Inadimplência empresarial no Brasil atinge recorde histórico com R$ 232,9 bi em dívidas

Milhões de empresas enfrentam dificuldades financeiras severas, com impactos potenciais em empregos e sustentabilidade de negócios.
Muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos
A economista-chefe da Serasa Experian descreve o cenário que levou ao recorde histórico de inadimplência.
Mark

Por que essa inadimplência empresarial explodiu justamente agora, em 2026?

Mimi

Porque dois problemas bateram na porta ao mesmo tempo. Os juros ficaram altos demais por muito tempo — a Selic em 14% torna qualquer empréstimo caro — e a economia começou a desacelerar. As empresas não conseguem gerar receita rápido o suficiente para pagar dívidas que ficaram caras demais.

Mark

Mas o Banco Central está cortando juros desde março. Por que isso não está ajudando?

Mimi

Porque os cortes são lentos. Saiu de 15% para 14,75% em março, depois para 14% depois. Para uma empresa que já está endividada, esses passos pequenos não mudam o jogo rápido o suficiente. O estrago já foi feito.

Mark

E os bancos? Como eles saem dessa?

Mimi

Alguns vão sair melhor que outros. Os que conseguem manter bons resultados mesmo com juros altos — aqueles com carteiras mais saudáveis, menos exposição a calotes — vão prosperar. Os outros vão sofrer porque precisam provisionar mais dinheiro para perdas esperadas, o que reduz o lucro.

Mark

Isso significa que o crédito vai ficar ainda mais caro?

Mimi

Pode ser. Se os bancos estão com medo de calotes, eles ficam mais seletivos. Empresas menores, mais arriscadas, vão ter ainda mais dificuldade para pegar dinheiro emprestado. É um círculo vicioso.

Mark

Qual é o sinal de que as coisas estão melhorando?

Mimi

Quando a Selic cair para um patamar mais confortável — algo como 10% ou menos — e a economia começar a crescer de novo. Aí as empresas ganham espaço para respirar, geram mais receita, pagam dívidas. Mas isso ainda está longe.

  • O número de CNPJs inadimplentes ultrapassou 9,1 milhões em junho de 2026, com dívidas 16,67% maiores do que no mesmo período do ano anterior — um recorde absoluto na série histórica.
  • A Selic em 14% fecha as portas do crédito justamente quando empresas mais precisam reorganizar passivos e recuperar fôlego de caixa.
  • O ciclo de cortes iniciado pelo Banco Central em março de 2026 avança em passos lentos demais para aliviar a pressão sobre milhões de negócios que operam no limite.
  • Bancos aumentam provisões para devedores duvidosos, comprimindo rentabilidade e sinalizando que a crise corporativa já contamina o sistema financeiro.
  • O mercado financeiro afina seu olhar: investidores buscam identificar quais instituições resistem a um período prolongado de crédito restritivo — e quais não resistirão.

Em junho de 2026, o Brasil alcançou um limiar histórico na sua vida econômica: mais de 9,1 milhões de empresas acumularam R$ 232,9 bilhões em dívidas inadimplentes, o pior registro desde que a Serasa Experian passou a monitorar esses dados, uma década atrás. O fenômeno não é acidental — é a convergência de juros elevados que encarecem o crédito e de uma economia que desacelera antes de oferecer alívio. No horizonte, bancos reforçam provisões e o mercado aprende a distinguir quem sobrevive da tempestade de quem apenas a atravessa.

Em junho de 2026, o Brasil registrou o pior cenário de inadimplência empresarial desde que a Serasa Experian começou a acompanhar esses dados, em 2016. Mais de 9,1 milhões de empresas carregavam dívidas de R$ 232,9 bilhões — um crescimento de 16,67% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O número não era apenas um recorde: era o retrato de uma crise que se aprofundava em câmara lenta.

Dois problemas se alimentavam mutuamente. A taxa Selic, mantida em 14%, tornava o crédito caro e inacessível para empresas que precisavam reorganizar suas dívidas. Ao mesmo tempo, a economia desacelerava de forma visível, reduzindo a capacidade de geração de receita. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, apontou que muitas companhias tentavam reestruturar seus passivos exatamente quando as condições financeiras se tornavam mais restritivas — um momento de dupla vulnerabilidade.

O Banco Central havia iniciado cortes na Selic em março de 2026, mas o ritmo era insuficiente para aliviar a pressão. Os bancos, diante do aumento de atrasos e calotes, reforçavam provisões para perdas, o que comprimia sua rentabilidade. O ano anterior já havia registrado um recorde de pedidos de recuperação judicial, indicando que a crise tinha raízes profundas.

Nesse cenário, o mercado financeiro passou a fazer distinções mais precisas entre as instituições. Segundo Marilia Fontes, do Resenha do Dinheiro, os investidores deixaram de olhar apenas para resultados trimestrais e passaram a avaliar quais bancos conseguiriam sustentar bons números ao longo de um período prolongado de crédito restritivo. Enquanto essa seleção se desenhava, milhões de empresas brasileiras permaneciam presas entre juros que caíam devagar demais e uma economia que crescia de menos para lhes permitir respirar.

Em junho de 2026, o Brasil atingiu um marco sombrio: mais de 9,1 milhões de empresas estavam inadimplentes, carregando consigo uma montanha de dívidas de R$ 232,9 bilhões. O número não apenas quebrou o recorde anterior — era 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês do ano anterior, e representava o pior cenário desde que a Serasa Experian começou a acompanhar esses dados em 2016.

A explicação para essa deterioração está entrelaçada em dois problemas que se reforçam mutuamente. De um lado, a taxa Selic permanecia em 14%, um patamar que encarecia drasticamente o acesso ao crédito para qualquer empresa que precisasse tomar emprestado. Do outro, a economia começava a desacelerar de forma mais visível, reduzindo a capacidade das empresas de gerar receita. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, descreveu o cenário com precisão: muitas companhias ainda lutavam para reorganizar seus passivos e recuperar o fluxo de caixa justamente quando as condições financeiras se tornavam mais restritivas.

O Banco Central havia iniciado um ciclo de redução de juros em março de 2026, quando a Selic caiu de 15% para 14,75%. Mas mesmo com os cortes subsequentes — incluindo um novo movimento no início de agosto — a taxa seguia em um patamar elevado o suficiente para pressionar toda a cadeia de crédito do país. Essa pressão não ficava limitada às empresas. Os bancos, vendo crescer o número de atrasos e calotes, precisavam reforçar suas provisões para perdas com devedores duvidosos. O resultado era previsível: a rentabilidade das instituições financeiras diminuía.

O ano anterior havia registrado um recorde de pedidos de recuperação judicial, um sinal de que a crise não era superficial. Agora, com a inadimplência corporativa em seu pico histórico, o mercado começava a fazer distinções mais claras entre os bancos. Segundo Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, os investidores não estavam mais olhando apenas para os números de um trimestre isolado. Eles buscavam identificar quais instituições conseguiam entregar bons resultados mesmo sob o peso dos juros altos, e quais enfrentavam dificuldades crescentes para administrar o aumento da inadimplência.

A leitura do mercado havia se tornado mais sofisticada: o que importava agora era a capacidade de cada banco de atravessar um período prolongado de crédito restritivo. Alguns conseguiriam. Outros não. E enquanto isso, milhões de empresas brasileiras continuavam presas entre juros que não caíam rápido o suficiente e uma economia que não acelerava o bastante para lhes permitir respirar.

A atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos
— Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian
Os investidores e o mercado estão diferenciando os bancos que conseguem entregar bons resultados mesmo em um cenário de juros altos daqueles que enfrentam mais dificuldades para administrar esse aumento da inadimplência
— Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro
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