
As imagens mostram dois homens em uma motocicleta atirando, mas identificar rostos em vídeo de segurança nem sempre é conclusivo. Vai depender de outras provas — perícia, testemunhas, rastreamento da moto.
A moto foi encontrada com o irmão mais jovem. Isso é um indicador forte.
E a criança? Como ela está?
Não foi atingida fisicamente. Mas presenciou a morte do pai. Isso é o custo humano que fica além do julgamento.
A reportagem não detalha o estado emocional da criança ou se ela recebeu apoio psicológico. Sabemos que ela estava lá, mas pouco mais.
Quando será o julgamento?
Ainda não foi marcado. Os irmãos continuam presos enquanto aguardam. Pode levar meses.
The Pulse
- Um pai foi executado a tiros em plena rua enquanto segurava a mão do filho de três anos, e câmeras de segurança registraram cada disparo.
- Os dois irmãos acusados foram localizados em dias — um se entregou em Birigui, o outro foi encontrado em Araçatuba ainda com a motocicleta usada no crime.
- A defesa contesta a lógica da acusação: por que matar alguém contra quem se estava vencendo uma ação judicial por lesão corporal?
- O juiz da 2ª Vara Criminal de Birigui determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri, mas a decisão pode ser contestada em recurso e a data do julgamento pode levar meses para ser marcada.
Em Birigui, interior de São Paulo, a morte de um eletricista de 33 anos baleado sete vezes diante do próprio filho de três anos chegará ao Tribunal do Júri. Dois irmãos, de 20 e 18 anos, foram pronunciados pelo juiz responsável pelo caso após meses de investigação. O episódio nos lembra que a violência raramente ocorre no vácuo — ela carrega histórias anteriores, disputas acumuladas e, no fim, consequências que uma criança pequena carregará por toda a vida.
Na tarde de 25 de fevereiro, Vitor Henrique Pelicer, eletricista de 33 anos, caminhava pelo bairro Simões em Birigui segurando a mão do filho de três anos quando dois homens em uma motocicleta o abordaram. O garupa abriu fogo. Vitor caiu. O atirador desceu e continuou disparando — ao menos sete tiros — antes de fugir. A criança saiu ilesa. Câmeras de segurança registraram tudo. Vitor foi levado ao pronto-socorro, mas não resistiu aos ferimentos.
Nos dias seguintes, dois irmãos foram presos como suspeitos: o mais velho, de 20 anos, se entregou em Birigui; o mais jovem, de 18, foi localizado em um condomínio de ranchos em Araçatuba, ainda com a moto usada no ataque. Na segunda-feira, 3 de novembro, o juiz Heber Gualberto Mendonça determinou que ambos serão julgados pelo Tribunal do Júri — decisão que pode ser contestada em recurso enquanto os dois permanecem presos.
O caso carrega uma camada de ambiguidade que o júri terá de enfrentar. Segundo as investigações, a origem do conflito seria uma briga por descarte de lixo em uma caçamba, que escalou para uma ação judicial movida por um dos irmãos contra Vitor por lesão corporal grave — ação que, segundo a defesa, eles estavam vencendo. O advogado dos acusados afirmou que eles negam veementemente o crime e questionam o próprio motivo que lhes é atribuído. As imagens de segurança e demais evidências serão centrais para que a acusação sustente sua tese diante do júri popular.
Na tarde de 25 de fevereiro, um eletricista de 33 anos chamado Vitor Henrique Pelicer caminhava pelas ruas do bairro Simões em Birigui, interior de São Paulo, segurando a mão de seu filho de três anos. Dois homens em uma motocicleta o abordaram. O garupa começou a atirar. Vitor caiu. O passageiro desceu do veículo e continuou disparando — pelo menos sete tiros no total — antes de fugir com o comparsa. A criança não foi atingida. Câmeras de segurança registraram tudo.
Vitor foi levado ao pronto-socorro municipal, mas seus ferimentos eram graves demais. Ele não sobreviveu. Deixou para trás um filho pequeno e uma morte que a polícia logo começaria a investigar como execução.
Os dois irmãos acusados de cometer o crime — um de 20 anos e outro de 18 — foram localizados nos dias seguintes. O mais velho foi encontrado em Birigui e se entregou sem resistência. O mais jovem estava em um condomínio de ranchos em Araçatuba, ainda com a motocicleta usada durante o ataque. Ambos foram presos.
Nesta segunda-feira, 3 de novembro, o juiz Heber Gualberto Mendonça da 2ª Vara Criminal de Birigui determinou que os dois irmãos serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão pode ser contestada em recurso. Enquanto isso, ambos permanecerão presos até que a data do julgamento seja marcada — um processo que pode levar meses.
O caso tem uma camada adicional de complexidade. Segundo investigações, um dos irmãos tinha uma desavença com Vitor relacionada ao descarte inadequado de lixo em uma caçamba. A disputa escalou para a Justiça, com o irmão movendo uma ação contra Vitor por lesão corporal grave. Quando foi preso, o advogado de defesa dos irmãos afirmou que eles negam completamente o homicídio. "Eles negam veementemente e falam 'por que eu teria motivo para matar uma pessoa que estou para ganhar a ação na Justiça de lesão corporal grave?'", disse o advogado em entrevista à época. "Estão sem entender. Dizem que não tem nada com o fato."
A defesa levanta uma questão que o júri terá de considerar: se um dos irmãos estava vencendo uma ação judicial contra Vitor, qual seria o motivo para matá-lo? A acusação, por sua vez, terá de provar que foram eles quem disparou os tiros naquela tarde de fevereiro — e as imagens de segurança, junto com outras evidências, serão centrais para isso.
O que permanece claro é que um homem de 33 anos está morto, e uma criança de três anos perdeu seu pai enquanto caminhavam juntos por uma rua comum de uma cidade do interior. O julgamento pelo Tribunal do Júri, quando acontecer, tentará responder quem foi responsável e por quê.
Notable Quotes
Eles negam veementemente e falam 'por que eu teria motivo para matar uma pessoa que estou para ganhar a ação na Justiça de lesão corporal grave?'— Advogado de defesa dos irmãos acusados