Dados de inflação menor e sinais do Federal Reserve de aumento de 75 pontos-base proporcionaram respiro técnico ao mercado brasileiro após semana turbulenta. A PEC dos Benefícios aprovada pelo Congresso impactará 41,25 bilhões de reais nas contas públicas, reforçando preocupações fiscais que pressionaram o índice durante a semana.
Ibovespa sobe 0,45% com alívio nos EUA, mas semana fecha em queda de 3,73%
Um respiro técnico depois de uma semana difícil
Por que um dia de alta de 0,45% importa se a semana fechou em queda de 3,73%?
Porque o mercado não se move em linha reta. Depois de dias de puro pânico — quando o índice tocou a mínima em quase dois anos — um dia assim sinaliza que o pior pode ter passado. É um respiro, não uma recuperação.
O que mudou entre quarta e sexta?
Na quarta, a inflação americana apareceu em 9,1%, a maior em quarenta anos. O mercado imaginou o pior: o Fed aumentando juros em 100 pontos-base de uma vez. Na sexta, dados novos mostraram que os consumidores americanos veem a inflação caindo para 5,2%. E o Fed sinalizou que provavelmente faria um aumento de 75 pontos-base. Menos agressivo do que o medo havia imaginado.
Mas isso resolve o problema da inflação?
Não. Resolve apenas a pergunta imediata: "Quão rápido o Fed vai apertar?" A inflação ainda está alta. O risco de recessão ainda existe. O que mudou foi a velocidade, não o destino.
E o Brasil nesse meio?
O Brasil segue os passos de Wall Street. Quando o S&P 500 sobe 1,92%, a bolsa brasileira respira. Mas há um problema local também: a PEC dos Benefícios vai custar 41,25 bilhões de reais nas contas públicas. Isso reforça os receios fiscais que já estavam pressionando o índice.
Quem ganhou e quem perdeu nessa sessão?
Siderúrgicas subiram — Gerdau, Usiminas, CSN. Bancos também. Mas saúde caiu depois que o Congresso aprovou piso salarial para enfermagem. Varejo também fraco. O mercado está seletivo, escolhendo seus vencedores.
Il Polso
- Ibovespa subiu 0,45% na sexta, fechando em 96.551 pontos, mas acumulou queda de 3,73% na semana
- Inflação americana em junho atingiu 9,1%, maior taxa em mais de quarenta anos
- PEC dos Benefícios aprovada pelo Congresso impactará 41,25 bilhões de reais nas contas públicas
- Federal Reserve sinalizou aumento de 75 pontos-base na taxa de juros no final do mês
- S&P 500 avançou 1,92%, impulsionado por dados melhores de vendas no varejo e resultados corporativos
Dados de inflação menor e sinais do Federal Reserve de aumento de 75 pontos-base proporcionaram respiro técnico ao mercado brasileiro após semana turbulenta. A PEC dos Benefícios aprovada pelo Congresso impactará 41,25 bilhões de reais nas contas públicas, reforçando preocupações fiscais que pressionaram o índice durante a semana.
O Ibovespa subiu 0,45% nesta sexta-feira com alívio das preocupações sobre aperto monetário nos EUA, mas acumulou perda de 3,73% na semana após inflação americana atingir máxima de quatro décadas.
A bolsa brasileira respirou fundo na sexta-feira. Depois de uma semana que a havia derrubado 3,73%, o Ibovespa fechou em alta de 0,45%, alcançando 96.551 pontos. O alívio veio de notícias vindas dos Estados Unidos — dados de inflação menos assustadores e sinais do Federal Reserve de que o banco central americano não seria tão agressivo quanto o mercado havia temido dias antes.
A semana havia sido brutal. Na quarta-feira, o índice de preços ao consumidor americano havia saltado para 9,1% em junho, a maior taxa em mais de quarenta anos. Isso acendeu o alarme de que o Fed poderia aumentar as taxas de juros em 100 pontos-base de uma só vez — um movimento que teria ecos devastadores em economias pelo mundo inteiro. O Ibovespa chegou a tocar 95.266,94 pontos na pior hora do pregão, renovando sua mínima desde novembro de 2020.
Mas na sexta, o cenário mudou. Uma pesquisa preliminar da Universidade de Michigan mostrou que os consumidores americanos agora veem a inflação em 5,2% para os próximos doze meses — menor que os 5,3% de junho e o patamar mais baixo desde fevereiro. Autoridades do Federal Reserve, por sua vez, sinalizaram que provavelmente manteriam um aumento de 75 pontos-base na taxa de juros no final do mês. Não era o cenário catastrófico que havia assombrado os mercados. O S&P 500 subiu 1,92%, impulsionado também por dados melhores que o esperado sobre vendas no varejo americano e resultados corporativos positivos. Essa melhora transbordou para São Paulo.
Gestores e analistas descreveram o dia como um "respiro técnico" — a expressão que Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset, usou para caracterizar a sessão. Sidney Lima, analista da Top Gain, foi mais direto: o mercado havia "apanhado" durante dias por causa dos temores sobre a velocidade da alta dos juros americanos. Essas notícias trouxeram alívio, ainda que frágil.
O volume financeiro somou 20,5 bilhões de reais, em uma sessão também marcada pelo vencimento de contratos de opções sobre ações na B3. A média diária no ano é de 29,6 bilhões de reais.
Mas o alívio não foi uniforme. Dentro do índice, as ações de siderúrgicas subiram — Gerdau PN avançou 5,94%, Usiminas PNA subiu 4,1% e CSN ON fechou em alta de 2,9%. Vale ON encerrou com acréscimo de 0,62%, acompanhando a melhora geral apesar de nova queda nos preços do minério de ferro. Na semana, porém, a ação da mineradora acumulou declínio de 9,32%, sua maior queda semanal desde abril. BB Seguridade ON subiu 4,21%, ainda sob efeito de perspectivas favoráveis para resultados do segundo trimestre, com analistas do JPMorgan elevando a recomendação para "overweight". Petrobras PN encerrou com elevação de 1,71%, acompanhando a melhora dos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent fechou em alta de 2%.
Mas havia perdedores. Hapvida ON caiu 5,22% após aprovação pelo Congresso Nacional da criação de piso salarial para enfermagem — o setor de saúde inteiro estava no lado negativo. Qualicorp ON perdeu 3,50% e Rede D'Or ON recuou 2,94%. BRF ON caiu 4,43%, com realização de lucros após subir 4,9% nos últimos três pregões. Magazine Luiza ON perdeu 4,47%, em nova sessão de fraqueza entre varejistas, com Via ON recuando 3,23% e Americanas ON cedendo 2,16%.
Por trás da turbulência da semana havia também uma questão doméstica. A PEC dos Benefícios, promulgada pelo Congresso Nacional na quinta-feira, terá um impacto de 41,25 bilhões de reais nas contas públicas — um número que reforçou os receios fiscais que já pressionavam o mercado. Enquanto os agentes financeiros monitoram os próximos passos do Federal Reserve e o risco de recessão nos Estados Unidos, a bolsa brasileira segue oscilando entre o alívio de curto prazo e as preocupações estruturais que não desapareceram.
Citazioni salienti
A alta na sessão foi um respiro técnico depois de uma semana difícil, quando se colocou na mesa a possibilidade de um aumento de 100 pontos-base no juro norte-americano— Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset
O mercado vinha apanhado há alguns dias por causa dos temores sobre a velocidade da alta dos juros nos EUA para combater a inflação e essas notícias trouxeram um certo alívio— Sidney Lima, analista da Top Gain