Há 66 milhões de anos, um objeto vindo das franjas mais remotas do Sistema Solar pôs fim ao reinado dos dinossauros — e durante todo esse tempo, a pergunta sobre a sua origem permaneceu em aberto. Dois investigadores de Harvard propõem agora que foi Júpiter, o gigante silencioso, quem desviou esse cometa da nuvem de Oort em direção ao Sol, onde as forças de maré o despedaçaram e lançaram os seus fragmentos contra a Terra. A teoria não apenas reescreve a origem do Chicxulub, mas eleva em dez vezes a probabilidade estimada de impactos catastróficos, lembrando-nos que o cosmos continua a ser um a
Investigadores de Harvard propõem nova origem para asteróide que extinguiu dinossauros
Júpiter actua como uma máquina de pinball cósmica
Como é que Júpiter consegue desviar um cometa que vem de tão longe?
A gravidade de Júpiter actua como um campo invisível. Quando um cometa passa perto do planeta, a atracção gravitacional muda a sua trajectória — é como uma bola de bilhar que bate noutra e muda de direcção. Mas em vez de uma colisão, é uma influência à distância.
E depois o cometa vai em direcção ao Sol?
Exactamente. Alguns cometas são desviados para órbitas que os levam muito perto da nossa estrela. E é aí que as coisas se tornam violentas. O Sol não puxa uniformemente — puxa mais forte no lado mais próximo.
Isso causa a fragmentação?
Sim. A diferença de força entre o lado próximo e o lado distante é tão grande que literalmente despedaça o cometa. Imagine um objeto sendo esticado até ao ponto de ruptura. É isso que acontece.
E esses fragmentos podem atingir a Terra?
Podem, e a teoria sugere que o fazem com mais frequência do que pensávamos. Talvez uma vez a cada 250 a 730 milhões de anos. O Chicxulub foi um desses fragmentos.
Como é que sabem que a teoria está correcta?
Procuram pistas na composição das crateras antigas. Se a teoria está certa, as crateras gigantes devem ter uma assinatura química específica — e têm. Encontram-na no Chicxulub, na cratera Vredefort, noutras. É como encontrar a mesma impressão digital em múltiplos locais de crime.
E se outro asteróide assim vier?
Essa é a razão pela qual isto importa agora. Compreender o mecanismo significa que podemos estar mais preparados. Não é apenas história — é também segurança futura.
El Pulso
- Uma nova teoria de Harvard desafia décadas de consenso científico ao propor que o asteróide Chicxulub não veio do cinturão entre Marte e Júpiter, mas das profundezas geladas da nuvem de Oort.
- Júpiter, longe de ser um escudo protetor, teria funcionado como uma 'máquina de pinball' cósmica, desviando cometas para trajetórias fatais em direção ao Sol e, eventualmente, à Terra.
- A força de maré solar fragmenta esses cometas em pedaços menores e imprevisíveis, aumentando em dez vezes a probabilidade de impactos do tamanho do Chicxulub — eventos que ocorrem a cada 250 a 730 milhões de anos.
- A composição de condrito carbonáceo encontrada na cratera Chicxulub e em outras crateras gigantes ao redor do mundo corrobora a teoria, oferecendo evidências físicas além das simulações computacionais.
- O Observatório Vera Rubin, no Chile, previsto para operar em 2022, poderá confirmar ou refutar a teoria ao observar diretamente a fragmentação de cometas de longo período próximos ao Sol.
Há 66 milhões de anos, um objeto vindo das franjas mais remotas do Sistema Solar pôs fim ao reinado dos dinossauros — e durante todo esse tempo, a pergunta sobre a sua origem permaneceu em aberto. Dois investigadores de Harvard propõem agora que foi Júpiter, o gigante silencioso, quem desviou esse cometa da nuvem de Oort em direção ao Sol, onde as forças de maré o despedaçaram e lançaram os seus fragmentos contra a Terra. A teoria não apenas reescreve a origem do Chicxulub, mas eleva em dez vezes a probabilidade estimada de impactos catastróficos, lembrando-nos que o cosmos continua a ser um agente ativo na história da vida terrestre.
Há 66 milhões de anos, um asteróide chamado Chicxulub colidiu com a Terra perto da costa do México, deixando uma cicatriz de proporções continentais e eliminando aproximadamente três quartos de todas as espécies do planeta, incluindo os dinossauros. A questão de onde veio esse objeto sempre intrigou a ciência. Agora, Avi Loeb e Amir Siraj, da Universidade de Harvard, propõem uma resposta que muda o enquadramento do problema.
Segundo a teoria, o Chicxulub originou-se na nuvem de Oort, uma esfera de detritos nos confins do Sistema Solar. Ao aproximar-se do interior do sistema, o cometa passou perto de Júpiter, cujo campo gravitacional o desviou em direção ao Sol. Conforme se aproximava da nossa estrela, as forças de maré despedaçaram o cometa em fragmentos menores, alguns dos quais cruzaram a órbita da Terra — e estatisticamente, alguns a atingiram.
Os cálculos dos investigadores são significativos: a teoria eleva em dez vezes a probabilidade estimada de impactos catastróficos, sugerindo que eventos do tamanho do Chicxulub ocorrem a cada 250 a 730 milhões de anos. A teoria também prevê que esses impactadores gigantes devem ter composição de condrito carbonáceo — e é exatamente isso o que os cientistas encontraram ao analisar a cratera Chicxulub, a cratera Vredefort na África do Sul e a cratera Zhamanshin no Cazaquistão.
Para Loeb, compreender o Chicxulub é também uma questão de preparação para o futuro. A teoria será testada pelo Observatório Vera Rubin, no Chile, que ao entrar em operação em 2022 poderá observar diretamente a fragmentação de cometas próximos ao Sol, confirmando ou refutando a mecânica descrita no estudo, publicado na revista Scientific Reports.
Há 66 milhões de anos, um asteróide chamado Chicxulub colidiu com a Terra perto da costa do México, deixando uma cicatriz de 149 quilómetros de largura e 19 quilómetros de profundidade. O impacto foi catastrófico: eliminou aproximadamente três quartos de todas as espécies de plantas e animais do planeta, incluindo os dinossauros que dominavam a Terra há centenas de milhões de anos. Mas durante séculos, os cientistas debateram uma questão fundamental: de onde veio este objeto destruidor, e como é que conseguiu atingir o nosso planeta?
Agora, dois investigadores da Universidade de Harvard propõem uma resposta. Avi Loeb, professor de ciência, e Amir Siraj, investigador de astrofísica, desenvolveram uma teoria que rastreia a origem do Chicxulub até à nuvem de Oort, uma esfera de detritos que orbita nos confins do Sistema Solar, muito além de Plutão. Segundo a sua análise, baseada em simulações gravitacionais e cálculos estatísticos, o asteróide não começou a sua jornada fatal por acaso. Em vez disso, foi Júpiter que o colocou no caminho da destruição.
A mecânica é elegante e perturbadora. Quando um cometa de longo período sai da nuvem de Oort e se aproxima do Sistema Solar interior, pode passar perto de Júpiter. O gigante gasoso, com a sua imensa gravidade, funciona como uma máquina de pinball cósmica, desviando estes corpos celestes para trajectórias novas e perigosas. Alguns são enviados em direcção ao Sol. E aqui é onde a física se torna verdadeiramente violenta. Conforme o cometa se aproxima da nossa estrela, a força gravitacional do Sol não actua uniformemente sobre ele. O lado mais próximo do Sol sente uma atracção muito mais forte do que o lado mais distante. Esta diferença de força — conhecida como força de maré — literalmente despedaça o cometa em fragmentos menores. Estes pedaços, agora soltos e em trajectórias impredizíveis, cruzam a órbita da Terra. E estatisticamente, alguns deles a atingem.
Os números que Loeb e Siraj calcularam são impressionantes. A sua teoria aumenta a probabilidade de um cometa de longo período impactar a Terra por um factor de cerca de dez vezes em relação às estimativas anteriores. Isto significa que impactos do tamanho do Chicxulub — eventos verdadeiramente catastróficos — ocorrem aproximadamente uma vez a cada 250 a 730 milhões de anos. A teoria também prevê que cerca de 20% de todos os cometas de longo período se tornam o que os investigadores chamam de "pastores solares", cometas que passam extraordinariamente perto do Sol antes de se fragmentarem.
Mas a teoria de Harvard não é apenas especulativa. Oferece previsões testáveis. Uma delas diz respeito à composição química dos asteróides gigantes. A teoria prevê que crateras do tamanho de Chicxulub na Terra têm maior probabilidade de ter sido causadas por asteróides com uma composição de condrito carbonáceo — um tipo primitivo de rocha cósmica — do que seria esperado se estes impactadores viessem do cinturão de asteróides convencional entre Marte e Júpiter. Apenas cerca de um décimo dos asteróides do cinturão principal têm esta composição, mas presume-se que a maioria dos cometas de longo período a tenham. Quando os cientistas examinaram a cratera Chicxulub e outras crateras semelhantes na Terra, encontraram exactamente este tipo de composição. O mesmo acontece com a cratera Vredefort na África do Sul, a maior cratera de impacto conhecida na história terrestre, e com a cratera Zhamanshin no Cazaquistão.
Loeb explica a importância desta descoberta com clareza: compreender o Chicxulub não é apenas resolver um mistério antigo. É também uma questão de preparação. Se um evento deste tipo ameaçar a Terra novamente — e a teoria sugere que pode — precisamos de compreender como e por que ocorrem. "O nosso artigo fornece uma base para explicar a ocorrência desse evento," disse Loeb. "Estamos a sugerir que, na verdade, se se quebrar um objeto conforme se aproxima do sol, isso pode gerar a taxa de eventos apropriada e também o tipo de impacto que matou os dinossauros."
A teoria será testada nos próximos anos de várias formas. Os cientistas podem estudar mais crateras na Terra e até na Lua para determinar a composição dos asteróides que as criaram. Mas talvez o teste mais directo virá do Observatório Vera Rubin, no Chile, que deverá ficar operacional em 2022. Este telescópio avançado será capaz de observar directamente a fragmentação de cometas de longo período conforme se aproximam do Sol, confirmando ou refutando a mecânica que Loeb e Siraj descrevem. O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports, abrindo um novo capítulo na nossa compreensão de como o universo moldou a história da vida na Terra.
Citas Notables
Júpiter empurra estes cometas de longo período que chegam em órbitas que os trazem muito perto do Sol— Amir Siraj, investigador de astrofísica
O nosso artigo fornece uma base para explicar a ocorrência desse evento e o tipo de impacto que matou os dinossauros— Avi Loeb, professor de ciência na Universidade de Harvard