Em meio ao ciclo eleitoral brasileiro, a campanha de Flávio Bolsonaro compartilhou pelo WhatsApp oficial uma imagem gerada por inteligência artificial — uma mulher negra limpando pichações na Avenida Paulista — sem qualquer aviso obrigatório sobre sua natureza sintética, violando normas do Tribunal Superior Eleitoral. A Agência Lupa confirmou a falsidade com mais de 90% de certeza e localizou a imagem original, publicada pela CPTM, que não continha a figura inserida digitalmente. O episódio não é isolado: revela um padrão de uso não transparente de conteúdo artificial em canais que deveriam se
Imagem de trabalhadora limpando pichações na Paulista é falsa, gerada por IA
Imagem gerada por IA compartilhada sem aviso no canal oficial da campanha
Por que essa imagem específica importa? Há muitas imagens falsas circulando.
Porque foi compartilhada pelo canal oficial da campanha de Flávio Bolsonaro, não por um perfil anônimo. Isso muda tudo — é uma violação direta das regras do TSE.
Mas como sabemos que foi de fato o canal oficial? Alguém hackeou? Ou a campanha deliberadamente compartilhou?
A Lupa confirmou que foi publicado no WhatsApp oficial. Quanto à intenção, não está claro se foi deliberado ou negligência.
E a imagem em si — como a Lupa provou que era falsa?
Usaram a ferramenta Hive Moderation, que indicou mais de 90% de chance de geração por IA. Também encontraram a imagem original do CPTM sem a mulher.
Noventa por cento é alto, mas não é 100%. Existe margem de erro nessas ferramentas?
Existe, mas combinado com a busca reversa que encontrou a imagem original, a conclusão é sólida.
Qual é o padrão maior aqui?
Uma reportagem anterior mostrou que a campanha compartilhou 140 imagens sintéticas no primeiro turno, com 15% sem aviso de IA. Isso sugere prática sistemática.
Mas 15% de 140 são 21 imagens. Ainda é um número significativo, mas não é a maioria. Vale mencionar isso.
O que deveria acontecer agora?
O TSE deveria investigar e potencialmente aplicar sanções. A campanha deveria remover o conteúdo e explicar como isso aconteceu.
Le Pouls
- Uma imagem fabricada por IA viralizou como se fosse registro real de uma trabalhadora limpando pichações deixadas por apoiadores de Lula na Paulista — narrativa politicamente carregada e inteiramente falsa.
- O conteúdo foi distribuído pelo canal oficial de WhatsApp da campanha de Flávio Bolsonaro sem nenhuma sinalização de que se tratava de material gerado artificialmente, infringindo exigência explícita do TSE.
- A busca reversa de imagem revelou a foto original da CPTM: as mesmas pichações, mas sem a mulher — ela foi inserida digitalmente para construir uma narrativa que não existiu.
- Portais de direita chegaram a reconhecer publicamente a natureza artificial do conteúdo, enquanto a campanha seguia distribuindo-o sem aviso.
- O caso se encaixa em um padrão documentado: em setembro, a Lupa já havia revelado que site ligado à campanha publicou 140 imagens sintéticas no primeiro turno, 15% delas sem qualquer identificação obrigatória.
Em meio ao ciclo eleitoral brasileiro, a campanha de Flávio Bolsonaro compartilhou pelo WhatsApp oficial uma imagem gerada por inteligência artificial — uma mulher negra limpando pichações na Avenida Paulista — sem qualquer aviso obrigatório sobre sua natureza sintética, violando normas do Tribunal Superior Eleitoral. A Agência Lupa confirmou a falsidade com mais de 90% de certeza e localizou a imagem original, publicada pela CPTM, que não continha a figura inserida digitalmente. O episódio não é isolado: revela um padrão de uso não transparente de conteúdo artificial em canais que deveriam ser espaços de confiança entre candidatos e eleitores.
Uma imagem que circulou amplamente nas redes sociais mostrava uma mulher negra limpando pichações contra Bolsonaro na estação Trianon-Masp, na Avenida Paulista, com legenda sugerindo que os registros eram consequência de um ato pró-Lula realizado no domingo 11 de outubro. A cena parecia documental. Não era.
A Agência Lupa submeteu o conteúdo à ferramenta Hive Moderation e obteve resultado inequívoco: mais de 90% de probabilidade de geração por inteligência artificial. A busca reversa confirmou a manipulação — a imagem original, publicada no site da CPTM, mostrava as mesmas pichações, mas sem nenhuma trabalhadora. A figura foi inserida digitalmente para criar uma narrativa que atribuía atos de vandalismo aos manifestantes petistas.
O que agrava o caso é o canal de distribuição. O conteúdo foi compartilhado no WhatsApp oficial da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sem qualquer aviso sobre o uso de IA — omissão que viola exigência explícita do TSE para peças de campanha geradas artificialmente. Mesmo portais de direita chegaram a identificar e alertar sobre a natureza sintética da imagem, enquanto ela seguia circulando sem identificação pelo canal oficial.
O episódio não é um desvio pontual. Em setembro, a Lupa já havia revelado que um site ligado à campanha de Flávio Bolsonaro distribuiu 140 imagens sintéticas durante o primeiro turno, sendo que 15% delas não continham o aviso obrigatório. O padrão aponta para uma prática sistemática que explora a credibilidade dos canais oficiais de comunicação para disseminar conteúdo artificial sem a transparência que a legislação eleitoral exige.
Uma imagem que circula nas redes sociais mostra uma mulher negra limpando pichações contra Bolsonaro na estação Trianon-Masp, na Avenida Paulista. A legenda afirma que "enquanto o Brasil celebra o feriado, trabalhadora limpa pichações deixadas após ato pró-Lula". A cena parece documentar um momento real de limpeza urbana após manifestação política. Não é. A Agência Lupa submeteu a imagem à ferramenta Hive Moderation e recebeu um resultado claro: mais de 90% de probabilidade de que o conteúdo foi gerado por inteligência artificial.
O que torna o caso particularmente relevante não é apenas a falsidade da imagem, mas o canal por onde ela se propagou. O conteúdo foi compartilhado no WhatsApp oficial da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sem qualquer aviso sobre o uso de tecnologia de IA. Essa omissão viola uma exigência explícita do Tribunal Superior Eleitoral para campanhas políticas: toda peça gerada por inteligência artificial deve ser claramente sinalizada.
A reportagem também localizou a imagem original através de busca reversa. O conteúdo autêntico foi publicado no site da Companhia Paulista de Transportes Metroviários (CPTM) e mostra as mesmas pichações, mas sem a figura da trabalhadora. A mulher foi adicionada posteriormente, criando uma narrativa que atribui atos de vandalismo à manifestação de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida no domingo 11 de outubro.
Portais de direita também identificaram o conteúdo como uma fotomontagem e alertaram sobre sua natureza artificial. A descrição que circulou reconhecia explicitamente: "Uma ilustração produzida com inteligência artificial (IA), que retrata uma mulher negra limpando pichações após uma manifestação de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), viralizou nas redes sociais".
Este não é um caso isolado. Uma reportagem anterior da Lupa, publicada em setembro, revelou que um site ligado à campanha de Flávio Bolsonaro havia compartilhado 140 imagens sintéticas durante o primeiro turno das eleições. Dessas 140 imagens, 15% não continham aviso sobre o uso da tecnologia. O padrão sugere uma prática sistemática de distribuição de conteúdo gerado por IA sem a devida transparência exigida pela legislação eleitoral.
A questão central não é apenas técnica. Quando campanhas políticas compartilham imagens falsas sem identificá-las como tal, especialmente através de canais oficiais, elas exploram a confiança que as pessoas depositam naqueles espaços. O WhatsApp, plataforma de comunicação direta entre campanha e eleitores, funciona como um espaço de maior credibilidade do que as redes sociais públicas. A violação dessa confiança através da distribuição de conteúdo artificial não sinalizado representa um desafio direto às regras que deveriam proteger a integridade do processo eleitoral.
Citations marquantes
Enquanto o Brasil celebra o feriado, trabalhadora limpa pichações deixadas após ato pró-Lula— Legenda da imagem falsa compartilhada pela campanha
Uma ilustração produzida com inteligência artificial (IA), que retrata uma mulher negra limpando pichações após uma manifestação de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), viralizou nas redes sociais— Portais de direita que identificaram o conteúdo como fotomontagem