Irão e Israel resistem a pressão de Trump para resolver crise no Médio Oriente

Milhões de civis em Gaza enfrentam impasse humanitário contínuo; população regional sob risco de escalada militar com potencial para conflito alargado.
Teerão muda de defensiva para totalmente ofensiva
Fonte sénior iraniana revela mudança estratégica após falha das negociações com os EUA.
Mark

Porque é que o Irão diz que o memorando foi violado se os 60 dias ainda não tinham terminado?

Mimi

Porque as hostilidades recomeçaram menos de três semanas depois da assinatura. O Irão argumenta que os EUA nunca cumpriram as suas obrigações — não levantaram as restrições ao petróleo, não abriram o estreito de Ormuz como prometido. Para Teerão, o prazo é irrelevante quando a outra parte já quebrou o acordo.

Mark

Netanyahu diz que o Hamas deve agir primeiro. O Hamas diz que Netanyahu deve ser pressionado. Como é que isto se resolve?

Mimi

Não se resolve enquanto ambos exigirem que o outro se mova primeiro. Netanyahu tem eleições em outubro e precisa de parecer forte. O Hamas não pode desarmar-se sem garantias. Kushner está no meio, mas não tem alavanca suficiente para quebrar o impasse.

Mark

Trump ameaça bombardear Omã. Isso não é uma escalada perigosa?

Mimi

É uma ameaça que revela a frustração. Omã está a tentar negociar a navegação no estreito de Ormuz com o Irão, sem os EUA. Trump vê isso como interferência. Mas a ameaça também mostra que ele está disposto a usar força militar para impor a sua vontade.

Mark

O que muda quando o Irão passa de defensivo para ofensivo?

Mimi

Muda tudo. Defensivo significa esperar, responder a provocações. Ofensivo significa tomar a iniciativa, atacar primeiro. Teerão está a dizer que se a diplomacia falhar, vai agir — ataques militares no estreito, bloqueio de navios, escalada regional.

Mark

Porque é que Gaza continua preso nisto tudo?

Mimi

Porque é o ponto de fricção que ninguém consegue resolver. Israel quer segurança, o Hamas quer governação, os civis querem paz. Mas enquanto Netanyahu estiver preocupado com eleições e o Hamas recusar desarmar-se sem garantias, Gaza fica congelado no impasse.

  • O prazo de negociações entre Irão e EUA expirou a 17 de agosto sem qualquer acordo, com Teerão a acusar Washington de ter violado o memorando assinado em junho logo após a sua assinatura.
  • O Irão abandonou formalmente uma postura defensiva e anunciou uma estratégia 'totalmente ofensiva', ameaçando ataques militares no estreito de Ormuz caso o bloqueio naval norte-americano persista.
  • Trump respondeu ameaçando bombardear Omã se o país 'atrapalhar' as negociações sobre o estreito, revelando uma impaciência crescente com soluções que escapem ao controlo de Washington.
  • Em Jerusalém, Netanyahu rejeitou o plano de paz de 15 pontos para Gaza por razões eleitorais, exigindo que o Hamas aja primeiro e recusando qualquer retirada israelita antes do desarmamento completo do grupo.
  • Milhões de civis em Gaza permanecem reféns de um impasse em que cada parte exige que a outra dê o primeiro passo, enquanto a região inteira se aproxima de um ponto de rutura.

No dia 17 de agosto, o prazo de sessenta dias para um acordo entre o Irão e os Estados Unidos expirou sem resolução, revelando não apenas a fragilidade da diplomacia contemporânea, mas a profunda desconfiança que separa as partes. Em Teerão, a linguagem da negociação cedeu lugar à da escalada ofensiva; em Jerusalém, o cálculo eleitoral sobrepôs-se ao imperativo humanitário. O Médio Oriente encontra-se, uma vez mais, suspenso entre a possibilidade da paz e a iminência do conflito.

O prazo expirou numa segunda-feira de agosto sem qualquer resolução. Sessenta dias tinham sido concedidos ao Irão e aos Estados Unidos para negociarem um acordo permanente — tempo que terminou a 17 de agosto marcado não por avanços, mas por uma troca de ameaças que confirmou o quanto a paz no Médio Oriente permanece distante.

Em Teerão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros rejeitou a própria relevância do prazo. Esmail Baghaei acusou Washington de ter violado sistematicamente o memorando assinado em junho pelos presidentes Trump e Pezeshkian, argumentando que as negociações nunca chegaram sequer a começar. O acordo previa um cessar-fogo, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento das restrições ao comércio de petróleo iraniano — condições que, segundo Teerão, nunca foram cumpridas. A mudança de tom foi abrupta: uma fonte sénior da administração iraniana revelou que o país havia decidido adotar uma estratégia 'totalmente ofensiva', prometendo um ataque militar 'oportuno e preciso' caso o bloqueio naval norte-americano persistisse.

Do outro lado do Atlântico, Trump respondeu ameaçando bombardear Omã caso o país 'atrapalhasse' um acordo sobre o estreito — revelando uma impaciência crescente com qualquer solução que não fosse inteiramente controlada por Washington, mesmo enquanto Mascate e Teerão negociavam bilateralmente a gestão do tráfego marítimo.

Em Jerusalém, a situação era igualmente intratável. Jared Kushner reuniu-se com Netanyahu durante quatro horas, acompanhado por Nikolai Mladenov e Tony Blair, para tentar fazer avançar a segunda fase do plano de paz de 15 pontos para Gaza. O resultado foi apenas o acordo de criar dois grupos de trabalho. Netanyahu insistiu que Israel não se retiraria de Gaza antes do desarmamento completo do Hamas e que avançar com o plano era politicamente 'problemático' antes das eleições de outubro. Kushner pressionou-o para que 'não criasse obstáculos' — mas o gabinete israelita classificou as conversações como 'profundas e construtivas', linguagem que mascarava a ausência de qualquer compromisso real.

No domingo anterior, Kushner tinha encontrado pela primeira vez Khalil al-Hayya, o novo líder do Hamas, no Egito, exigindo desarmamento verificável e renúncia ao poder em Gaza. O Hamas respondeu pedindo pressão sobre Netanyahu. Netanyahu exigia que o Hamas agisse primeiro. O impasse era total — e milhões de civis em Gaza permaneciam presos num conflito sem fim à vista.

O prazo expirou numa segunda-feira de agosto sem qualquer resolução à vista. Sessenta dias tinham sido concedidos ao Irão e aos Estados Unidos para negociarem um acordo permanente — tempo que terminou no dia 17, marcado não por avanços diplomáticos, mas por uma troca de ameaças que deixou claro que a paz no Médio Oriente permanecia tão distante quanto antes.

Em Teerão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros rejeitou a própria relevância do prazo que se esgotava. Esmail Baghaei acusou Washington de ter violado sistematicamente o memorando assinado a 17 de junho pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. Segundo o diplomata iraniano, as negociações nunca chegaram sequer a começar porque os Estados Unidos cometeram «violações flagrantes e generalizadas» do acordo poucos dias após a sua assinatura. O memorando previa um cessar-fogo, a reabertura do estreito de Ormuz, e — conforme Teerão argumenta — o levantamento das restrições ao comércio de petróleo iraniano e do bloqueio aos portos e navios do país. Nenhuma destas condições foi cumprida. As hostilidades foram retomadas menos de três semanas depois, num contexto de divergências sobre quem controlaria a navegação naquele estreito vital.

A mudança de tom em Teerão foi abrupta. Uma fonte sénior da administração iraniana revelou à Reuters que o país havia decidido abandonar uma postura defensiva e adotar uma estratégia «totalmente ofensiva». As entidades iranianas deveriam estar preparadas para uma escalada de tensões não apenas no estreito de Ormuz, mas em toda a região. Teerão prometeu um ataque militar «oportuno e preciso» caso a diplomacia continuasse a falhar e o bloqueio naval norte-americano persistisse.

Do outro lado do Atlântico, Donald Trump respondeu com a sua própria ameaça. Numa entrevista à Fox News, o presidente dos EUA advertiu que bombardearia Omã caso o país «atrapalhe» um acordo sobre o estreito de Ormuz. Mascate e Teerão estavam a negociar, sem participação norte-americana, a gestão do tráfego marítimo naquela passagem. O Irão afirmava já ter alcançado um entendimento sobre as rotas de navegação e estar a trabalhar num «pacote» mais abrangente com Omã. A ameaça de Trump sugeria uma impaciência crescente com qualquer solução que não fosse inteiramente controlada por Washington.

Em Jerusalém, a situação era igualmente intratável. Jared Kushner, genro de Trump e enviado especial da Casa Branca, reuniu-se com Benjamin Netanyahu para tentar fazer avançar a segunda fase do plano de paz de 15 pontos para Gaza. Acompanhavam-no Nikolai Mladenov, alto representante para Gaza no Conselho de Paz — um órgão criado por Trump para aplicar o plano — e Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico escolhido para integrar o conselho. Após quatro horas de discussão, a reunião produziu apenas o acordo de criar dois grupos de trabalho: um sobre desarmamento e desmilitarização de Gaza, outro sobre saneamento, água potável e saúde pública.

Netanyahu manteve a sua posição intransigente. Segundo fontes israelitas, o primeiro-ministro insistiu que Israel não se retiraria de Gaza até que o Hamas fosse completamente desarmado. Mais significativamente, Netanyahu argumentou que avançar com o plano era politicamente «problemático» antes das eleições de 27 de outubro em Israel. Exigiu que o Hamas tomasse medidas primeiro. Kushner, por seu lado, pressionou Netanyahu para que «não criasse obstáculos» à implementação do plano, incluindo a retirada gradual das Forças de Defesa de Israel do enclave. O gabinete de Netanyahu classificou as conversações como «profundas e construtivas» — linguagem diplomática que mascarava a ausência de qualquer compromisso real.

No domingo anterior, Kushner tinha tido um encontro inédito de duas horas com Khalil al-Hayya, o novo líder do Hamas, no Egito. O norte-americano insistiu que o grupo adotasse medidas verificáveis de desarmamento e renunciasse a qualquer papel na governação de Gaza. O Hamas respondeu que estava empenhado no plano, mas defendeu que houvesse pressão sobre Netanyahu. Era uma posição que Netanyahu rejeitava: o primeiro-ministro israelita insistia que o Hamas deveria agir primeiro.

O impasse era total. Três semanas antes do fim do prazo de negociações com o Irão, as hostilidades tinham sido retomadas. Netanyahu recusava-se a aceitar o plano de paz para Gaza por razões eleitorais. Trump ameaçava bombardear Omã. Teerão preparava-se para uma escalada ofensiva. Milhões de civis em Gaza permaneciam presos num conflito sem fim à vista, enquanto a região inteira se aproximava de um ponto de ruptura.

O prazo de 60 dias para as negociações é irrelevante. A implementação está completamente paralisada pelas flagrantes violações dos Estados Unidos.
— Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano
Se Omã se intrometer, vamos bombardeá-los.
— Donald Trump, presidente dos EUA
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