Easton LaChappelle transformou experimentos caseiros com LEGO e motores em prótese funcional controlada por sinais musculares após seis anos de desenvolvimento. Momo Sutton, que usava dispositivos limitados desde os 4 anos, recebeu braço espelhado do seu membro esquerdo, pesando 450 gramas com dedos flexíveis e articulações individuais.
Inventor que começou com LEGO cria braço robótico impresso em 3D para menina de 10 anos
Acabei de dar high-five em todo mundo. Essa é minha coisa favorita até agora
Por que um adolescente no Colorado decidiu montar uma mão mecânica com LEGO?
Ele estava curioso sobre como as coisas funcionavam. Desmontava aparelhos, buscava informações na internet, conversava com profissionais do outro lado do mundo. Era diversão, era aprendizado. Ninguém lhe disse que deveria fazer isso.
E então ele conheceu uma menina usando uma prótese cara que quase não funcionava?
Exatamente. Aquele encontro mudou tudo. Ele percebeu que o braço que havia montado no quarto, por algumas centenas de dólares, fazia muito mais do que dispositivos que custavam oitenta mil. Aquela conversa o redirecionou completamente.
Como ele conseguiu criar algo tão preciso para Momo?
Começou simples: uma câmera de cem dólares escaneando o braço esquerdo dela em casa. Depois projetou uma versão espelhada. Impressão 3D. Eletrodos para captar sinais musculares. Cada detalhe pensado para aquela menina específica.
E o que Momo fez quando recebeu o braço?
Testou gestos. High-fives para todo mundo. Formou um coração com as duas mãos. Segurou um garfo. Coisas que pareciam simples, mas que antes eram impossíveis para ela. A reação dela foi registrada, e aquela experiência ajudou a desenvolver a tecnologia que a empresa usa até hoje.
Então o trabalho com uma criança levou a um produto comercial?
Sim. A experiência com Momo mostrou o que funcionava, o que importava de verdade. Seis anos depois, a empresa lançou o TrueLimb, uma prótese que usa os mesmos princípios: escaneamento remoto, personalização, impressão 3D. Menos visitas a clínicas, mais acessibilidade.
Qual é a lição aqui?
Que a inovação não precisa começar em um laboratório profissional. Pode começar com LEGO no quarto de um adolescente. E que ouvir o que uma pessoa realmente precisa — não o que a indústria diz que ela precisa — muda tudo.
The Pulse
- Easton LaChappelle começou aos 14 anos montando uma mão com LEGO, linha de pesca e motores de aeromodelos
- Momo Sutton recebeu o protótipo em julho de 2017, aos 10 anos, pesando 450 gramas com dedos articulados
- O braço foi criado espelhando o membro esquerdo de Momo, escaneado com câmera de US$ 100 em sua casa na Flórida
- A Unlimited Tomorrow lançou comercialmente o TrueLimb em 2020, baseado nos métodos desenvolvidos com Momo
Easton LaChappelle transformou experimentos caseiros com LEGO e motores em prótese funcional controlada por sinais musculares após seis anos de desenvolvimento. Momo Sutton, que usava dispositivos limitados desde os 4 anos, recebeu braço espelhado do seu membro esquerdo, pesando 450 gramas com dedos flexíveis e articulações individuais.
Jovem inventor que começou com LEGO aos 14 anos desenvolveu prótese biônica personalizada com dedos articulados, permitindo menina com diferença congênita realizar movimentos antes impossíveis.
Easton LaChappelle tinha 14 anos quando decidiu montar uma mão mecânica no quarto de sua casa no Colorado rural, usando peças de LEGO, linha de pesca, tubos elétricos e motores de aeromodelos. Ninguém o ensinava formalmente. Ele desmontava rádios e fornos de micro-ondas para entender como funcionavam, buscava informações abertas na internet e conversava por e-mail e videochamada com profissionais de outros países que, muitas vezes, nem sabiam estar orientando um adolescente do interior americano. Seis anos depois, aquele experimento caseiro se transformaria em uma prótese biônica que permitiria a uma menina de dez anos fazer gestos que antes lhe eram impossíveis: cumprimentar alguém com um high-five, formar um coração com as duas mãos, segurar um garfo.
Momo Sutton nasceu com uma diferença congênita no braço direito, que terminava pouco abaixo do cotovelo. Desde os quatro anos, ela usava dispositivos com movimentos muito limitados — basicamente abriam e fechavam, presos por correias que passavam pelas costas e ombro. Custavam cerca de oitenta mil dólares e, mesmo assim, ela raramente os usava fora de situações específicas como andar de bicicleta. O encontro que mudaria tudo aconteceu durante uma feira científica, quando LaChappelle conheceu uma menina usando uma dessas próteses caras e pouco funcionais. Conversando com os pais dela, descobriu que o braço que ele havia montado no próprio quarto, por algumas centenas de dólares, conseguia executar movimentos muito mais variados. Aquela conversa o redirecionou. Ele adiou a entrada na faculdade, estudou impressão 3D, sistemas eletrônicos e comandos musculares, conversou com pessoas que viviam com diferenças nos membros para entender quais funções importavam de verdade. Em 2014, fundou a Unlimited Tomorrow com apoio financeiro inicial do empresário Tony Robbins.
Momo conheceu Zachary Hurst, presidente da organização sem fins lucrativos M.U.C.H. Foundation, durante um evento de atendimento ortopédico pediátrico. Quando perguntaram o que ela gostaria de fazer, respondeu que queria um braço com dedos móveis. Hurst conhecia o trabalho de LaChappelle e ajudou a aproximar a família do inventor. A equipe não escaneou todo o corpo da menina. Usaram uma câmera de aproximadamente cem dólares conectada a um computador para registrar apenas o braço esquerdo dela, na sala de sua casa na Flórida. Aquele membro saudável serviria como referência para as dimensões e a aparência da prótese que seria instalada no lado direito. LaChappelle projetou uma versão espelhada do braço esquerdo de Momo. As peças foram produzidas por impressão 3D com resina curada por luz ultravioleta.
O resultado pesava menos de 450 gramas e possuía dedos flexíveis com articulações individuais. As unhas foram modeladas para acompanhar as características das mãos de Momo — não era apenas funcional, era pessoal. Os dedos podiam ficar flexíveis ao bater em um obstáculo, mas mantinham força suficiente para segurar objetos. Três eletrodos colocados na parte superior do dispositivo captavam a atividade dos músculos do braço. Quando Momo contraía uma região específica, enviava um comando ao sistema que movimentava os dedos. A lógica era baseada em repetição e aprendizado: conforme a menina associasse determinada contração a um movimento visível da mão, o controle se tornaria mais natural com o uso. Um botão instalado no braço funcionava como alternativa quando os eletrodos não estavam conectados ou quando suor e calor dificultavam a leitura muscular. Um toque aproximava o indicador do polegar; outro fazia os dedos se fecharem em direção à palma. O sistema também monitorava a força aplicada ao tocar um objeto, impedindo que a prótese apertasse um copo com intensidade suficiente para danificá-lo.
A mudança mais significativa em relação às próteses anteriores foi o alinhamento ao ponto real de articulação do cotovelo de Momo. As próteses antigas tinham uma articulação fixa em formato de L e eram presas por correias que passavam pelas costas e ombro esquerdo. Para abrir ou fechar o mecanismo, ela precisava movimentar os ombros. O novo braço permitiu que ela levantasse os dois braços acima da cabeça e os mantivesse abaixados ao lado do corpo. Seus pais mencionaram ações cotidianas que agora eram possíveis: abrir uma porta enquanto segurava uma mochila ou uma garrafa. Momo também falou sobre a possibilidade de tentar atravessar barras suspensas em parques.
Em julho de 2017, quando recebeu o protótipo, a menina testou diferentes gestos. Antes do almoço, já havia experimentado cumprimentos com os punhos, o sinal de OK, vários high-fives. "Acabei de dar high-five em todo mundo da fila. Essa é a minha coisa favorita até agora", disse durante os testes. Em outro momento, aproximou as duas mãos e comemorou: "Olha, consigo fazer um coração com as mãos". Na hora da refeição, experimentou segurar um garfo com a mão direita. Depois, apoiou o queixo sobre os dedos artificiais e apresentou outra posição favorita, descrita por ela como a pose de pensamento usada pelos chefes. Eram gestos que pareciam simples, mas que antes lhe eram impossíveis.
A experiência com Momo orientou o desenvolvimento dos métodos de escaneamento remoto, personalização e impressão 3D que a Unlimited Tomorrow usaria posteriormente. Em 2020, a companhia lançou comercialmente o TrueLimb, uma prótese biônica personalizada e produzida como imagem espelhada do membro oposto do usuário. O processo foi estruturado para reduzir a necessidade de visitas presenciais a clínicas. Na configuração divulgada pela empresa em 2026, o TrueLimb pesa entre uma e 1,5 libra, oferece seis formas adaptáveis de preensão, bateria para vários dias e mais de trinta sensores instalados no encaixe. A prótese também pode receber acabamento compatível com diferentes tons de pele. O caso de Momo permanece como um registro de como um experimento iniciado com LEGO levou à produção de uma prótese funcional para uma criança, e como aquela experiência abriu caminho para uma tecnologia que hoje oferece maior acessibilidade a outras pessoas.
Notable Quotes
Olha, consigo fazer um coração com as mãos— Momo Sutton, durante os testes do braço biônico
Muitas dessas pessoas nem sabiam que estavam orientando um adolescente que vivia no interior do Colorado— Easton LaChappelle, sobre os profissionais que o orientaram remotamente