Em uma semana marcada por incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias globais, o mercado financeiro brasileiro encontrou um equilíbrio frágil: o Ibovespa encerrou a sexta-feira praticamente estável, acumulando ganhos modestos ao longo de oito sessões sem quedas, enquanto o dólar recuou de forma expressiva ante o real. Esse movimento duplo revela a complexidade do momento — o que fortalece a moeda nacional ao mesmo tempo fragiliza as exportadoras, lembrando que em economia, cada alívio carrega seu próprio peso.
Ibovespa fecha estável com ganho semanal de 3,27%; dólar recua 5,38%
Duplo efeito: menos competitivo, menos receita
Por que o dólar em queda é ruim para empresas que vendem para o exterior?
Quando o dólar cai, o produto brasileiro fica mais caro para o comprador lá fora. Um importador americano que pagava, digamos, 100 dólares por uma tonelada de celulose agora paga menos reais por aquele mesmo dólar. Além disso, quando a empresa brasileira converte aquele dólar recebido em reais, recebe menos reais do que recebia antes. É um duplo golpe.
Então por que o mercado brasileiro subiu na semana se o dólar caiu?
Porque o mercado é feito de muitos setores. Enquanto exportadores como papel, celulose e frigoríficos sofrem, outros setores ganham. Cogna Educação, por exemplo, disparou 19% após divulgar bons resultados. E há também o efeito psicológico: oito dias sem fechar em queda é um sinal de que o mercado está recuperando confiança, apesar de toda a tensão geopolítica.
A guerra na Ucrânia não assusta os investidores?
Assusta, sim. Mas o mercado já precificou parte dessa incerteza. O que realmente preocupa agora é a inflação americana e a possibilidade de o Federal Reserve subir juros de forma mais agressiva. Isso afeta todos os mercados globalmente.
E aqui no Brasil, o que esperar dos juros?
O Banco Central diz que vai parar em maio com a Selic a 12,75%. Mas alguns bancos acreditam que pode chegar a 14%. Os contratos de juros futuros caíram nesta sexta, o que sugere que o mercado está apostando em um cenário menos agressivo.
Qual foi o setor que mais sofreu?
Papel e celulose. Klabin e Suzano caíram mais de 6% cada. Os frigoríficos também levaram pancada. Todos são exportadores, então a queda do dólar os prejudica diretamente.
O Pulso
- O Ibovespa flertou com os 120 mil pontos durante o pregão, mas perdeu fôlego e encerrou quase no zero, refletindo a hesitação dos investidores diante de um cenário global sem respostas claras.
- A guerra na Ucrânia segue sem trégua, as sanções contra a Rússia se multiplicam e o risco de escalada do conflito mantém mercados internacionais em estado de alerta permanente.
- O dólar acumulou queda de 5,38% na semana, golpeando duramente exportadoras: Klabin despencou 6,13% e Suzano caiu 6%, enquanto frigoríficos como JBS e Marfrig recuaram quase 4% cada.
- Em contraponto, a Cogna Educação disparou 19,48% após divulgar resultados trimestrais positivos, arrastando concorrentes como Yduqs para altas expressivas e mostrando que há bolsões de otimismo no pregão.
- O mercado aguarda com atenção a reunião do Banco Central em maio, quando a Selic pode ser fixada entre 12,75% e 14% ao ano — uma decisão que definirá o ritmo da economia brasileira nos próximos meses.
Em uma semana marcada por incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias globais, o mercado financeiro brasileiro encontrou um equilíbrio frágil: o Ibovespa encerrou a sexta-feira praticamente estável, acumulando ganhos modestos ao longo de oito sessões sem quedas, enquanto o dólar recuou de forma expressiva ante o real. Esse movimento duplo revela a complexidade do momento — o que fortalece a moeda nacional ao mesmo tempo fragiliza as exportadoras, lembrando que em economia, cada alívio carrega seu próprio peso.
A sexta-feira terminou com o Ibovespa praticamente imóvel, encerrando em 119.808 pontos com alta irrisória de 0,02%. O resultado, porém, integra uma sequência mais significativa: oito sessões consecutivas sem fechamento negativo e ganho semanal de 3,27%, com volume de R$ 30,5 bilhões negociados.
O humor do mercado brasileiro acompanhou a oscilação de Nova York, onde Dow Jones e S&P 500 terminaram com ganhos modestos enquanto o Nasdaq recuou levemente. A ausência de notícias concretas sobre a guerra na Ucrânia — que segue sem sinais de cessar-fogo — e a perspectiva de aperto monetário mais agressivo pelo Federal Reserve mantiveram os investidores cautelosos.
No Brasil, o Banco Central sinaliza encerramento do ciclo de alta de juros em maio, com a Selic chegando a 12,75%. Parte do mercado, porém, projeta que a taxa pode alcançar 14% ao ano, e os contratos de juros futuros já refletem essa incerteza, especialmente nos vencimentos mais longos.
O grande protagonista da semana foi o dólar, que recuou 1,75% apenas na sexta-feira e acumulou queda de 5,38% em sete dias, fechando a R$ 4,747. A valorização do real, contudo, cobrou seu preço das exportadoras. Como explicou o economista Alexsandro Nishimura, da BRA, a queda do dólar tem duplo impacto sobre essas empresas: reduz a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e diminui a receita quando as vendas são convertidas em reais.
As ações de papel e celulose lideraram as perdas — Klabin caiu 6,13% e Suzano recuou 6%. Os frigoríficos JBS e Marfrig também sofreram, cada um com queda de 3,72%. No campo oposto, a Cogna Educação surpreendeu com alta de 19,48% após divulgar resultados trimestrais positivos, levando a Yduqs a subir 9,05% por contágio setorial.
No mercado de commodities, o petróleo oscilou com força após relatos de uma explosão em refinaria na Arábia Saudita, mas encerrou o dia com ganho modesto de 0,31%, a US$ 119,40 o barril. A semana se fecha com o mercado de olho em maio — e na palavra final do Banco Central sobre os juros.
A sexta-feira trouxe um Ibovespa que não sabia bem se queria subir ou descer. O índice chegou perto dos 120 mil pontos durante o pregão, mas perdeu força conforme as horas passavam, encerrando o dia praticamente no zero — uma alta minúscula de 0,02%, fechando em 119.808 pontos. Não foi um movimento dramático, mas faz parte de uma sequência: oito dias seguidos sem fechar em queda, e na semana acumulou ganho de 3,27%. O volume negociado ficou em R$ 30,5 bilhões.
O mercado brasileiro acompanhou o ritmo incerto de Nova York. Os índices americanos começaram o dia em alta, depois caíram para o terreno negativo, mas terminaram com ganhos modestos — o Dow Jones subiu 0,44%, o S&P 500 avançou 0,51%, enquanto o Nasdaq recuou 0,16%. A falta de notícias concretas pesou no clima. A guerra na Ucrânia continua sem sinais de trégua, as sanções contra a Rússia se multiplicam, e há risco crescente de que outros países entrem no conflito. Tudo isso mantém a comunidade internacional em tensão.
Nos bastidores, há outro tema que preocupa: o Federal Reserve deve subir juros de forma mais agressiva nas próximas reuniões, porque a inflação americana não dá trégua. Aqui no Brasil, o Banco Central afirma que vai encerrar o ciclo de aperto monetário em maio, fixando a Selic em 12,75%. Mas alguns bancos acreditam que a taxa pode chegar a 14% ao ano. No mercado de juros futuros, os contratos caíram, especialmente na ponta mais longa da curva.
O dólar teve um dia muito melhor que o Ibovespa. A moeda americana recuou 1,75% nesta sexta-feira, fechando a R$ 4,746 na compra e R$ 4,747 na venda. Na semana, acumula queda de 5,38%. Essa trajetória de enfraquecimento do dólar, porém, trouxe más notícias para um setor importante da economia brasileira: as exportadoras. Quando o dólar cai, os produtos brasileiros ficam menos competitivos no mercado internacional, e quando as vendas externas são convertidas para reais, a receita das empresas sofre. Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA, explicou o duplo efeito: "Como vendem para o exterior, a queda do dólar tem duplo impacto, uma vez que torna o produto menos competitivo no mercado internacional, além de impactar a receita quando as vendas externas são convertidas para reais".
As ações de papel e celulose foram as maiores vítimas. A Klabin (KLBN11) liderou as perdas com queda de 6,13%, seguida pela Suzano (SUZB3), que caiu 6%. Os frigoríficos também sofreram: JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) recuaram 3,72% cada. Do outro lado, a maior alta do dia foi Cogna Educação (COGN3), que disparou 19,48% após divulgar seus resultados trimestrais. Yduqs (YDUQ3), também do setor de educação, pegou carona na concorrente e avançou 9,05%. Azul (AZUL4), Cyrela (CYRE3) e Irbbrasil (IRBR3) completaram a lista de maiores altas.
No mercado de commodities, o petróleo viveu um dia de forte volatilidade. Os preços começaram em queda, mas subiram depois que relatos mencionaram uma explosão em uma refinaria na Arábia Saudita, reduzindo ainda mais as perspectivas de oferta global. No final do dia, porém, os ganhos foram modestos: o barril de brent para maio, na Bolsa de Londres, subia apenas 0,31%, a US$ 119,40. A semana deixa o mercado aguardando a próxima reunião do Banco Central, em maio, quando a decisão sobre o encerramento do ciclo de aperto monetário será anunciada.
Citações Notáveis
Como vendem para o exterior, a queda do dólar tem duplo efeito, uma vez que torna o produto menos competitivo no mercado internacional, além de impactar a receita quando as vendas externas são convertidas para reais— Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA