Ibovespa fecha com queda discreta em dia de ajustes à espera do BC

O comunicado é onde o BC sinaliza para onde está olhando
Investidores aguardam sinais sobre próximos passos da política monetária na decisão do Banco Central.
Mark

Por que o mercado está tão focado no comunicado do Banco Central se a taxa de juros provavelmente não muda amanhã?

Mimi

Porque o comunicado é onde o BC sinaliza para onde está olhando. Se disser que está pronto para cortar em agosto, muda tudo — não é a decisão de hoje, é o mapa do caminho.

Mark

E por que isso importa tanto para a bolsa?

Mimi

Porque juros mais baixos tornam as ações mais atrativas comparadas aos títulos de renda fixa. Além disso, sinaliza que o BC acredita que a inflação está sob controle, o que é bom para o crescimento econômico.

Mark

A queda de 0,2% parece pequena. Isso significa que o mercado está tranquilo?

Mimi

Não exatamente. É mais que o mercado está em pausa, esperando. Quando você tem uma decisão importante chegando, os investidores tendem a não fazer movimentos grandes. É como prender a respiração.

Mark

O que a China tem a ver com a bolsa brasileira?

Mimi

A China é o maior comprador de minério de ferro e commodities brasileiras. Se a economia chinesa desacelera, a Vale cai, e a Vale é um dos maiores pesos do Ibovespa. É tudo conectado.

Mark

Então o mercado está esperando sinais de corte de juros, mas também preocupado com a economia global?

Mimi

Exatamente. É um equilíbrio delicado. O Brasil quer cortar juros, mas precisa que a inflação global não suba demais. Por isso o foco nas projeções de inflação para 2024 — é o ponto de equilíbrio.

  • Ibovespa caiu 0,2% para 119.622,4 pontos
  • Mercado aguarda decisão do Copom sobre Selic em 13,75%
  • Expectativa de corte de juros em agosto ou setembro
  • Volume financeiro de 25,5 bilhões de reais

Ibovespa caiu 0,2% a 119.622,4 pontos em movimento de correção após aproximação dos 120 mil pontos no pregão anterior. Mercado aguarda comunicado do Copom sobre Selic, com expectativa de manutenção em 13,75% e sinais sobre possível corte em agosto ou setembro.

O Ibovespa fechou com queda de 0,2% em dia de ajustes, enquanto investidores aguardam a decisão do Banco Central sobre a taxa Selic e sinais sobre próximos movimentos da política monetária.

A bolsa brasileira encerrou a terça-feira com um recuo contido, reflexo de uma sessão de ajustes técnicos após o índice ter se aproximado da marca dos 120 mil pontos no pregão anterior. O Ibovespa caiu 0,2%, fechando em 119.622,4 pontos, com o pior momento da sessão marcado pelos 118.415,66 pontos. O volume financeiro movimentado somou 25,5 bilhões de reais, em um dia onde a cautela predominou entre os agentes do mercado.

O tom contido da sessão refletia a expectativa que toma conta do mercado: a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se encerra na quarta-feira com o anúncio da decisão sobre a taxa básica de juros. A maioria das apostas aponta para a manutenção da Selic em 13,75%, mas o que realmente interessa aos investidores está no comunicado que acompanhará o resultado. Muitos esperam sinais de que o BC esteja preparando o caminho para um corte de juros na reunião seguinte, em agosto, ou pelo menos deixando a porta aberta para essa possibilidade.

Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, acredita que o Copom provavelmente não sinalizará de forma explícita um corte em agosto, mas espera que o tom geral da orientação futura se torne mais neutro e menos dependente de uma postura rígida. Ramos projeta um corte da Selic em agosto ou, na pior das hipóteses, um sinal claro de que uma redução virá em setembro. O que ele observará com atenção especial será as projeções do BC para a inflação no final de 2024, ano em que a meta é de 3% e que agora concentra o maior peso nas considerações da política monetária. Essas projeções e o balanço geral dos riscos para a inflação serão fundamentais para definir o ritmo e o espaço para flexibilização da política monetária nos próximos meses.

A pesquisa mais recente do mercado já reflete essa mudança de expectativas. A mediana das estimativas passou a incorporar um corte em agosto, revertendo a previsão anterior de que a primeira redução ocorreria apenas em setembro. O Banco Central iniciou seu ciclo de aperto em março de 2021 e mantém a taxa inalterada desde setembro do ano passado, o que torna qualquer sinal de mudança especialmente relevante para o mercado.

Além da política monetária, investidores também acompanham de perto a tramitação da nova regra fiscal no Senado. Espera-se que o texto seja votado na Comissão de Assuntos Econômicos na quarta-feira, após um pedido de vista. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, sinalizou que, uma vez aprovada pela comissão, a proposta seguirá direto para o plenário, acelerando o processo legislativo.

No exterior, o S&P 500 caiu 0,47% na volta do fim de semana prolongado nos Estados Unidos, em um contexto onde investidores calibram suas apostas para os próximos passos do Federal Reserve, aguardando o discurso do presidente da instituição nesta semana. Notícias da China também pesaram sobre o pregão paulista: o banco central chinês cortou suas principais taxas de referência de empréstimos menos do que o mercado esperava, enquanto sinais de desaceleração na segunda maior economia do mundo ganham força.

Entre os destaques da sessão, a Vale caiu 2,58% para 67,61 reais, acompanhando a queda dos contratos futuros de minério de ferro na Ásia. A Embraer perdeu 4,65% para 19,26 reais, apesar dos anúncios de pedidos de aeronaves durante o Paris AirShow. A Braskem recuou 2,91% para 30,05 reais em movimento de correção após valorização recente de 37,8% no mês. A Petrobras, por sua vez, subiu 0,49% para 30,57 reais, renovando máxima histórica de fechamento mesmo com a queda dos preços do petróleo no exterior. A Raízen ganhou 4,53% para 4,15 reais, com analistas do Bank of America reiterando recomendação de compra e elevando o preço-alvo. A JBS valorizou-se 4,15% para 19,34 reais após aprovação de 2,2 bilhões de reais em dividendos intermediários. A BRF avançou 4,86%, com o mercado atento a potencial aumento de capital. No setor financeiro, o BTG Pactual subiu 2,47% para 30,66 reais com elevação de recomendação do Itaú BBA.

O Copom provavelmente não sinalizará explicitamente um corte de juros em agosto, mas a orientação futura deve se tornar mais neutra e dependente de dados
— Alberto Ramos, Goldman Sachs
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