Influenciadora esfaqueia suspeito de abusar da filha em Franca; caso é investigado

Criança de 5 anos vítima de abuso sexual; influenciadora e suspeito sofreram ferimentos durante confronto.
Quantas crianças tentaram relatar e ninguém ouviu
Laryssa apela aos pais para que escutem seus filhos, refletindo sobre o silêncio que cerca o abuso infantil.
Mark

Como uma mãe chega ao ponto de sacar uma faca na rua?

Mimi

Quando sente que ninguém a ouve. Ela tentou o Conselho Tutelar duas vezes antes disso.

Mark

E o Conselho não respondeu?

Mimi

Não segundo ela. Só souberam do caso pelas redes sociais, horas depois.

Mark

Então a agressão foi reação ao abandono institucional?

Mimi

Não só. Ela diz que ele a ameaçou fisicamente naquele momento. Ela chama de legítima defesa.

Mark

E agora? Ambos estão feridos, ninguém foi preso.

Mimi

Duas investigações em paralelo. Uma sobre a lesão, outra sobre o abuso. A criança segue precisando de proteção.

Mark

Por que ela publicou tudo nas redes?

Mimi

Talvez porque ninguém a escutava de outro jeito. Seus seguidores explodiram de 14 mil para 300 mil.

Mark

Isso muda algo na investigação?

Mimi

Muda a pressão. Agora o Conselho Tutelar está avaliando medidas de proteção. Às vezes a visibilidade funciona onde as instituições falharam.

  • Uma criança de 5 anos relatou abuso sexual praticado pelo próprio padrinho, desencadeando uma crise que a família não conseguiu conter dentro dos canais institucionais.
  • Ao buscar ajuda no Conselho Tutelar, a mãe afirma não ter recebido respaldo, deixando-a sozinha diante de uma ameaça que considerava imediata.
  • O confronto físico em frente a uma loja resultou em ferimentos nos dois lados, com a mãe alegando legítima defesa após sentir que seria agarrada à força.
  • A Polícia Civil investiga separadamente a lesão corporal e o abuso sexual, enquanto nenhum dos envolvidos foi preso até o momento.
  • Após viralizar nas redes sociais, a influenciadora passou de 14 mil para 300 mil seguidores e usou a visibilidade para fazer um apelo à escuta e ao acolhimento das crianças vítimas de abuso.

Em Franca, São Paulo, uma mãe de 25 anos confrontou com um canivete o homem que acusa de ter abusado sexualmente de sua filha de 5 anos — seu próprio tio e padrinho da criança. O episódio, ocorrido em 24 de agosto diante de uma loja, revela o desamparo que muitas famílias enfrentam ao buscar proteção institucional para suas crianças, e a violência que pode emergir quando esse amparo falha. Duas investigações correm em paralelo, enquanto a sociedade debate os limites entre a lei, a justiça e o instinto de proteger.

Na manhã de 24 de agosto, em frente a uma loja em Franca, São Paulo, Laryssa Campanati Pereira, de 25 anos, sacou um canivete e feriu Maikel Wilker Martins, de 41 anos — seu tio e padrinho de sua filha de 5 anos. Por trás do confronto, uma acusação de abuso sexual que a criança havia relatado três dias antes.

Após ouvir a filha, Laryssa tentou acionar o Conselho Tutelar de Franca, mas afirma não ter recebido o apoio esperado. Ela então foi até a loja onde sua tia trabalhava para contar o ocorrido — e foi lá que se deparou com Maikel. Segundo o boletim de ocorrência, ele se aproximou, perguntou se ela já sabia do assunto, foi até o carro e voltou em sua direção. Sentindo que seria agarrada, Laryssa sacou o canivete. Ela desferiu golpes enquanto pedia socorro, alegando legítima defesa.

Ambos ficaram feridos. Maikel foi atendido na Santa Casa e liberado. Laryssa sofreu lesões nas costas, braços, mãos e pernas, sendo encaminhada ao IML. Ninguém foi preso.

As investigações seguem em duas frentes: a Polícia Civil apura a lesão corporal, e a Delegacia de Defesa da Mulher investiga a denúncia de abuso sexual. O Conselho Tutelar, que soube do caso pelas redes sociais ao meio-dia, recebeu o boletim às 14h24 e deve avaliar medidas de proteção à criança.

A repercussão nas redes foi intensa. Laryssa viu seus seguidores saltarem de 14 mil para cerca de 300 mil. Em vídeos publicados na terça-feira, ela expressou culpa por ter demorado a perceber o abuso e fez um apelo direto: que pais e responsáveis escutem e acolham suas crianças, lembrando que muitas vítimas silenciam por falta de quem as ouça.

Na manhã de segunda-feira, 24 de agosto, em frente a uma loja em Franca, São Paulo, uma mulher de 25 anos sacou um canivete da bolsa e feriu um homem de 41 anos. O que levou a esse confronto foi uma acusação de abuso sexual contra uma criança de 5 anos — a filha da mulher e a afilhada do homem ferido.

A criança havia relatado o abuso no dia 21 de agosto. Após ouvir a filha, Laryssa Campanati Pereira tentou buscar ajuda no Conselho Tutelar de Franca, mas segundo seu relato registrado em boletim de ocorrência, não recebeu o respaldo que esperava. Ela então se dirigiu à loja onde sua tia trabalhava para contar o que havia acontecido. Ali estava Maikel Wilker Martins, tio de Laryssa e padrinho da criança — o homem que ela acusava de ter abusado da filha.

Segundo o boletim de ocorrência, Maikel se aproximou de Laryssa e perguntou se ela já sabia do ocorrido. Ele foi até seu veículo e depois retornou em sua direção. Laryssa relatou que, ao perceber que ele tentaria agarrá-la à força, retirou o canivete e desferiu um golpe. Na sequência, Maikel teria pressionado seu corpo contra ela, encostando-a em um banco. Ela afirmou ter desferido outros golpes enquanto pedia socorro, argumentando ter agido em legítima defesa.

Ambos sofreram ferimentos. Maikel foi levado à Santa Casa de Franca, onde recebeu atendimento médico e foi liberado. Laryssa sofreu lesões nas costas, nos braços, nas mãos e nas pernas, sendo encaminhada ao Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito. Ninguém foi preso até o momento.

A investigação agora segue em duas frentes. A Polícia Civil apura o caso de lesão corporal, com prazo de seis meses para oferecimento de representação criminal. Separadamente, a Delegacia de Defesa da Mulher de Franca investiga a denúncia de abuso sexual contra a criança. O Conselho Tutelar tomou conhecimento do caso através das redes sociais por volta do meio-dia de segunda-feira, recebendo o boletim de ocorrência às 14h24. Segundo a defesa de Laryssa, o órgão já entrou em contato com ela e deve avaliar a aplicação de medidas de proteção à criança.

Depois de divulgar o caso nas redes sociais, Laryssa viu seus seguidores crescerem de 14 mil para cerca de 300 mil. Na terça-feira, ela publicou vídeos comentando sobre o episódio. Em um deles, expressou culpa pelo que aconteceu, dizendo que se culpará pelo resto da vida por ter ido a um show e por ter demorado a perceber o abuso. Ela também fez um apelo direto aos pais e responsáveis, pedindo que escutem e acolham suas crianças, destacando quantas vítimas deixam de relatar abusos por falta de acolhimento e de quem as ouça.

Eu vou me culpar o resto da minha vida por ter ido num show. Ela, minha tia, vai se culpar o resto da vida por ter tomado um banho. E o único culpado disso tudo é ele, só ele.
— Laryssa Campanati Pereira, em vídeo publicado na terça-feira
É extremamente importante vocês ouvirem e acolher a criança de vocês. Quantas crianças, quantas mulheres tentaram relatar, quantas vezes a gente não falou, teve vergonha, teve medo, por falta de acolhimento
— Laryssa Campanati Pereira, em apelo aos pais e responsáveis
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