Ibovespa em alta com ajuste fiscal; BBAS3 cai e promessas de Flávio ganham destaque

Maior previsibilidade nas contas públicas, juros mais baixos
A promessa do UBS para o Ibovespa em um cenário de ajuste fiscal e vitória de Flávio Bolsonaro.
Mark

Por que os bancos estão tão otimistas com o Ibovespa se há tantas incertezas?

Mimi

Porque estão precificando um cenário específico — vitória de Flávio e ajuste fiscal robusto. Se isso acontecer, a redução de juros reais e a previsibilidade fiscal beneficiam muito as empresas domésticas.

Luke

Mas isso é condicional. O UBS deixa claro que depende da execução das reformas. Quantas vezes vimos promessas de ajuste fiscal que não saem do papel?

Mark

E por que o Banco do Brasil caiu se o mercado está otimista?

Mimi

Porque o JPMorgan viu um problema específico: inadimplência no agronegócio. Mesmo em um cenário fiscal melhor, isso pressiona os resultados do banco nos próximos trimestres.

Luke

Exato. É um lembrete de que nem todas as ações sobem juntas. O setor financeiro tem dinâmicas próprias.

Mark

As promessas de Flávio sobre Bolsa Família e Caixa — isso afeta o mercado?

Mimi

Afeta porque sinaliza a direção das políticas sociais. Se mantém Bolsa Família e expande crédito nas periferias, há implicações fiscais e também oportunidades para empresas de economia doméstica.

Luke

Mas são promessas. Ainda não sabemos se serão implementadas ou em que escala. O mercado está apostando em intenções.

Mark

E aquele número sobre etanol — 62,5 bilhões de litros nos EUA contra 35,9 no Brasil?

Mimi

Mostra que o Brasil tem espaço para crescer, mas também que há barreiras regulatórias e comerciais que limitam a expansão. Não é só produção, é mercado.

Luke

E é um mercado que depende de política externa também. As barreiras americanas não são acidentais.

  • UBS e Itaú BBA projetam alta superior a 30% no Ibovespa, com o índice podendo alcançar 246 mil pontos, mas condicionam tudo à vitória de Flávio Bolsonaro e à execução real de reformas fiscais.
  • O JPMorgan derrubou a recomendação do Banco do Brasil de neutra para venda, citando inadimplência crescente no agronegócio — e as ações BBAS3 despencaram 5,58% em um único pregão.
  • Flávio Bolsonaro buscou acalmar o eleitorado com promessas de manutenção do Bolsa Família e de transformar a Caixa Econômica em vetor de prosperidade nas periferias, mas o mercado pesava cada palavra em termos de impacto fiscal.
  • O rali recente já havia tornado a relação risco-retorno menos atrativa, segundo o próprio Itaú BBA, sinalizando que o otimismo tem prazo de validade se as reformas não avançarem.

No intervalo entre dois turnos eleitorais, o mercado financeiro brasileiro tentava traduzir promessas políticas em números concretos. Grandes bancos projetavam valorizações expressivas do Ibovespa caso um ajuste fiscal robusto se materializasse, enquanto o rebaixamento do Banco do Brasil pelo JPMorgan lembrava que a euforia tem limites e que nem todos os ativos navegam na mesma maré. É o momento em que a esperança e a prudência dividem o mesmo pregão — e cada declaração de campanha é pesada em pontos-base.

Na semana seguinte ao primeiro turno das eleições, o mercado financeiro brasileiro oscilava entre esperança e cautela. Os grandes bancos corriam para traduzir cenários políticos em projeções numéricas, e os investidores tentavam entender quais ativos se beneficiariam — e quais não.

O UBS Global Wealth Management apostou no otimismo: uma vitória de Flávio Bolsonaro combinada a um ajuste fiscal consistente poderia valorizar o Ibovespa em mais de 30%. A lógica era direta — maior previsibilidade fiscal e juros reais mais baixos favoreceriam empresas voltadas ao mercado doméstico. O Itaú BBA foi ainda mais longe, estimando o índice em 246 mil pontos num cenário favorável e calculando que o retorno de investidores estrangeiros e fundos locais às suas alocações históricas poderia injetar R$ 270,2 bilhões na Bolsa. Equatorial, Rede D'Or, Localiza e Sabesp foram destacadas como beneficiárias. Mas o próprio banco fez uma ressalva: o rali recente já havia tornado a relação entre risco e retorno menos atrativa.

Nem tudo era euforia. Na terça-feira 6 de outubro, o JPMorgan rebaixou o Banco do Brasil de neutro para venda, apontando pressão nos resultados por inadimplência no agronegócio por pelo menos alguns trimestres. Apesar de elevar o preço-alvo para R$ 23, o banco americano via potencial de queda de cerca de 13%. No pregão daquele dia, BBAS3 recuou 5,58%, fechando a R$ 24,86 — um lembrete de que nem todos os ativos navegam na mesma maré eleitoral.

No campo político, Flávio Bolsonaro fez acenos ao eleitorado no Rio de Janeiro, prometendo manter o Bolsa Família e ampliar o acesso ao crédito e à capacitação. Sua proposta de transformar a Caixa Econômica Federal em um instrumento de prosperidade nas periferias — sintetizada na frase 'Itaú da favela' — circulou amplamente, sendo pesada tanto pelo eleitorado quanto pelos analistas em termos de custo fiscal.

O quadro daquela semana era o de um mercado em transição: projeções otimistas dependentes de condições ainda incertas, um rebaixamento que temperava o entusiasmo e promessas políticas que ecoavam nos dois lados do balcão — no palanque e nos corredores do mercado financeiro.

Na semana que se seguiu ao primeiro turno das eleições, o mercado financeiro brasileiro oscilava entre esperança e cautela. Os leitores do Money Times buscavam respostas em dois lugares: nas projeções dos grandes bancos sobre o que viria a seguir, e nas reações das ações que já começavam a precificar cenários distintos.

O UBS Global Wealth Management apresentou uma visão otimista. Se Flávio Bolsonaro vencesse e implementasse um ajuste fiscal robusto, o banco calculava que o Ibovespa poderia valorizar mais de 30% nos meses seguintes. A lógica era simples: maior previsibilidade nas contas públicas e juros reais mais baixos beneficiariam especialmente as empresas voltadas ao mercado doméstico. Mas havia uma ressalva importante — tudo dependeria da execução real das reformas e das condições que o mercado internacional ofereceria.

O Itaú BBA foi além nas projeções. A instituição estimava que o Ibovespa poderia chegar aos 246 mil pontos em um cenário de melhora fiscal. Mais do que isso, calculava que se investidores estrangeiros e fundos locais retornassem às suas alocações históricas médias, isso poderia direcionar R$ 270,2 bilhões para a Bolsa. Entre os papéis que se beneficiariam dessa dinâmica, o banco destacava Equatorial, Rede D'Or, Localiza e Sabesp. Ainda assim, havia uma ponderação: o rali recente havia tornado a relação entre risco e retorno menos atrativa.

Mas nem tudo era euforia. Na terça-feira 6 de outubro, o JPMorgan cortou a recomendação das ações do Banco do Brasil de neutra para venda. O banco americano apontava pressão nos resultados por pelo menos alguns trimestres à frente, com a inadimplência no agronegócio como fator central. Apesar de elevar o preço-alvo de R$ 22 para R$ 23, o JPMorgan indicava potencial de queda de aproximadamente 13% em relação ao fechamento anterior. No pregão daquele dia, BBAS3 recuava 5,58%, fechando a R$ 24,86. O entusiasmo eleitoral havia cedido lugar à cautela entre os acionistas.

No campo político, Flávio Bolsonaro fazia promessas que buscavam tranquilizar o eleitorado. Na sexta-feira 9 de outubro, no Rio de Janeiro, o candidato à Presidência afirmou que manteria o Bolsa Família para quem precisasse e ampliaria iniciativas de capacitação, qualificação e acesso ao crédito. Ao falar sobre apoio a mulheres empreendedoras, defendeu que a Caixa Econômica Federal assumisse um papel de incentivo à prosperidade nas periferias — uma frase que circulou como transformar a Caixa em "Itaú da favela". Bolsonaro também acusou o PT de disseminar informações falsas sobre suas propostas para a área social.

Fora do foco eleitoral, o Money Times também cobriu uma comparação entre os mercados de etanol dos Estados Unidos e do Brasil. Os EUA produzem cerca de 62,5 bilhões de litros de etanol, ante 35,9 bilhões no Brasil — uma diferença de 74%. Ainda assim, o combustível predominante nos postos americanos é o E10, composto por gasolina com 10% de etanol. A explicação estava no tamanho do mercado: como o consumo americano de gasolina é muito maior, uma mistura proporcionalmente menor absorve um volume expressivo do biocombustível. A reportagem também abordava as barreiras comerciais e regulatórias à expansão do E15 e o papel das exportações no escoamento da produção brasileira.

O quadro que emergiu daquela semana era o de um mercado em transição. As projeções otimistas dos grandes bancos dependiam de condições que ainda não estavam garantidas. O rebaixamento do Banco do Brasil mostrava que nem todas as ações se beneficiariam igualmente de um cenário fiscal melhorado. E as promessas políticas, embora dirigidas ao eleitorado, também ecoavam nos corredores do mercado financeiro, onde cada palavra era pesada em termos de impacto fiscal e retorno de investimento.

Maior previsibilidade nas contas públicas e juros reais mais baixos favoreceriam principalmente empresas voltadas à economia doméstica
— UBS Global Wealth Management
Pretende manter o Bolsa Família para quem precisa e ampliar iniciativas de capacitação, qualificação e acesso ao crédito
— Flávio Bolsonaro
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Money Times ↗
Nous contacter FAQ