Em meio à final da Copa do Mundo, uma influenciadora brasileira voltada a valores cristãos conservadores fez comentários sobre o BTS que acenderam um debate mais antigo: onde termina a opinião e começa o preconceito. O episódio revelou não apenas a força dos fandoms digitais, mas também a existência de um mercado paralelo de cursos que monetizam visões de mundo tradicionais — e que segue funcionando independentemente das tempestades nas redes.
Influenciadora que criticou BTS vende curso sobre 'danos do feminismo' e 'arte da faxina'
fala o que a maioria pensa, mas não tem coragem de dizer
Por que esse curso dela ganhou tanta atenção agora? Não era algo que já existia?
Existia, mas ninguém procurava por ele. A polêmica sobre o BTS fez as pessoas investigarem quem era Pietra Bertolazzi, e aí descobriram o curso. É como se a controvérsia tivesse aberto uma porta para ver o resto do que ela faz.
E o conteúdo do curso — feminismo, faxina — isso é coerente com o que ela disse sobre o BTS?
Sim, muito. Os comentários dela sobre os integrantes serem "afeminados" vêm de um lugar específico de valores. O curso oferece uma visão de mundo que posiciona feminismo como problema e domesticidade como solução. Tudo faz parte da mesma cosmovisão.
Ela pediu desculpas pelos comentários?
Não. Ela reagiu dizendo que a reação dos fãs foi desproporcional, chamou o fandom de "bueiro". Depois simplesmente se afastou.
E o vazamento de dados pessoais — isso é proporcional à crítica que ela fez?
Não. Vazamento de dados é crime. Mas mostra como a internet funciona quando alguém vira alvo: a reação escala rapidamente para além do que foi dito.
O curso continua sendo vendido?
Sim. Mantém inscrições abertas. A polêmica não afetou a venda do produto.
O Pulso
- Comentários chamando integrantes do BTS de 'afeminados' durante a final da Copa transformaram uma influenciadora conservadora no centro de uma crise viral em poucas horas.
- Fãs do grupo mobilizaram-se em massa, acusando-a de homofobia e vasculhando seus outros conteúdos — o que trouxe à tona um curso de R$ 497 com módulos sobre 'feminismo e seus malefícios' e a 'arte da faxina'.
- A resposta da influenciadora foi comparar a reação dos ARMYs a algo 'pior do que falar mal do PT', antes de restringir seu perfil no Instagram.
- A situação escalou para além das críticas: dados pessoais seus foram expostos publicamente e houve relatos de ações coordenadas para derrubar suas contas.
- Ela anunciou pausa nas redes sociais, mas o curso permanece com inscrições abertas — sinalizando que a polêmica não interrompeu o negócio.
Em meio à final da Copa do Mundo, uma influenciadora brasileira voltada a valores cristãos conservadores fez comentários sobre o BTS que acenderam um debate mais antigo: onde termina a opinião e começa o preconceito. O episódio revelou não apenas a força dos fandoms digitais, mas também a existência de um mercado paralelo de cursos que monetizam visões de mundo tradicionais — e que segue funcionando independentemente das tempestades nas redes.
Pietra Bertolazzi publicou um vídeo durante a final da Copa do Mundo criticando a apresentação do BTS, chamando os integrantes de 'homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas'. O comentário viralizou rapidamente, e os fãs do grupo, os ARMYs, acusaram-na de homofobia. Com a polêmica em curso, usuários passaram a investigar outros conteúdos da influenciadora — e encontraram um curso online por R$ 497.
O programa, chamado 'Desafio dos 3 Pilares', é voltado para mulheres cristãs e dividido em 12 módulos inspirados nos apóstolos da Bíblia. Entre os temas estão 'feminismo e seus malefícios', com aulas sobre 'armadilhas da ideologia', e módulos sobre a 'arte da faxina' e organização do lar. O site apresenta Bertolazzi como alguém que 'fala o que a maioria pensa, mas não tem coragem de dizer'. As inscrições seguem abertas mesmo durante a crise.
Ao responder às críticas nos stories, ela classificou a comunidade de fãs como um 'bueiro' e disse que a reação havia sido 'muito pior do que falar mal do PT'. Logo depois, restringiu o acesso ao seu perfil. A repercussão, porém, foi além das redes: usuários do X começaram a compartilhar dados pessoais atribuídos a ela, incluindo CPF, RG e endereço, além de relatos de ações coordenadas contra suas contas. Diante disso, Bertolazzi anunciou uma pausa nas redes sociais — mas seu curso continua disponível para quem quiser se inscrever.
Pietra Bertolazzi publicou um vídeo durante a final da Copa do Mundo no domingo passado criticando a apresentação do BTS. Na legenda, chamou os integrantes de "homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas" e disse que a geração atual ter essa banda como referência era "grave". O comentário viralizou. Os fãs do grupo, conhecidos como ARMYs, acusaram-na de homofobia. E enquanto a polêmica explodia nas redes, usuários começaram a procurar por outros conteúdos da influenciadora — descobrindo que ela vende um curso online por R$ 497.
O programa se chama "Desafio dos 3 Pilares" e é voltado para mulheres cristãs. Tem duração de 12 dias, dividido em 12 módulos, cada um inspirado em um apóstolo da Bíblia. No site de divulgação, Bertolazzi é apresentada como "educadora" — alguém que "fala o que a maioria pensa, mas não tem coragem de dizer" sobre os valores que o mundo moderno "tenta apagar". O curso promete ajudar mulheres a "vencer feridas que desordenam a mulher moderna".
Entre os conteúdos oferecidos estão aulas sobre "as armadilhas da ideologia e seus efeitos na mulher", dentro de um tema maior chamado "feminismo e seus malefícios". Há também módulos sobre a "arte da faxina", descritos como conteúdos sobre "organização e cuidado do lar". Segundo o site, o curso está em sua 12ª turma e mantém inscrições abertas mesmo em meio à polêmica atual.
A reação de Bertolazzi aos comentários dos fãs do BTS foi publicada em novos stories. Ela se disse surpresa com o tamanho do fandom e classificou a comunidade como um "bueiro", afirmando que a reação havia sido "muito pior do que falar mal do PT". Depois disso, restringiu o acesso ao seu perfil no Instagram.
O que aconteceu depois da viralização foi além das críticas online. Usuários da rede social X começaram a compartilhar dados pessoais atribuídos a Bertolazzi — números de RG, CPF, título de eleitor, além de endereço e telefone. Também surgiram relatos de ações coordenadas contra seus perfis, incluindo denúncias e tentativas de restrição de suas contas. Alguns usuários chegaram a afirmar que ela teria sido inscrita como mesária nas eleições.
Antes de se afastar, Bertolazzi se apresentava nas redes como criadora de conteúdo sobre "cultura, ideologias, política e fé". Agora, após a repercussão dos comentários sobre o BTS, anunciou que se ausentaria das redes sociais por um tempo. O curso, porém, continua disponível para inscrição.
Citações Notáveis
De tudo que eu vi hoje na final da Copa, nada me chocou mais do que saber que um grupo de homens totalmente afeminados, vaidosos e cheios de caras e bocas que me deram verdadeira vergonha alheia é uma das maiores referências que essa geração atual tem.— Pietra Bertolazzi, em vídeo durante a final da Copa do Mundo
A reação dos fãs do BTS foi muito pior do que falar mal do PT— Pietra Bertolazzi, em resposta à polêmica