Influenciadora que criticou BTS vende curso sobre 'danos do feminismo' e 'arte da faxina'

fala o que a maioria pensa, mas não tem coragem de dizer
Como Pietra Bertolazzi é descrita no site de seu curso durante a polêmica sobre comentários homofóbicos.
Mark

Por que esse curso dela ganhou tanta atenção agora? Não era algo que já existia?

Mimi

Existia, mas ninguém procurava por ele. A polêmica sobre o BTS fez as pessoas investigarem quem era Pietra Bertolazzi, e aí descobriram o curso. É como se a controvérsia tivesse aberto uma porta para ver o resto do que ela faz.

Mark

E o conteúdo do curso — feminismo, faxina — isso é coerente com o que ela disse sobre o BTS?

Mimi

Sim, muito. Os comentários dela sobre os integrantes serem "afeminados" vêm de um lugar específico de valores. O curso oferece uma visão de mundo que posiciona feminismo como problema e domesticidade como solução. Tudo faz parte da mesma cosmovisão.

Mark

Ela pediu desculpas pelos comentários?

Mimi

Não. Ela reagiu dizendo que a reação dos fãs foi desproporcional, chamou o fandom de "bueiro". Depois simplesmente se afastou.

Mark

E o vazamento de dados pessoais — isso é proporcional à crítica que ela fez?

Mimi

Não. Vazamento de dados é crime. Mas mostra como a internet funciona quando alguém vira alvo: a reação escala rapidamente para além do que foi dito.

Mark

O curso continua sendo vendido?

Mimi

Sim. Mantém inscrições abertas. A polêmica não afetou a venda do produto.

  • Comentários chamando integrantes do BTS de 'afeminados' durante a final da Copa transformaram uma influenciadora conservadora no centro de uma crise viral em poucas horas.
  • Fãs do grupo mobilizaram-se em massa, acusando-a de homofobia e vasculhando seus outros conteúdos — o que trouxe à tona um curso de R$ 497 com módulos sobre 'feminismo e seus malefícios' e a 'arte da faxina'.
  • A resposta da influenciadora foi comparar a reação dos ARMYs a algo 'pior do que falar mal do PT', antes de restringir seu perfil no Instagram.
  • A situação escalou para além das críticas: dados pessoais seus foram expostos publicamente e houve relatos de ações coordenadas para derrubar suas contas.
  • Ela anunciou pausa nas redes sociais, mas o curso permanece com inscrições abertas — sinalizando que a polêmica não interrompeu o negócio.

Em meio à final da Copa do Mundo, uma influenciadora brasileira voltada a valores cristãos conservadores fez comentários sobre o BTS que acenderam um debate mais antigo: onde termina a opinião e começa o preconceito. O episódio revelou não apenas a força dos fandoms digitais, mas também a existência de um mercado paralelo de cursos que monetizam visões de mundo tradicionais — e que segue funcionando independentemente das tempestades nas redes.

Pietra Bertolazzi publicou um vídeo durante a final da Copa do Mundo criticando a apresentação do BTS, chamando os integrantes de 'homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas'. O comentário viralizou rapidamente, e os fãs do grupo, os ARMYs, acusaram-na de homofobia. Com a polêmica em curso, usuários passaram a investigar outros conteúdos da influenciadora — e encontraram um curso online por R$ 497.

O programa, chamado 'Desafio dos 3 Pilares', é voltado para mulheres cristãs e dividido em 12 módulos inspirados nos apóstolos da Bíblia. Entre os temas estão 'feminismo e seus malefícios', com aulas sobre 'armadilhas da ideologia', e módulos sobre a 'arte da faxina' e organização do lar. O site apresenta Bertolazzi como alguém que 'fala o que a maioria pensa, mas não tem coragem de dizer'. As inscrições seguem abertas mesmo durante a crise.

Ao responder às críticas nos stories, ela classificou a comunidade de fãs como um 'bueiro' e disse que a reação havia sido 'muito pior do que falar mal do PT'. Logo depois, restringiu o acesso ao seu perfil. A repercussão, porém, foi além das redes: usuários do X começaram a compartilhar dados pessoais atribuídos a ela, incluindo CPF, RG e endereço, além de relatos de ações coordenadas contra suas contas. Diante disso, Bertolazzi anunciou uma pausa nas redes sociais — mas seu curso continua disponível para quem quiser se inscrever.

Pietra Bertolazzi publicou um vídeo durante a final da Copa do Mundo no domingo passado criticando a apresentação do BTS. Na legenda, chamou os integrantes de "homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas" e disse que a geração atual ter essa banda como referência era "grave". O comentário viralizou. Os fãs do grupo, conhecidos como ARMYs, acusaram-na de homofobia. E enquanto a polêmica explodia nas redes, usuários começaram a procurar por outros conteúdos da influenciadora — descobrindo que ela vende um curso online por R$ 497.

O programa se chama "Desafio dos 3 Pilares" e é voltado para mulheres cristãs. Tem duração de 12 dias, dividido em 12 módulos, cada um inspirado em um apóstolo da Bíblia. No site de divulgação, Bertolazzi é apresentada como "educadora" — alguém que "fala o que a maioria pensa, mas não tem coragem de dizer" sobre os valores que o mundo moderno "tenta apagar". O curso promete ajudar mulheres a "vencer feridas que desordenam a mulher moderna".

Entre os conteúdos oferecidos estão aulas sobre "as armadilhas da ideologia e seus efeitos na mulher", dentro de um tema maior chamado "feminismo e seus malefícios". Há também módulos sobre a "arte da faxina", descritos como conteúdos sobre "organização e cuidado do lar". Segundo o site, o curso está em sua 12ª turma e mantém inscrições abertas mesmo em meio à polêmica atual.

A reação de Bertolazzi aos comentários dos fãs do BTS foi publicada em novos stories. Ela se disse surpresa com o tamanho do fandom e classificou a comunidade como um "bueiro", afirmando que a reação havia sido "muito pior do que falar mal do PT". Depois disso, restringiu o acesso ao seu perfil no Instagram.

O que aconteceu depois da viralização foi além das críticas online. Usuários da rede social X começaram a compartilhar dados pessoais atribuídos a Bertolazzi — números de RG, CPF, título de eleitor, além de endereço e telefone. Também surgiram relatos de ações coordenadas contra seus perfis, incluindo denúncias e tentativas de restrição de suas contas. Alguns usuários chegaram a afirmar que ela teria sido inscrita como mesária nas eleições.

Antes de se afastar, Bertolazzi se apresentava nas redes como criadora de conteúdo sobre "cultura, ideologias, política e fé". Agora, após a repercussão dos comentários sobre o BTS, anunciou que se ausentaria das redes sociais por um tempo. O curso, porém, continua disponível para inscrição.

De tudo que eu vi hoje na final da Copa, nada me chocou mais do que saber que um grupo de homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas que me deram verdadeira vergonha alheia é uma das maiores referências que essa geração atual tem.
— Pietra Bertolazzi, em vídeo durante a final da Copa do Mundo
A reação dos fãs do BTS foi muito pior do que falar mal do PT
— Pietra Bertolazzi, em resposta à polêmica
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