Em março de 2023, o termômetro da inflação para as famílias mais humildes do Brasil registrou um alívio discreto, mas significativo: o INPC recuou de 0,77% para 0,64%, sinalizando que a pressão sobre os orçamentos mais apertados começa, lentamente, a ceder. O IBGE, guardião desse retrato mensal da realidade econômica, revelou que o acumulado em doze meses também encolheu, de 5,47% para 4,36%, sugerindo que o ciclo inflacionário, embora ainda vivo, perde gradualmente o seu fôlego. A desaceleração, porém, não é uniforme — entre regiões e categorias de consumo, persistem bolsões de pressão que le
INPC recua para 0,64% em março, aponta IBGE
A inflação está perdendo força, mas ainda dói nos orçamentos mais apertados
Por que o INPC é tão importante se existem outros índices de inflação?
Porque ele foca especificamente nas famílias que têm menos margem para absorver aumentos de preço. Uma família ganhando cinco salários mínimos não pode simplesmente trocar de marca ou deixar de comprar. O INPC mostra se a inflação está comendo o orçamento delas.
A queda de 0,64% em março é realmente uma boa notícia?
É um alívio, mas relativo. Significa que a pressão desacelerou em relação a fevereiro. Mas acumulado em doze meses ainda está em 4,36%. Para uma família que vive apertado, isso ainda dói.
Por que Porto Alegre teve inflação tão maior que Belo Horizonte?
Gasolina e energia elétrica subiram muito em Porto Alegre. Em Belo Horizonte, as frutas e batatas ficaram mais baratas, o que puxou o índice para baixo. É basicamente sorte geográfica — o que está caro em um lugar pode estar barato em outro.
Isso significa que a inflação vai continuar caindo?
Não dá para garantir. O que vemos é uma tendência de desaceleração, mas há fatores fora do controle — preço de combustível, energia, clima afetando colheitas. Março foi melhor que fevereiro, mas o próximo mês pode surpreender.
Quem mais sofre com essa inflação?
Justamente quem o INPC mede — as famílias de até cinco salários mínimos. Elas gastam a maior parte da renda com alimentação e energia. Quando esses preços sobem, não há espaço no orçamento para cortar em outro lugar.
El Pulso
- A inflação para quem ganha até cinco salários mínimos ainda corrói o orçamento, mas em março deu sinais de cansaço, caindo de 0,77% para 0,64%.
- Os alimentos, que já vinham pressionando as mesas mais simples, finalmente recuaram 0,07%, com quedas expressivas em batata-inglesa e frutas em algumas regiões.
- Os itens não alimentícios — energia, transporte, serviços — continuaram subindo 0,87%, mantendo a tensão sobre despesas fixas das famílias de baixa renda.
- Porto Alegre concentrou a maior pressão do país, com variação de 1,37%, puxada por alta de 10,63% na gasolina e 9,69% na energia elétrica.
- O acumulado de 12 meses caiu de 5,47% para 4,36%, apontando uma trajetória de desinflação, ainda que lenta e geograficamente desigual.
Em março de 2023, o termômetro da inflação para as famílias mais humildes do Brasil registrou um alívio discreto, mas significativo: o INPC recuou de 0,77% para 0,64%, sinalizando que a pressão sobre os orçamentos mais apertados começa, lentamente, a ceder. O IBGE, guardião desse retrato mensal da realidade econômica, revelou que o acumulado em doze meses também encolheu, de 5,47% para 4,36%, sugerindo que o ciclo inflacionário, embora ainda vivo, perde gradualmente o seu fôlego. A desaceleração, porém, não é uniforme — entre regiões e categorias de consumo, persistem bolsões de pressão que lembram que o caminho para a estabilidade é longo e desigual.
O INPC de março de 2023 trouxe um sinal de alívio para as famílias brasileiras com renda de até cinco salários mínimos — cerca de 6.600 reais. O índice, divulgado pelo IBGE em 11 de abril, ficou em 0,64%, abaixo dos 0,77% registrados em fevereiro. No acumulado de doze meses, a taxa recuou de 5,47% para 4,36%, e ficou bem abaixo dos 1,71% observados em março de 2022, indicando uma tendência de arrefecimento da inflação para esse segmento da população.
O comportamento dos preços variou conforme a categoria. Os alimentos recuaram 0,07% após uma leve alta em fevereiro, com quedas notáveis em batata-inglesa e frutas em algumas regiões. Já os produtos não alimentícios subiram 0,87%, ritmo menor que o mês anterior, mas ainda relevante para orçamentos apertados — energia e transportes continuaram como vetores de pressão.
As disparidades regionais foram marcantes. Belo Horizonte registrou a menor variação, apenas 0,26%, beneficiada por quedas acentuadas no preço de batata-inglesa e frutas. Porto Alegre, no outro extremo, liderou com 1,37%, impulsionada por altas de mais de 10% na gasolina e quase 10% na energia elétrica. Todas as regiões metropolitanas e cidades acompanhadas pelo IBGE registraram variação positiva.
Calculado desde 1979, o INPC funciona como um termômetro específico para as populações de menor poder aquisitivo, capturando pressões que índices mais amplos podem suavizar. O recuo de março é encorajador, mas as persistências em energia e combustíveis — e as diferenças entre regiões — mostram que a desinflação avança de forma desigual, e que o alívio ainda não chegou de maneira uniforme a todos os lares.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor recuou em março, sinalizando uma desaceleração na pressão inflacionária sobre as famílias mais pobres do país. O INPC, que mede a variação de preços enfrentada por domicílios com renda de até cinco salários mínimos — cerca de 6.600 reais — ficou em 0,64% no mês, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na terça-feira, 11 de abril de 2023, no Rio de Janeiro. O resultado representa um alívio em relação a fevereiro, quando o índice havia atingido 0,77%.
Embora o mês tenha trazido uma melhora, o quadro acumulado ainda revela pressões persistentes. Desde o início do ano, o INPC acumula alta de 1,88%. Nos últimos doze meses, o índice saltou 4,36%, uma redução significativa frente aos 5,47% observados no período de doze meses anterior. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, a taxa de março de 2023 ficou abaixo dos 1,71% registrados em março de 2022, sugerindo uma trajetória de arrefecimento da inflação para esse segmento da população.
O comportamento dos preços variou conforme a categoria de produtos. Os alimentos, que haviam apresentado uma leve alta de 0,04% em fevereiro, recuaram 0,07% em março. Esse movimento refletiu quedas significativas em itens como batata-inglesa e frutas em algumas regiões. Já os produtos não alimentícios — que incluem desde energia até transportes — subiram 0,87%, mas esse crescimento foi menor do que o observado no mês anterior, quando havia alcançado 1,01%.
A geografia da inflação revelou disparidades regionais importantes. Todas as dez regiões metropolitanas acompanhadas pelo IBGE, além de cidades como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília, registraram variação positiva em março. Belo Horizonte apresentou o menor resultado, com alta de apenas 0,26%, impulsionada principalmente pelas quedas nos preços de batata-inglesa, que caiu 18,88%, e frutas, que recuaram 11,60%. No extremo oposto, Porto Alegre liderou com variação de 1,37%, onde aumentos de 10,63% na gasolina e 9,69% na energia elétrica foram os principais responsáveis pela pressão inflacionária.
O INPC, calculado pelo IBGE desde 1979, funciona como um termômetro específico da inflação para as famílias de menor poder aquisitivo. Diferentemente de índices mais amplos, ele se concentra exclusivamente em domicílios com rendimento entre um e cinco salários mínimos, capturando as pressões de preço que afetam diretamente o orçamento das populações mais vulneráveis. Para o cálculo de março, o instituto comparou os preços coletados entre 1º e 29 de março de 2023 com aqueles vigentes no período de 28 de janeiro a 28 de fevereiro, seguindo sua metodologia padrão.
O recuo do INPC em março sugere que a inflação, embora ainda presente, está perdendo força. A desaceleração mensal, combinada com a redução do índice acumulado em doze meses, aponta para uma tendência de normalização dos preços. No entanto, as variações regionais e a persistência de pressões em categorias como energia e combustíveis indicam que o processo de desinflação não é uniforme e que certos setores continuam desafiadores para os orçamentos das famílias de baixa renda.
Citas Notables
Para o cálculo do índice mensal, foram comparados os preços coletados no período de 1º a 29 de março de 2023 com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 28 de fevereiro de 2023— Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística