Irã fecha parcialmente Estreito de Ormuz durante negociações nucleares com EUA

Protestos de rua no Irã desde junho foram reprimidos com custo de milhares de vidas; crise no custo de vida afeta população iraniana.
O exército mais forte às vezes leva um tapa tão forte que não consegue se levantar
Resposta do líder supremo iraniano à ameaça de mudança de regime feita por Trump.

Enquanto diplomatas americanos e iranianos se reuniam em Genebra para negociar o futuro nuclear do Irã, a Guarda Revolucionária fechava parcialmente o Estreito de Ormuz — a artéria petrolífera mais vital do planeta. O gesto, descrito como exercício militar, era também uma linguagem: a de um país que, mesmo sob pressão, recusa negociar sem lembrar ao mundo o custo de um fracasso. A história do Oriente Médio conhece bem esse equilíbrio frágil entre a mesa de negociações e a sombra da força.

  • A Guarda Revolucionária iraniana fechou parcialmente o Estreito de Ormuz por horas, bloqueando um quinto do fluxo global de petróleo bruto — precisamente enquanto negociadores se sentavam em Genebra.
  • Trump ameaçou 'mudança de regime' e confirmou que forças americanas se preparam para semanas de operações caso as negociações fracassem, enquanto Khamenei advertiu que até o exército mais forte pode 'levar um tapa do qual não consegue se levantar'.
  • Desde os bombardeios israelenses e americanos de junho contra instalações nucleares iranianas, protestos internos explodiram no Irã, reprimidos com violência e milhares de mortes, expondo a fragilidade do regime diante de sua própria população.
  • As conversas em Genebra, mediadas por Omã, giram em torno de um nó central: os EUA exigem restrições ao enriquecimento de urânio, e o Irã exige o levantamento das sanções que estrangulam sua economia — sem confiança mútua suficiente para ceder primeiro.

Enquanto negociadores americanos e iranianos se reuniam nesta terça-feira em Genebra, mediados por Omã, a Guarda Revolucionária iraniana anunciava o fechamento parcial do Estreito de Ormuz por algumas horas, sob pretexto de exercícios militares. O timing não era coincidência: o estreito é a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo, e um bloqueio total interromperia um quinto do fluxo global de petróleo bruto. Teerã enviava uma mensagem antes mesmo de qualquer acordo ser esboçado.

Na mesa estavam os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner e o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araqchi. O pano de fundo era sombrio: em junho, Israel e os EUA haviam bombardeado instalações nucleares iranianas com bombardeiros B-2. Desde então, o Irã afirma ter suspendido o enriquecimento de urânio, mas a desconfiança permanece intacta. Washington e Tel Aviv temem que Teerã aspire a uma arma nuclear; o Irã insiste que seu programa é civil, embora tenha enriquecido urânio muito além do necessário para energia.

Trump, que ordenou o envio de uma força de combate à região, disse estar envolvido 'indiretamente' e sugeriu que uma mudança de regime no Irã poderia ser benéfica. O aiatolá Khamenei respondeu com uma advertência velada sobre as consequências de subestimar o Irã. Enquanto isso, dentro do país, protestos contra a crise do custo de vida — agravada pelas sanções internacionais — foram reprimidos com violência desde junho, custando milhares de vidas.

Uma autoridade iraniana disse à Reuters que o sucesso das negociações dependia de os EUA não fazerem exigências irrealistas e demonstrarem disposição real em suspender as sanções. As Forças Armadas americanas, segundo duas autoridades, já se preparavam para semanas de operações caso Trump ordenasse um ataque. A reunião ocorreu na residência do embaixador de Omã, com segurança pesada e carros diplomáticos iranianos estacionados do lado de fora — um cenário que resumia, em silêncio, toda a ambiguidade do momento.

Enquanto negociadores americanos e iranianos se sentavam em Genebra nesta terça-feira para discutir o futuro do programa nuclear iraniano, a Guarda Revolucionária do Irã anunciava que fecharia parcialmente o Estreito de Ormuz por algumas horas. A agência de notícias semioficial Fars descreveu o movimento como "precauções de segurança" durante exercícios militares — um gesto que, mesmo breve, carregava peso considerável. O estreito é a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo. Um fechamento total bloquearia um quinto de todo o fluxo global de petróleo bruto e dispararia os preços internacionais. Teerã já havia ameaçado essa medida no passado como resposta a um ataque.

O timing não era acidental. Apenas horas após as negociações começarem em Genebra, mediadas por Omã, o Irã enviava uma mensagem clara: tinha capacidade de infligir dor econômica global. Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner estavam na mesa com o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araqchi, discutindo restrições ao enriquecimento de urânio e o levantamento de sanções econômicas que estrangulam a receita petrolífera iraniana.

O contexto dessa conversa era tenso. Em junho, Israel e os Estados Unidos haviam lançado uma campanha de bombardeios contra instalações nucleares iranianas, com bombardeiros B-2 americanos participando dos ataques. Desde então, o Irã afirmou ter suspendido suas atividades de enriquecimento de urânio. Mas a desconfiança permanecia profunda. Washington e Tel Aviv acreditam que o Irã aspira construir uma arma nuclear que ameaçaria a existência de Israel. O Irã insiste que seu programa é puramente civil, embora tenha enriquecido urânio muito além do necessário para energia e próximo do necessário para uma bomba.

O presidente Donald Trump, que havia ordenado o envio de uma força de combate para a região, afirmou estar envolvido "indiretamente" nas negociações e sugeriu que uma "mudança de regime" no Irã poderia ser benéfica. "Não acho que eles queiram as consequências de não fazer um acordo", disse ele a repórteres no Air Force One. "Poderíamos ter feito um acordo em vez de enviar os B-2s para destruir seu potencial nuclear."

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, respondeu através da mídia estatal com uma advertência velada. "O presidente dos EUA diz que seu exército é o mais forte do mundo, mas o exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar", disse ele. A república islâmica, governada por clérigos desde 1979, não estava em posição de negociar a partir de fraqueza — ou assim queria parecer.

Mas havia sinais de pressão interna. Desde os bombardeios de junho, protestos de rua explodiram no Irã contra a crise do custo de vida, alimentada em parte pelas sanções internacionais que sufocam a economia. Esses protestos foram reprimidos com violência, custando milhares de vidas. Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters que o sucesso das negociações dependia de os EUA não fazerem exigências irrealistas e de sua disposição genuína em suspender as sanções.

O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que garante aos países o direito de desenvolver energia nuclear civil em troca da renúncia às armas atômicas. Mas a confiança entre as partes havia se desintegrado. As Forças Armadas americanas, segundo duas autoridades, estavam se preparando para a possibilidade de semanas de operações contra o Irã caso Trump ordenasse um ataque. A reunião em Genebra ocorreu na residência do embaixador de Omã, cercada por segurança pesada, com carros de placas diplomáticas iranianas estacionados do lado de fora. O que aconteceria a seguir dependeria de se ambos os lados conseguissem encontrar terreno comum — ou se a retórica de força prevaleceria.

Não acho que eles queiram as consequências de não fazer um acordo. Poderíamos ter feito um acordo em vez de enviar os B-2s para destruir seu potencial nuclear.
— Donald Trump, presidente dos EUA
O exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar.
— Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Irã fechou o estreito justo quando as negociações começavam? Parecia uma ameaça.

Model

Era e não era. Tecnicamente foram exercícios militares de rotina, mas o timing enviava uma mensagem: o Irã tem alavancas que pode puxar. Um fechamento total bloquearia um quinto do petróleo mundial.

Inventor

E os americanos? Trump estava envolvido nas negociações?

Model

Indiretamente, segundo ele próprio. Witkoff e Kushner estavam em Genebra, mas Trump estava no Air Force One falando sobre mudança de regime. Era uma negociação com duas vozes americanas diferentes.

Inventor

O Irã realmente suspendeu o enriquecimento de urânio?

Model

Afirmou ter feito isso após os bombardeios de junho. Mas ninguém sabe se é verdade. O urânio que enriqueceram está próximo do necessário para uma bomba, e a desconfiança é mútua.

Inventor

Qual era a pressão interna no Irã?

Model

Protestos de rua desde junho, reprimidos com violência. Milhares morreram. A economia está em crise por causa das sanções. Os líderes iranianos precisavam de um acordo para aliviar a pressão, mas não podiam parecer fracos.

Inventor

Então ambos os lados queriam negociar?

Model

Queriam, mas de posições muito diferentes. O Irã queria sanções levantadas. Os EUA queriam garantias nucleares. E Trump estava preparando o exército para semanas de operações caso as negociações falhassem.

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