Pela quinta sessão consecutiva, a bolsa brasileira avançou nesta terça-feira, carregada pelo peso dos bancos e da mineração num momento em que os juros americanos recuaram e o capital estrangeiro ensaiava um retorno cauteloso. O Ibovespa chegou a 174.576,80 pontos, mas o dia não foi uniforme: o petróleo em queda arrastou a Petrobras, e a Braskem, sufocada por dívidas bilionárias, pediu recuperação extrajudicial e despencou. O mercado celebra, mas com um olho na sexta-feira, quando Jackson Hole pode redefinir o horizonte dos juros globais.
Ibovespa sobe 1,55% com bancos e Vale em alta, apesar da queda do petróleo
A recuperação recente começa a ganhar fundamento mais consistente
Por que os bancos subiram tanto hoje se o cenário de crédito no país continua preocupante?
Porque o mercado viu um alívio nas taxas americanas e uma entrada de dinheiro estrangeiro. Quando o exterior muda de humor, o Brasil sente. Os bancos foram os primeiros a reagir.
E a Vale? Ela subiu mesmo com o minério de ferro caindo na China?
Sim. Gustavo Pimenta deu uma declaração sobre expansão de produção. Às vezes o mercado compra a promessa de crescimento futuro, não o preço do dia.
A Braskem desabou 13%. Isso vai afetar a Petrobras?
Já está afetando. Investidores estão tentando entender o que significa uma recuperação extrajudicial para uma empresa que divide controle com outra. É incerteza.
Por que a Hapvida caiu 43% no mês se subiu hoje?
Porque um dia de alta não apaga semanas de desconfiança. A Squadra chamou de maior erro. Quando um gestor grande diz isso publicamente, o mercado acredita.
O que muda se o Federal Reserve sinalizar juros mais altos na sexta?
Tudo. Fluxo estrangeiro seca de novo. Os Treasuries ficam mais atraentes. O Brasil volta a ser secundário.
Então essa alta de hoje é frágil?
Pode ser. Depende se o fluxo estrangeiro continua ou se era só um alívio técnico. Quinta e sexta vão dizer.
Il Polso
- O Ibovespa encerrou em alta de 1,55%, sustentado por bancos e Vale, enquanto a queda de quase 4% no barril Brent criou uma divisão clara entre setores vencedores e perdedores no pregão.
- A Braskem pediu recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas e suas ações despencaram 13,11%, com a B3 anunciando a exclusão dos papéis de seus índices.
- Investidores estrangeiros sinalizaram uma possível virada ao injetar R$ 1,76 bilhão no dia 21 de agosto, embora o saldo mensal ainda acumule saída de R$ 21,44 bilhões.
- A queda dos rendimentos dos Treasuries americanos — o título de dez anos recuou de 4,704% para 4,6209% — abriu espaço para compras em ativos de risco no Brasil.
- O mercado aguarda o discurso de Kevin Warsh no Jackson Hole e os dados de inflação PCE, eventos que podem determinar se o alívio atual tem fôlego ou é apenas um repique.
Pela quinta sessão consecutiva, a bolsa brasileira avançou nesta terça-feira, carregada pelo peso dos bancos e da mineração num momento em que os juros americanos recuaram e o capital estrangeiro ensaiava um retorno cauteloso. O Ibovespa chegou a 174.576,80 pontos, mas o dia não foi uniforme: o petróleo em queda arrastou a Petrobras, e a Braskem, sufocada por dívidas bilionárias, pediu recuperação extrajudicial e despencou. O mercado celebra, mas com um olho na sexta-feira, quando Jackson Hole pode redefinir o horizonte dos juros globais.
A bolsa brasileira encerrou a terça-feira em alta pelo quinto pregão seguido, com o Ibovespa avançando 1,55% para 174.576,80 pontos. O movimento foi sustentado pela recuperação dos bancos e pela valorização da Vale, enquanto a queda dos rendimentos dos Treasuries americanos e sinais de retorno do capital estrangeiro deram suporte ao mercado local.
Entre os bancos, o Banco do Brasil liderou com ganho de 5,22%, seguido por Bradesco (+3,13%), BTG Pactual (+3,04%) e Itaú Unibanco (+1,83%). A Vale subiu 2,04%, e seu CEO Gustavo Pimenta sinalizou potencial para expandir a produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas anuais com a exploração do bloco C em Carajás. Do outro lado, o petróleo Brent caiu 3,89% e arrastou a Petrobras para baixo em 1,8%.
O episódio mais dramático do dia foi protagonizado pela Braskem, que pediu recuperação extrajudicial para reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas e viu suas ações desabar 13,11%. A B3 anunciou que os papéis seriam excluídos de seus índices. A Petrobras, que divide o controle da petroquímica com a IG4 Capital, também sentiu o impacto do noticiário.
Outros destaques incluíram Magazine Luiza (+9,13%) e Assaí (+7,82%), beneficiados pelo alívio nas taxas de juros domésticas. A Hapvida, por sua vez, acumulava queda de cerca de 43% no mês após a gestora Squadra admitir em carta a cotistas que o investimento na empresa foi seu maior erro. A Usiminas recuou 2,11% depois que a Ternium negou planos de fechar o capital da companhia.
O volume financeiro somou R$ 28,67 bilhões. Analistas avaliavam se a sequência positiva refletia uma recuperação mais sólida ou apenas um repique técnico — resposta que pode vir na sexta-feira, com o discurso de Kevin Warsh no Jackson Hole, e na quarta, com os dados de inflação PCE nos Estados Unidos.
A bolsa brasileira fechou terça-feira em terreno positivo, com o Ibovespa avançando 1,55% para 174.576,80 pontos. Era o quinto pregão consecutivo em alta, um ritmo que refletia mudanças nas condições financeiras globais e uma retomada tímida do interesse estrangeiro pelo mercado acionário local.
O movimento foi sustentado principalmente por dois pilares: bancos em recuperação e a Vale em trajetória ascendente. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram durante o dia — o Treasury de dez anos caiu de 4,704% para 4,6209% — um alívio que abriu espaço para compras na bolsa paulista. Ao mesmo tempo, dados recentes mostravam que investidores estrangeiros começavam a retornar ao mercado brasileiro após semanas de saídas intensas. No dia 21 de agosto, houve uma entrada líquida de R$ 1,76 bilhão, um sinal de que o fluxo poderia estar mudando de direção, ainda que o saldo acumulado do mês permanecesse negativo em R$ 21,44 bilhões.
Entre os bancos, o Banco do Brasil liderou os ganhos com avanço de 5,22%, enquanto Itaú Unibanco subiu 1,83%, Bradesco avançou 3,13% e BTG Pactual valorizou-se 3,04%. O setor havia sido penalizado por preocupações com o cenário de crédito no país, mas a sessão robusta sugeriu alguma recuperação da confiança. A Vale, por sua vez, subiu 2,04%, acompanhando o movimento de mineradoras no exterior. Seu presidente-executivo, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do bloco C na região de Carajás, no Pará.
O petróleo, porém, seguiu em queda. O barril Brent caiu 3,89%, fechando em US$ 88,58, e a Petrobras acompanhou o movimento com recuo de 1,8%. Investidores também analisavam os potenciais reflexos para a estatal do pedido de recuperação extrajudicial da Braskem, na qual a Petrobras divide o controle com a IG4 Capital. A Braskem, que havia entrado com o pedido para reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas, desabou 13,11% nesta terça, ampliando as perdas do dia anterior. A B3 informou que as ações da companhia seriam excluídas dos índices da bolsa ao preço de fechamento após o encerramento do pregão regular.
Outros movimentos chamaram atenção. A Magazine Luiza saltou 9,13%, beneficiada pelo alívio nas taxas dos contratos de DI, que favoreceu papéis sensíveis a juros. Assaí avançou 7,82%, Cury fechou em alta de 7,49% e Localiza subiu 5,79%. A Hapvida, porém, continuava sob pressão — subiu apenas 0,94% nesta terça, mas acumulava queda de cerca de 43% no mês. A gestora Squadra havia informado que fundos sob sua gestão venderam ações da companhia, reduzindo sua participação para aproximadamente 3,87%. Um dia antes, em carta a cotistas, a Squadra havia chamado a Hapvida de seu maior erro de investimentos.
A Usiminas recuou 2,11% após disparar quase 9% na véspera, quando circulou notícia sobre um plano do acionista controlador Ternium fechar o capital da companhia. A Ternium negou ter aprovado qualquer operação com esse objetivo. A Yduqs cedeu 1,58%, revertendo ganho de quase 13% do dia anterior, quando anunciou que mantinha tratativas em estágio inicial com a Afya para uma possível combinação de negócios.
O volume financeiro no pregão somou R$ 28,67 bilhões. O índice tocou máxima de 174.784,92 pontos e mínima de 171.178,87. Analistas observavam que a recuperação recente do Ibovespa começava a ganhar fundamento mais consistente se as entradas estrangeiras continuassem, deixando de parecer apenas um repique técnico. O mercado, porém, mantinha os olhos voltados para a agenda norte-americana: o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, na conferência de Jackson Hole na sexta-feira, e os dados de inflação PCE na quarta, que poderiam sinalizar a direção dos juros da maior economia do mundo.
Citazioni salienti
Se as entradas continuarem, a recuperação recente do Ibovespa começa a ganhar um fundamento mais consistente e deixa de parecer apenas um repique técnico— Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Criteria
A Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do bloco C— Gustavo Pimenta, presidente-executivo da Vale