Ibovespa sobe 0,68% e renova recorde histórico, com volume financeiro de 22,6 bilhões de reais, avançando cerca de 19,5% no ano. Petrobras lidera altas com +1,24%, beneficiada por preços internacionais do petróleo em alta após ataques de Houthis no Mar Vermelho.
Ibovespa renova recorde histórico com alta de 0,68% impulsionada por Petrobras
Mercado precifica cortes de juros mais longos com cenário benigno
Por que a Petrobras liderou os ganhos do dia? Parece haver uma conexão clara com o que está acontecendo no Mar Vermelho.
Exatamente. Os ataques de Houthis a navios naquele região criaram preocupações reais sobre interrupções no fornecimento de petróleo. Quando há risco de oferta, os preços sobem, e isso beneficia uma produtora como a Petrobras. Além disso, a Rússia sinalizou redução nas exportações em dezembro, o que reforçou essa dinâmica de alta.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Os ataques dos Houthis são reais, mas quanto deles realmente impactou o preço do barril? O contrato subiu 1,83%, o que é uma alta modesta. Não sabemos se foi principalmente pelos ataques ou se havia outros fatores em jogo.
E quanto ao contexto mais amplo? O gestor da Ace Capital mencionou o discurso de Jerome Powell. Isso realmente explica o movimento?
Sim, porque Powell sinalizou o fim do ciclo de aumento de juros nos EUA. Isso fez o mercado brasileiro precificar um ciclo de cortes de juros mais longo aqui. Com juros mais baixos no horizonte, os ativos de risco como ações ficam mais atraentes. É uma dinâmica que faz sentido.
Verdade, mas o gestor também mencionou "baixa liquidez" nesta sessão. Isso significa que o volume de negócios era pequeno, então movimentos de preço podem ser exagerados. Um índice que sobe 0,68% em baixa liquidez não é necessariamente tão significativo quanto parece.
Casas Bahia caiu mais de 8%. Isso parece desconectado do resto do mercado.
Completamente desconectado. A varejista está enfrentando problemas estruturais. Caiu pela terceira vez seguida, e há questões pendentes sobre debêntures e CRIs. É um caso específico de uma empresa em dificuldades, não um reflexo do sentimento geral do mercado.
Mas note que Casas Bahia foi trazida de volta para a carteira teórica do Ibovespa para os próximos quatro meses. Isso é contraditório — por que trazer de volta uma ação que está caindo? Não temos clareza sobre a lógica da B3 nessa decisão.
O que dizer sobre Americanas? Ela avançou 5,56%, mas a base de clientes encolheu em mais de 7 milhões em um ano.
Americanas está em recuperação judicial, e o avanço reflete alívio dos investidores porque conseguiu apoio suficiente para aprovar seu plano. Mas você está certo em apontar a contradição — a empresa está perdendo clientes em massa. O ganho de hoje é mais sobre esperança de que o plano funcione do que sobre fundamentais sólidos.
Exatamente. E ela nem faz parte do Ibovespa, então não contribui para o recorde do índice. É um movimento isolado que reflete especulação sobre recuperação, não confiança real na saúde do negócio.
O Pulso
- Ibovespa sobe 0,68% e renova recorde histórico em 131.083,82 pontos
- Petrobras avança 1,24%, impulsionada por alta de 1,83% no preço do petróleo
- Volume financeiro de 22,6 bilhões de reais; índice avança 19,5% no ano
- Casas Bahia cai 8,33% em terceira queda consecutiva
- Americanas avança 5,56% com aprovação de plano de recuperação judicial
Ibovespa sobe 0,68% e renova recorde histórico, com volume financeiro de 22,6 bilhões de reais, avançando cerca de 19,5% no ano. Petrobras lidera altas com +1,24%, beneficiada por preços internacionais do petróleo em alta após ataques de Houthis no Mar Vermelho.
O Ibovespa fechou em alta de 0,68%, renovando máxima histórica a 131.083,82 pontos, impulsionado principalmente por ganhos da Petrobras, caminhando para melhor desempenho anual desde 2019.
A bolsa brasileira encerrou segunda-feira em terreno positivo, marcando mais um recorde histórico de fechamento. O Ibovespa subiu 0,68%, atingindo 131.083,82 pontos, superando a máxima anterior registrada na semana anterior. Durante o pregão, o índice chegou a tocar 131.447,26 pontos na máxima intradiária, enquanto a mínima ficou em 130.198,41 pontos. O volume financeiro movimentado somou 22,6 bilhões de reais. No acumulado do ano, o índice de referência do mercado acionário brasileiro avança cerca de 19,5%, encaminhando-se para o melhor desempenho anual desde 2019.
O movimento positivo foi impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, que avançou 1,24% para 35,84 reais. A valorização da estatal petrolífera acompanhou a alta dos preços do petróleo no mercado internacional, onde o contrato subiu 1,83% para 77,95 dólares o barril. Os preços foram sustentados por preocupações com possíveis interrupções no fornecimento, alimentadas por ataques de Houthis a navios no Mar Vermelho, além de sinalizações de redução nas exportações russas para dezembro.
Segundo Tiago Cunha, gestor e sócio da Ace Capital, o desempenho da bolsa paulista reflete a continuação do rali de final de ano iniciado após o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na semana anterior. Powell sinalizou o fim do ciclo de aumento de juros nos Estados Unidos, o que levou o mercado a precificar automaticamente o início de um ciclo de cortes. No Brasil, essa perspectiva internacional se traduziu em expectativas de um ciclo de redução de juros mais longo, com o mercado passando a precificar uma taxa Selic abaixo de 10%. Cunha destacou ainda que a aprovação da reforma tributária contribuiu para o ambiente mais favorável aos ativos brasileiros.
O contexto internacional também apoiou o movimento. Wall Street encerrou com elevação de 0,45%, enquanto agentes financeiros aguardavam novos dados sobre o comportamento dos preços ao consumidor e continuavam calibrando suas apostas sobre os próximos passos da política monetária americana. O gestor da Ace Capital observou que, em uma sessão com baixa liquidez, o mercado brasileiro seguiu o ritmo do fluxo de investidores estrangeiros, beneficiando-se do cenário mais benigno para os juros.
Entre os destaques do dia, Vale subiu 0,47% para 74,21 reais, apesar da queda dos contratos futuros de minério de ferro na Dalian Commodity Exchange, que caíram 1,59%. No setor financeiro, Itaú Unibanco ganhou 0,49% para 32,89 reais, enquanto Bradesco subiu 0,75% para 17,55 reais. Executivos do Bradesco manifestaram visão positiva para o crescimento do país em 2024 e sinalizaram uma janela para ofertas públicas iniciais.
Alpargatas apresentou recuperação significativa, fechando com elevação de 6,36% para 9,53 reais após dois pregões consecutivos de queda. A dona da marca Havaianas anunciou um novo CEO que assumirá o cargo em 1º de fevereiro, continuando o processo de transformação da companhia. Apesar da recuperação recente, as ações acumulam perda de quase 37% em 2023. Braskem avançou 4,37% para 18,17 reais, registrando a segunda alta seguida, embora acumule queda superior a 7% no mês.
Sabesp valorizou-se 1,46% para 72,21 reais após anunciar que seu conselho de administração aprovou plano de investimento de 47,4 bilhões de reais entre 2024 e 2028, incluindo o projeto de recuperação do rio Tietê denominado Integra Tietê. Por outro lado, Klabin caiu 2,32% para 21,06 reais após relatório do Goldman Sachs rebaixar a recomendação para venda, com preço-alvo reduzido de 23 para 18 reais. Os analistas citam pressão no fluxo de caixa da companhia no período 2024-2026 devido ao crescimento limitado dos lucros em ambiente de investimentos agressivos e alavancagem elevada.
Casas Bahia afundou 8,33% para 10,24 reais, engatando a terceira queda consecutiva. Após o fechamento, a varejista informou que assembleia especial de titulares de CRIs lastreados em determinadas debêntures aprovou a não declaração de vencimento antecipado dos ativos. Magazine Luiza caiu 1,36% para 2,18 reais. Fora do índice, Americanas avançou 5,56% para 0,95 real após divulgar que conseguiu apoio de detentores de volume suficiente de dívida para aprovar seu plano de recuperação judicial na terça-feira. A varejista também revelou que sua base de clientes encolheu em mais de 7 milhões em um ano. A B3 divulgou nesta segunda-feira a segunda prévia da carteira teórica do Ibovespa para os primeiros quatro meses de 2024, mantendo a entrada de ISA Cteep e trazendo de volta Casas Bahia, que havia ficado de fora da primeira preliminar.
Citações Notáveis
Com esse cenário mais benigno para os juros, a bolsa paulista seguiu nesta sessão a tendência observada na semana passada, quando continuou se beneficiando do fluxo de investidores estrangeiros— Tiago Cunha, gestor e sócio da Ace Capital
Executivos do Bradesco afirmaram estar com uma visão positiva para o crescimento do país em 2024, quando também enxergam uma janela para IPOs— Executivos do Bradesco