Irão interrompe ataques após pausa dos EUA em bombardeamentos

Pelo menos 13 civis mortos em ataques aéreos russos na Ucrânia; um marinheiro iraniano morto em ataque no Mar Cáspio; quatro civis palestinianos mortos em ataque de colonos na Cisjordânia; múltiplos feridos em operações militares em Gaza.
Quando os americanos pararam, o Irão também parou
A dinâmica de retaliação mútua entre EUA e Irão revela-se como um ciclo de ação-reação que ambos os lados controlam.
Mark

Porque é que o Irão parou os ataques quando os EUA pararam? Parece demasiado simples.

Mimi

É simples porque é exatamente isso. O Irão declarou que a sua estratégia se baseia na retaliação. Quando não há ataques americanos, não há razão para responder. É uma dinâmica de ação-reação.

Mark

Mas isso não é arriscado? E se os EUA retomarem os bombardeamentos de repente?

Mimi

Sim, é arriscado. Por isso é que Trump continua a falar com eles, mesmo enquanto ameaça. Ambos os lados parecem estar a testar os limites, a ver até onde podem ir sem desencadear uma escalada total.

Mark

O encontro entre Netanyahu e Trump parece importante. O que está realmente em jogo?

Mimi

Netanyahu quer que Trump o apoie contra o Tribunal Penal Internacional e que continue a permitir operações em Gaza e na Cisjordânia. Trump, por seu lado, quer manter o Irão contido sem uma guerra total que o distraia de outras prioridades.

Mark

E a Ucrânia nisto tudo? Parece estar a ser esquecida.

Mimi

Não está esquecida, mas está a ser usada. Zelensky está a tentar mostrar que a Rússia e o Irão estão aliados, que há um eixo de resistência global. Quer que Trump veja que ignorar a Ucrânia tem consequências regionais mais amplas.

Mark

A Rússia a receber tropas da Coreia do Norte — isso é um sinal de desespero?

Mimi

Ou de ambição. A Rússia está a ganhar experiência de combate que pode depois partilhar com a Coreia do Norte. É um acordo que beneficia ambos. Mas sim, também sugere que a Rússia está com dificuldades em mobilizar suficientes tropas próprias.

  • Irão interrompeu ataques contra vizinhos do Golfo após dois dias sem bombardeamentos norte-americanos
  • Netanyahu viaja a Washington para encontro com Trump na segunda-feira
  • Rússia atacou Ucrânia com 8 mísseis e 136 drones; 2 mísseis e 27 drones atingiram alvos
  • Zelensky estima 225 mil baixas militares russas em menos de sete meses de 2026
  • Rússia prorroga proibição de exportação de gasolina até final do ano

Exército iraniano declara que interrompeu operações contra vizinhos do Golfo porque EUA suspenderam bombardeamentos, confirmando dinâmica de retaliação mútua. Netanyahu viaja a Washington para encontro com Trump; Israel intensifica operações na Cisjordânia e Gaza, enquanto Rússia mantém ataques aéreos massivos na Ucrânia.

O Irão cessou ataques contra países vizinhos após dois dias sem bombardeamentos norte-americanos, confirmando estratégia baseada em retaliação. Tensões regionais persistem com operações militares em Gaza, Cisjordânia e conflitos no Iémen.

O Irão interrompeu os ataques contra os países vizinhos do Golfo. Não foi uma decisão estratégica de longo prazo, nem uma mudança de política. Foi uma pausa que espelhava outra pausa — a dos Estados Unidos, que deixaram de bombardear o território iraniano durante duas noites consecutivas.

Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano, explicou a lógica com clareza: a estratégia de Teerão assenta na retaliação. Quando os americanos pararam, o Irão também parou. Não houve ataques reivindicados contra o Golfo, nem alertas noturnos relatados pelos vizinhos. A dinâmica era simples e cíclica — um lado ataca, o outro responde, e quando um recua, o outro segue. Mas por baixo desta aparente contenção havia sinais de que algo estava a mudar. Os meios de comunicação especulavam sobre uma possível escassez de munições americanas após quase cinco meses de guerra contínua. O Presidente Donald Trump tinha ameaçado bombardeamentos ainda mais intensos contra o Irão na sexta-feira, mas o amanhecer de domingo não trouxe qualquer ataque anunciado.

Trump, porém, mantinha as portas abertas ao diálogo. "Na verdade, estamos a falar com eles neste momento", disse, referindo-se aos líderes iranianos. "Penso que estão a tornar-se cada vez mais sérios com o passar dos dias, talvez por uma razão óbvia", acrescentou, aludindo aos bombardeamentos norte-americanos. Segundo o New York Times, o Governo norte-americano estava preocupado com a escassez de sistemas de interceção de mísseis Patriot e outros equipamentos defensivos que protegem os países do Golfo. Havia também receios de uma escalada do conflito.

Mentretanto, em Washington, Benjamin Netanyahu preparava-se para um encontro com Trump na segunda-feira. O primeiro-ministro israelita viajava a convite do Presidente para participar do funeral do senador Lindsey Graham, mas o encontro prometia ser sobre muito mais do que isso. Netanyahu tinha falado com o secretário de Estado Marco Rubio sobre a campanha americana para desmantelar o Tribunal Penal Internacional. O primeiro-ministro israelita argumentava que o tribunal "põe em risco a justiça no mundo" e submetia a segurança dos países "às decisões de funcionários corruptos em Haia". Sobre a destituição do procurador Karim Khan por alegada conduta sexual imprópria, Netanyahu insinuou que o magistrado tinha emitido mandados de captura contra si e contra o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant para desviar a atenção das acusações que recaíam sobre ele.

Em Gaza e na Cisjordânia, as operações militares continuavam. Israel anunciou um exercício militar de grande escala no deserto do Negueve, com "intensa movimentação de forças de segurança, veículos e aeronaves", e alertou que seriam "ouvidos disparos e explosões na região". Netanyahu assegurou que Israel estava "preparado para agir de forma mais abrangente" na Cisjordânia. "As instruções que demos foram para entrar nas aldeias, revistá-las, apreender armas e efetuar detenções", admitiu aos jornalistas. O exército israelita revelou que tinha morto dois elementos do Hamas no norte de Gaza — Fares al-Masri, responsável do Hamas envolvido na produção de armas, e Muhammad Abu Shakian, membro das forças especiais Nukhba. Um palestiniano morreu após ser atingido por um drone israelita na zona de Al-Mawasi, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Espanha reiterou a "forte condenação da violência contínua perpetrada por colonos israelitas", referindo-se a um ataque à aldeia de Tal que resultou na morte de quatro civis palestinianos e dois colonos israelitas.

Na Ucrânia, a Rússia mantinha o ritmo de ataques aéreos massivos. Na noite anterior, tinha atacado com oito mísseis e 136 drones. As defesas aéreas ucranianas conseguiram abater ou neutralizar a maioria, mas dois mísseis balísticos e 27 drones atingiram 18 locais diferentes. Em Kiev, infraestruturas foram danificadas em três distritos, e três civis ficaram feridos. Em Kharkiv, um drone atingiu uma casa, matando uma pessoa e ferindo outras nove, incluindo duas crianças. O Presidente Volodymyr Zelensky estimava que a Rússia tinha sofrido mais de 225 mil baixas militares neste ano — um número superior aos 221 mil mobilizados para combater. Zelensky também acusava a Rússia de estar a ajudar o Irão, partilhando imagens de satélites de vigilância sobre os estados do Golfo e infraestruturas militares americanas. Segundo o Presidente ucraniano, havia uma correlação entre estas imagens e os ataques do Irão. Além disso, Zelensky avisava que a Rússia pretendia receber mais 30 mil tropas da Coreia do Norte e que Pyongyang estava a preparar a entrega de mísseis balísticos adicionais — uma ameaça que se estendia muito além da Ucrânia.

A Rússia, por seu lado, enfrentava problemas internos. Tinha prorrogado até ao final do ano a proibição da exportação de gasolina, após ataques ucranianos às refinarias. O vice-primeiro-ministro Alexandr Novak explicou que a medida visava evitar que as refinarias enfrentassem dificuldades devido ao excesso de oferta e à diminuição da capacidade de refinação. Quanto à proibição de exportação de gasóleo, seria levantada "à medida que o mercado se recupere".

No Iémen, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, rejeitava a via militar e apelava ao diálogo para pôr fim ao conflito. "Consideramos que não existe uma solução militar para a questão do Iémen", afirmou. Mas os rebeldes huthis continuavam a atacar, e Trump responsabilizava o Irão pelos ataques contra navios sauditas no mar Vermelho. A região permanecia num estado de tensão permanente, com múltiplas frentes de conflito abertas e nenhuma solução visível no horizonte.

Nas últimas duas noites, os americanos suspenderam os seus ataques. Como a nossa estratégia se baseia essencialmente na retaliação, também interrompemos as nossas operações
— Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano
Na verdade, estamos a falar com eles neste momento. Penso que estão a tornar-se cada vez mais sérios com o passar dos dias
— Donald Trump, Presidente dos EUA
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