Infecções de covid em vacinados são raras, mas podem surpreender com sintomas graves

Mãe de 76 anos com câncer pulmonar foi hospitalizada após infecção pós-vacinação; pai de 64 anos foi internado com pneumonia e submetido a traqueotomia.
Sentia como se houvesse um enorme marshmallow na cabeça
Molly O'Brien descreveu os sintomas neurológicos que experimentou após testar positivo para covid apesar de vacinada.
Mark

Por que essa história importa agora, em setembro de 2021? As pessoas já não deveriam estar vacinadas e seguras?

Mimi

A vacinação continua sendo a melhor defesa, mas a realidade é mais complicada. A variante Delta mudou o jogo — é muito mais transmissível, e mesmo pessoas totalmente vacinadas estão contraindo o vírus. O que importa é que a maioria dos casos é leve, mas nem sempre.

Mark

Nem sempre? O que você quer dizer?

Mimi

A mãe de Moira Smith, uma mulher de 76 anos com câncer no pulmão, foi hospitalizada. O pai de Elaina Cary-Fehr precisou de traqueotomia. Esses não são casos leves. São pessoas que fizeram tudo certo — se vacinaram — e ainda assim tiveram complicações graves.

Mark

Mas os números dizem que a maioria dos vacinados que pega covid fica bem, certo?

Mimi

Sim. Mais de 9 em 10 hospitalizações e mortes ainda ocorrem entre não vacinados. A vacina funciona. Mas há um pequeno grupo de pessoas vacinadas que está tendo experiências traumáticas, e elas não esperavam por isso.

Mark

Então qual é a mensagem? As pessoas devem continuar se vacinando?

Mimi

Absolutamente. Mas também precisam entender que a proteção não é 100%. E precisam usar máscaras, especialmente em áreas de alto contágio. A Delta é diferente. Exige mais cautela.

Mark

E a terceira dose? Isso muda as coisas?

Mimi

As autoridades estão recomendando reforços para Pfizer e Moderna. A Johnson & Johnson mostrou que seu reforço aumenta os anticorpos. Parece que a estratégia agora é aceitar que isso não terminou com duas doses.

  • Vacinas têm até 95% de eficácia; mais de 9 em 10 hospitalizações e mortes ocorrem entre não vacinados
  • Variante Delta é muito mais transmissível e causa aumento de infecções em vacinados
  • Mãe de Moira Smith, 76 anos com câncer pulmonar, foi hospitalizada após infecção pós-vacinação
  • Isaac Cary-Fehr, 64 anos, precisou de traqueotomia após pneumonia causada por covid

Vacinas têm 95% de eficácia; mais de 9 em 10 hospitalizações e mortes ocorrem entre não vacinados. Variante Delta mais transmissível causa aumento de infecções em vacinados, com sintomas que variam de leves a moderados.

Casos de covid-19 em pessoas totalmente vacinadas aumentam com a variante Delta, mas especialistas afirmam que infecções são incomuns e geralmente leves, mantendo a vacinação como melhor defesa.

Moira Smith e sua mãe voltavam para casa em julho com a sensação de que a vida finalmente retomava algum ritmo. Haviam passado meses isoladas no Alasca e viajaram para Houston para celebrar o primeiro aniversário da neta de uma prima. A mãe de Moira comprou um pijama rosa estampado de presente. Tiraram fotos do bebê com chocolate no rosto. Tudo parecia normal — ou pelo menos próximo disso.

Mas havia uma complicação que Moira tentava não pensar muito a respeito. A família da prima não estava vacinada. Ela e sua mãe já tinham recebido as duas doses da Pfizer meses antes, então se sentiam protegidas. Do quarto do hotel, uma noite, a mãe de Moira ligou para os parentes com uma mensagem casual: "Vocês podem tirar as máscaras, mas prometam se vacinar". Na manhã seguinte, quando estavam prontas para pegar o avião em Seattle, receberam um telefonema. O bebê havia testado positivo para covid-19 e estava com febre.

Dois dias depois, Moira acordou com dores no corpo e garganta inflamada. Testou positivo. Uma semana depois, sua mãe — que tem 76 anos e câncer no pulmão — enviou uma mensagem com um emoji de termômetro. Tinha febre alta. Acabou numa sala de emergência do hospital com covid-19. Moira Smith, 46 anos, e sua mãe se tornaram parte de uma onda crescente de americanos que contraíram o vírus apesar de totalmente vacinados.

Os especialistas em saúde pública continuam insistindo que esses casos são relativamente raros e raramente evoluem para doença grave ou hospitalização. As vacinas disponíveis nos Estados Unidos oferecem proteção forte contra infecção grave, internação e morte. Uma análise recente da Kaiser Family Foundation mostrou que mais de nove em cada dez casos de covid-19 que resultaram em hospitalização e morte ocorreram entre pessoas que não receberam as duas doses necessárias. O Dr. William Schaffner, professor de doenças infecciosas na Vanderbilt, explicou que as vacinas têm no máximo 95% de eficácia — sempre foi esperado que algumas infecções excepcionais surgissem. "As vacinas foram projetadas para prevenir doenças graves e tiveram um sucesso espetacular nesse aspecto", disse ele.

Mas conforme a variante Delta, muito mais transmissível, se tornou dominante nos Estados Unidos, números crescentes de infecções em pessoas plenamente vacinadas começaram a ser reportados. A Delta carrega muito mais vírus no nariz e no trato respiratório superior, o que significa que se espalha com facilidade entre não vacinados e, eventualmente, também entre vacinados. Depois que o CDC recomendou que pessoas vacinadas em áreas de alto contágio voltassem a usar máscaras em locais fechados, milhões de americanos totalmente imunizados tiveram dificuldade em aceitar que o outono não traria a normalidade que esperavam. Um pequeno grupo já viu suas rotinas prejudicadas por essas infecções pós-vacinação.

Os sintomas variam bastante. Para alguns, a infecção se parece com uma alergia leve — tosse, resfriado, garganta arranhada. Para outros, é mais severa: ficam acamados com dores no corpo, febre e calafrios. Há relatos de perda de olfato e paladar, erupção cutânea e até disfunção cognitiva. Molly O'Brien, 47 anos, executiva de marketing da Pensilvânia, descreveu a experiência como "síndrome da cabeça que flutua" depois de testar positivo após uma viagem com o marido às Ilhas Virgens Britânicas. "Sentia como se houvesse um enorme marshmallow na cabeça", disse ela.

Embora os cientistas acreditem que essas infecções raramente resultem em doença grave, houve casos de hospitalizações prolongadas. Isaac Cary-Fehr, 64 anos, motorista de Uber em Austin, Texas, foi hospitalizado com pneumonia causada por covid em junho. Precisou de traqueotomia e foi transferido para uma clínica de assistência de longo prazo. Recebeu alta esta semana. Sua filha, Elaina, disse: "Acredito na vacina e tinha esperança de que ela ajudaria, e foi o caso". Autoridades federais de saúde recomendaram recentemente que americanos que receberam Pfizer ou Moderna recebam uma terceira dose nos próximos meses. A Johnson & Johnson informou que um reforço de sua vacina elevou os níveis de anticorpos contra o coronavírus. Enquanto isso, especialistas sublinham a importância das máscaras para reduzir transmissão. Como disse John Moore, professor de microbiologia e imunologia na Weill Cornell: "Se você está infectado e expele o vírus quando respira, ele não será transmitido porque a máscara vai impedir. Esses vírus não têm uma tesoura que corta a máscara".

As vacinas foram projetadas para prevenir doenças graves e tiveram um sucesso espetacular nesse aspecto
— Dr. William Schaffner, professor de doenças infecciosas na Vanderbilt
Se você está infectado e expele o vírus quando respira, ele não será transmitido porque a máscara vai impedir
— John Moore, professor de microbiologia e imunologia na Weill Cornell
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