Infestação de jiboias assusta moradores do Recife há quatro meses

Família de inquilinos abandonou casa após 18 anos de moradia por medo das cobras; moradores vivem em estado de alerta constante, dormindo em terraços e com medo de entrar em suas próprias casas.
Ela estava morrendo de medo. Quem aguenta?
Proprietária descrevendo por que sua inquilina de 18 anos abandonou a casa após encontros com cobras.
Mark

Por que as jiboias escolheram essa comunidade específica? Não é incomum encontrar cobras em cidades grandes.

Mimi

Porque ali havia tudo que uma jiboia precisa: comida fácil em forma de roedores atraídos pelo lixo, abrigo na vegetação alta, e casas próximas quando o espaço se tornava insuficiente. É um convite perfeito.

Mark

A jiboia não é venenosa, certo? Então por que o medo é tão intenso?

Mimi

Porque a maioria das pessoas não consegue identificar uma jiboia de uma cobra peçonhenta. Quando você não sabe se o animal que está vendo pode matá-lo, o medo é racional. E uma cobra de quatro metros dentro de sua cozinha é assustadora independentemente de ser venenosa ou não.

Mark

A família que saiu após dezoito anos — eles tentaram outras soluções antes de partir?

Mimi

A reportagem não detalha isso, mas o que fica claro é que três cobras dentro de casa em pouco tempo foi o ponto de ruptura. Dezoito anos de história não foram suficientes para competir com o medo de acordar com uma serpente embaixo do lençol.

Mark

E o proprietário do terreno? Ele sabe do problema?

Mimi

Aparentemente sim, porque a prefeitura vai notificá-lo formalmente. Mas até o momento da reportagem, ele não havia feito nada. Talvez não saiba da gravidade, ou talvez simplesmente não se importe.

Mark

Qual é o próximo passo realista?

Mimi

A prefeitura notifica, o proprietário limpa ou não limpa. Se limpar, as jiboias perdem seu habitat e provavelmente se dispersam. Se não limpar, a situação continua como está — moradores dormindo em terraços, vivendo com medo, e a Cipoma resgatando cobras uma por uma.

  • Jiboias aparecem dentro de casas há quatro meses na Vila do Papel, chegando a surgir embaixo de lençóis enquanto moradores dormem.
  • Uma família de inquilinos abandonou o imóvel onde vivia há dezoito anos após três cobras serem encontradas dentro de casa em poucos meses.
  • Moradores dormem em terraços, colocam roupas nas frestas das telhas e caminham pelos cantos de seus próprios lares com medo constante de um novo encontro.
  • O proprietário do terreno abandonado — fonte do problema — não tomou nenhuma providência, e os órgãos acionados inicialmente não responderam aos chamados.
  • A Cipoma resgatou quatro jiboias no local e a prefeitura prometeu notificar o dono do terreno, mas a limpeza da área ainda não aconteceu.

Na Vila do Papel, no coração do Recife, um terreno abandonado transformou-se em palco de uma tensão silenciosa entre o humano e o selvagem. Há quatro meses, jiboias migram para as casas vizinhas atraídas pelo lixo e pela vegetação que ninguém retirou, lembrando que a negligência com o espaço comum cobra seu preço em medo e em pertencimento. Uma família que viveu dezoito anos no mesmo lugar partiu; os que ficaram aprenderam a dormir com um olho aberto, esperando que a responsabilidade — pública ou privada — finalmente chegue antes que o próximo encontro seja mais grave.

Na Vila do Papel, comunidade central do Recife, as noites deixaram de ser descanso. Há quatro meses, jiboias aparecem nas casas com frequência suficiente para mudar rotinas: moradores passaram a colocar roupas entre as frestas das telhas, a caminhar pelos cantos observando paredes e telhados, e alguns chegaram a dormir nos terraços para evitar encontros dentro dos quartos.

A origem do problema é um terreno particular abandonado ao lado das casas, coberto de vegetação alta e lixo acumulado. Segundo o biólogo Filipe Marcel, especialista em herpetologia, o ambiente é ideal para as serpentes: o lixo atrai roedores, alimento principal das jiboias, e a vegetação oferece abrigo. As casas próximas tornam-se extensões naturais desse habitat. Embora não sejam venenosas, as jiboias podem atingir até quatro metros, e a maioria dos moradores não consegue distingui-las de espécies peçonhentas — o que transforma cada encontro em terror.

O custo humano já é concreto. Os proprietários Magellt Ferreira de Lima e Niedja Ferreira Ramos perderam seus inquilinos: a família que alugava o imóvel há dezoito anos partiu após uma cobra aparecer embaixo do lençol da inquilina enquanto ela dormia. Três serpentes em poucos meses foram suficientes para encerrar quase duas décadas de moradia. Dona Rosinha, que ficou, levanta três ou quatro vezes por noite para verificar o terraço onde dorme. Recentemente, viu uma cobra descer pela parede da cozinha e cair sobre o balcão.

Adolson Pereira, gestor público da região, tentou acionar a Cipoma e outras instituições sem obter resposta inicial. O proprietário do terreno não tomou providências. Quando procurada, a prefeitura prometeu notificá-lo para que realize a limpeza. A Cipoma confirmou o resgate de quatro jiboias no local — todas contidas pelos próprios moradores em baldes plásticos antes da chegada da equipe. O biólogo Marcel reforça que ninguém deve tentar capturar as serpentes sem treinamento, orientando isolar o local e acionar Cipoma, Bombeiros ou Ibama. A Vila do Papel segue esperando que o terreno seja limpo e que o direito de dormir em paz dentro de casa seja, enfim, devolvido a seus moradores.

Na Vila do Papel, uma comunidade no coração do Recife, as noites viraram um exercício de vigilância. Há quatro meses, jiboias começaram a aparecer nas casas dos moradores com frequência suficiente para que as pessoas mudassem seus hábitos de sono, colocassem roupas entre as frestas das telhas e aprendessem a viver com medo dentro de seus próprios lares.

O problema tem origem clara: um terreno particular abandonado, vizinho às casas, coberto de vegetação alta e lixo acumulado. Esse espaço vazio virou um convite aberto para as serpentes. Segundo Filipe Marcel, biólogo especialista em herpetologia, as jiboias encontram ali tudo que precisam. O lixo atrai roedores, que são seu alimento principal. A vegetação oferece abrigo. E as casas próximas, quando abertas, tornam-se extensões naturais desse habitat. As jiboias, embora não sejam venenosas, podem alcançar até quatro metros de comprimento, o que não torna seu aparecimento menos assustador para quem não está preparado para encontrá-las.

A situação já custou caro a alguns moradores. Magellt Ferreira de Lima e Niedja Ferreira Ramos alugavam uma casa para uma família que ali vivia há dezoito anos. Depois que serpentes começaram a aparecer dentro do imóvel — incluindo uma que surgiu embaixo do lençol enquanto a inquilina dormia — a família decidiu partir. Três cobras em uma casa em poucos meses foi o suficiente para quebrar dezoito anos de permanência. A inquilina, seu marido e suas duas filhas simplesmente saíram, buscando paz em outro lugar.

Os que ficaram vivem em estado de alerta permanente. Niedja, que mora no mesmo terreno, descreve a rotina: entrar em casa olhando para tudo, com medo de puxar qualquer objeto e encontrar uma cobra escondida. O medo é amplificado pela incerteza — a maioria dos moradores não consegue distinguir uma jiboia de uma serpente peçonhenta, então qualquer encontro é tratado como potencialmente letal. Uma moradora conhecida como Dona Rosinha passou a dormir no terraço de sua própria casa. Quando deita lá, levanta três ou quatro vezes durante a noite para verificar se há cobras. Quando vai ao banheiro, caminha pelo canto, observando o chão, as paredes, o telhado. Recentemente, viu uma cobra descer pela parede da cozinha e cair sobre o balcão. Ela chora sozinha pensando no que poderia ter acontecido se estivesse ali naquele momento.

Adolson Pereira, gestor público da região, tentou acionaros órgãos responsáveis. Ligou para a Cipoma, a companhia ambiental da polícia militar. Procurou outras instituições. Ninguém respondeu. O proprietário do terreno abandonado, até o momento em que a reportagem foi feita, não havia tomado nenhuma providência para limpar a área. A prefeitura, quando procurada, prometeu notificar o dono do terreno para que realizasse a manutenção. A Cipoma confirmou que resgatou quatro cobras na localidade, todas da espécie jiboia, e que os moradores haviam conseguido contê-las em baldes plásticos antes da chegada da equipe especializada.

O biólogo Marcel orienta que ninguém tente capturar ou manusear as serpentes. Sem treinamento, é fácil confundir espécies e cometer erros que podem ser fatais. A recomendação é isolar o local e chamar os órgãos ambientais competentes — Cipoma, Bombeiros, Ibama — para que façam o resgate e a realocação adequada dos animais. Enquanto isso, a Vila do Papel segue à espera de que alguém limpe aquele terreno abandonado e devolva aos moradores a possibilidade de dormir em paz dentro de casa.

Tentei entrar em contato com a Cipoma e com outros órgãos e a gente não teve nenhuma resposta. É um terreno particular e até agora o dono não se posicionou.
— Adelson Pereira, gestor público
Eu choro sozinha aqui, só Deus sabe o que é que eu estou passando.
— Dona Rosinha, moradora que dorme no terraço por medo de cobras
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